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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

The ClimateGate Secret Meeting

A usual reader of the blog sent me yesterday an interesting news from a Portuguese newspaper. It deals with the classic Medieval Warm Period problem, in the most green Portuguese newspaper. I immediately recognized one of the worst environmental journalists in Portugal, dealing with one of my favorite issues. Interestingly enough, Ricardo Trigo, a portuguese climatologist, was trying to explain the pseudo-science behind climate change and global warming, confusing things like Greenland's vikings and Maunder's Minimum.

But what really interested me in the story was a reference to Phil Jones, the person in the center of the ClimateGate controversy. And references to a conference in Portugal, regarding the Medieval Warm Period. I spent some time trying to figure out what had happened. Turned out that I had not read the news with attention: the conference had happened a month before!

Between 22 and 24 of September, a symposium entitled "The Medieval Warm Period Redux: Where and When was it warm?" was organized in Lisbon, Portugal. The Climategate mob was here, including Phil Jones, Michael Mann, Malcolm Hughes and Raymond Bradley. I bet the main point on the agenda was how "to get rid of the Medieval Warm Period". The abstracts for the conference are available here. Probably, the best abstract of the symposium was for Malcolm K. Hughes (highlights are my responsibility):

We meant the title of our 1994 review “Was there a Medieval Warm Period, and if so Where and When?” (Hughes and Diaz, 1994) to be read in two ways. Firstly, it was to be read quite literally. Secondly, it was meant to be ironic. The literal reading was rewarded by an attempt to identify and synthesize records thought to be appropriate to this task. Irony was used to imply that, since a clear and simple answer was not forthcoming from the review, it might be useful to reformulate the question. Please read the title of this abstract in the light of this explanation of the 1994 title.

The trajectories of these two concepts (“Medieval Warm Period” and “Medieval Climate Anomaly “) will be traced. A case will be made for the abandonment of both of them, on the grounds that they are inappropriate, uninformative, and that they very probably divert attention from more revealing ways of thinking about the Earth’s climate over the past two millennia.

It is clear from many recent publications, especially many of the abstracts submitted for this meeting, that high-resolution paleoclimatology has moved firmly from the mode of descriptive climatology to that of physical climatology. As a result, there is little utility in picking over definitions of the geographic and temporal extent of putative epochs, especially in the Late Holocene. The pressing questions concern the dynamics of the climate system, and the relative roles of free and forced variations, whether the forcings are anthropogenic or not.

All the information I've got till now makes me believe that this was an almost secret meeting. No news transpired, not even here in Portugal. Given the abstracts, and the one seen above, their intentions are clear! If Ricardo Trigo kept his mouth shut, nobody would probably hear about it. So I wish to thank my loyal reader for bringing this to our attention.

domingo, 12 de setembro de 2010

Calor Urbano na América do Sul


O blog Sol e Mudanças Climáticas, que referencio ao lado, elaborou um post sobre as ilhas de calor urbano na América do Sul, e que tinha saído originalmente no blog do Metsul. O artigo completo merece ser lido, sendo evidente como as ilhas de calor urbano provocam uma notória subida nas temperaturas das grandes cidades, enquanto noutros locais se verificam mesmo descidas. No primeiro gráfico acima, relativo a Buenos Aires, a tendência de subida tem sido imparável. Logo mais a sul, a estação de Mar del Plata, entre outras, não exibe a tendência de subida da capital da Argentina. O Metsul percorre muitos outros exemplos que dão que pensar, pelo que não percam o post completo.

Nota: O título do post foi corrigido, dado a referência do Metsul ser ao continente da América do Sul.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Contas à Quercus

A Quercus fez ontem um balanço do consumo de electricidade até Agosto. Não sei qual o esforço envolvido em traduzir a página da REN sobre o mês de Agosto, mas vou começar a cronometrar quanto tempo vai demorar a resposta.

A primeira ideia é a de que há "muitas renováveis". Pois houve e isso foi à custa de muita energia hidraúlica produzida! Segundo os dados da REN, produziram-se 6562 GWh de barragens em fio de água, 4873 GWh de Albufeiras e 1000 GWh de hidraúlica no PRE (essencialmente mini-hídricas). Um total de 12435 GWh de energia renovável, que representa mais de dois terços (67.50%) do total de energia renovável gerada no país (juntar 5867 GWh de eólica e 121 GWh de solar). Se a Quercus se congratula com isto, porque está então contra as barragens?

