A água necessária à vida no deserto é obtida de furos, que reutilizam água que aí existe desde a última Idade do Gelo, em função de condições geológicas especiais. Os furos chegam a ter um quilómetro de profundidade, e embora ninguém saiba quanta água aí existe, estima-se que seja suficiente para 50 anos. A precipitação média atinge entre 100 a 200 milímetros por ano, mas com vegetação, esta água da chuva será certamente melhor retida, e a própria transpiração das plantas alimentará o próprio ciclo da água. Um excelente exemplo em como o Homem consegue melhorar o Meio Ambiente!
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domingo, 20 de maio de 2012
Wadi As-Sirhan é verde
A água necessária à vida no deserto é obtida de furos, que reutilizam água que aí existe desde a última Idade do Gelo, em função de condições geológicas especiais. Os furos chegam a ter um quilómetro de profundidade, e embora ninguém saiba quanta água aí existe, estima-se que seja suficiente para 50 anos. A precipitação média atinge entre 100 a 200 milímetros por ano, mas com vegetação, esta água da chuva será certamente melhor retida, e a própria transpiração das plantas alimentará o próprio ciclo da água. Um excelente exemplo em como o Homem consegue melhorar o Meio Ambiente!
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domingo, 8 de abril de 2012
Electricidade Verde
A mui competente Ministra da Agricultura, Assunção Cristas, ressucitou mais um daqueles conceitos popularuchos, que tão medíocres resultados deu no passado! Ainda esperei um tempo para ver se havia reacção da malta, ie. das melancias, mas nada!A electricidade verde não é a electricidade verde que o leitor julga, mas sim a electricidade destinada aos agricultores, e que é comparticipada por todos nós! Ou seja, aquela electricidade verde que sai das ventoinhas, e que já subvencionamos dupla ou triplamente, vai passar a ter mais um encargo para os contribuintes/consumidores! Está tudo definido na Resolução do Conselho de Ministros nº 37/2012.
O que mais me surpreende no meio disto tudo é que já esteja esquecido para que serve a electricidade verde. Em Fevereiro de 2006, o Ministério da Agricultura havia detectado uma taxa de irregularidade de 45 por cento na sua utilização, tendo sido extinto em 2008. Não admira que no sector mais subsídio dependente do País, se utilizasse a electricidade verde, de origem verde, para regar, por exemplo, os verdes campos de golfe... A medida entretanto regressou em 2010...
Destas pequenas decisões percebemos quem é esta Ministra mais do mesmo. A regurgitar propostas anteriores, e tudo porque a verdadeira electricidade verde, aquela que sai das ventoinhas, foi a responsável, em primeiro lugar pela subida de preços. Em vez de resolverem esse problema de vez, andam a enrolar, a alimentar uma verdadeira bola de neve. Eu e o leitor continuamos a sustentar com 5 milhões de euros, esta palhaçada; pelo menos espero que dê umas tacadas!
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sábado, 10 de março de 2012
Agricultura biológica
Já tinha reparado na notícia de que Assunção Cristas considera a agricultura e pecuária biológica uma coisa flexível. Podia estar aqui a blasfemar sobre o assunto, mas no Blasfémias deram-lhe um tratamento criativo:| Assunção Cristas vai pedir autorização à Comissão Europeia para que o gado de produção “biológica” possa ser alimentado com rações, por causa da seca. Se alguém quisesse numa frase desconstruir tanto a política agrícola como a agricultura dita biológica não teria conseguido fazer melhor. A agricultura “biológica” existe para que as pessoas possam comer produtos mais saudáveis. Para isso existem regras, decretadas politicamente, que este modo de produção deve seguir. Mas tudo indica que estas regras são irrelevantes para o produto final, caso contrário não se colocaria a hipótese de as violar e continuar a chamar “biológico” ao produto. A agricultura “biológica” é portanto uma indústria criativa em que o que se vende é um conceito ilusório mantido por decreto político. |
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sábado, 31 de dezembro de 2011
800 litros de água aos 100Km
Já há algum tempo que não falava dos biocombustíveis. Todos sabemos quão engatado isso anda, e como só subsistem à custa de enormes subsídios... Mas agora dei conta de um artigo avalassador, que nos dá mais uma visão aterradora das consequências da aposta nos biocombustíveis.
