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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Medo do Monstro!

O Governo divulgou hoje uns cortezinhos nos custos do sistema eléctrico. Segundo as notícias, o corte permitirá poupar cerca de 1800 milhões de euros até 2020. Segundo esta outra notícia, a distribuição de cortes, entre 2012 e 2020, será a seguinte:
  • Cogeração: 700 M€
  • Garantia de Potência: 335 M€
  • Mini-hídricas: 300 M€
  • CMEC e CAE: 280 a 300 M€
  • Eólicas: 100 a 200 M€

Agora, confronte-se isto com o que a ERSE definiu como Custos de política energética, ambiental ou de interesse económico geral e de sustentabilidade de mercados incluídos nas tarifas para 2012 (pag. 29 e 33), apenas para 2012:
  • Sobrecusto da PRE: 1295 M€
    • Sobrecusto das eólicas: 538 M€
    • Sobrecusto da cogeração "fóssil": 428 M€
    • Sobrecusto da cogeração FER: 107 M€
    • Sobrecusto da PRE fotovoltaica: 59 M€
    • Sobrecusto da PRE hídrica: 56 M€
  • CMEC: 296 M€
  • Sobrecusto CAE: 134 M€
  • Garantia de Potência: 60 M€

Por aqui facilmente se percebe que isto são apenas cortezinhos! No maior sobrecusto de todos, a eólica, praticamente não se belisca: o corte até 2020 é menos de metade do sobrecusto que vamos ter que pagar apenas este ano! No total, o que eles pensam poupar até 2020 nem dá para pagar 80% das rendas, só deste ano!

Mas, enfim, mais cedo ou mais tarde, lá virá um corte maior! Como o corte que os investidores estão a fazer na EDPR, que hoje tocou finalmente nos 3 euros, na sua descida para Zero. E que Anthony Watts referenciou há pouco no WUWT, sobre o crash do Renewable Energy Industrial Index, da qual a EDPR faz parte.

Actualização: A EDP já veio dizer que estas grandes medidas beliscam apenas 2.5% dos seus lucros!!!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Cortando nas rendas

Foram publicadas hoje as Portarias 139/2012 e 140/2012, que dão uma machadada na garantia de potência e na cogeração.

A portaria 139/2012 limita-se a revogar a Portaria 765/2010, que definia o mecanismo de garantia de potência. Como havia referido neste artigo, a interpretação dos ambientalistas não era efectivamente correcta. Todavia, a esta revogação suceder-se-á uma apresentação de novas condições e modos de funcionamento dos serviços de garantia de potência em regime ordinário, bem como a subsidiação a esta actividade. São dadas algumas indicações nesta Portaria, mas não são muito claras. Recorde-se que o mecanismo de garantia de potência se manterá, porque é efectivamente o mecanismo que nos garante que Portugal não ficará sem energia eléctrica, quando deixe de haver vento...

A portaria 140/2012 estabelece a revisão das tarifas de cogeração. Aparentemente as remunerações fixadas parecem ser inferiores às praticadas actualmente, e que segundo o documento mais recente da ERSE, fixa o valor médio da cogeração renovável, nos três primeiros meses de 2012, em 100.20 €/MWh, enquanto a outra cogeração teve um valor médio, no mesmo período, de 132.50 €/MWh. A Portaria define, por exemplo, para potências inferiores a 10MW, preços de 89.12 €/MWh para fuel-oil, 89.89 €/MWh para outros combustíveis fósseis, e 81.17 €/MWh para cogeração renovável, neste caso com potências inferiores a 2MW. Para potências mais elevadas, os valores diminuem. Todavia, uma leitura da portaria evidencia que há vários ajustamentos à tarifa de referência, como é o caso do aumento de 10%, para as tarifas nas horas cheias e de ponta, no caso de ter havido uma opção de modulação tarifária, em função dos períodos horários.

Enfim, parece ter começado o embate com o Monstro. Mas, numa primeira análise, parece apenas poeira para os olhos dos Portugueses... Ainda falta cortar muito, e os leitores do Ecotretas sabem onde não se está a cortar!

Actualização: O verde fóssil Nuno Ribeiro da Silva levou na ripa, e queixa-se de cortes na cogeração de 15%. A COGEN vai mais longe, e na edição impressa do Jornal de Negócios revela que o corte é de cerca de 30%...

