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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Mais uma árvore pró fogo

Assunção Cristas continua a inventar à fartazana. Ela até admitiu o óbvio no início, mas isso não a impediu de começar logo a inventar com a questão das gravatas. Dessa invenção continuamos à espera de saber quanto foi a poupança, mas isso deve ser um segredo de Estado!

Agora, Assunção Cristas entendeu anunciar uma iniciativa chamada "Vamos Plantar Portugal". Ela até disse que se cada português plantasse uma árvore, o PIB aumentaria, a nossa riqueza aumentaria e a nossa contribuição para a diminuição das alterações climáticas aumentaria.

Mas a Ministra está enganada e continua muito mal assessorada. Quando plantamos uma árvore, o PIB não aumenta. Quando utilizamos os seus frutos, tiramos partido dela, ou a cortamos, aí sim o PIB pode aumentar! Quando a plantamos, só estamos a ter custos... Acresce que, depois de as plantarmos, nada fazemos para cuidar delas! O nemátodo apareceu há uns anos atrás, mas nada se faz para resolver o problema, tendo-se considerado que a luta na erradicação está perdida!

E depois, há os fogos florestais... De vez em quando há uns anos em que não acontece nada. Mas na maioria dos anos andam uns milhares a tentar apagar o fogo, uma Missão Impossível à Portuguesa, para esturricar mais um bocado do PIB. E as asneiras somam e seguem! Entretanto, as florestas nacionais e internacionais ao arder, emitem 30% do CO2 mundial!

São poucos os que têm ideias claras sobre a matéria. Vejam as posições de Paulo Fernandes e Henrique Pereira dos Santos. Mas sobre uma coisa não há dúvidas: estar a plantar árvores nestas condições e neste País, é uma grande asneira, não aumenta o PIB, nem a nossa riqueza, e apenas aquece o Planeta!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

From Woodcraft to 'Leave No Trace'

O Ecotretas é um caminhante ávido, sempre pronto a conhecer novos locais, especialmente deste país. Gosta muito da bússola, mas não descura o GPS. Adora ver episódios do Sobrevivência (Man Vs Wild em inglês), apresentado por Gear Grylls. Todavia, não conhecia "From Woodcraft to ‘Leave No Trace’", que me foi recomendado por um leitor...

O artigo descreve a evolução da relação do Homem com o Ambiente, no que se convenciou chamar os momentos de lazer. Desde o Woodcraft até ao "Leave No Trace", passando pela época de utilização dos gadgets, dá uma leitura muito interessante, sobretudo para quem procura perceber a forma como no passado o movimento ambientalista se associou, mas também perseguiu, aqueles que procuram o contacto com a Natureza. O artigo já tem uns anitos, e por isso não aborda algumas das polémicas mais recentes, nomeadamente em relação ao geocaching. Todavia, não percam o artigo, e não percam sobretudo o contacto com a Natureza, sendo que até existem foruns em português para trocar ideias sobre estas técnicas...

domingo, 31 de outubro de 2010

Greve à biomassa

Era suposto a biomassa ser uma solução interessante para alguns problemas. Todavia, como já constatei no passado, a deturpação acontece! Agora, chega mais uma notícia perturbadora. Em vez de utilizar as árvores para produzir madeira ou papel, agora é para queimar! Em função desta situação, as fábricas de painéis de derivados de madeira fizeram greve na passada sexta-feira, em protesto. A portuguesa Sonae Indústria aderiu também ao protesto, por ter que importar já um terço da madeira que utiliza. E esta madeira importada, nomeadamente mais cara, tem implicações nos preços finais dos produtos... Enquanto isso, a notícia nota a indicação de que parte da madeira nacional está mesmo a ser exportada para Itália, igualmente para queimar, porque lá pagam muito bem o kWh de energia da biomassa... A história, já a vimos com os biocombustíveis, pelo que já sabemos como acabará...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Fechar a auto-estrada, por 3 anos?

Agora que os fogos florestais estão quase a acabar, os abutres já se posicionam. Aliás, como diz o motto do blog, eles interessam-se por coisas menores, como os mexilhões ou uns quantos sobreiros. É claro que ninguém gosta que um dos seus desapareça, mas esta fixação devia ser extensível aos milhares e milhares de árvores que desaparecem todos os anos em Portugal...