Dominguez-Faus et al. fizeram as contas a quanta água é necessária para poder produzir determinadas formas de energia. Traduziram isso em litros/MWh. Os resultados foram os seguintes:
De uma forma geral, por cada litro de etanol produzido a partir de milho, consome-se 100 litros de água. Se um carro consumir 8 litros aos 100Km, as contas são fáceis: 800 litros de água por cada 100 quilómetros percorridos! É claro que os tretas estão preocupados com a missão de alimentar a raça humana, mas esquecem-se que andamos entretidos a produzir biocombustíveis, movendo a frota automóvel de uma forma muito ineficiente! Baseiam-se em mais estudos da treta, que nem sequer o problema dos biocombustíveis equacionam! Talvez eles encontrem neste argumento da água um argumento rápido para questionar todo este embuste, que eles próprios fomentaram.
Dominguez-Faus et al. fizeram as contas a quanta água é necessária para poder produzir determinadas formas de energia. Traduziram isso em litros/MWh. Os resultados foram os seguintes:
| Processo | L/MWh |
|---|---|
| Extracção petróleo | 10-40 |
| Refinação petróleo | 80-150 |
| Retorta de Petróleo shale | 170-681 |
| Ciclo combinado gás natural - arrefecimento ciclo fechado | 230-30300 |
| Ciclo combinado a Carvão gaseificado | ~900 |
| Nuclear - arrefecimento ciclo fechado | ~950 |
| Geotérmico - arrefecimento ciclo fechado | 1900-4200 |
| Recuperação avançada de petróleo | ~7600 |
| Ciclo combinado gás natural - arrefecimento ciclo aberto | 28400-75700 |
| Nuclear - arrefecimento ciclo aberto | 94600-227100 |
| Milho para etanol - irrigação | 2270000-8670000 |
| Soja para biodiesel - irrigação | 13900000-27900000 |
De uma forma geral, por cada litro de etanol produzido a partir de milho, consome-se 100 litros de água. Se um carro consumir 8 litros aos 100Km, as contas são fáceis: 800 litros de água por cada 100 quilómetros percorridos! É claro que os tretas estão preocupados com a missão de alimentar a raça humana, mas esquecem-se que andamos entretidos a produzir biocombustíveis, movendo a frota automóvel de uma forma muito ineficiente! Baseiam-se em mais estudos da treta, que nem sequer o problema dos biocombustíveis equacionam! Talvez eles encontrem neste argumento da água um argumento rápido para questionar todo este embuste, que eles próprios fomentaram.
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Vinho do Porto com mais CO2
No âmbito de uma investigação que ando a fazer, tropecei nuns estudos, liderados pelo investigador José Moutinho Pereira, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Ele tem andado a investigar o que acontece às videiras e ao Vinho do Porto, quando as concentrações de CO2 sobem. Todos os leitores do Ecotretas já saberão a resposta, mas quem ainda não imaginar deve ler primeiro este post. Quem quiser ver a coisa de um ponto de vista animado, não percam o vídeo neste post do blog para um mundo livre. Enfim, uma investigação da treta, que não seria necessária, não fosse a Religião do Aquecimento Global nos estar sempre a querer assustar!Eu comecei por tropeçar num artigo de 2009, Effects of elevated CO2 on grapevine (Vitis vinifera L.): Physiological and yield attributes. Nele, Moutinho et al. descrevem como se comportam as videiras num ambiente normal, e noutro enriquecido com níveis de CO2 de 550ppm. As experiências decorreram entre 2004 e 2006, sendo que os resultados são particularmente conclusivos (todos os realces da minha responsabilidade):
| The elevated [CO2] concentration increased net photosynthetic rate (A), intrinsic water use efficiency (A/gs), leaf thickness, Mg concentration, C/N, K/N and Mg/N ratios and decreased stomatal density and N concentration. Nevertheless, stomatal conductance (gs), transpiration rate (E), photochemical efficiency (Fv/Fm), leaf water potential, SPAD-values and Red/Far-red ratio transmitted by leaves were not significantly affected by [CO2]. Meanwhile, there is no evidence for downward acclimation of photosynthesis and stomatal conductance. Yield, cluster weight and vigour showed an increase in elevated [CO2] treatment but yield to pruning mass ratio was unaffected. |