Uma ideia seguinte é a do grande aumento do consumo. Que aumentou 5.5% em relação ao ano anterior. Um "aumento de forma avassaladora" e "crescimento insustentável"! A Quercus tem a lata até de destacar o mês de Março, onde o aumento em relação ao mês homólgo foi de 12.3%. Porque terá sido? Será que foi porque esse mês, bem como o de Fevereiro, tiveram valores de temperatura bem abaixo da média, conforme se pode ver pelos dados do Instituto de Meteorologia? É caso para se dizer: volta Aquecimento Global, que estás perdoado!

A Quercus mete-se ainda pela congratulação da exportação de energia, sem fazer as contas. Nem a quanto está a custar esta brincadeira das eólicas e solar.

Resumindo, um comunicado estéril, que se pode rebater ponto por ponto. E de forma muito rápida: este post, com todos os detalhes foi feito em 12 minutos...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Lima congelou Sevilha

É com satisfação que vou lendo alguns artigos nos Media, a gozar com o Aquecimento Global, que os leitores me vão enviando. Pode-se dizer que um jornalista desportivo não é um cientista, mas Eugénio Queirós, no Record, saiu-se com um "Com este raio de cLima até Sevilha congelou". Vejamos o início e final do artigo:

A cruzada de Al Gore sobre o aquecimento global continua a ser sabotada. Rodrigo José Lima dos Santos, vulgo Lima, conseguiu congelar Sevilha numa noite de Verão!
(...)
“Sou um avançado, dependo e necessito de golos”, disse, feliz, em Sevilha, confrontado com uma chuva de microfones quando o termómetro marcava ainda 34.º enquanto Sevilha tremia de frio...

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Cobarde Cameron

James Cameron é um realizador de cinema muito conhecido. Há uns meses, resolveu disparatar em todas as direcções:

"That's right," Cameron said. "I want to call those deniers out into the street at high noon and shoot it out with those boneheads."
Turning more serious, he added: "Anybody that is a global warming denier at this point in time has got their head so deeply up their a** I'm not sure they could hear me."

Os representantes de Cameron desafiaram há umas semanas Marc Morano, Ann McElhinney e Andrew Breitbart, para um debate na conferência AREDAY, uma conferência sobre a economia verde... Os cépticos não se intimidaram. Cameron queria que esse debate fosse efectuado no final da conferência, e fosse transmitido em directo na Internet. Cameron estava até entusiasmado com a presença dos Media, naquilo que antevia fosse uma goleada...

Morano e companhia aceitaram as condições. Mas Cameron começou a mudar de ideias. Primeiro quiseram mudar a equipa deles; Morano et al. não se importaram. Mudaram o formato do debate. Proibiram as filmagens do lado dos cépticos, e estes acabaram por concordar. Depois, proibiram o vídeo, e mais à frente Cameron baniu a presença dos Media. Depois, até tentou banir a audiência, permitindo apenas a presença dos conferencistas. Não haveria também transmissão na Internet.

Sábado, um dia antes do debate, o cobarde e hipócrita Cameron cancelou o debate. Morano ainda ia a voar para a conferência. Morano ainda fez uma apresentação que era suposto durar 90 minutos, mas os trigloditas alarmistas boicotaram a sua apresentação. O nível desceu ao ponto do relato seguinte:

One participant confused carbon dioxide with carbon monoxide. She suggested I kill himself by driving my car into my garage and then close the doors with the engine running. I twice attempted to explain to the ARDAY conference participant that there was a difference between carbon dioxide -- a harmless trace essential gas we exhale from our mouth-- and toxic carbon monoxide, but to no avail. I sadly shook my head and told the audience: "Wow, what a warm welcome I have gotten here."

Actualização: Notícia em desenvolvimento no Watts Up With That.
Actualização 2: Começam a ser conhecidos os contornos das cambalhotas dos representantes de Cameron.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Mais pseudo-ciência de mamutes

Saiu mais uma barbaridade sobre mamutes. Num recente estudo publicado na "Quaternary Science Reviews", com o título "Last glacial vegetation of northern Eurasia", Allen et al., argumentam que foram as alterações climáticas que levaram à extinção dos mamutes. Tudo, claro, baseado em modelos computacionais complexos...