Os abutres vieram agora dizer que os incêndios, até 15 de Agosto, representam 1.1 milhões de toneladas de CO2. Os Media, que adoram estes abutres, papaguearam rapidamente a notícia. E para compreendermos a inacção dos ecologistas, medite-se por exemplo na comparação, que eles próprios efectuam, com a deslocação de 29 milhões de carros entre Lisboa e Porto. Segundo os dados da Brisa já de 2010, o TMD (Tráfego Médio Diário) da A1 foi 29317 veículos, pelo que contas aproximadas apontam para emissões de CO2 próximas de 3 anos de auto-estrada Lisboa Porto. Em vez de fecharmos a auto-estrada Lisboa-Porto, também podíamos cortar nos cafés... É que as emissões dos fogos foram tão grandes quanto o consumo de 52380952380 cafés, o que a dividir por 10 milhões de Portugueses, 1 café por dia, significaria que ninguém (bébés incluídos) tomaria café durante mais de 14 anos...

Perante estas aberrações, Francisco Ferreira da Quercus ainda consegue ter a lata de dizer que "não é muito". Pessoalmente, prefiro olhar para quem tenta fazer o cálculo dos custos. O DN admite que "Incêndios já custaram mais de 358 milhões de euros", com uma contabilização interessante. Outros fazem cheque-mate aos políticos, com um "Fazer pior que Sócrates é difícil". Em qualquer caso, a contabilização final será muito maior, porque ninguém conta tudo, como o tempo dos automobilistas que foram obrigados a parar no meio da auto-estrada, porque a indústria dos fogos fez lá aterrar um helicóptero, duas vezes sem necessidade...

domingo, 22 de agosto de 2010

Grandes incêndios florestais

As recentes referências aos fogos florestais ocorridas na Rússia, levou-me a pesquisar os grandes incêndios florestais da História. A lista abaixo não permite uma correlação com o Aquecimento Global, como facilmente se percebe. Aliás, já houve a preocupação dos cientistas afastarem tal relação. Lá, como cá, é a incompetência da gestão florestal que nos continua a levar a lado nenhum... Entretanto, se descobrir novas entradas, a lista será completada:

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Homens e tomates

Os homens com tomates no sítio são cada vez menos neste país. Já conhecemos o Alberto João para chamar as coisas pelos nomes. Há momentos ouvi outro na TSF, Martinho Araújo de seu nome, vereador da Protecção Civil de Arcos de Valdevez. Nesta notícia, já com uns dias, vemos o resumo do problema (todos os realces da minha responsabilidade):

O autarca frisou que o concelho está a arder há cerca de um mês, salientando que, além de Vilar de Suente, estiveram esta quinta-feira em risco as casas dos moradores das aldeias de Paradela, Iísuas e Cunhas, já que as chamas andaram muito perto.
(...)
A zona, uma das mais florestadas e bonitas do Parque Nacional da Peneda-Gerês, fora já atingida em 2006 por uma vaga de incêndios que destruiu centenas de hectares, entre eles uma parte da Mata do Rabiscal, um dos tesouros da estrutura ambiental.

No Jornal de Notícias, ele já havia dado uma perspectiva do que realmente se passa:

As críticas da autarquia de Arcos são feitas a duas vozes. O vereador da Protecção Civil, Martinho Araújo, lamenta que não sejam feitos investimentos no parque e que há um "total desconhecimento por parte dos responsáveis da administração do PNPG do que se passa dentro das suas fronteiras".
O vereador destacou que o desinvestimento levou ao actual estado. "Há quatro anos, após um incêndio, também em Agosto, no Mezio, o parque procedeu à venda das madeiras que renderam centenas de milhares de euros. O resto da madeira ficou lá amontoado, o que originou uma manta morta de vários metros de altura, o que dificulta a actuação dos bombeiros e meios aéreos, até mesmo o acesso aos locais onde está arder, pois os caminhos estão bloqueados. O dinheiro, esse, foi para outros interesses", disse Martinho Araújo ao JN.
O vereador acrescenta que a única preocupação de quem dirige o PNPG é "manter os seus empregos". "O parque é uma instituição nacional que já não tem razão de existir porque deixaram exterminar toda a vegetação e não fizeram nada para a manter ou para que existissem reflorestações".
"Isto é administrado por pessoas de Lisboa que não sabem o que é o PNPG. Querem fazer disto uma reserva de "índios", põem todo tipo de entraves à população que reside no PNPG, e este sem população não é nada", sublinha o autarca, que prevê ainda consequências drásticas, "não há pasto para os animais", frisa.