Depois de descobrir esta pérola, descobri outro artigo, este mais apropriado para enólogos. Intitulado "Effects of Elevated CO2 on Grapevine (Vitis vinifera L.): Volatile Composition, Phenolic Content, and in Vitro Antioxidant Activity of Red Wine", enumera uma série de aspectos químicos, antes de dar a machadada final nos alarmistas:
| This study showed that the predicted rise in [CO2] did not produce negative effects on the quality of grapes and red wine. Although some of the compounds were slightly affected, the red wine quality remained almost unaffected. |
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domingo, 14 de agosto de 2011
Menos comida e mais combustível
Um leitor interessado enviou-me um link para uma notícia que nos dá conta que nos Estados Unidos, pela primeira vez este ano, uma maior quantidade da produção anual de milho será destinada à produção de etanol, do que aquela que é utilizada na alimentação! Segundo os dados do Departamento da Agricultura, serão utilizados na produção de etanol 5.05 mil milhões de bushels (177 milhões de m3 de milho...), para alimentarem os carros lá do sítio, o que se traduzirá obviamente em menos alimentação para os animais e humanos, e logo preços mais elevados! O boneco evidencia também como esta solução é extremamente benéfica para o ambiente...
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segunda-feira, 8 de agosto de 2011
O futuro do hálito de vaca
A perseguição das vaquinhas é muito típica dos alarmistas do Aquecimento Global. Tudo porque elas produzem um pouquinho de metano, que para esses alarmistas é ainda pior que o maldito CO2. E este alarmismo continua a ser reciclado, como o prova a reportagem abaixo da Euronews, emitida a semana passada. Qual é o segredo? É que estes cientistas andam a estoirar uns milhões de libras, há vários anos, a ver como se reduz as emissões de metano, com alho! Como todos nós sabemos, e se sabe desde a Idade Média, o alho tem potentes propriedades antimicrobianas, mas estes cientistas andam obviamente a re-inventar a roda!
Para mim, não admira que os micróbios lá das vaquinhas morram quase todos... O que não quero é imaginar como será o hálito e o ambiente lá dos estábulos! Enfim, espero pelo menos que não andem a alimentar o gado com alho chinês... E que bebam lá o leite já com o sabor a alho, porque se se sabe que o leite é um dos melhores segredos contra o hálito do alho, como se resolveria o problema depois?
Para mim, não admira que os micróbios lá das vaquinhas morram quase todos... O que não quero é imaginar como será o hálito e o ambiente lá dos estábulos! Enfim, espero pelo menos que não andem a alimentar o gado com alho chinês... E que bebam lá o leite já com o sabor a alho, porque se se sabe que o leite é um dos melhores segredos contra o hálito do alho, como se resolveria o problema depois?
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sexta-feira, 15 de julho de 2011
Ar Cool
A notícia ecológica do dia é que a gravata foi banida do Ministério de Assunção Cristas. Como é habitual, ninguém é capaz de contabilizar quanto se poupa... É só paleio! Obviamente, as melancias já vieram apoiar a demagogia...Em vez de cortar em coisas a sério, esta medida soa-me a pentelhice. Mas o que esperar de quem manifestamente não estava preparada para isto? E infelizmente a conversa do carbono prevalece sobre outras necessidades mais básicas...
Mas se a Cristas quisesse realmente poupar, poderia pôr o termostato a 28ºC. E iam todos em calção ou de tanga, e elas de mini-saia ou em biquini, todos com chinelos. No Inverno, sim porque no Inverno não se poupa no ar condicionado, a medida deve ser a re-introdução das gravatas, mas com sobretudo e ceroulas. Talvez uns cobertores... Aí corta-se pura e simplesmente no Aquecimento!