A mensagem subliminar é clara: se aqueles simpáticos herbívoros morreram porque o planeta ficou mais quente, então por exemplo, os ursos polares não terão qualquer hipótese... Nós, por cá, temos jornalistas ávidos destas notícias. Filomena Naves, do Diário de Notícias, lançou imediatamente cá para fora a notícia: "Aquecimento da Terra ditou fim dos mamutes". Mas será que esta jornalista já não se lembra da última notícia com que nos brindou sobre mamutes? Pois é, foi há menos de três meses, e na altura o título foi "Extinção de herbívoros causou arrefecimento" a que nos referimos aqui.

Mas há mais estudos da treta sobre mamutes nas últimas semanas. Doughty et al., em "Biophysical feedbacks between the Pleistocene megafauna extinction and climate: The first human-induced global warming?" argumentam que os mamutes deixaram de comer bétulas, conclusão calculada a partir de um proxy de pólen. Em função disso, as bétulas prosperaram, o albedo aumentou, o calor aumentou e os mamutes morreram...

Resumindo, umas fogueiras dos homens das cavernas devem ter aquecido o Planeta; em função disso, os mamutes começaram a morrer (provavelmente no espeto), deixaram de comer bétulas e depois disso deixou de haver gases na atmosfera, e depois veio o arrefecimento? Não há pachorra para estes cientistas e jornalistas...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Período Quente Medieval de regresso

A notícia de mais uma machadada, porventura definitiva, no hockey-stick, está há dois dias no Watts Up With That. Os leitores sabem que eu raramente duplico aqui posts do site de referência dos cépticos, mas neste caso temos que abrir uma excepção.

O artigo, a publicar na próxima edição de "The Annals of Applied Statistics", de Blakeley B. McShane e Abraham J. Wyner, chama-se "A Statistical Analysis of Multiple Temperature Proxies: Are Reconstructions of Surgace Temperatures Over the Last 1000 Years Reliable?". Para todos os efeitos, o artigo resulta claro apenas pela leitura do seu abstract (realces da minha responsabilidade):

Predicting historic temperatures based on tree rings, ice cores, and other natural proxies is a difficult endeavor. The relationship between proxies and temperature is weak and the number of proxies is far larger than the number of target data points. Furthermore, the data contain complex spatial and temporal dependence structures which are not easily captured with simple models.
In this paper, we assess the reliability of such reconstructions and their statistical significance against various null models. We find that the proxies do not predict temperature significantly better than random series generated independently of temperature. Furthermore, various model specifications that perform similarly at predicting temperature produce extremely different historical backcasts. Finally, the proxies seem unable to forecast the high levels of and sharp run-up in temperature in the 1990s either in-sample or from contiguous holdout blocks, thus casting doubt on their ability to predict such phenomena if in fact they occurred several hundred years ago.
We propose our own reconstruction of Northern Hemisphere average annual land temperature over the last millenium, assess its reliability, and compare it to those from the climate science literature. Our model provides a similar reconstruction but has much wider standard errors, reflecting the weak signal and large uncertainty encountered in this setting.

domingo, 15 de agosto de 2010

Agosto em Portugal

Os alarmistas portugueses andam por aí a pavonear-se. Filipe Duarte Santos é o que mais se desdobra por aí, e conjuntamente com Viriato Soromenho Marques, aparecem por exemplo num artigo vergonhoso do Jornal de Notícias. Alguém lhes explique por favor as diferenças entre tempo e clima?

Os alarmistas andam activos em Portugal, e no Mundo inteiro, por causa da Rússia. A razão é fácil de perceber, porque realmente fez calor para os lados da Rússia. Por cá, toda a indústria do Turismo, e os estrangeiros no Algarve, se regozijam. Tirando os fogos, tema ao qual voltaremos, temos todos razão para sorrir. Ao contrário do resto do Mundo, onde uma grande parte tem experimentado um frio significativo, conforme se pode ver na imagem acima (clicar para ampliar), retirada de um site da NASA. Pode-se perguntar porque ninguém fala do frio da Rússia central, onde o gelo do Árctico não tem derretido? Ou então da Europa? Em grande parte da Eurásia, norte de África e Alaska, numa análise do Watts Up With That, há 43% mais pontos abaixo da temperatura normal, que acima...