Finalmente, a transcrição da notícia que ouvi, no noticiário de hoje das 18 horas (aos 09:48):

Tive notícias ali na freguesia de Carral Cova: estão os bombeiros a apagar por um lado e andam ali uns malandros, uns terroristas, a pegar fogo nas costas dos bombeiros. Deve ver em que Estado é que estamos a viver, não é? Foram detectados quatro indivíduos a pegar fogos nas costas dos bombeiros.
(...)
Já foi comunicado que estavam relativamente longe dos bombeiros. Já foi comunicado à GNR, que já se deslocou ao local para tentar apanhar esses vagabundos.

Alguém condecore imediatamente este senhor!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Tretas e mais tretas de incêndios

Os leitores mais habituais já terão estranhado a ausência de mais referências à problemática dos fogos florestais, que estão este ano de volta e em força, na minha opinião sobretudo por via do Inverno muito chuvoso que tivemos. As muitas tretas que se ouvem por aí esquecem que a grande maioria do território não está ainda em situação de seca, como o próprio Instituto de Meteorologia refere (realces da minha responsabilidade):

Em 31 de Julho de 2010 verifica-se o aparecimento de seca meteorológica fraca em alguns locais de Portugal Continental, mantendo-se, no entanto, um índice de “chuva fraca” na maior parte do Continente.

Desta forma, em termos de percentagem do território o ( índice de seca meteorológica PDSI ) apresenta a seguinte distribuição: 2% em chuva moderada, 53% em chuva fraca, 23% em situação normal e 21% em seca fraca e 1% em seca moderada.

Como facilmente se depreende da imagem acima, as plantinhas e o mato têm encontrado ingredientes para crescerem, facto que parece ter escapado à maior parte dos analistas na temática. Nada que fosse muito difícil de prever, dado o Inverno chuvoso que tivemos!

O melhor que os políticos conseguem fazer é comparar este ano com os de 2003 e 2005, em que grandes fogos existiram, mas com condições completamente distintas das de este ano. Rui Pereira, é um actor surdo no meio da tragédia. O ministro da Agricultura, António Serrano, não se lhe ficou atrás, e ontem propôs a "nacionalização" das propriedades mal cuidadas. Como pode um Ministro propôr isto, quando é o Governo que não cumpre, como se pode inferir, entre outras, pelo conteúdo da seguinte notícia (realces da minha responsabilidade):

São 23 os fiscais no Parque Nacional da Peneda-Gerês que agora passam os dias em casa, sem condições de vigiar mais de 280 mil hectares.
A falta de dinheiro tem justificado que a viatura fique parada e, consequentemente, que não haja fiscalização. As saídas eram feitas, ainda há meses, por transportes públicos, algo que já não acontece por falta o dinheiro, como confirmou à TSF o presidente do conselho directivo dos baldios de Vilar da Veiga.
(...)
Para além disso, até para sair de casa, a pé, os fiscais precisam de uma autorização do director do parque. Trata-se de uma prisão domiciliária, comentou à TSF, com ironia, um dos guardas.
(...)
O ano passado, o Ministério do Ambiente aprovou um plano de prevenção que previa uma vigilância feita por 23 pessoas e com meios, que nunca foram usados.
Só esta semana é que foi requisitada uma viatura para Castro Laboreiro, mas porque, em breve, o parque recebe a visita da Comissão Parlamentar da Agricultura.

Outros políticos são mais atinados. Um autarca do PS descreve como são afectas as prioridades nos combates aos incêndios (realces da minha responsabilidade):

"Estou desesperado. Quando vejo os meios a serem canalizados para uma área protegida em que está a arder mato e nós temos casas a arder há dois dias e ninguém nos manda apoio, gera indignação", afirmava o autarca do PS, José Maria Costa.

