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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Medo do Monstro!

O Governo divulgou hoje uns cortezinhos nos custos do sistema eléctrico. Segundo as notícias, o corte permitirá poupar cerca de 1800 milhões de euros até 2020. Segundo esta outra notícia, a distribuição de cortes, entre 2012 e 2020, será a seguinte:
  • Cogeração: 700 M€
  • Garantia de Potência: 335 M€
  • Mini-hídricas: 300 M€
  • CMEC e CAE: 280 a 300 M€
  • Eólicas: 100 a 200 M€

Agora, confronte-se isto com o que a ERSE definiu como Custos de política energética, ambiental ou de interesse económico geral e de sustentabilidade de mercados incluídos nas tarifas para 2012 (pag. 29 e 33), apenas para 2012:
  • Sobrecusto da PRE: 1295 M€
    • Sobrecusto das eólicas: 538 M€
    • Sobrecusto da cogeração "fóssil": 428 M€
    • Sobrecusto da cogeração FER: 107 M€
    • Sobrecusto da PRE fotovoltaica: 59 M€
    • Sobrecusto da PRE hídrica: 56 M€
  • CMEC: 296 M€
  • Sobrecusto CAE: 134 M€
  • Garantia de Potência: 60 M€

Por aqui facilmente se percebe que isto são apenas cortezinhos! No maior sobrecusto de todos, a eólica, praticamente não se belisca: o corte até 2020 é menos de metade do sobrecusto que vamos ter que pagar apenas este ano! No total, o que eles pensam poupar até 2020 nem dá para pagar 80% das rendas, só deste ano!

Mas, enfim, mais cedo ou mais tarde, lá virá um corte maior! Como o corte que os investidores estão a fazer na EDPR, que hoje tocou finalmente nos 3 euros, na sua descida para Zero. E que Anthony Watts referenciou há pouco no WUWT, sobre o crash do Renewable Energy Industrial Index, da qual a EDPR faz parte.

Actualização: A EDP já veio dizer que estas grandes medidas beliscam apenas 2.5% dos seus lucros!!!

sábado, 12 de maio de 2012

PNAER/PNAEE: Contributo aberto

Há três semanas alertava os leitores para a disponibilização online da nova proposta do PNAER e PNAEE, que se designa de “Linhas de orientação para a revisão dos Planos Nacionais de Ação para as Energias Renováveis e para a Eficiência Energética”. Entretanto, o documento deixou de estar disponível no site da DGEG, e até hoje não voltou a aparecer! Entretanto, enviei o documento para múltiplos leitores que mo pediram (quem quiser pode continuar a pedir por email). No site da DGEG, a própria notícia que referenciava a consulta pública desapareceu, sem qualquer indicação do ocorrido, e o desaparecimento já chegou aos Media.

Como o prazo da consulta pública é até 18 de Maio, não tendo sido cancelado, e como prometido, deixo abaixo os meus comentários, que submeterei à DGEG na próxima semana. Encorajo os leitores a enviarem também os seus comentários para o endereço de email disponibilizado pela DGEG, consultapublica2012@dgge.pt. Para isso, podem pescar ideias abaixo, mas a intenção não é fazerem copy&paste... Mas, na lógica que a Troika sugere, há que envergonhar o status quo actual, pelo que o vosso comentário contribuirá para um planeamento mais regrado para os próximos anos.



Exmos. Senhores,

No âmbito do processo de revisão dos PNAER e PNAEE, em consulta pública até 18 de Maio, junto os meus contributos.

O documento tem algumas boas medidas, com as quais necessariamente se concorda. Mesmo alterações ao PNAER/PNAEE anterior vão no bom sentido, como sejam a eliminação de medidas como a E8M4 (Escola Microprodutora), RS6M1 (Microprodução), ou a recente decisão de suspensão todos os novos licenciamentos da PRE. Assim sendo, os comentários subsequentes são respeitantes a dúvidas acerca das propostas efectuadas, ou então de propostas com as quais não podemos concordar. Nestas últimas, avançamos com propostas alternativas.

  1. Pressupostos macroeconómicos pouco ajustados à realidade
    Não deixa de ser preocupante que os pressupostos assumidos pareçam estar pouco ajustados à nossa realidade. Em termos de evolução macroeconómica, dificilmente o País conseguirá crescer ao ritmo anunciado depois de 2013, sabendo-se à partida das enormes dívidas contraídas em termos das PPPs, e mais especificamente na área da energia, no enorme défice tarifário e tarifas feed-in contratualizadas até ao final da década.

  2. Pressuposto pouco provável de evolução do preço de petróleo
    Em termos da evolução do preço de petróleo, as previsões de estabilidade são ainda menos fundamentadas! Por um lado, os conceitos de peak-oil defendem valores bastantes superiores do preço de barril, enquanto a utilização de novas fontes (eg. shale-oil) proporcionarão porventura preços inferiores. Assumir preços de barril de petróleo de 112 USD em 2020 é, no mínimo, arriscado.

  3. Evolução de preços deveria estar em Euros, e não em dólares
    Mas mais preocupante é assumir valores em dólares americanos, sendo que um documento desta importância deveria ter expresso os valores em EUROS, a moeda do nosso País!

  4. Previsões de evolução de gás natural não equacionam cenários recentes
    Igualmente preocupante são as previsões para a evolução do preço do gás natural, onde manifestamente não se equaciona o impacto da extracção de gás de xisto, que já fez baixar o preço do gás nos Estados Unidos para valores próximos dos mínimos das últimas duas décadas!

  5. Não se equacionam prováveis reservas de gás natural
    A propósito do gás natural, é preocupante que a DGEG não tenha equacionado as potenciais reservas de gás natural que parecem existir em Portugal! Por um lado, não levam em linha de conta a recente licença atribuída para prospecção de gás natural no Algarve, nem as potenciais reservas de gás de xisto, que relatórios internacionais apontam existir em Portugal. Porque não é feita nenhuma referência a este aspecto no PNAER/PNAEE?