Resumindo: muita sorte teve quem escolheu Portugal para estas férias do início de Agosto. E esperemos que assim continue na segunda metade!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Pecados e Absolvição

Continuamos hoje uma série de posts sobre a doutrina do Aquecimento Global, iniciada a semana passada com o conceito de Fé. Hoje falaremos dos pecados e absolvição, nos domínios do Aquecimento Global.

Um pecado consiste numa desobediência, em pensamento ou acto, a um princípio teológico. Um dos principais princípios da Religião Alarmista é o das emissões de carbono, sobretudo o CO2, causarem o Aquecimento Global. E um dos pecados mais graves é contribuir para essas emissões. Tal como o pecado original, relacionado com o sexo, a Nova Religião concebeu o seu pecado principal como algo que a Humanidade não consegue evitar. Afinal, antes do sexo, o carbono é a base da vida, sendo o alimento base das plantas. Mas apelidado de gás poluente e tóxico, estão criadas as condições para todos pecarem...

Esta generalização do acto de pecar é crítica no passo seguinte, que consiste na absolvição, uma declaração de perdão dos pecados confessados, mediante emissão de penitência. No Aquecimento Global, os créditos de carbono, entre outros, cumprem esse papel. Em ambos os casos, o clero é o destinatário habitual destas indulgências, garantindo a sua existência, subsistência e domínio.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Que treta de Ludwig Krippahl

Ludwig Krippahl, professor auxiliar na Universidade Nova de Lisboa, mantém o blog Que Treta! Descobri-o há dois meses atrás, e pareceu-me um exercício interessante, para um investigador académico. Mas nos últimos dias, imbuído certamente pelo calor que faz, resolveu aderir à religião do Aquecimento Global. Num post de há uma semana, Ludwig até tinha consciência das suas limitações:

Tal como com a teoria da evolução, também as conclusões científicas acerca do aquecimento global são rejeitadas por uma franja extremista dedicada a atrapalhar quem tenta compreender o impacto que temos sobre o clima. Mas, ao contrário do que se passa com a teoria da evolução, não tenho nem conhecimento nem paciência para lidar com esses.

Ludwig sabe, que Galileu também constituía uma franja extremista. Como bom cientista, em vez de argumentos, começou o seu post de ontem, com um habitual ataque ad-hominem. Ludwig parte depois para uma dissecação de alguns posts recentes. Critica as notícias de frio na América do Sul, mas aceita certamente de bom grado o calor que faz em partes da Rússia. E fala da tendência global, certamente ignorando por completo que depois de uma Pequena Idade de Gelo, o natural é as temperaturas subirem...

De seguida parte para os atóis do Pacífico. O Ludwig deve desconhecer muita coisa da subida do nível dos mares, a começar por onde ele estava há 18000 anos atrás. Ele que gosta de tendências, devia ver era como é que a Natureza respondeu a subidas muito mais vertiginosas que a presente, há uns milhares de anos atrás.

E o deturpar das minhas palavras continua em relação ao post dos sacos plásticos. Ludwig acredita que eu critico os sacos reutilizáveis. Em nenhum momento do post isso é assim: o que eu critico são os ambientalistas, que defendem os sacos reutilizáveis, mas que se esquecem inconvenientemente de os mandar lavar. Talvez porque o resultado final das contas ainda favoreça os sacos plásticos, sobretudo para aqueles que compram sacos de plástico para enfiar o lixo...

A irracionalidade e irresponsabilidade que Ludwig me aponta, é aquela que certamente ele vê no seu espelho. Para Ludwig, tudo o que ele diz e defende são "evidências sólidas e conclusivas. E contra evidências só mesmo falácias." Típica visão do clero renascentista, que não queria saber do método científico...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A Fé do Aquecimento Global

No seguimento do post da última quarta-feira, sobre Espiritismo e Ecologia, começo aqui uma série de posts sobre a doutrina do Aquecimento Global. Embora não sendo um especialista sobre Religiões, farei uma aproximação às evidencias de proximidade entre os dois conceitos.

Um conceito central nas religiões é o da . A Fé é um conceito bem expresso pelas palavras de Francisco Ferreira, na entrevista com o saudoso Rui Moura, em que o primeiro debita um "Tomara eu acreditar no que diz", que mereceu de Rui Moura pronta resposta: "A Ciência não é de acreditar e não é, digamos, uma Religião. Na Religião é que há quem acredite e quem não acredite. Isto aqui tem que se provar!"