Destaque para o Henrique Pereira dos Santos, do blog Ambio, que tem feito um trabalho notável a desmascarar as tretas deste negócio do fogo. Temos tido divergências no passado, mas neste aspecto, ultrapassou-me na quantidade de tretas expostas! Finalmente, devemos lamentar as mortes humanas, que este devaneio dos políticos e outros responsáveis provocam...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A estupidez dos fogos

O tema dos fogos florestais é recorrente no Verão, neste blog. Há muito que os especialistas defendem que o combate aos fogos florestais não é a solução para este problema. Outros, constatam o óbvio, como Henrique Sousa, que constata a estupidez disto tudo. Aparentemente a brincadeira custa 300 milhões de euros por ano! Até alarmistas como o Henrique Pereira dos Santos tem massacrado a corrente oficial dos Media, com sucessivos posts elucidativos (1)(2)(3).

Em vez de alertarem para o verdadeiro problema, os Media andam entretidos a contar bombeiros. Enquanto a PJ investiga o óbvio, o exército manda cerca de 150 militares para o teatro de operações. Como esta política falhada não leva a lado nenhum, mandamos vir estrangeiros, nomeadamente italianos. E esperamos que o vento leste afrouxe, o que está já a acontecer...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Estado da floresta

Um leitor atento enviou-me um artigo do Expresso, de há mais de dois anos, mas que vale a pena ler na íntegra. É uma análise ao estado da nossa floresta, que se tem agravado ano após ano. Atententemos nas palavras de Paulo Fernandes, presidente da Altri:

Após os incêndios, por exemplo, muita gente não replanta. Tenho a certeza que a indústria da celulose estava disponível para replantar se houvesse condições.

O Estado tem terras em baldio e não tem capacidade de investimento. O ministro da Agricultura tem dito que vai concessionar as florestas do Estado. Isso seria fantástico, porque o Estado não tem dinheiro para investir, o que tem é o que já lá está. Se arde não planta.

As folhas da árvore, a casca, o cepo e o resto dos resíduos florestais são aproveitados para fazer biomassa. Nós não perdemos nada. Temos um ciclo integrado. Antigamente a casca ficava na floresta e alimentava fogos. Hoje temos uma filosofia que é integrar o ciclo todo da floresta.

Temos agora um grande problema na floresta que é o nemátodo, e que o Governo devia ver como uma oportunidade. A área do nemátodo é tão grande que se devia olhar e dizer: temos aqui 300 mil hectares, vamos fazer 100 mil de eucalipto, 100 mil em pinheiro bravo e mais 100 nas folhosas de baixo crescimento. vamos ordenar este território.

Não podemos ficar de braços cruzados. O que não pode acontecer é o que acontece agora: baldios e áreas queimadas abandonadas. E se agora a área de floresta com nemátodo também não for plantada, é um descalabro.

segunda-feira, 15 de março de 2010

O meu blog é neutro em termos de CO2

O leitor que acabou de chegar, e está a ler estas linhas, já libertou 0.02 gramas de dióxido de carbono! Assim o diz um estudo de Alexander Wissner-Gross, da Universidade de Harvard. Tal assume um blog como o do Ecotretas, que recebe cerca de 15000 visitas por mês, causando assim emissões anuais de cerca de 3.6 quilogramas de CO2! Mas o que são 3.6 Kg de CO2? É equivalente à repiração humana em 4 dias, ou a 34.6 Km num Toyota Prius!

Alguns tretas da Web querem agora que os blogs compensem as suas emissões plantando uma árvore. Argumentam que uma árvore absorve aproximadamente 10 Kg de CO2 por ano. Eu já plantei muitas ao longo da minha vida, pelo que o meu blog está compensado há muito tempo... O problema é, no entanto, sempre o mesmo: e quando elas ardem?

sexta-feira, 12 de março de 2010

Árvores que não se comportam como deve ser

Uma das supostas consequências mais dramáticas de Aquecimento Global é o avanço para os polos de todo o tipo de desgraças. Depois de derreter o gelo, de se libertar o metano das tundras, as árvores avançarão e ocuparão esse espaço. Tanto assim é que o IPCC, no seu relatório do Clima de 2007, no Grupo de Trabalho II, na vertente dos impactos, dá como garantido que a linha de avanço das florestas será significativa. No Grupo de Trabalho I, as conclusões são as mesmas.

