O problema é que a energia eléctrica nos Açores é essencialmente produzida a partir do fuel... Segundo os dados mais recentes da EDA, durante os sete primeiros meses deste ano, 64.2% da energia eléctrica foi produzida a partir de fuel, e 8.1% a partir de gasóleo!!! Perante este cenário, compreende-se talvez porque nunca mais se ouviu falar do grupo de trabalho nomeado para o efeito, o qual devia ter proposto um quadro legislativo e regulamentar de suporte à implementação do Programa para a Mobilidade Eléctrica nos Açores. Talvez se tenham apercebido a tempo da estupidez da proposta...
Mostrar mensagens com a etiqueta energia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta energia. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Carros eléctricos a fuel
O problema é que a energia eléctrica nos Açores é essencialmente produzida a partir do fuel... Segundo os dados mais recentes da EDA, durante os sete primeiros meses deste ano, 64.2% da energia eléctrica foi produzida a partir de fuel, e 8.1% a partir de gasóleo!!! Perante este cenário, compreende-se talvez porque nunca mais se ouviu falar do grupo de trabalho nomeado para o efeito, o qual devia ter proposto um quadro legislativo e regulamentar de suporte à implementação do Programa para a Mobilidade Eléctrica nos Açores. Talvez se tenham apercebido a tempo da estupidez da proposta...
Etiquetas:
automóveis,
energia,
políticos
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Mais taxas na electricidade
A notícia de hoje do Diário Económico, relativa à subida de um ponto percentual no custo da energia eléctrica, só deverá surpreender os incautos. Os leitores habituais já sabem que a energia terá que subir ainda mais, sobretudo por via do enorme défice tarifário. Este está a ser agravado pelo custo da energia eólica, que conjuntamente com a energia solar, representou um custo acrescido de 367 milhões de euros, na primeira metade de 2010.É claro que o editorial do DE tenta desculpabilizar o Governo, e culpar Espanha. Mas o problema, lá como cá, é o excesso de eólicas, e a sua fraca produção em muitos momentos ao longo do ano. Na imagem acima podem ver a produção eólica num desses dias, 26 de Junho de 2010, podendo essa informação ser consultada também no site da REN. Nesse dia, entre as 10 e as 11 horas produziu-se 8.8 MWh de energia eólica, o que correspondeu a 0.16% do consumo de electricidade nessa hora. Nesse dia, como em tantos outros, foram aquelas centrais "más", que geram CO2, que permitiram que houvesse electricidade neste país...
Etiquetas:
CO2,
energia,
energia eólica,
energias alternativas
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Custo das renováveis no segundo trimestre
No primeiro trimestre calculei quanto custavam as energias renováveis aos Portugueses. Numa primeira fase, calculei quanto custou a exportação da energia eólica, que redundou nums impressionantes 50 milhões de euros. Acicatado pelos ecologistas da treta, calculei quanto custaram as eólicas no primeiro trimestre: as contas revelaram então uma factura de cerca de 216 milhões de euros! Por fim, calculei quanto tinha custado a energia solar, para uns mais modestos 8.7 milhões de euros.Entretanto, meti novamente mãos à obra, para calcular o prejuízo do segundo trimestre. A metodologia utilizada é idêntica à do primeiro trimestre, pelo que os valores são imediatamente comparáveis. A exportação de energia eólica custou cerca de 18 milhões de euros, enquanto que, se não existisse eólica de todo, o país teria poupado cerca de 126 milhões de euros. A produção de energia solar teve um sobrecusto de 15.9 milhões de euros.
Como é fácil de ver, o custo das exportações foi bem menor. Tal resulta de uma muito menor produção de energia eólica, que desceu de cerca de 2872 GWh para 1876 GWh, mas também da subida do preço médio no OMEL, que subiu de 2.511 cêntimos/kWh no primeiro trimestre para 3.473 cêntimos/kWh no segundo trimestre. Em função da muito menor produção de energia eólica, há naturalmente também um valor muito inferior do seu custo directo. Como seria igualmente de esperar, o custo da energia solar subiu muito significativamente, em função do aumento de produção, associado a um aumento da duração da exposição solar.