Os alarmistas gostam de utilizar o nome da ciência, mas não gostam do seu método. Proclamam o Aquecimento Global, assim como proclamaram o Arrefecimento Global há umas décadas atrás. Para eles não há lugar ao cepticismo; para os restantes, há que acreditar no Aquecimento Global, e ponto final. Mesmo para o clero, o que interessa é existir uma forte convicção de que algo seja verdade, como o demonstra, por exemplo, a activista do Greenpeace nesta célebre reportagem.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Espiritismo e Ecologia


André Trigueiro é um dos jornalistas ecochatos mais conhecidos do Brasil. Apresenta o programa "Cidades e Soluções", dos quais o vídeo acima é um exemplo de ecochatice, conforme os leitores habituais deste blog podem constatar, neste caso sobre a falácia dos empregos verdes.

Este post visa todavia destacar um dos contributos essenciais de Trigueiro, o seu livro "Espiritismo e Ecologia". Os leitores habituais já estão conscientes da nova religião que o Aquecimento Global representa, bem como dos seus profetas. Mas Trigueiro vai mais longe, identificando os muitos pontos em comum que existem entre o Espiritismo e a Ecologia. Fica uma lista com os capítulos do livro do líder desta seita:
  • O Espiritismo em frases de efeito
  • Sinais de alerta
  • Espiritismo e Ecologia
  • No fervilhar do século XIX
  • Kardec e Haeckel
  • A ciência espírita
  • A ciência ecológica
  • Construindo pontes de afinidade
  • O planeta está dentro de nós
  • Em busca da sustentabilidade
  • Senso de urgência
  • Lei de Destruição
  • Poluição e Psicosfera
  • Consumo consciente
  • Mídia, Criança e futuro
  • O consumo segundo o Espiritismo
  • Sustentabilidade como valor espiritual
  • Um planeta vivo?
  • Uma nova chance para o amor universal
  • Enquanto isso, nos centros espíritas
  • Um pequeno dicionário ambiental

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Amareleja aquece mais jornalistas


Nesta estupidez dos 50ºC da Amareleja, que já afectou vários Media nacionais, um leitor enviou-me um link para mais outro afectado: o Expresso. A jornalista Paula Cosme Pinto foi saber como é que é a vida na Amareleja, e começou o artigo com um estonteante (realces da minha responsabilidade):

Na Amareleja os termómetros chegaram esta semana aos 50º graus. Habituados às altas temperaturas, os habitantes da terra garantem não ter medo do calor: "O inverno custa mais", garantem.

Mas a parte mais divertida é ver o vídeo, a partir dos 03:45. Os Amarelejenses é que sabem (realces da minha responsabilidade):

Jornalista: Numa semana onde os 50ºC registados na Amareleja fizeram notícia, as gentes da terra poem em causa a veracidade das temperaturas.
Amarelejense1: Eu tenho 60 anos e toda a vida me lembro destas temperaturas. Como está a correr este ano, não é nada fora do normal. Isso é só propaganda das pessoas. Ahh 50... Mas onde é que..? Quem é que pode dizer que houve 50 na Amareleja?
Amarelejense2: 50? Nããã... Não sei se isso foi 50... Não sei se era verdade...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

50ºC na SIC


E isto não pára! Agora foi outro leitor que me enviou um link para uma reportagem da SIC, também sobre a Amareleja. Confesso que não sei quem começou esta confusão, mas nenhum dos meios de Comunicação Social envolvidos (SIC, TVI e jornal i) sai bem na fotografia. A reportagem da SIC começa com o relato dos 50ºC, depois o mais conhecido termómetro da Amareleja marca 46ºC, e o locutor diz que a temperatura se aproxima do recorde lá da terra. Que em rodapé é referenciado correctamente como 47.4ºC, sendo uma delícia aos 1:52 assistir ao relato do jornalista a referenciar 47.3ºC. É de confundir qualquer tele-espectador!