O problema é que um estudo divulgado no Verão passado na revista Ecology Letters, não alinha por estas previsões catastrofistas. Para Harsch et al., que analisaram árvores em 166 locais, em 77 dos locais (47%) não houve avanço nem recuo da linha de floresta. Curiosa foi a associação do avanço das árvores com as temperaturas de Inverno, e não de Verão, como se supunha. O avanço é apenas claro quando há aumento das temperaturas de Inverno, e não quando há aumento de temperaturas exclusivamente no Verão.

Este estudo dá que pensar, sobretudo quando se tem assistido a um regresso dos Invernos muito frios a latitudes elevadas. Dá também para equacionar todos os trabalhos associados ao crescimento das árvores, dado que o estudo das temperaturas históricas está essencialmente baseado no crescimento dos anéis das árvores a latitudes elevadas.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Investimentos florestais

O excelente Mais Cedo ou Mais Tarde, na TSF, entrevistou hoje David Lopes, do projecto Floresta Unida. Este era um projecto que desconhecia, mas que mexe comigo, dado o gosto que nutro pela floresta. Os conceitos parecem estar lá, sobretudo porque não é apenas mais uma campanha de plantação de árvores, mas também da sua gestão a 30 anos. Aproveitem para ouvir o podcast!

Todavia, apesar da sensibilidade da argumentação, é preciso estar atento. Por estes dias surgiu um anúncio semelhante, em como um investimento em árvores pode ter um bom retorno financeiro. Com promessas de rentabilidade entre 8 e 13% por ano, o pobre desconfia! Uma pequena investigação na Internet permite confirmar que outros já investigaram as suspeitas de fraude, e que não são pequenas! Afinal, o administrador da "Bosques Naturales del Mediterráneo" está envolvido até à medula na fraude do Fórum Filatélico em Espanha. E como se pode ver neste site, as irregularidades parecem ser mais que muitas...

domingo, 15 de novembro de 2009

Batota com CO2

Os políticos actuais são especialistas na arte de batotar. São múltiplos os exemplos em que os números e as estatísticas são manipulados para dar a entender que tudo vai bem no Reino. Agora, Portugal teve a ideia peregrina de descontar o CO2 emitido pelos fogos florestais, que como já vimos é responsável por uma larga percentagem das emissões de CO2.

É claro que não são todos os fogos que se procuram isentar, mas apenas aqueles que são catastróficos. Ou seja, os que mais CO2 emitiram no processo! Para Nuno Lacasta, coordenador da Comissão para as Alterações Climáticas, "Trata-se de eventos extremos, que não podem ser atribuídos às actividades humanas". É claro que esta frase encerra uma falácia imediata, na medida em que a maioria dos fogos florestais, em Portugal, são de origem criminosa, e logicamente humana...

Ou seja, em vez de se procurar resolver o problema dos fogos florestais, e efectivamente diminuir uma das maiores parcelas de emissões de CO2, fazem-se contas de enganar. Isto demonstra claramente como toda esta discussão das emissões está inquinada, e tenho a certeza que Portugal não foi precursor nesta estratégia!

www.publico.clix.pt/Sociedade/portugal-quer-descontar-co2-de-fogos-florestais-catastroficos_1409615

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Miragens verdes do deserto

Há quase dois anos, referia-me a uma ideia de criar uma "muralha verde" à volta do deserto do Sara. Prometeram-se barragens, plantação de árvores e múltiplos oásis... Já na altura previa a utopia da proposta. Dois anos, e certamente muitos milhões depois, já foram plantados 10 km dessa muralha, dos 7000 km previstos inicialmente. A esta velocidade, a coisa estará terminada lá para 3400 dC...

