Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

O problema das linhas de alta tensão

Ninguém gosta de linhas de Alta Tensão. As pessoas porque, e com razão, desconfiam dos enormes campos electro-magnéticos. Os políticos não gostam delas, porque as pessoas não gostam delas. E também porque custam muito dinheiro... Os ecologistas, esses nem se fala!

Mas numa sociedade que depende da energia, cada vez mais, elas têm que ser feitas. Quando não são feitas, acontece entre outras coisas, o que está a acontecer ao T. Boone Pickens nos Estados Unidos. Encomendou 667 ventoinhas, mas agora não tem onde as colocar. Quer dizer, até as pode colocar onde quer, mas a energia é que não sai de lá...

Olhando para a rede energética americana, especialmente a de muita alta tensão (visível no segundo link), até se percebe porquê... No centro do país estão concentrados os melhores locais para produzir energia eólica, mas esse é igualmente o local onde não existe qualquer rede de muita alta tensão.... Porque será que Pickens et al. não pensam nisso primeiro???

www.triplepundit.com/pages/t-boone-pickens-to-sell-667-wind-turbine.php
www.americanprogress.org/issues/2009/02/wired_for_progress.html

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Corram-nos à pedrada

Em Portugal, a justiça raramente funciona, mas quando funciona... Fernando Ruas, presidente da Câmara de Viseu e presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), foi condenado a pagar 100 dias de multa, a 20 euros por dia (logo, 2000 euros).

A história que leva à condenação ocorreu na Assembleia Municipal de 26 de Junho de 2006, onde o presidente da Junta de Freguesia de Silgueiros fez queixas dos vigilantes da natureza. Fernando Ruas lá afirmou: "Arranjem lá um grupo e corram-nos à pedrada. A sério, nós queremos gente que nos ajude e não que obstaculize o desenvolvimento. Estou a medir muito bem o que estou a dizer".

http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1391575

Sábado, 11 de Julho de 2009

Subida e descidas dos mares

À medida que vou investigando o estado actual da subida dos mares, as surpresas vão aparecendo. Agora faço um ponto de situação sobre a evolução observada em algumas estações, especialmente do Atlântico e algumas do Pacífico, do lado do continente americano. As duas tabelas seguintes revelam a tendência de crescimento do nível dos mares, se se mantiverem as tendências de 2000, 2003 e 2006, ao presente. Os valores são em centímetros, e referem-se ao valor da tendência extendida a 100 anos. Os valores a vermelho denotam subidas, enquanto a azul significam uma descida do nível dos mares.

A primeira tabela incorpora estações referenciados em Douglas (1997). Infelizmente, das 23 estações, ainda só consegui encontrar dados de relevância para os últimos nove anos para onze das estações. Curiosamente, das duas estações portuguesas, não há dados relevantes.

PaísEstaçãoGLOSS2000-20092003-20092006-2009
PanamáBalboa16884-197147
FrançaBrest242-4933-99
Estados UnidosHonolulu10826-144-357
Estados UnidosKey West2162311-154
Estados UnidosLa Jolla15923-86-350
FrançaMarseille205-13-19150
Reino UnidoNewlyn241-933-161
Estados UnidosPensacola28814-10359
Estados UnidosSan Diego-32-79-216
Estados UnidosSan Francisco158-1-127-143
Nova ZelândiaWellington101628114

Na segunda tabela, juntei estações com dados relevantes da rede GLOSS. Esta tabela será aumentada com mais estações a nível mundial no futuro próximo.

PaísEstaçãoGLOSS2000-20092003-20092006-2009
AustraliaCocos Island046-2523246
África do SulPort Elizabeth076-49-9916
Estados UnidosDutch Harbor102-49-143-181
ChileEaster137-129-460-319
ChilePuerto Montt178-117-157-95
Estados UnidosGalveston21714-54-58
CanadáSt Johns2232928-148
EspanhaLa Coruna2437149-80
PortugalPonta Delgada2457775129
EspanhaLas Palmas25118-143
Reino UnidoPort Stanley305301268
Cape VerdePalmeira305553223

Os dados dão lugar a interpretações muito interessantes. Realço o facto de que, em apenas três estações, a tendência dos últimos nove anos permite perspectivar uma subida superior a meio metro em 100 anos! Registe-se igualmente o acelerar da tendência de descida com os últimos anos...

Frio nas antípodas

Enquanto o Verão anda tímido por estas bandas, nas antípodas faz um frio anormal. Normalmente não ligamos muito ao que se passa nas antípodas, mas se o Aquecimento é Global, ele não deve acontecer apenas pelos nossos lados.

Na Nova Zelândia, Maio registou temperaturas extremamente baixas, entre 2.0 a 2.5 °C abaixo da média, nas zonas mais a sul. A média nacional foi 1.6°C abaixo da média mensal de Maio. Tudo isto com muita precipitação à mistura. Segundo Georgina Griffiths, do NIWA, este mês de Maio foi o mais frio de que há registo.