  6. Improvável e pouco realismo dos preços das licenças de CO2
    A evolução dos preços das licenças de CO2 é igualmente pouco realista. Primeiro, porque o abandono dos grandes países do Protocolo de Quioto forçou em baixa o seu preço. Mesmo o preço no Mercado Europeu tem estado em queda livre! Depois, porque o abandono do nuclear por algumas potências mundiais vai-se traduzir em maiores emissões de CO2, e esses países vão ser os primeiros a não querer que esse mercado funcione, com nomeadamente a Alemanha à cabeça em termos europeus. Some-se o facto provado de que o Mercado de Emissões tem existido apenas para subsidiar alguns sectores (eg. cimenteiro), promovendo mesmo a retirada de competitividade às indústrias europeias, bem como um sem número de fraudes. Tudo isto faz com que o Mercado Europeu de Licenças de CO2 vá ter o mesmo destino do equivalente mercado americano: encerramento!

  7. Evolução irrealista da capacidade do sistema electroprodutor
    Os pressupostos relativos à evolução da capacidade do sistema electroprodutor são ainda mais criticáveis. Por um lado, já temos potência a mais. Isso é válido quer em termos de suportar os valores de ponta, onde a potência já suporta mais do dobro do requerido, quer em termos de suportar o consumo anual, onde a capacidade instalada é mais de três vezes superior à necessária. Por isso, a recente suspensão de mais licenciamentos é de louvar, apesar da capacidade do sistema electroprodutor continuar a aumentar no domínio da microprodução, que urge igualmente suspender o mais rapidamente possível. Por outro lado, a serem cumpridas as acções do PNAEE, na verdade é suposto que as suas consequências sejam a da diminuição do consumo de energia, e não do seu aumento! Por isso, é incompreensível que se aumente em mais 20% a potência total do sistema electroprodutor até 2020. Em particular, caso esse aumento venha efectivamente a existir, é muito importante que essa energia seja vendida em mercado aberto, sem qualquer subsidiação pública ou dos consumidores, nomeadamente através de tarifas feed-in.

  8. Retirada perigosa da PRO Térmica
    Em termos de PRO Térmica, a retirada das centrais de carvão afigura-se problemática. Em anos em que os recursos hídricos e eólicos sejam diminutos, como o foram simultaneamente este ano, é indesejável não existir capacidade térmica. Apostar unicamente em gás natural é colocar todos os ovos no mesmo cesto, o que é manifestamente arriscado. Tal decisão deveria ficar condicionada, nomeadamente, à prova e capacidade de utilização de reservas de gás natural em Portugal.

  9. Evolução indesejada da cogeração não-FER
    A estimativa de evolução da PRE estabelece um aumento reduzido mas prolongado, da cogeração não-FER. Num cenário de excesso de potência, tal não é desejável. Sendo certo que é conhecido que muita da produção em cogeração não cumpre os requisitos legais, o natural seria verificar-se uma diminuição nesta vertente. O facto de muita da cogeração não-FER ser ainda baseada em fuel-oil, devia levar a medidas de retirada de subsidiação, em vez do seu incremento. É incompreensível que se tenha feito um esforço de retirada do uso de fuel-oil, no Continente, para produção de electricidade, e se continue a subsidiar principescamente a sua utilização nos domínios da cogeração.

  10. Crescimento das eólicas é indesejável
    A estimativa de crescimento das eólicas no PRE é indesejável. O país já tem um excesso de eólicas, que desfiguram negativamente a paisagem de Portugal. Num cenário de excesso de capacidade instalada, e de uma maior eficiência energética, acrescentar ainda mais eólicas não tem justificação económica. Acresce o facto de que novos locais para instalação de eólicas serão necessariamente menos competitivos, em função da actual ocupação dos locais com maior potencial de vento. Qualquer cenário de sobreequipamento deverá significar a saída desses parques do PRE, directamente para o mercado livre. A eventual implementação de eólicas off-shore não deverá igualmente ser alocada no âmbito do PRE, devendo concorrer directamente em termos de mercado.

  11. Crescimento do solar fotovoltaico e termo-eléctrico é indesejável
    A estimativa de crescimento do solar fotovoltaico e solar termo-eléctrico no PRE é indesejável. Os custos são absolutamente astronómicos, e não deverá ser permitido que esses custos transitem para os consumidores/contribuintes. Ainda que seja cortada em mais de metade o crescidmento da capacidade neste domínio, é desejável que qualquer nova capacidade adicional nestes domínios não seja enquadrada no PRE, podendo eventualmente ser comercializada em mercado. Tal fomentará o desenvolvimento da tecnologia, ao contrário da massificação da subsidiação actual.

  12. Introdução da energia das ondas é indesejável
    A estimativa de crescimento da energia das ondas é igualmente indesejável. Depois do falhanço repetido desta tecnologia em Portugal, e noutros países, não faz sentido a utilização de uma tecnologia enquanto não estiver madura. Qualquer nova capacidade adicional nestes domínios não deverá ser enquadrada no PRE, podendo eventualmente ser comercializada em mercado.

  13. Perigo na promoção da cogeração
    Em relação à cogeração, mesmo que FER, e mesmo que como medida de backup, deve se ter especial cuidado na promoção desta tecnolgia, dado que é um dos factores que mais condiciona negativamente, neste momento, a evolução dos preços da electricidade. O documento refere, e bem, que tais medidas exigiriam algum grau de investimento público, pelo que não é certamente uma solução, de momento.

  14. Conflito na evolução do consumo de electricidade
    As previsões do consumo de Eletricidade, apontam para um crescimento de cerca de 7,4% entre 2010 e 2020. Com objectivos tão ambiciosos a nível do PNAEE, não é esta meta de crescimento anual demasiado elevada, especialmente a esperada entre 2015 e 2020?

  15. Estratégia perigosa de biocombustíveis
    A estratégia de aposta em biocombustíveis tem-se revelada um fracasso assinalável. A sua produção não é ambientavelmente e economicamente sustentável. A nível mundial, tem revelado igualmente um forte impacto na produção de alimentos, contribuindo para a criação de mais problemas, do que aqueles que efectivamente resolve. Em Portugal, a estratégia deveria passar primeiro por nos tornarmos auto-suficientes em termos alimentares, e só depois pensarmos em ocupar a agricultura a produzir ineficientemente este tipo de combustível.

  16. Eliminar microprodução
    Os subsídios efectuados no âmbito da microprodução são a forma mais anti-social de geração de energia eléctrica em Portugal. A microgeração é apenas para uma classe alta, com capacidade para suportar os custos de instalação, ou então empresas que se estão a aproveitar das tarifas feed-in escandalosas existentes. Os licenciamentos de microprodução subsidiada deveriam ser imediatamente suspensos.