Uma ministra que tem tempo a perder a fazer estas conferências de imprensa, não faz obviamente a menor ideia das tarefas realmente importantes que deveria estar a fazer! Melhor decisão era mandar os funcionários trabalhar para o campo, pois se havia um funcionário do Ministério da Agricultura por cada 4 agricultores em 2005, agora só pode ser pior! Mas havia uma solução melhor, mas não haverá tomates para uma solução dessas.
Enfim, o negócio das gravatas ainda não está em perigo... Espero pelas contas da poupança para me rir à fartazana. Com um Verão fresco como este, já estou a ver as toneladas de carbono poupadas. Espero que façam as contas como deve ser, até porque, como se sabe, o rendimento intelectual e a produtividade são máximos entre os 20ºC e 22ºC, piorando com o aumento da temperatura. Como qualquer bom alentejano sabe!
Actualização: Um leitor mandou-me um apontador para outra imagem adequada... O gozo já começou (via HenriCartoon):
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quinta-feira, 16 de junho de 2011
Os eco-terroristas
Um leitor assíduo enviou-me uma referência para uma luta de galos, que se tem travado na lista ambio. De um lado, o mais conhecido eco-terrorista português, e do outro o nosso conhecido Henrique Pereira dos Santos (HPS). O currículo do primeiro, Gualter Barbas Baptista, é bastante resumido, sendo bolseiro de doutoramento da Universidade Nova de Lisboa, mas mais conhecido por liderar o acto criminoso de destruição de um campo de milho em 2007. Para terem uma ideia deste tretas, vejam como foi "tratado" pelo Mário Crespo, no vídeo abaixo.
Agora, Gualter Baptista, sente-se inspirado para defender as acções de Barbara Van Dyck, também investigadora universitária, que teve o mesmo papel de Gualter, na destruição de um campo de batatas... HPS deixou-lhe uma mensagem de resposta (todos os realces da minha responsabilidade):
O tretas Gualter ainda tentou fugir com o rabo à serinha. Mas HPS voltou a espetá-la:
O tretas continuou a estrebuchar, mas HPS deu a estocada final:
E andamos nós a gastar o dinheiro dos nossos impostos para manter estes investigadores anormais!
Agora, Gualter Baptista, sente-se inspirado para defender as acções de Barbara Van Dyck, também investigadora universitária, que teve o mesmo papel de Gualter, na destruição de um campo de batatas... HPS deixou-lhe uma mensagem de resposta (todos os realces da minha responsabilidade):
| Percebo a tua solidariedade Gualter: a senhora fez exactamente o mesmo que tu na fantochada de Silves, adoptando a mais indigna das posições. Participa mas finge que não, é porta-voz mas não toca nas plantas. É uma sonsice e é indigno. Meu caro, acho muito bem que uma Universidade despeça todos os investigadores que se entretêem a destruir a investigação das universidades ao lado com base em convicções pessoais e noções completamente distorcidas de intervenção cívica legítima (e digo legítima, não digo legal) e de respeito por terceiros. |
O tretas Gualter ainda tentou fugir com o rabo à serinha. Mas HPS voltou a espetá-la:
| Gualter, percebes muito bem que indigno é participar e fingir que participar através da voz não é participar. Tu, como a cientista em causa, participaste na acção, o resto é conversa ínvia a fazer dos outros parvos. "Quanto à ciência e à universidade, ela é mesmo um espaço privilegiado para o confronto de opiniões e posições." A destruição de experiências científicas de outros investigadores não é nenhum confronto de opiniões, é uma acto ilegítimo de coação de terceiros. "E ainda assim, demitir alguém de uma universidade porque defende uma posição - ou acção - que rompe com a posição dominante na ciência ou na sociedade, é, no mínimo, um acto típico de inquisição" A senhora não foi demitida porque defendeu uma posição, a senhora foi demitida, e bem, porque destruiu ilegitimamente o trabalho científico de terceiros, o que a universidade, e qualquer pessoa de bom senso, considera uma acção inaceitável num investigador. |
O tretas continuou a estrebuchar, mas HPS deu a estocada final:
| Meu caro, imaginemos que eu acho que o Amilcar diz (ou faz) algumas coisas contra o bem comum e que dou aulas noutra universidade que não a sua. Assumo que parar a sua intervenção é um dever cívico. Espero-o numa esquina com uns amigos, e enquanto aos meus amigos lhe vão aos fagotes, eu vou relatando e explicando para as televisões as razões pelas quais está a levar uma sova monumental, argumentando que a sua actuação na Universidade é contra o interesse público e que é um dever defender a sociedade dos efeitos perniciosos da sua actuação. A minha Universidade fala comigo escandalizada e eu repito a argumentação, dizendo que não lhe peço desculpa nenhuma e que acho muito bem que as pessoas como o senhor tenham regularmente os dentes metidos para dentro porque estão metidas com o capital e as grandes corporações, usando o conhecimento universitário para os defender contra o bem público. A minha Universidade expulsa-me. O caro Amilcar Duarte faz uma petição protestando contra o facto da Universidade me estar a expulsar com base na minha intervenção cívica (que no caso foi ir-lhe aos fagotes mas que poderia ter sido a destruição dos campos onde o Amilcar, legalmente e pensando estar num país livre, fazia a sua experimentação). Está bem abelha. |
E andamos nós a gastar o dinheiro dos nossos impostos para manter estes investigadores anormais!
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sexta-feira, 10 de junho de 2011
Os problemas da agricultura urbana
Dois leitores mais exaltados perguntaram-me na última semana se tinha algum problema contra a agricultura biológica... Tudo isto por causa da divulgação em primeira mão, da associação entre a agricultura biológica e o surto de Escherichia coli que grassa pela Alemanha. Respondi-lhes que sim, sempre que isso colocasse em perigo a saúde pública! E parece confirmar-se em definitivo que a contaminação advém mesmo da agricultura biológica, como as últimas notícias o provam... Para mim, continua a ser surpreendente como ainda se tenta manter o elefante por debaixo do tapete, mas tal é compreensível, numa Alemanha, em que o poder está ajoelhado aos pastores desta Religião Verde...Um perigo que há muito está na minha lista de posts pendentes, está nos problemas da agricultura urbana, mais conhecidas por hortas urbanas. Seja em Lisboa, Coimbra ou Porto, são sempre apresentadas como casos evidentes de sustentabilidade. Delas, as hortas do IC19 são porventura as mais conhecidas, recomendando uma visita ao blog O Rouxinol de Pomares, donde retirei a imagem acima e onde há várias fotoreportagens, de há uns anos atrás, e mais recentes. Mas é preciso ir um pouquinho mais a norte para compreender melhor o problema...
Rute Pinto, concluiu na Universidade do Minho, em 2007, um mestrado que teve por título "Hortas urbanas : espaços para o desenvolvimento sustentável de Braga". A tese é muito interessante porque enaltece as hortas urbanas. O problema é que lá no meio do resumo, pode ler-se:
| Como forma de avaliar as condições ambientais foram realizadas análises químicas de amostras de alfaces e de solos em algumas hortas. Assim, os resultados analíticos das amostras de alfaces e de solos mostraram que existem níveis preocupantes de contaminação e poluição pelos metais pesados Cádmio, Chumbo e Zinco, em hortas dentro do perímetro urbano de cidade. Portanto, a principal conclusão do presente trabalho é a escassa viabilidade ambiental, sobretudo como espaços de alimentação, para o uso das hortas urbanas enquanto importantes espaços de agricultura urbana no perímetro urbano de cidade de Braga. |
A leitura do resto da tese, especialmente do ponto 5.4, levanta os cabelos a qualquer mortal. Vejam por exemplo este trecho:
| Contudo, para além de contaminação ambiental existe também poluição urbana pois nas 5 hortas localizadas dentro do perímetro urbano de cidade as concentrações limite, sobretudo de Chumbo e de Cádmio, são intensamente ultrapassadas, podendo vir a traduzir-se em graves problemas para a saúde publica pois a alface é um vegetal muito consumido e com frequência na dieta alimentar das pessoas. |
A leitura da tese fornece muitas pistas úteis para a abordagem da problemática da poluição em ambiente urbano. Um problema que nos afecta de forma muito séria, mas do que os ambientalistas gostam pouco de falar. Da próxima vez que um deles vos tentar vender a ideia das hortas urbanas, ou sempre que ouvirem alguém falar do paladar dos seus produtos urbanos, lembrem-se do tempero de cádmio ou chumbo...