Farmácia Portugal

Aparentemente, a Farmácia Portugal é a farmácia dos célebres 50ºC da Amareleja. Quando tudo fazia crer que não era possível fazer pior que a reportagem da TVI, apareceu o jornal i, para mim claramente o pior jornal do momento! E a reportagem que eles fizeram, e que pode ser consultada aqui (provavelmente será apagada), merece ser citada para a posteridade (realces da minha responsabilidade), pois pior acho que não é possível:

A vila está deserta ao meio-dia. O termómetro da farmácia Portugal regista pelo segundo dia consecutivo a marca 50
(...)
O i foi visitar a vila famosa pelos recordes de temperatura - o último, confirmado pelo Instituto de Meteorologia, foi em 2003, com 47,3 oC. Ontem, pelo segundo dia consecutivo, o já emblemático mostrador da Farmácia Portugal, no centro da vila, atingiu os 50 oC por volta do meio-dia.

Chega-se pela Estrada Regional 385. O termómetro do carro aponta 42 oC, sempre a subir desde Évora. A vila está completamente deserta e à partida não dá para perceber se por falta de gente ou por reclusão. O professor Revez deixa interromper a aula. "Não digo que não marcasse os 50 oC, mas não é verdade de certeza absoluta", atira Maria Angelina Carreteiro, 50 anos. É que se tivesse sido, e isto é de gente que sabe, não se aguentava sair de casa, e elas estão ali.

"Foi sempre assim, os antigos ainda sofriam mais do que nós. Eu ainda andei no calor no campo, de xaile, lenço e manguitos. Agora é que estranhamos o calor", acrescenta Joaquina Piriquita, 51. No lar do centro social da Amareleja, paredes-meias com a casa do povo, o fresco vem das portadas fechadas. Marcolino Correia, 83 anos, aceita falar. Passa os dias entre cassetes de música, auscultadores à séria e desenhos de mulheres que começam sempre com uma lembrança da sua. Saiu da Amareleja aos 20 e voltou em 2000. "O calor a gente já não sente, mas antes o que havia era mais chuva. Carregávamos os fardos de palha debaixo de chuva e trovoada; agora chove pouco ou nada."

dava-LHES o preto É difícil encontrar gente nova, apesar de serem cerca de dois mil habitantes. A vila tem escola básica, mas depois segue-se para Moura. E de qualquer forma é o início das férias. "Quem pode vai para o estrangeiro. Quem fica pega pelas 6 horas, agora anda-se na apanha do melão e da melancia para os lados do Alqueva", explica Joaquina Piriquita. Já a mais velha toda a gente sabe quem é: Chica Ramos. O genro Marcelino Botelho, 75 anos, é o anfitrião da casa. Durante anos foi o único barbeiro na vila, agora há um cabeleireiro moderno em frente à Farmácia Portugal. O negócio vai estando parado, sobretudo na hora de maior calor, e muitos vêm pelo pente zero, que demora a crescer, ri. "Lembro-me de um domingo há 15 anos, acho que foram 48,7 graus, estava na pesca e os peixes nem se mexiam dentro de água", conta numa sala adaptada a barbearia, com uma cadeira das antigas ao centro. "Lembro-me de haver dias de muito calor e muito frio, até de cair neve aí nos anos 40, e isso nunca mais aconteceu. E quando era Verão, era Verão", remata. "Até havia aí um ditado quando se queria castigar alguém: 'O que te desejo é seis meses iguais aos de Agosto'."

Chica Ramos, 98 anos feitos em Junho e que na realidade se chama Francisca Guinapo Arranjado - na vila ninguém se conhece pelo nome próprio, explicam-nos - domina outras expressões. "Com o calor dava o preto a muita gente", explica. "Já eu nunca perdi o algarismo" - nunca desmaiou. E fala da doença de Parkinson quase como se não fosse sua, com uma idade invejável. "O calor? Eu já não tenho idade para aguentar nada", brinca. Mas tem, só que o calor não a deixa sair de casa para se distrair com a "conversinha do passado." Dantes ia para a rua; agora não acha posição em casa, apesar de um dos segredos ser manter tudo fechado como a encontramos, às escuras no sofá da sala. "Íamos mal vestidas, deitávamo-nos no chão, ao pé da porta da rua, comíamos gaspachozinhos."