  17. Promoção dos veículos eléctricos é anti-social
    A medida T1, relativa à promoção da aquisição de veículos eléctricos não é desejável. Os carros eléctricos são uma tecnologia ineficiente, cara, sem incorporação nacional, e destinados a uma classe média-alta, que não deveria ser subvencionada pelos restantes contribuintes. O reduzido potencial da medida, de apenas 2 ktep, significa que o retorno da medida, pura e simplesmente, não existirá. Igualmente anti-social seria autorizar a circulação de veículos eléctricos em faixas de rodagem reservadas a transportes públicos (BUS) ou faixas específicas, dado que mais uma vez estes carros só podem ser adquiridos por uma classe média-alta. O mesmo se aplica para a isenção do ISV e IUC, mais uma medida extremamente anti-social!

terça-feira, 24 de abril de 2012

A mina de ouro do mercado de carbono

Antón Uriarte disponibilizou ontem um link para um artigo muito interessante do El Pais. O artigo refere como o mercado das emissões de carbono é um negócio de ouro para a Indústria, e uma ruína para o Estado.

Em Espanha, as cimenteiras e as várias indústrias ligadas à construção foram das que mais beneficiaram. Em quatro anos, venderam direitos de emissão avaliados em 1279 milhões de euros. Enquanto isso, o Estado espanhol comprou no estrangeiro 770 milhões de direitos, e necessitará de uns 500 milhões adicionais. As empresas perceberam que era mais rentável deixar de produzir e ganharem dinheiro com isso. Na realidade, em Espanha, com a queda da construção, a queda da produção até deu jeito!

Mas mais interessante que observar o disparate em Espanha, é começar a escavar no disparate Português. Como é habitual, a informação sobre estes esquemas não abunda. A Judiciária anda no terreno à caça do esquema do carrossel, um esquema que já leva vários anos noutros países. Entretanto, andamos entretidos a comprar direitos noutros países...

Um bom sítio para começar a recolher informação é no sistema de registo europeu, onde podemos encontrar informação por país. Nesta folha de cálculo temos a lista das empresas portuguesas que mamam deste esquema. As que têm maiores direitos são as eléctricas e as cimenteiras. A consulta da listagem revela um conjunto de 212 empresas, que descobriram esta verdadeira mina de ouro...

Os estúpidos dos responsáveis pelo esquema europeu, porque não têm outro nome, ainda se vangloriam de que este esquema contribuiu para a quebra de emissões. Pudera! Então se é mais barato mamar do que produzir, de que estavam à espera? Agora que, com este esquema, a indústria europeia, e especialmente a portuguesa, está desaparecida, e habituada à chucha, não se quiexem da crise!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Jorge Moreira da Silva

Jorge Moreira da Silva era, até ao último congresso do PSD, vice-presidente da Comissão Política Nacional do PSD. Agora, Jorge Moreira da SIlva passa na prática a número dois do PSD, passando a ser o novo coordenador político do PSD. O País já se tinha safado no passado de o ver como Ministro do Ambiente, que só não foi por uma questão de quotas...

Mas quem é este Jorge Moreira da Silva, um completo desconhecido do público? Sempre foi basicamente um burocrata associado ao que de pior podemos imaginar da fraude do Aquecimento Global e Alterações Climáticas. Veja-se o que ele dizia em 2002, enquanto relator, negociador e autor da Directiva que estabeleceu o novo Sistema Europeu de Comércio de Emissões (todos os realces da minha responsabilidade):

conditions are created that Climatic Change and the Kyoto Protocol are no longer only theoretical items but will constitute in future an important pillar in economic and environmental politics. The Carbon Economy is born. Those who are able to produce with less greenhouse gas emission will be the winners.

É claro que ele se enganou redondamente! Quem está a ganhar são aqueles que mais CO2 emitem, com a China naturalmente à frente, e a Europa justamente no final dessa lista, e com Portugal na última posição! Quase tudo o que ele defende é de meter repulsa. Veja-se outro caso bastante evidente, do que Jorge Moreira da Silva dizia em 2003:

Jorge Moreira da Silva, who is steering a bill through the parliament which will cap industrial emissions of carbon dioxide (CO2), said Europe would have to pay to cut the emissions seen as a contributor to global warming but the EU could show the world it can be done without bankrupting the economy.

"In the short term we will pay. Our products will have the environmental costs included in the price," the centre-right politician from Portugal told Reuters in an interview at the Brussels-based assembly.
(...)
Moreira da Silva said if the scheme can be made cost-effective and credible, it could eventually help convince the United States to come back to the international climate change table.

"If we can prove that this scheme will remove emissions at lower cost, if we prove it works in Europe and it works in the rest of the world when we link it to other (emissions trading) schemes, I guess the U.S. administration might find a reason to ratify Kyoto," he said.

Moreira da Silva believes that, as the climate change problem becomes more evident, eventually all countries will have to reduce CO2 emissions and those that learn how to do so earlier, like the EU, will be at a competitive advantage.

"It might not be now, not in five or 10 years, but some day we will all be obliged to (cut emissions)," he said.

Todas estas afirmações foram desmentidas pelos factos. Não só os Estados Unidos não aceitaram Kyoto, como outros saltaram fora. Obviamente, a única coisa que se provou com o esquema das emissões europeu, foram as incontáveis fraudes que proliferaram no mercado de carbono. E que finalmente o está a afundar à Titanic... E obviamente no problema das alterações climáticas, o que é cada vez mais comum é os ratos saltarem fora do barco.

É provavelmente o que aconteceu a Jorge Moreira da Silva. Saltou fora do cargo de director-geral das Nações Unidas da área de Economia das Alterações Climáticas, no Grupo de Energia e Ambiente, para aturar agora, entre outros, os caciques locais, preparando nomeadamente as próximas eleições autárquicas. Sempre são novos ares, mais perigosos que os do CO2. E como nas eleições os eleitores começam a gostar de desancar naqueles que lhes trouxeram taxas de carbono, talvez o Jorge Moreira da Silva comece a piar mais fino...