Ora, esta é a obra feita inacabada, que África pretende levar a Copenhaga. Para continuar a extorquir dinheiro aos outros! O projecto da Grande Muralha Verde será apresentado pelo presidente do Senegal, Abdulaye Wade, mas este esquece-se de mencionar que enquanto plantaram 10 km de floresta em dois anos, desaparecem 2 milhões de hectares (20.000 km2) apenas num ano!

Mas estas miragens da treta vão sendo alavancadas por mentes avariadas. Os media estão dando atenção a um artigo de há uns meses que Leonard Ornstein, um biólogo de uma faculdade de Medicina de Nova Iorque, juntamente com uns climatólogos da NASA, publicaram no "Journal of Climatic Change". Aí sugerem a plantação de eucaliptos nos desertos à face da Terra, nomeadamente no deserto do Saara. Para isso, criar-se-iam centrais de dessalinização de água do mar, com uma rede de canais obviamente muito maior que a do nosso Alqueva, e que permitiriam sugar literalmente o dióxido de carbono da atmosfera. Tudo por uns meros triliões de dólares...

Os leitores assíduos do blog sabem que eu até gosto muito dos eucaliptos. Mas, francamente! Nem sei por onde começar a desmontar isto... Já sei: mandem, por favor, estes cientistas da treta para um oásis primeiro! E não os deixem sair de lá...

www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5g8H05Dc6aZK-FOqLToaNO198aleQ
www.guardian.co.uk/technology/2009/nov/04/forests-desert-answer-climate-change
www.springerlink.com/content/55436u2122u77525/fulltext.pdf

sábado, 12 de setembro de 2009

Golpada no Parque de Monsanto

O Parque Florestal de Monsanto é um dos espaços verdes urbanos provavelmente mais significativos em todo o Mundo. Um artigo recente neste site destaca tal facto, sendo mesmo o parque urbano de maior dimensão referido no artigo, embora a dimensão referida esteja claramente exagerada. O Parque Florestal existe desde o Estado Novo, quando Duarte Pacheco finalmente concretizou uma ideia que já tinha umas décadas. Só mesmo os mais idosos hoje se lembram de como Monsanto era antes da década de quarenta, ficando duas imagens acima, retiradas de uma compilação da história do Parque, num site da Câmara de Lisboa.

Ao longo dos anos, as golpadas no Parque foram-se avolumando. A última envolve a Câmara Municipal de Lisboa, o José Sá Fernandes, a REN, e o próprio Governo. O objectivo é construir uma subestação eléctrica no parque, com cerca de 5305 metros quadrados, e menos 200 árvores... Sem sequer estudo de impacto ambiental, porque como diz José Sá Fernandes, a "obra não carece de estudo de impacte ambiental porque se trata de uma rede eléctrica de cabos subterrâneos"! Mas como se metem lá os cabos? Com uma tuneladora?

As vergonhas deste encobrimento vieram mais a público com a queixa da Plataforma por Monsanto, ao comissário europeu para o Ambiente, Stavros Dimas. Fica-se a saber que o PDM foi suspenso em Junho, pelo Governo, por um período de dois anos prorrogável por mais um, para permitir a a execução da obra. Depois da Câmara ter chumbado a proposta, com os votos contra de toda a oposição, e a favor do PS e de José Sá Fernandes. Depois, o ministro da Economia declarou a utilidade pública da transferência da parcela de terreno em causa, no limite este do parque florestal, do domínio municipal para o Estado e autorizou a posse administrativa da mesma. Em Agosto, apesar do chumbo da maioria dos vereadores, procedeu-se à assinatura de um protocolo entre a Câmara e a REN, no qual se estipula que a escritura de transferência de propriedade deverá ser efectuada "no prazo máximo de 90 dias".

O protocolo fixa em 1,4 milhões de euros o valor a pagar "para minimização dos impactos causados sobre o Parque Florestal de Monsanto, como compensação dos prejuízos directos e indirectos causados com a construção desta infra-estrutura, nomeadamente no que diz respeito ao corte de árvores necessário". Esse valor será pago "em espécie, em execução de obras a definir pela CML". Para que serve este dinheiro? Para o vereador Sá Fernandes realizar algumas das suas obrazinhas...