Pôr cestas com comida a refrescar dentro dos poços é outra das coisas de antigamente: agora o pior é quem não tem ar condicionado e se contenta com a ventoinha. A tarde vai correndo. O termómetro do carro mantém os 42 oC já bateram as seis da tarde. Domingos Silva, 84 anos, também a não parecerem, passa apressado à frente da Farmácia Portugal. "São quase dois quilómetros que faço de casa até ao centro e com este calor não há ninguém a quem dizer bom dia ou boa tarde", puxa conversa. Mas é falta de gente? "Não, está tudo em casa à espera que a sombra tape as ruas. Tinha de ver nas festas de Agosto, nem se consegue andar aqui", garante. Diz que dali a duas horas vão estar uns 50 a jogar malha ao pé da torre do relógio, o momento de convívio de todos os dias. "50 oC? Eu nem olho para o termómetro. Estive em Lourenço Marques, com 50 oC as galinhas morriam nas capoeiras. Para a agricultura é menos mau, as searas só se vão com gelo. E nós estamos aclimatizados."

Nós não. "Que calor", dizemos. "Aqui diz-se 'que calma'", responde.

domingo, 4 de julho de 2010

Previsões da treta

No blog de Luboš Motl, descobri o documento ao lado. De 1969, de um senador democrata (Daniel Patrick Moynihan), para o Governo de Nixon, alerta-se para o problema do dióxido de carbono. Então, como agora, o que estava a dar era ser alarmista. Mas como já passou tempo suficiente, já podemos ver como se comportaram as previsões:

Aumento
Previsto
Aumento
real
Erro
percentual
CO281 ppm45 ppm80%
Temperatura3.9 °C0.3 °C1200%
Subida Mar305 cm10 cm2950%

Como se pode perceber, as previsões sairam completamente furadas. Algo que voltará a acontecer em 2020, 2050, 2100, e por aí fora...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Lista dos trigloditas

Um estudo feito por um informático canadiano, mas logo secundado por alguns dos trigloditas climáticos, nomeadamente Stephen Schneider, já bastante conhecido dos leitores deste blog, revela que 97 a 98% dos investigadores climáticos suportam o Aquecimento antropogénico defendido pelo IPCC...

Neste aspecto, não há grande novidade. Afinal Galileu era uma percentagem infinitesimal há 500 anos atrás. O que surpreende neste estudo é a sua excepcional má qualidade! A lista negra dos cépticos tem inúmeras gralhas, como múltiplos posts na blogosfera e imprensa tem evidenciado! A utilização de ferramentas como o Google Scholar só evidencia como ferramentas muito úteis podem ser completamente mal utilizadas.

Mas o ponto que interessa aqui relevar é que o estudo cinge a comunidade científica nacional, na área climática, a dois cientistas: Jose Pinto Peixoto e Renato Henriques. Estes nomes foram confirmados ao Ecotretas, por e-mail, por Jim Prall, um dos autores do estudo, o informático que mantém tal lista. Um alarmista e um céptico, vejam só, em Portugal! 50%! Nada dos parasitas, nem de cépticos, alguns bem conhecidos em termos internacionais. Por isso, estudos destes, só pro caixote do lixo...

Actualização 2010/07/08: O Miguel Araújo descobriu hoje o artigo, mas ainda não descobriu que só há dois cientistas relacionados com o clima em Portugal...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Tretas de Saramago

José Saramago morreu hoje. Não gostava, nem dele, nem da escrita dele. Aos leitores deixo-lhes a visão de um Prémio Nobel, a propósito do sismo no Haiti, pouco esclarecido:

Haverá outros terramotos, outras inundações, outras catástrofes dessas a que chamamos naturais. Temos aí o aquecimento global com as suas secas e as suas inundações, as emissões de CO2 que só forçados pela opinião pública os governos se resignarão a reduzir, e talvez tenhamos já no horizonte algo em que parece ninguém querer pensar, a possibilidade de uma coincidência dos fenómenos causados pelo aquecimento com a aproximação de uma nova era glacial que cobriria de gelo metade da Europa e agora estaria dando os primeiros e ainda benignos sinais.

Comprenderam? Como todos sabemos, é preciso fôlego para ler a frase completa. Vejam a confusão que reinava naquela mente, sobre um tema que ele obviamente não dominava:

Não importa que qualquer dia comecem a nascer flores no Árctico, não importa que os glaciares da Patagónia se reduzam de cada vez que alguém suspira fazendo aumentar a temperatura ambiente uma milionésima de grau, não importa que a Gronelândia tenha perdido uma parte importante do seu território, não importa a seca, não importam as inundações que tudo arrasam e tantas vidas levam consigo, não importa a igualização cada vez mais evidente das estações do ano, nada disto importa se o emérito sábio José María vem negar a existência do aquecimento global, baseando-se nas peregrinas páginas de um livro do presidente checo Vaclav Klaus que o próprio Aznar, em uma bonita atitude de solidariedade científica e institucional, apresentará em breve.