Actualização: Um leitor mandou-me vários apontadores recentes que confirmam a análise do salta-fora. A China saltou fora da encomenda de umas dezenas de aviões Airubus europeus. A Q-Cells, outrora o maior fabricante de paineis solares fotovoltaicos, saltou fora do mercado, declarando insolvência. E para comemorar o meu post, o mercado de carbono deu um trambolhão de 14%!

sexta-feira, 30 de março de 2012

Candeeiros a petróleo

Enquanto os Pimentinhas vão mamando, a EDP lucra milhões, e os melancias falam de perus bêbados, e alguns não fazem a menor ideia do que propõem, há alguns poucos jornalistas que nos dão uma visão real do que se passa neste País. Num País em que se morre muito mais de frio, o Jornal i fez mais uma reportagem importantíssima. Ao contrário dos outros jornais, quase todos eles orientados à visão alarmista, o Jornal i tem dado provas ultimamente de que nos relata a realidade, em vez da ficção...

Na terça-feira, o jornalista Sérgio Soares entrevistou Carlos Silva, que trabalha na casa Higino & Fragoso, fundada em 1937 no centro de Oeiras. Nesta Economia Verde, o que está aparentemente a dar são os candeeiros a petróleo! A seguir transcrevo apenas parte do artigo, que recomendo leiam na íntegra, para perceber onde nos trouxe esta Economia Verde:

Quando lhe perguntamos se o seu estabelecimento vende muitos candeeiros a petróleo, Carlos Silva explica o inesperado sucesso de vendas de forma lapidar: “Encomendo aos 150 candeeiros de cada vez e desaparece tudo.”

“Algumas pessoas têm vergonha quando vêem comprar candeeiros a petróleo para iluminação e dizem que é para decoração, mas na semana seguinte cá estão de novo a comprar mais um litro de petróleo”, diz, acrescentando que um candeeiro completo custa 40 euros.

Mas vendem-se assim tão bem?, insistimos: “Se se vendem bem? Ó amigo, o que vier desaparece logo!”

Carlos Silva garante que há pessoas em situação ainda pior e que nem candeeiros a petróleo usam em casa. “Tenho uma cliente que já só usa velas para iluminação. Só gasta um pouco de gás para cozinhar. Para comer, nem de noite usa electricidade. No fundo, até é romântico”, graceja, arrependendo-se de imediato da piada.

quinta-feira, 29 de março de 2012

O Pimentinha

O enfant terrible do ambiente em Portugal, Carlos Pimenta, aliás o Pimentinha, foi dizer das suas ante-ontem na Rádio Renascença. Fui alertado por um leitor atento, que me apontou na direcção desta entrevista concedida a José Pedro Frazão. Este mostrou querer fazer as perguntas certas, mas foi constantemente enrolado pelas manobras habituais do Pimentinha. Ainda assim, mostrou-se mais preparado que a maioria dos entrevistadores das melancias. A entrevista na sua totalidade pode ser ouvida aqui.

Mas o Pimentinha esteve no seu pior! Começou logo a atacar, aos 2:40, com o seguinte:

Olhe, o que se tem feito no País de incendiar as pessoas contra as renováveis eu posso dizer que é quase um crime contra a Economia nacional, o crime contra a nossa continuidade enquanto Nação.

Quem não argumenta, e sabe que está a aldrabar os seus concidadãos, tem que atirar esta areia para os olhos dos Portugueses! Mas ele é um dos que mama da microgeração, como aliás refere aos 23:54, e que nós sabemos ser a forma mais anti-social de geração de energia em Portugal! Sabemos também que é o responsável máximo pela "EDF EN Portugal", o que significa que, muito simplesmente, os enormes subsídios que mamam dos contribuintes/consumidores portugueses vão direitinhos para a empresa francesa. Como José Pedro Frazão diz aos 10:20, saem do lombo do contribuinte! E não geram sequer emprego em Portugal, como já evidenciamos neste post, a não ser os de presidentes de empresas estrangeiras, e provavelmente mais uns quantos assessores. Portanto, é fácil concluir quem é que está a cometer crimes contra a Economia nacional...

O Pimentinha só quer é mamar mais! Aos 25:30 surge mais uma pérola. Já havíamos visto na peixeirada que ninguém quer assumir como se pode baixar o custo da electricidade. Vejam o embuste do Pimentinha:

José Pedro Frazão: Como é que se pode baixar a factura da electricidade?
(...)
José Pedro Frazão: O que é que propunha??? Realisticamente para baixar a factura da electricidade?
(...)
Carlos Pimenta: Mas, repare, você está a fazer um erro! E se eu lhe responder assim? (...)

A entrevista está cheia desta lógica nonsense, mas que o Pimentinha verborreia sistematicamente. Como a do Inverno deste ano, com muito calor, como ele disse aos 37:40. Em que País esteve ele este Inverno? Em Portugal, onde se fartaram de morrer pessoas de frio, não foi de certeza... Enfim, dá para perceber que ele está cada vez mais gago. José Pedro Frazão contribuiu muito para isso, e esteve quase a ponto de calá-lo. Faltou-lhe o quase...

quarta-feira, 28 de março de 2012

Lógica simples de Xiça

Num post de hoje do Blasfémias, o comentador Xiça referiu umas notas particularmente interessantes. Pela sua relevância e simplicidade, merecem aqui a sua referência, para meditação de todos aqueles que acham que isto de ser pioneiro nas renováveis valeu a pena:

Se agora já se fazem contratos abaixo dos 70€MWh então era só agora que deveríamos estar a começar a instalar e não ter o país já coberto de milhares de torres com rendas garantidas durante 15 anos e que tem muito menos potência que as mais recentes . Aposto que são pequenos operadores que tiveram que se desenrascar com tarifas tão baixas, os grandes papões, duvido muito.
E não me venham com a conversa dos early adopters e dos clusters, os 30 ou 40 mil empregos que dizem que seriam criados no sector são 2 ou 3 mil, e ninguém faz as contas a quantos empregos o preço da electricidade destruiu em Portugal.

segunda-feira, 26 de março de 2012

A analogia dos transportes públicos

Bruno Carmona, no Luz Ligada, escreveu hoje uma analogia, em que compara a produção e distribuição da energia eléctrica na Península Ibérica, com o sector dos transportes. É uma forma de se mostrar, de uma forma simples, como isto anda tudo engatado. Aproveito para pedir aos leitores que deixem alguma contribuição no blog de Bruno (eu vou já lá a correr), para que possa surgir uma versão ainda mais utópica desta analogia:

Imaginemos que o sector electroprodutor é a rede urbana de transportes públicos. De um lado temos taxis eléctricos que são as fontes renováveis intermitentes. Do outro a rede de autocarros que equivale à produção ordinária (termoeléctricas e barragens).