Em suma, uma vergonha!

http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1399787

sábado, 1 de agosto de 2009

Aldrabice nas contas dos fogos florestais

Até hoje, existia a noção de que havia um problema com os criminosos que ateavam fogos florestais, um pouco por todo o país. As teorias abundam, desde os madeireiros à indústria do fogo. Mas segundo uma notícia de hoje do Público, parece que o que conhecemos dos fogos florestais pode nem sequer corresponder à verdade.

Segundo a notícia, a GNR acusa que os dados dos incêndios e da área ardida em 2007 e 2008, inscritos no Sistema de Gestão de Informação dos Incêndios Florestais (SGIF) foram alterados "por desconhecidos". Num relatório da GNR lê-se, também, que a "Autoridade Florestal Nacional tentou substituir ocorrências no SGIF, passando-as para queimadas". O Ministério da Agricultura, defende que "os alertas são registados pela estrutura da GNR e são completamente fiáveis", além de que "no Sistema são introduzidos dados sucessivos pelas entidades responsáveis pelos três pilares do Sistema de Defesa da Floresta Contra Incêndios".

Uma leitura mais atenta pode explicar a coisa: de acordo com o relatório "Floresta Segura 2008", no sistema encontram-se "registadas várias ocorrências que não são consideradas incêndio florestal, por terem ocorrido em espaços urbanos ou porque o que ardeu é irrisório". A GNR presume que "tal aconteça para se tentar justificar as saídas dos meios de combate", uma vez que, em incêndios florestais em espaço urbano, "não há lugar a pagamento do serviço".

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1394227&idCanal=62

sábado, 16 de maio de 2009

Bravo e Charlie

Já estamos na época de incêndios. Começou ontem. Com pompa e circunstância! Com 6000 elementos, 1600 veículos, 24 meios aéreos no terreno e 66 postos de vigia da responsabilidade da GNR. Daqui a 6 semanas, vão estar operacionais 9830 elementos, a maioria dos quais bombeiros, 2276 viaturas, 56 meios aéreos e 236 postos de vigia da GNR.

O secretário de Estado da Protecção Civil, José Miguel Medeiros, assegura: "Posso garantir ao país que estamos em condições de responder aos incêndios florestais como respondemos no ano passado e há dois anos", acrescentando que "tudo foi feito do ponto de vista dos meios disponibilizados, recursos financeiros, humanos e técnicos".

O problema é que continua tudo na mesma. Quer dizer, não. Este Inverno choveu mais, hoje chove no norte, e por isso o Secretário de Estado deve estar todo contento do primeiro dia de resultados. E entretanto os níveis de biomassa florestal estão de regresso aos de 2005! Por isso, se este arrefecimento não persistir, alguns vão ter muito trabalho no Verão. Incluindo o secretário de Estado, nessa altura em pré-campanha eleitoral...

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1380774&idCanal=62
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1233985

domingo, 12 de abril de 2009

Dor pelo agrafo


Já todos vimos as mensagens de desespero de alguns que perdem alguém querido (basta lembrar a Maddie, por exemplo), e que na tentativa de os re-encontrarem, afixam nomeadamente cartazes. O mesmo acontece frequentemente com animais perdidos.

Anton Cataldo perdeu duas pinturas de cães que tinha efectuado. E pensou que afixando uns cartazes, poderia ter alguma hipótese de as re-encontrar. A história teve inclusivamente cobertura dos media... Mas enganou-se. Quem lhe ligou foram as autoridades locais, que lhe aplicaram uma multa de 75 libras, por causar danos a uma "árvore viva". O problema foi que ele agrafou alguns dos cartazes a árvores. E elas sentiram dor, coitadinhas! E concluíram que "ferindo a casca de qualquer árvore pode levar a um ataque de esporos de fungos aéreos, que em último caso, podem levar à morte da árvore".

O que se segue? O insurgimento contra os podadores, que infligem uma dor traumática nas árvores? E o que dizer dos lenhadores, esses carrascos? Ou então, da profanação da madeira, por estarmos a maltratar os restos do ser vivo, depois da sua morte?

www.theargus.co.uk/news/4255005.Missing___the_dogs_that_slid_off_car_roof_in_Brighton/
www.telegraph.co.uk/news/uknews/5139710/Man-fined-for-stapling-poster-to-tree.html

quarta-feira, 25 de março de 2009

Alterações climáticas provocam incêndios ?