Mas afinal, o importante que me fica de Saramago, é que ele utiliza a palavra treta:

Quando Rajoy, com aquela composta seriedade que o caracteriza, nos informou de que um seu primo catedrático, parece que de física, lhe havia dito que isso do aquecimento climático era uma treta, tão ousada afirmação foi apenas o fruto de uma imaginação celta sobreaquecida que não havia sabido compreender o que lhe estava a ser explicado, ou, para tornar ao ovo dialéctico, é isso uma doutrina, uma regra, um princípio exarado em letra pequena na cartilha do Partido Popular, caso em que, se Rajoy teria sido somente o repetidor infeliz da palavra do primo catedrático, já o oráculo em que o seu ex-chefe se transformou não quis perder a oportunidade de marcar uma vez mais a pauta ao gentio ignaro?

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O mistério do Iceberg desaparecido

Há ecologistas demasiado idiotas, para ser verdade. E isso é particularmente verdade com todos aqueles que se têm metido com o Árctico, como foram estes exemplos de 2008 e 2009.Um dos primeiros apanhados de 2010 é o projecto cool(E)motion, patrocinado pela WWF. A ideia foi colocar uma escultura gigante num iceberg, depois esperar que o iceberg partisse, e que o Aquecimento Global fizesse o resto... Colocaram um bocadinho de tecnologia, incluindo localização por GPS, para que todo o planeta pudesse acompanhar em directo o degelo que ocorre mais a Norte. O iceberg era um pequeno monstrozinho a 28 de Maio, sendo preciso lembrar que 90% do volume de um iceberg está tipicamente debaixo de água.

Uns dias depois, um dos comentadores, a 2 de Junho, notou que o GPS dava indicações de que o iceberg estava no meio da localidade de Saattut. Aí começou a confusão. Num post do dia seguinte, o projecto notou que o iceberg se tinha mexido a grande velocidade para sudeste, de acordo com a trajectória que está definida no mapa acima. Notem que depois de andar à deriva, o iceberg aprendeu depois a navegar a direito! Depois, de repente, o iceberg navegou rumo a norte, directamente para o meio da localidade de Saattut!

Num post do mesmo dia, o projecto anuncia que o iceberg tinha desaparecido! Melhor, afundado! Depois de avisados por um comentário, lá tiraram o afundado, porque qualquer tótó sabe que um iceberg não afunda!!! Depois fala-se de icebergs a explodir e a colapsar por causa do calor! Dá para acreditar???

Não percam a história contada no blog de Anthony Watts. É de rir e chorar por mais. Provavelmente, ao pescador que fanou o GPS/transmissor não lhe acontecerá nada, como não passa nada com o Ricardo Rodrigues. Mas talvez ainda possa devolver o iceberg...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

More about Beeville


The Beeville story just keeps getting better. In the comments section of yesterday's WUWT post, I got a couple of ideas. First, there is a very interesting site where we can graph adjusted vs. non-adjusted temperatures of GHCN. The first graph above is the result for the Beeville station. A clear difference is visible between adjusted and non-adjusted temperatures, especially during the first half of the XX century. And looking at the blue line does give us an impression that Global Warming might not be happening in Beeville.

Being a skeptic, I searched for the raw data. The monthly data is available at the NOAA site. Got the data for Beeville and plotted the second graph above (click the graphs for better detail). Does anyone see any warming going on? Doing a linear trendline on the monthly data gives us "y = -0.0637x + 829.59", which means that temperatures have gone down! And now, imagine which were the 20 hottest months at Beeville, for the last 113 years:

MonthTemperature (x 10 ºF)
1951/8888
2009/7880
1998/7879
1952/8878
2009/8877
1953/7876
1902/8875
1998/6872
1897/7871
1915/7871
1980/7871
1914/7869
1915/8869
1916/6869
1938/7869
1951/7869
1958/8869
1911/8868
1954/8867
1927/8866

Might Julisa Castillo deserve a prize, after-all?