Os utentes são obrigados por lei a utilizar o taxi sempre que um esteja disponível mesmo que estejam numa paragem. Apesar do custo ao quilómetro do taxi ser superior ao do autocarro o preço de transporte não é diferenciado. Existe um bilhete válido para os dois tipos e o seu preço varia apenas com a distância percorrida e não o meio de transporte.

O preço deste bilhete não cobre os custos de transportar pessoas de taxi por isso o Estado paga aos operadores de taxi um valor fixo por esse serviço (subvenções às renováveis - FIT). Estes custos de se obrigar as pessoas a usar taxis quando podiam ir de autocarro são passados para os consumidores ao serem incluídos numa parcela do preço chamada Custo de Interesse Económico Geral (CIEG). Existe ainda outra parcela para manutenção de paragens, praças de taxi equivalente aos custos de rede eléctrica.

Os taxis têm uma capacidade limitada de passageiros transportados (baixa densidade de produção) e os taxistas têm horário livre (intermitência). O fluxo de utentes é conhecido mas o de taxis não. Isso faz como que o parque de taxis tenha de ser sobredimensionado ao mesmo tempo que a sua disponibilidade é aleatória. Para não provocarem engarrafamentos quando existem demasiados a circular existem parques de estacionamento que os acolhem (bombagem em baragens). Para mitigar falta de taxis a utilização da frota de autocarros não é optimizada para a procura. Está constantemente a circular independentemente de haver utentes nas paragens. Os operadores de autocarros recebem compensações sempre que circulam sem lotação esgotada, são os CMEC. Quanto mais taxis circulam e menos utentes necessitam de autocarros o valor de CMEC, FIT e aluguer de estacionamento aumenta.

Apesar do maior custo de se usar taxis eléctricos em vez de de autocarros o Estado considera vantajoso pois isso permite poupar na importação de combustíveis fósseis necessários ao funcionamento dos autocarros. No entanto, como quase toda a frota de taxis que opera em Portugal foi importada na realidade o serviço fornecido pelos taxis (equivalente à eelctricidade produzida pelas fontes renováveis) tem uma componente de importação tão ou mais elevada quanto os autocarros (fontes convencionais).

quarta-feira, 14 de março de 2012

Emigrar para a Costa Rica

No mesmo artigo do DN em que se descobre que Francisco Ferreira já não é dirigente da Quercus, descobrem-se mais umas pérolas surpreeendentes. Para Francisco Ferreira, o paraíso na Terra está na Costa Rica! Vejam porquê:

Só há um país, a Costa Rica, que está acima do limiar de desenvolvimento humano e, ao mesmo tempo, tem uma pegada ecológica sustentável. Se vivêssemos todos como a Costa Rica chegaria um mundo.

O que é que tem a Costa Rica, que eu não saiba? Tem crocodilos. 80% da energia que produzem vem das barragens, coisa que eles detestam cá, mas que é aceitável no paraíso? Por isso, muita da energia é renovável, o que explica os cortes de energia e subidas expressivas dos preços. A Costa Rica tem também outras histórias ecológicas interessantíssimas...

Resumindo, o Francisco Ferreira que vá para a Costa Rica, e que nos deixe em paz! E que leve os restantes ecochatos com eles, que até já conhecem o sítio, que não nos fazem cá falta... E levem também os médicos lá do sítio, que cá apreenderam o que é trabalhar de forma sustentável!

sexta-feira, 2 de março de 2012

(100+n)% de energia renovável

Um leitor atento enviou-me um link para uma notícia deliciosa no Expresso. É a prova provada que o domínio da energia anda a ser gerido de forma criminal neste País. Então, não é que em S. Miguel, com a instalação do parque eólico dos Graminhais, não vai haver que fazer ao excesso de energia que vai ser produzida, especificamente durante a noite? Tal significa que as energias renováveis vão produzir (100+n)% da energia necessária!

O que é que vão fazer a esses n% de energia? Segundo David Estrela, da Empresa de Eletricidade e Gás (EEG), subsidiária da elétrica açoriana EDA, "é possível que nem toda a energia eólica produzida em S. Miguel seja injetada no sistema". O que é que isso significa? Muito fácil: com as tarifas feed-in, vamos estar a pagar a energia para a deitar fora! É que não existe forma de armazenamento, nem sequer é possível dar essa energia aos consumidores! Na improvável possibilidade de não existirem tarifas feed-in para este projecto concreto, significa que o investimento de 15 milhões de euros está incorrectamente dimensionado! Qualquer que seja o ângulo com que se olha para esta realidade, é uma aberração! Até para os praticantes de parapente, como se vê na imagem, retirada daqui.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Dying from cold

Portugal has had in the last weeks a big increase in the total number of deaths. As can be seen in the graph below (original here - in Portuguese), the last weeks have seen several hundreds of excess deaths in Portugal:


The graph shows the inconvenient truth that more deaths occur with the cold. Nothing really new, given the fact that this is observed in many countries around the world. And while people will continue dying, it really shows that the Global Cooling would have more impact than Global Warming. And that is especially true in Portugal, given the claim that 2011 was the 6th warmest year in 80 years, but no excess deaths occurred in the Summer out of the 95% confidence range.

These deaths have been attributed to two factors: the extreme cold that has been occurring in Portugal (and also Europe) and to the very high costs of energy in Portugal. Regarding this last factor, it is one of the main reasons why the Portuguese Economy has sank in the last years. In the last months, electricity costs have soared even more, with a VAT tax increase from 6% to 23% (now one of the biggest in Europe). An additional rise of 4% occurred at the beginning of this year. Even before this, official European statistics already ranked Portuguese electricity taxes the third highest in Europe (after Denmark and Germany), but some quick calculations reveal that almost certainly Portugal will have the highest cost of electricity in Europe, in 2012, considering the mean household income.

Despite all this, the Government is holding back cuts to the very generous feed-in tariffs given to wind and solar producers in Portugal! The only thing they have done is indefinitely suspending issuing licenses for new renewable energy projects, in the beginning of this year. Obviously, the producers are afraid that something more will be done. In the meantime, people associated with the alternative energy producers have come forward stating that the rises should be even bigger! Might be an incentive for people dying faster? Interestingly, it was not the Media that started talking about this, but the Health Minister, a clear symptom how inconvenient these deaths are for the Portuguese Media, mostly aligned with the Green movement.