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terça-feira, 24 de maio de 2011
Escherichia coli e a agricultura orgânica
Na Alemanha, país onde o movimento Verde tem ganho notória dimensão, o futuro está ensombrado por nuvens muito negras. Depois de no fim de semana ter dado conta dos problemas de botulismo que grassam no suposto paraíso Verde, agora, também via NoTricksZone, descobrimos que a nova praga é a de Escherichia coli (E-coli).A E-coli é uma bactéria muito frequente nas fezes, pelo que a sua presença em água ou alimentos é indicativa de contaminação. A quantidade de bactérias E-coli na água é um dos principais indicadores utilizados para verificar a qualidade da água que consumimos. Por isso, com duas mortes, e centenas de infectados, os alemães estão em pânico. E a principal fonte parece ser a agricultura orgânica, aquela que supostamente é muito melhor que a outra... E da qual os Alemães tanto gostam!
Actualização: Numa combinação surpreendente, descobri que num dos episódios do CSI Miami, a Escherichia coli e Clostridium botulinum são as culpadas da fita...
Actualização II: Dois leitores mandaram-me links que confirmam a pista da agricultura biológica: 1, 2, 3
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009
CO2 e plantas

O impacto negativo do CO2 na Terra é uma das máximas dos ecologistas de hoje. Todavia, o dióxido de carbono é a base da existência de vida no Planeta Terra, permitindo a fotossíntese. Tal é particularmente evidente para os donos de estufas, que adoram o dióxido de carbono, porque com ele as plantas crescem mais depressa! Vejam o primeiro link para entender como o assunto é importante para eles...
Mas experiências simples dão-nos que pensar... No segundo link abaixo, uma experiência de crescimento de era do diabo (Scindapsus aureus), em diferentes concentrações de CO2, dá um resultado facilmente perceptível na imagem ao lado. Uma experiência, efectuada por alunos de 8º ano, que poderia ser efectuada em muitas escolas do nosso país, até para aprendizagem de alguns professores, que sucumbiram aos dotes dos alarmistas.
Para uma correcta interpretação da imagem, os níveis de concentração de CO2 eram inferiores a 200 ppm há 18000 anos, em plena Idade do Gelo. Os níveis pre-industriais eram de 280 ppm, sendo que são de cerca de 380ppm hoje em dia. Recuando mais na história do Planeta, podemos encontrar concentrações de 1800ppm no período Jurásico, e de 4000-5000ppm há 500 milhões de anos atrás.
Por estas e por outras, a expressão "gases com efeito de estufa", que normalmente se aplica ao dióxido de carbono, pode ter um entendimento completamente diferente!
www.omafra.gov.on.ca/english/crops/facts/00-077.htm
www.co2science.org/education/experiments/center_exp/experiment1/exp1_home.php
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Impactos ambientais do Alqueva
Para o escanção Carlos Romero, "essa é uma questão contorversa. Há quem não goste e há quem ache fantásticos os verões, e sobretudo as noites mais frescas no Alentejo". Segundo Romero, "os verões mais amenos dão vinhos mais elegantes e mais equilibrados, como se confirmou nas safras de 2007 e 2008. Quando os estios são demasiado quentes, as uvas têm maturações muito rápidas e isso não é bom para os vinhos. Há muitos produtores contentes com um Alentejo mais fresco, por influência do Alqueva."