O melhor jornalismo anda por aí. Aparecem un fogos... Pergunta-se porquê, tão cedo? A resposta fácil é a das Alterações Climáticas. A TSF pegou no assunto e toca de perguntar aos alarmistas. Xavier Viegas, professor na Universidade de Coimbra, diz que estamos a viver uma situação excepcional, que tende a repetir-se nos próximos anos. A afirmação é bombástica: "Infelizmente temos que nos habituar a esta mudança climática, à extensão da chamada época de incêndios, que vai ser cada vez maior. Há dias estive a olhar para as estatísticas e vi que numa semana se tinham registado mais de 1300 incêndios e em alguns dias mais de 300, o que são valores muito altos e típicos dos piores dias de Verão". É, concerteza, mais um dos ratos de laboratório que não consegue encontrar o caminho do exterior do seu recinto.

Um dos maiores especialistas portugueses em alterações climáticas da TSF, Filipe Duarte Santos, é mais contundente, lembrando que este Inverno atípico vem dar razão aos alertas dos especialistas. Completa com "É uma tendência que se irá agravar no futuro, ou seja, temperaturas médias mais elevadas, periodos sem precipação mais longos".

Gostava de saber onde ele passou o Inverno! Nas Caraíbas não foi, porque fez frio e choveu muito... Em Portugal, de certeza que também não foi... A menos que tenha estado enfiado também no seu laboratório! Não anda concerteza informado, porque não lê isto, isto, aquilo e aqueloutro...

http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=1180860

sábado, 28 de fevereiro de 2009

buuuu!

As investidas do Tomás de Montemor, na revista Notícias Magazine, são um dos motivos pelos quais deixei de a ler. Mas de vez em quando, lá tropeço nela algures. No último fim de semana, lá tropecei outra vez, na seguinte discorrência:

Os australianos estão agora convencidos de que o clima está a mudar. Neste último mês foram assolados pelos piores dilúvios, ciclones e incêndios (em que arderam mais de três milhões de hectares e morreram cerca 200 pessoas) de que há história. É por estas e por outras que há muito que aviso que ser céptico quanto aos efeitos dos gases estufa é o mais próximo da estupidez... de que há história.


O que motivou o seguinte e-mail de protesto para faca.ouvir@noticiasmagazine.com.pt:

Na edição 874 da Notícias Magazine, de 22 de Fevereiro, Tomás de Montemor investe na associação entre o gases de estufa e os incêndios ocorridos recentemente na Austrália. Tal associação tem ainda implícita os conceitos de Alterações Climáticas e Aquecimento Global. O que pessoas como o Tomás de Montemor descohecem, é que tais fogos tiveram outras origens, especialmente uma gestão criminosa da floresta australiana, influenciada pelos pensamentos ecologistas. Não sou eu que o digo, são os australianos bem informados!

Para perceber do assunto, é preciso primeiro verificar que no passado houve fogos bem maiores. Nomeadamente em 1851, 1939 e 1944, em que a área ardida chegou a ser várias vezes superior à deste mês. E não havia notícias de Aquecimento Global nessa altura. Depois, perceber que a política Verde australiana impede as pessoas de se protegerem, nomeadamente criando uma área de segurança à volta de suas casas. Que o diga Liam Sheahan, que pagou uma multa de 50000 dólares australianos por ter cortado árvores em 2002, para proteger a sua casa. Hoje, é a única que permanece de pé na zona, pelo que o valor da multa teve finalmente o seu retormo. No final de contas, o resultado desta política Verde é uma Natureza negra!

Curiosamente, não há consciência que este cenário está prestes a repetir-se em... Portugal. A gestão florestal tem sido desastrosa, e ainda não apreendemos com os fogos de 2003 e 2005. Em vez de nos preocuparmos com a gestão dos combustíveis florestais, temos investido em meios de combate, e os governantes congratulam-se com os resultados! Este ano, com a precipitação já verificada, bastarão uns dias de calor para que os Kamovs, e companhia, de nada valham!