Update: The number of deaths rose again last week, for the fourth consecutive week, to 3080, from 3030 the week before, as shown in the graph (data here - in Portuguese).

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Reincidência de Jorge Vasconcelos

O antigo presidente da ERSE, Jorge Vasconcelos, deu uma entrevista ao Público na passada segunda-feira, onde defende que o preço da electricidade vai subir 20% a 30% até 2030. Uma reincidência, dado que é mais do mesmo daquilo pelo qual ficou conhecido. Agora, é todavia mais um vidente daqueles que atira números, sem perceber realmente o que poderá acontecer! Na verdade, a manter-se a política vergonhosa no sector, tenho a certeza que o valor será bem superior!

O problema é que o futuro não vai ser o que vai na cabeça deste ex-alto responsável, na Comissão Europeia, ou na imaginação dos alarmistas verdes. O Jorge invoca múltiplas razões, mas elas vão sair quase todas furadas. Uma delas, a da utopia dos custos das emissões de CO2 está a implodir. Depois, há a tenebrosa e contínua associação ao preço de petróleo. Nos Estados Unidos, onde a aposta no gás shale é uma realidade, ao contrário da opção estúpida da Europa, os preços de electricidade têm sofrido cortes, que já chegam aos 50% na produção!

Depois, o Jorge parece estar feliz porque "a partir de 2020 há produtores eólicos que deixarão de ter essa garantia e passar a vender no mercado com custos de produção muito baixos, tendencialmente zero". Mas, porque é que isso não acontece, JÁ? Porque temos que engordar o porco durante estes anos todos?

O que o Jorge não percebe, ou não quer perceber, tal como todos aqueles que ainda estão a tentar defender este sistema, é que a liberalização deve significar uma coisa simples. Eu poder comprar o que quero, e não comprar aquilo que não quero. É simples:
  • Eu não quero pagar energia fotovoltaica cara, como a da Amareleja. Não quero que essa tarifa apareça na minha factura.
  • Eu não me importo de consumir energia nuclear espanhola, porque o custo de produção é baixo. Pagaria um pouco pelo seu transporte até minha casa...
  • Eu não quero energia eólica em minha casa; prefiro comprar energia à central de Sines ou às térmicas a gás

Segunda esta regras, Jorge, o mercado da electricidade funcionaria muito bem. Os produtores adaptar-se-iam, e seriam abandonados os projectos megalómanos! Os Verdes, esses verdadeiramente poucos, poderiam pagar as tarifas principescas das eólicas e do Solar. Se assim fosse, ficaria outro problema rapidamente resolvido, pois os adeptos das energias caras diminuiríam muito rapidamente!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A falácia da Balança Comercial

É um tema recorrente, e o Diário Económico voltou com ele à carga recentemente. Foi igualmente utilizado na peixeirada pelo Carlos Pimenta. É a ideia de que as energias renováveis contribuem para diminuir o défice da balança comercial, por se evitar a importação de combustíveis. O artigo do DE é tão tendencioso que termina com um "só assim será possível continuar a diminuir a dependência e a factura energéticas do País."

Nada de mais errado! Para o exemplificar, peguemos num dos melhores exemplos da demagogia verde: a central da Amareleja. Os verdes adoram-na, esquecendo-se que, por exemplo, para a construção desta central foi autorizado o abate de 414 azinheiras adultas e 319 jovens. A central da Amareleja tem uma potência instalada de 45.78MW, correspondente a 2520 painéis. Era suposto produzir 93 GWh por ano, mas em 2010, a central produziu apenas 88 GWh, dos quais 61 corresponderam à Acciona, e os restantes à Mitsubishi. Tudo isto porque a Mitsubishi tem uma participação de 34.4%.

Quanto é o valor pago pela energia da Amareleja continua a ser um segredo bem guardado! O valor dado neste documento da Assembleia Municipal de Moura continua a ser o valor mais fidedigno que encontrei até hoje, de 0.317€ por kWh.

O confronto com outros valores denota que o valor é provavelmente mais elevado. Segundo este documento da ERSE, em 2010 produziram-se 166.5 GWh de origem fotovoltaica. Tal revela que a central da Amareleja foi responsável por quase 53% desse total. Segundo o mesmo documento da ERSE, o preço de referência do mercado regulado foi em 2010 de 39.20 €/MWh, enquanto o preço médio da energia fotovoltaica foi de 329.80 €/MWh.

Considerando apenas o caso da Amareleja, e uma produção de 88 GWh em 2010, as contas são fáceis de fazer: se não existisse central fotovoltaica, teríamos que comprar 88 GWh a 39.20 €/MWh, o que dá um custo de 3.450 milhões de euros. Note-se que este é o custo da energia, e não dos combustíveis importados... Enquanto isso, para produzir os mesmos 88 GWh, e considerando o custo de 317 €/MWh, pagou-se aos donos da central da Amareleja cerca de 27.896 milhões de euros! Mas, se se utilizar o valor médio da ERSE, então o valor sobe para 29.022 milhões de euros. Este último valor está muito mais próximo dos 29.975 milhões de euros inscritos nas contas anuais da Acciona, relativamente à sua participada "Amper Central Solar Moura, S.A.".

Resumindo, para evitarmos pagar menos de 3.45 milhões de euros a estrangeiros, entregamos 29.022 milhões de euros a estrangeiros, neste caso à Acciona e Mitsubishi. Noutros projectos é a mesma coisa, e se não é a empresas estrangeiras, é para o serviço da dívida. E este ano a história é semelhante, embora o custo do preço de referência do mercado regulado tenha subido de 39.20 €/MWh para 51.84 €/MWh. Como é que isto beneficia a nossa balança comercial, ultrapassa-me...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O desatino Alemão

Os Alemães andam desatinados! É nisto que dá o gelo do Aquecimento Global. Em Portugal, isso tem sido notório nos últimos dias, com as críticas de Angela Merkel à Madeira, mas que nem são as mais graves, porque até se pode concordar com a argumentação. Hoje soube-se que o presidente do Parlamento Europeu, o também alemão Martin Schulz, critica as relações de Portugal com Angola, pelo facto de eles estarem a investir em Portugal.