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Cortar nos luxos e excesso de voluntarismo

As audições na Comissão de Economia e Obras Públicas terminaram há minutos, com muitas novidades! Estiveram presentes o ex-Secretário de Estado da Energia, e o actual Secretário de Estado da Energia, Artur Trindade. Fico com um mixed feeling sobre as suas declarações, sendo que Henrique Gomes continua com a sua guerrilha com António Mexia. As suas declarações, bem como a divulgação dos estudos confirma que Gomes estava obcecado com Mexia, e não com resolver verdadeiramente o problema. Enfim, hoje até reconheceu que "deveríamos ter feito os investimentos nas eólicas com mais cuidado", mas o resto foi um ataque cerrado a quem é responsável por apenas parte do buraco.

Artur Trindade avançou com algumas ideias claras, que tenho defendido aqui no blog. Relativamente ao PNBEPH, referiu que "existe e é para cumprir, agora não me venham pedir mais subsidios, o plano é para cumprir mas não para onerar mais a factura", o que significa que a minha interpretação da garantia de potência é correcta, e desmistifica totalmente as contas da GEOTA e companhia.

Na vertente da cogeração, Artur Trindade referiu que "temos que atalhar o problema dos falsos produtores de co-geração e que cuja actividade se centra na remuneração fixa". Referiu que "a redução é muito significativa, em torno de 100 milhões por ano, em ano cruzeiro, mas isso nao chega". Pois não, e pelos casos que temos levantado no blog, muitos cortes haverá aqui a fazer!

Na vertente das energias renováveis, Artur Trindade também não poupou nas palavras, embora tenha sido cauteloso. Segundo o Secretário de Estado, o Governo não tem "nada contra as energias renováveis. Mas deve haver moderação nos custos e na forma de remuneração, porque o país não tem capacidade de pagar luxos e excesso de voluntarismo" e que as "remunerações são muito acima da média". Falta saber se vão tomar medidas, ou se isto é apenas para parlamentares ouvirem...

sábado, 31 de março de 2012

A Endesa verde fóssil


Um excelente exemplo de uma empresa verde, que não o é, é a Endesa. É uma alternativa comercial à EDP, mas que produz a maior parte da sua energia através da térmica clássica e da energia nuclear. Em Portugal é liderada pelo verde, Nuno Ribeiro da Silva, que recentemente observamos na peixeirada do Prós e Contras.

A consulta do site da Enel Green Power, companhia do grupo Enel (que adquiriu a Endesa) dedicada ao desenvolvimento e gestão da geração de energia a partir de fontes renováveis a um nível internacional, permite-nos constatar que em Portugal nem tudo é verde. Aliás, há muita coisa negra, fóssil como dizem os melancias... Senão vejam a lista das instalações de cogeração em Portugal, com os dados relevantes, retirados das respectivas páginas, referenciadas em cada um dos links:

DistritoProdutorPotênciaProduçãoEntrada funcionamentoCombustívelVapor
Viana do CasteloCamposgen4320197344201997Fuel-oil
BragaAtelgen3620146429192005Natural Gas8170000
BragaEnerlousado5123 Kwe3.278 MWh / year2006Natural Gas120344 Ton / year
BragaFeneralt3220149802692005Natural Gas11395200
BragaMundo Textil6510305338001996Fuel-oil9334935
BragaOliveira Ferreira4000178906352000Natural Gas9334935
BragaRonfegen4000178906352000Natural Gas9334935
BragaSoternix2730124966502000Natural Gas7034665
PortoCarvemagere2188 Kwe9955933 KWh / year2004Natural Gas6391 Ton / year
PortoEnercampo5474 Kwe18439 Mwh/year2000Natural Gas0 Ton / year
PortoEnerviz5520 KW22574340 KWh2007Fuel-oil8230 Ton / year
PortoFábrica do Arco8400 Kwe23323699 Kwh / year2002Fuel-oil8848 Ton / year
PortoRibeira Velha4646 kWe20150010 kWh / year1996Fuel-oil3247284
PortoSerrado5920 kWe26012057 Kwh / año1998Natural Gas9017401
LisboaCTE8208 Kwe2826336 KWh / year2000Natural Gas20003 Ton / year
LisboaPowercer7112 Kwe39525 MWh / year2004Natural Gas159772 Ton / year
SetúbalEnercor417017796808 Kwh1998Fuel-oil
SetúbalHectare4280163348601998Natural Gas
SetúbalLusol6500283707581997Fuel-oil6715000
SetúbalTagol7288418510002002Natural Gas124245000

A interpretação dos dados pode não ser linear, dado que alguns valores aparecem, por exemplo, repetidos. Todavia, consolidando os valores, obtém-se os totais de potência e produção:

CombustívelPotência (MW)Produção Anual (GWh)
Fuel-oil40.07162.48
Natural Gas63.16236.12


Estes valores são particularmente significativos! Segundo este documento da ERSE, o preço médio pago em 2011 no domínio da cogeração não renovável foi de 118.9 €/MWh, enquanto o custo médio da energia foi de 51.84 €/MWh. Tal significa um sobrecusto médio de 67.06 €/MWh. Multiplicando este valor pelo total da produção da cogeração, indicado pela Enel/Endesa, chegamos a um valor de sobrecusto de 26.7 milhões de euros por ano!