Acresce ainda a falta de sol que afectou muitas zonas, deixando a população deprimida. Felizmente, Junho já lhes trouxe mais sol, mas o frio está para ficar. Mas como eles gostam de esquiar, o problema está resolvido, com muitas estações a abrirem muito antes do habitual...

www.niwa.co.nz/our-science/climate/publications/all/cs/monthly/mclimsum-09-06
www.niwa.co.nz/our-science/climate/publications/all/cs/monthly/mclimsum-09-05
www.times-age.co.nz/local/news/may-the-coldest-on-record-niwa-figures-show/3901165/
www.skiinfo.com/News-104-en.jhtml?a=139506

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Mais mar a baixar


Depois da análise de ontem ao nível do mar, observado em três marégrafos próximos do país (Continente), recebi três mensagens de desagrado. Nelas há um denominador comum: como é possível o mar estar a descer, se toda a gente afirma o contrário?

Tal seria efectivamente possível: assim como as temperaturas sobem nuns locais, descem noutras. Poderia por isso acontecer que nós Portugueses estevessemos com sorte, com as desgraças do Gore e companhia a não nos afectarem. Por isso, fui mais longe, ampliando a área abrangida pela análise, com mais três estações. Continuam localizadas no Atlântico europeu e africano, e reforçam a análise de ontem.

Em Palmeira, em Cabo Verde, a tendência nos dois primeiros períodos de três anos foi decrescente, mas subiu nos últimos três anos. Note-se uma falta importante de dois blocos de dados. A análise global dos últimos nove anos é mesmo assim positiva, com uma subida correspondente a pouco mais de 54 cm por século.

Em Newlyn, no Reino Unido, nos dois últimos períodos de três anos, a tendência foi claramente descendente. À velocidade a que desceu nos últimos três anos, o nível dos mares desceria 1.60 metros em 100 anos! Se considerarmos os últimos nove anos, mesmo assim a tendência é decrescente, de cerca de 9 cm por século.

O caso mais interessante é o de Brest em França. Nos últimos três períodos de três anos, a tendência foi sempre decrescente. Considerando os últimos nove anos, a tendência é descrescente, com uma descida correspondente a quase meio metro durante um século.

Adicionalmente, o caso de Brest é paradigmático, dado que é uma estação com dados desde 1846. E que acompanhou durante as últimas décadas a tendência de subida observada. Porque estará o nível do mar a descer aí? Será porque toda a gente afirma o contrário???

Mar não sobe à volta de Portugal...


Uma análise dos dados disponíveis sobre o nível dos mares revela que a situação que se verifica à volta de Portugal é tudo menos alarmista. Há muito que sigo este temática, e avolumam-se os sintomas que alguma coisa não vai bem neste domínio. A nível nacional, porque os dados existentes são inexistentes ou maus. Ou então existem, mas não chegam às Bases de Dados Internacionais.

Em frente. Na falta de dados do último semestre, relativos a dados de satélite, no site da Universidade de Colorado, fui procurar os dados dos marégrafos próximos de nós. A primeira surpresa é a falta surpreendente de Cascais que é dada como inactiva, ou com dados ultrapasssados. Nos dados recolhidos da Base de Dados GLOSS, das quatro estações em Portugal, apenas a de Ponta Delgada se aproveita minimamente, embora com grandes falhas.

Por isso, fui buscar mais duas estações de Espanha, que permitiam uma triangulação da costa Portuguesa. Os dados diários foram tratados numa folha de cálculo, calculando-se para os três períodos de três anos anteriores, qual a tendência (regressão linear) de evolução do nível dos mares. Os resultados são muito engraçados!

Em La Coruna, o mais próximo da costa portuguesa, a tendência foi de descida em dois dos períodos de três anos. Considerando os nove anos, a tendência é de subida, à taxa de 0.7mm por ano, o que dá uma subida por século de 7cm, menos de metade da subida de 18cm observada em todo o século XX.

Ponta Delgada revelou uma tendência de crescimento em todos os três períodos de três anos. Note-se todavia a falta significativa de valores. A subida observada ao longo dos nove anos pressupõe uma subida maior do nível dos mares, e a manter-se esta tendência, a subida seria de cerca de 77cm em 100 anos.

Finalmente, em Las Palmas, que tem a série mais completa de dados, não há dúvidas: o mar está a descer à volta das Canárias! Até à vista desarmada se confirma que os valores vão descendo ao longo dos últimos anos. Se se considerarem os últimos seis anos, e se se mantivesse essa tendência, este século significaria uma redução de cerca de 14cm no nível do mar!

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Legado de Pinho

Agora que o Pinho se foi, vão-se sabendo mais algumas verdades. Como a de termos a gasolina mais cara da União Europeia antes de impostos. Tal foi verdade para o primeiro semestre, em que descontando os impostos, o nosso país é mesmo o que pratica o preço da gasolina mais caro entre os 27 estados-membros.

É claro que o presidente da Galp Energia, Ferreira de Oliveira veio logo tranquilizar-nos, garantindo que os preços médios dos combustíveis em Portugal foram inferiores aos praticados em Espanha durante o primeiro semestre deste ano. Convenientemente, acrescentou agora na RTP que são esperadas novas quedas acentuadas nos preços dos combustíveis, em breve.

Que (in)conveniente!

www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=376424