O problema dos Alemães é que começam a perceber que nós, ao contrário da Grécia, temos outras alternativas. Sempre fomos, ao longo da História, um povo mais preparado para a globalização, de que praticamente todos os povos da Europa. Um bom exemplo do problema dos Alemães é que a E.ON, que queria comprar a nossa EDP, não tinha o dinheiro dos Chineses, e pior, por causa da decisão louca da Merkel, de encerrar as centrais nucleares, está a despedir 11000 pessoas por via dessa decisão. Decisão que afecta directa e indirectamente muitas empresas alemãs, e que tem um custo brutal, conforme cálculos da própria Siemens.

O problema dos Alemães é que, na verdade, ninguém gosta deles, nem sequer os vizinhos. Neste momento, as poucas razões para se gostar dos Alemães são alguns dos seus produtos, como é o exemplo dos carros. Que estão a ser comprados em grande quantidade pelos Chineses, que assim estão a manter a economia alemã. Mas Schulz não vê certamente problema aí...

Mas o grande problema dos Alemães são eles próprios. Agora que eles estão a descobrir que andaram a ser enganados pelos Verdes e alarmistas ecologistas, que têm uma forte implantação naquele país, e ainda pelos políticos submissos à Religião Verde, é que vai ser lindo!

P Gosselin tem referenciado no seu blog exemplos extraordinários de como os Media estão a reagir. O golpe de misericórdia foi a feliz coincidência do lançamento do livro "Die kalte Sonne: Warum die Klimakatastrophe nicht stattfindet", de Fritz Vahrenholt e Sebastian Lüning, com a vaga de gelo que assola especialmente a Europa central.

A importância do livro está no facto de que Fritz Vahrenholt é um alarmista revoltado. Vejam esta entrevista que deu à Der Spiegel, numa tradução para português do colega blogger Maurício Porto. Vahrenholt é um especialista em energias renováveis, e um dos pais da Religião Verde moderna da Alemanha. Mas parece que é um dos que sabe fazer contas, e há dois anos, ao rever um relatório do IPCC na área das energias renováveis, descobriu numerosos erros. Ele perguntou a si próprio se o mesmo se verificaria no domínio do Clima? O que ele descobriu deixou-o indignado, ao ponto de ter concluído:

I couldn’t take it any more. I had to write this book.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O Manifesto e o Monstro

Depois de um primeiro Manifesto em 2010, e de uma re-edição em 2011, um conjunto de mais de 50 signatários produziram este ano um Manifesto por uma nova política energética em Portugal III.

A apresentação pública decorre hoje em Lisboa, mas havia sido antecipada por várias notícias nos Media, mas sobretudo pelo Prof. Pinto de Sá, no seu blog. O diagnóstico está bem feito, e refere-se a muitos aspectos que tenho abordado neste blog. Nesse aspecto, as referências ao gás de xisto e à biomassa são dois óptimos exemplos de recursos que não estamos a aproveitar. O Manifesto só peca por insistir no nuclear, que não é uma solução para Portugal, e que o Ministro Álvaro, na minha opinião bem, já descartou.

Mas a verdadeira mais-valia do Manifesto está na identificação do Monstro. O monstro eléctrico que come todos os subsídios, directos e indirectos. E que nos chupa até ao tutano! Mas que está bem identificado... Até a Troika exigiu inicialmente que fosse atacado até ao final de 2011. E que o Governo prometeu domar até ao final deste passado mês de Janeiro. Depois, foi adiado para 2 de Fevereiro. Vamos a ver se o Monstro se continua a mostrar mais forte...

Actualização: O Plano Estratégico da Energia foi adiado mais 15 dias...

sábado, 21 de janeiro de 2012

Golpada no Solar da Alemanha

Já por várias vezes me referi aqui à estupidez da política verde dos Alemães. A sua aposta na energia solar é enorme, mas num país que não tem muito Sol, essa aposta é uma grande estupidez! Agora, chegou a altura de fazer contas...

P. Gosselin, num post de ontem, evidencia bem a insustentabilidade da situação. Parece que a Merkel e companhia perceberam que nem a Alemanha tem tanto dinheiro para sustentar a brincadeira. A Siemens calculou que a opção de abandono do nuclear vai-lhes custar 1.7 triliões de euros! Para isso muito contribuem os custos de suporte da energia solar, que tem subido exponencialmente, conforme se pode ver na imagem acima, retirada deste artigo do Spiegel.

Obviamente o resultado desta política tem sido a de uma subida extraordinária dos preços da electricidade. Mas agora que as empresas estão a abandonar o País, o corte nas tarifas feed-in solares vai ser radical! Até 2017 vão desaparecer, quando era suposto durarem 20 anos... As acções solares já vão a caminho do abismo, onde nós já estamos, porque fomos um dos que copiamos o modelo, mas ficamos sem dinheiro primeiro...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

APREN dá chouriço; nós damos o porco

A APREN colocou hoje cá fora o seu balanço das renováveis de 2011, e que ecoou logo pelos Media... A APREN diz que as renováveis pouparam €721 milhões em importação de combustíveis. Como é habitual, não explicam como chegaram a estas contas...

Mas as contas inversas são fáceis de fazer! É só pegar nos dados da REN e combiná-los com os preços dados pela ERSE. Estes últimos são os valores médios do ano de 2011 em Novembro, pelo que certamente muito próximos dos valores finais do ano.

Começando pela eólica, podemos verificar que em 2011 foram produzidos 9005 GWh, o que a um preço médio da tarifa feed-in de 94.5 € por MWH, dá logo 850 milhões de euros! Na energia solar fotovoltaica foram produzidos 261 GWh, que multiplicados por 342 € por cada MWh, dá mais 89 milhões de euros. Na hídrica PRE foram mais 1021 GWh, que a 91.3 €/MWh representam mais 93 milhões de euros. O resto da PRE renovável é mais difícil de catalogar, mas se conseiderarmos que existiram 12853 GWh de PRE renovável, e descontando a eólica, solar e hídrica, ficamos ainda com 2566 GWh para contar. Se considerarmos o valor de 95 €/MWh dados para a cogeração renovável, então soma-se mais 244 milhões de euros.