Jose Silva, crítico gastronómico e de vinhos, partilha os argumentos. "Isso é assunto muito polémico. Como acontece com o famigerado aquecimento global, e nos últimos três anos temos tido invernos muito frios e verões muito frescos, muito abaixo da média." Mais: "É um facto que uma superfície de água contínua como o Alqueva provoca um aumento de humidade e a possibilidade de nevoeiros matinais mais frequentes. Mas também pode suavizar as temperaturas e ajudar a uma maturação mais lenta das uvas, o que é bom. Aliás, foi o que aconteceu nos últimos três anos um pouco por todo o país, com verões suaves e noites frescas, as uvas a amadurecerem lentamente e a dar vinhos excelentes em 2007 e 2008. E as tecnologias ao dispor da viticultura e da enologia permitem fazer acertos e controlar tudo, é uma questão de estudar e adaptar."
Filipe Teixeira Pinto, 33 anos, enólogo da Herdade do Sobroso, vizinha do Alqueva e um misto de casa produtora de vinhos e turismo rural, aponta os prós e os contras sem dramas. "O Alqueva tem influência directa mas não de uma forma drástica como se pensa. De certa forma, a água veio amenizar os extremos de temperatura, o que é muitíssimo bom para a vinha. Acabaram-se os verões e invernos de inferno. Com esta mudança, por seu lado, vieram sazonalmente, sobretudo no Inverno e Primavera, os temidos nevoeiros matinais, terríveis para a vinha por causa da mais fácil propagação de fungos e que implicam directamente com a sanidade vegetal da videira." Acrescenta que, para matar o míldio: "Para já, antes de haver barragem faziam-se três tratamentos anuais, agora somos obrigados a fazer o dobro, com os custos que isso representa." Afirma logo de seguida que "também não tínhamos água à porta de casa e agora podemos captá-la directamente do lago. Os benefícios são superiores aos malefícios. Vale bem a pena qualquer pequeno senão."
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segunda-feira, 15 de junho de 2009
Fome solar
Há mais de 200 anos, o astrónomo William Herschel teorizou sobre a correlação entre os preços do trigo e a quantidade de manchas solares. Observou que com poucas manchas solares, o clima se tornava mais frio e seco, as culturas baixavam, e os preços de trigo subiam... A mesma teoria foi confirmada por Pustilnik e Din, já em 2004.Não é preciso pois ser bruxo para perceber o que poderá estar a acontecer, agora que a quantidade de manchas solares está em mínimos dos últimos cem anos. Com o mau tempo que tem grassado pelos principais produtores mundiais (China e Estados Unidos), não admira que venha aí uma falta de cereais. E noutras culturas, quase todas estão de rasto, desde o Brasil à Europa, da Ásia à América.
O que vale é que ainda há muito CO2 no ar. Assim, a fotossíntese ainda vai sendo possível. Enquanto os políticos andam a lutar contra o CO2, não veêm a fome que está a chegar...
www.newscientist.com/article/dn6680
www.telegraph.co.uk/comment/columnists/christopherbooker/5525933/Crops-under-stress-as-temperatures-fall.html
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quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Pão com 95 octanas
A deputada Helena Pinto tem um título com esta coluna hoje, no jornal "Meia Hora". Ela insurge-se contra a subida que o preço do pão tem tido ultimamente. A justificação parece estar, diz ela, na corrida ao petróleo verde. Para ela tudo é pouco verde, ao contrário dos seus vizinhos de bancada.
Mas os agricultores, que já não se deixam enganar com facilidade, vendem o que produzem a quem lhes dá mais. E se os cereiais dão pouco dinheiro, passam a produzir o "ouro verde".
Mas acrescenta que o ministro da Agricultura garante 188 milhões em benefícios fiscais para desviar terrenos agrícolas para produzir combustíveis que vão tornar a comida ainda mais cara. Paga-se duas vezes, diz a Helena e com razão: nos subsídios e nos supermercados.
Mas os agricultores, que já não se deixam enganar com facilidade, vendem o que produzem a quem lhes dá mais. E se os cereiais dão pouco dinheiro, passam a produzir o "ouro verde".
Mas acrescenta que o ministro da Agricultura garante 188 milhões em benefícios fiscais para desviar terrenos agrícolas para produzir combustíveis que vão tornar a comida ainda mais cara. Paga-se duas vezes, diz a Helena e com razão: nos subsídios e nos supermercados.
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