E não é só o valor que deve preocupar. Numa empresa dita verde, estar-se a utilizar particularmente fuel-oil, é um grande pecado! Valores baixos, ou mesmo nulos, de produção de vapor dão igualmente que pensar! Tudo isto são algumas das verdades inconvenientes de Nuno Ribeiro da Silva...

terça-feira, 27 de março de 2012

Rendas da electricidade

Um leitor habitual mandou-me uma digitalização de uma tabela que saiu no Público do passado 17 de Março. Dois leitores já me tinham referenciado o artigo, de duas páginas, extenso, e escrito pela alarmista do costume, Lurdes Ferreira. Depois de receber a digitalização, e pesquisando pelas palavras correctas, lá se encontra o artigo num documento de clipping (pag. 53 e seguintes). O que o artigo tem de mais extraordinário é uma pequena tabela, onde se enunciam as rendas de que se falam, e que é visível à esquerda.

O que é verdadeiramente extraordinário na tabela é o facto das energias mais caras aparecerem primeiro, e as mais baratas no final. Então, a do fotovoltaico é escandalosa! Reparem ainda nos valores negativos das três primeiras, na coluna Diferença, a indiciar que são, coitadinhas, as mais prejudicadas?

Se foi esta a análise com que Mexia se insurgiu, há que dar-lhe toda a razão! Se estas são as bases que estão a ser tidas em conta pelo Governo, vem aí merda da grande!

O custo do capital é um tema financeiro muito complexo, a que a ERSE dedica extensos relatórios. Em termos muito simples, é a taxa de juro a que a empresa se consegue financiar. E de uma forma também simples, quanto maior é o risco, tipicamente maior é o custo do capital. Já uma taxa de remuneração significa o lucro que uma empresa consegue gerar em função do investimento, sendo de uma forma simples calculada pela divisão do lucro pelo capital investido.

Voltando a olhar para a tabela chegamos à conclusão óbvia: nem com subsídios escandalosos as energias alternativas são financeiramente interessantes! E as taxas efectivas de remuneração são baixas, porque também são tecnologias ineficientes! Só a mamar à custa dos consumidores/contribuintes é que conseguem sobreviver...

sábado, 7 de maio de 2011

Cada português deu 5 euros à Semapa em 2010!

Na quarta-feira, quando se teve conhecimento do excelente programa da Troika, a Semapa registou o maior rombo do PSI20, mesmo maior que o da EDP Renováveis. Nas suas Demonstrações Financeiras Consolidadas de 2010, nas páginas 22 e 23 é possível perceber o enquadramento desta empresa, no âmbito da co-geração:
  • Em 2010, o Grupo Portucel atingiu uma produção bruta de energia eléctrica de 1.696 GWh o que corresponde a um aumento de cerca de 48% face ao ano anterior.
  • A energia eléctrica produzida ao nível do Grupo Portucel correspondeu, em 2010, a 3,4% da produção total nacional.
  • A produção de electricidade a partir de centrais a biomassa (três cogerações e duas centrais dedicadas) atingiu 1 099 GWh e representou 52% da estimativa da produção total nacional em 2010 a partir deste recurso renovável, mantendo o Grupo o estatuto de maior produtor nacional de energia eléctrica a partir de biomassa.

Apesar de ser um defensor da biomassa, é preciso estar atento aos exageros, como já referi no passado, aqui e ali. Considerando que o total de produção, em regime de PRE, em 2010, segundo dados da REN, foi de 17924 GWh, os 1696 GWh da Semapa representam então 9.46% dessa produção. Segundo o mesmo documento da REN, o total de produção em regime de cogeração foi de 6122 GWh, pelo que a Semapa detém 27.7% dessa produção.

Segundo o Quadro 0-12 deste documento da ERSE, o sobrecusto associado à cogeração térmica foi de 33.80 € por MWh, o que significa, para os 1696 GWh, um valor aproximado de 57.3 milhões de euros! Ou seja, cada Português (criança, adulto ou velhinho) pagou em média mais de 5 euros a mais na sua factura de energia eléctrica, para se dar à Semapa...