Ou seja, toda a PRE somadinha dá a módica quantia de 1277 milhões de euros de custos. E a APREN diz-nos que poupamos 721 milhões??? Pois, eles dão um chouriço, e nós damos-lhes o porco... Na verdade, estas contas rápidas demonstram um sobrecusto das renováveis de cerca de 556 milhões de euros, um valor que se aproxima do valor que o Ecotretas havia previsto para 2011, superando por uma margem maior a previsão que a EDP havia efectuado. Todavia, como a maior parte da energia eólica é produzida de madrugada, quando o custo é menor, o sobrecusto real tenderá a aproximar-se mais do valor que havia previsto em Outubro...

Notem-se mais dois aspectos interessantes: primeiro, que o custo da tarifa feed-in das eólicas subiu em 2011, ao contrário da visão dos seus defensores, que advogavam que a energia eólica estava cada vez mais barata; segundo, que a APREN definitivamente não sabe fazer bem as contas - vejam as diferenças das mesmas percentagens, quando comparadas com a análise da Quercus (eg. 17.6% vs. 17.8%, 25.1% vs. 25.4%)...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Já (quase) não nos falta nada

O título deste post é o título do Editorial, de Sandro Mêda, da Autohoje desta semana. Sandro dá-nos uma visão equilibrada de como os nossos políticos tinham as prioridades erradas. E como o Canadá está a ver bem as coisas, perante a hipocrisia da China. Comparem este texto, disponibilizado abaixo com realces da minha responsabilidade, com o discurso das grandezas do Basílio Horta, num artigo de opinião do Diário Económico de ontem, para perceberem as diferenças entre a realidade e a utopia:

Foram notícia a saída do Canadá do tratado de Quioto e a crítica da China a essa decisão. A surpresa vem, segundo os analistas, do Canadá, tendo uma sociedade evoluída, abandonado um programa que “salvaguarda” o planeta; e também da China por se atrever a criticar a atitude recusando-se ela própria a integrar o grupo. Não me surpreendeu nenhuma das posições. Pelo contrário, considero-as coerentes com a forma de estar na vida de cada país: o Canadá, perante a óbvia conclusão de que as medidas do tipo Quioto só serão efectivas quando perderem a hipocrisia e passarem a ser universais, decidiu, em tempos de crise e perante países que alegam estar em desenvolvimento - qual não gostaria de estar, e os que estão em regressão, como Portugal, que tipo de condescendências deveriam ter? - para não cumprirem quaisquer regras, optou por distribuir os resíduos do seu desenvolvimento por todo o planeta, como tantos outros fazem, em vez de os concentrarem na sua população, com brutais impostos ou prejuízo da qualidade de vida; e os chineses limitaram-se a seguir a filosofia “façam o que eu digo e não o que eu faço, senão não ganham dinheiro connosco”. O que os analistas esperavam era uma atitude à portuguesa: na posição do Canadá, aumentar a colecta e perseguir os automóveis; na da China, emitir opinião apenas se estivesse alinhada com a de todos os outros.
E por sermos assim, tão pseudo-altruístas, temos empresas que fizeram planos e estratégias que são arrasadas por portagens de última hora e alterações constantes na fiscalidade automóvel. Temos milhões de euros gastos em 1300 postos de carregamento para 200 carros eléctricos. Temos proibições de circulação a carros velhos, sem fazermos nada para que se troquem por novos. Temos tudo para não sermos nada.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Eólicas de destruição maciça

Este post do NoTricksZone, de há uns dias atrás, revela como a energia eólica se está a tornar indesejável, mesmo para os ecologistas. Eles finalmente estão a acordar para os efeitos secundários da construção de parques eólicos!

No Vermont, nos Estados Unidos, o estado decidiu tornar-se mais Verde. E vai daí apostou nos parques eólicos. Com eles vieram a dinamite para explodir com a pedra lá do sítio, para abrir caminhos para os valentes camiões. Entretanto, teve que se deflorestar a área, não só por causa dos caminhos, mas porque incomodam as ventoinhas! Tudo aquilo que um bom ecologista, despreza! Enfim, os de lá do sítio criaram um site, onde dão conta da destruição que por lá grassa... O vídeo abaixo, é apenas um dos muitos da destruição presenciada por esses activistas, mas que é apenas um deja-vu daquilo que já aconteceu nos montes portugueses. O problema é a declaração que acompanha o vídeo, como podem constatar, e cujas contradições P Gosselin explorou no primeiro link acima.

domingo, 27 de novembro de 2011

Emprego zero

No jornal Diário Económico da passada sexta-feira, saiu um suplemento sobre as 250 maiores empresas do distrito de Leiria. Fui ver as tabelas das maiores e melhores empresas, para verificar quem eram. E surpresa das surpresas, a "PECF - Parque Eólico de Chão Falcão, Lda." ([1] [2] [3]) ocupava a sexta posição na tabela das empresas com maiores VAB, e em oitavo nas empresas com maiores resultado líquido. Nos restantes indicadores não marcava presença, pelo que fui ver a listagem completa, que abaixo se observa, para chegar a algumas brilhantes conclusões. A principal das quais é que a "PECF - Parque Eólico de Chão Falcão, Lda." não tem um único trabalhador!!!


Ontem, na revista das "1000 Maiores", do Expresso, que inclui publicidade lastimável à EDP (eg. notícia reciclada da Windfloat), o cenário descoberto foi o mesmo. Um conjunto de empresas que sugam os contribuintes e os consumidores, no âmbito dos CIEG, e que ninguém empregam, com a pequeníssima excepção da EDP Renováveis:

RankNomeVN 2010VN 2009VN 2008ACTIVOC. PROP.R. LIQN. EMP
186ENERPULP14404811406910921121849402139610
218EDP RENOVÁVEIS1255319816974641755714720133390863
295SINECOGERACAO997772043409041914096109460
477EUROPA&C ENERGIA VIANA652034970954218441991058870181
583VENTOMINHO56277499973042233378414700135611
737IBERWIND II PRODUÇÃO45370408340381030389-11324-3810
753SPCG - SOC. PORT. DE CO-GERAÇÃO ELÉCTRICA44445151680899467600856442
994SOPORGEN3466841472026352772912770

Com esta ilusão da Economia Verde, temos assim a prova provada do que já repetimos ad nauseam. Que a Economia Verde não gera empregos e mata tudo o que está à sua volta! É para isto que servem os subsídios, e aquela componente que supera os 50% da factura eléctrica... Felizmente, as restantes empresas da área da energia vão contribuindo com verdadeiro emprego...