Resumindo, os contribuintes e consumidores portugueses ficaram mais pobres em cerca de 142 milhões de euros no segundo trimestre, o que somando aos valores do primeiro trimestre, dá um custo de 367 milhões de euros para esta primeira metade de 2010, por conta das eólicas e energia solar... Enquanto isso, os Tios Patinhas da economia verde vão engordando!
Actualização: O conteúdo deste post é equacionado, sobretudo na referência ao termo renováveis, neste post subsequente.
Etiquetas:
economia verde,
energia,
energia eólica,
Energia Solar,
energias alternativas
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Mais física de lâmpadas
Um leitor atento apontou-me para o facto de que a página do Youtube que regista o vídeo do post da Fraude nas lâmpadas economizadoras, ter logo na primeira alternativa, um link para outro vídeo semelhante. Na verdade, neste vídeo que se destaca acima, outro fabricante de lâmpadas entendeu utilizar uma roda giratória, como nos contadores mais habituais. Mas a roda que gira mais, é aquela que corresponde a uma lâmpada avariada, o que evidentemente levanta a pergunta do que é que move aquela roda???
Etiquetas:
energia,
Fraude Científica,
Lâmpadas economizadoras
sábado, 17 de julho de 2010
Fraude nas lâmpadas economizadoras
Há uns tempos, um leitor atento tinha-me chamado a atenção para o problema. Tenho andado a reparar mais nos corredores das lâmpadas dos hipermercados. Aproveitem para reparar também nuns mostradores que mostram o consumo das lâmpadas normais, vs. lâmpadas economizadoras. Verificarão que estas terão uns valores de consumo inferiores às normais...
Mas nem tudo o que parece é! No vídeo acima, uma lâmpada avariada continua a consumir electricidade, o que é uma aberração física! Mas nesses mostradores dos hipermercados, experimentem desatarrachar a lampada normal (ou a económica...), e verifiquem que o contador continua! Melhor, troquem as lâmpadas de posição, e verifiquem que as lâmpadas economizadoras afinal são piores que as normais...
Isto é uma monumental fraude, que vou comunicar às entidades competentes. Aos leitores que detectarem locais onde a marosca está a enganar os consumidores, agradecia indicação desses locais. E se alguém tiver os conhecimentos técnicos para fazer um filme melhor e colocá-lo no Youtube, não deixem de me fazer chegar o URL! Façam também queixas, mas não já... Deixem algum tempo para todos nós fazermos, nos hipermercados e não só, uma re-apredizagem dos conceitos da Física...
Etiquetas:
energia,
Fraude Científica,
Lâmpadas economizadoras
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Ondas de volta
| O ritmo de crescimento das energias renováveis permitiu já uma poupança de 500 milhões de euros em combustíveis fósseis, o que demonstra que a aposta nas energias renováveis tem contribuído não apenas para reduzir a dependência energética externa de Portugal, como também para reduzir o saldo importador energético. |
A ambição também é cega. Há tanta energia no mar, que tem que ser aproveitada!
| Neste contexto, o Programa do XVIII Governo Constitucional prevê a dinamização de um cluster industrial ligado às actividades do mar, viabilizando uma zona piloto para a instalação de dispositivos em fase pré -comercial, contribuindo para o desenvolvimento do aproveitamento da energia das ondas do mar, cujo potencial se estima em 5 GW de potência. |
E se alguma coisa correr mal, como é? Fácil:
| Cláusula 21.ª Compensação financeira 1 — A Concessionária tem direito a compensação financeira em caso de aumento significativo de custos ou perda significativa de receitas causados por qualquer uma das seguintes situações: |
| Cláusula 29.ª Resolução pela Concessionária (...) 4 — A Concessionária pode ainda resolver o Contrato de Concessão, a partir do 5.º ano da entrada em funcionamento da Zona Piloto, quando, não obstante os mecanismos previstos na cláusula 17.ª, a Concessão verificar um prejuízo líquido acumulado superior a € 6 000 000, desde o início da Concessão, (...) 6 — Caso o Concedente opte pela aceitação da resolução do Contrato de Concessão, a Concessionária tem direito a ser indemnizada, pelo valor dos prejuízos líquidos acumulados, tal como definido no n.º 4 da presente cláusula, com exclusão das multas contratuais, acrescido do montante correspondente ao valor do investimento previsto no n.º 2 da cláusula 17.ª por si realizado e não amortizado, até ao limite máximo de € 6 000 000, mas não será indemnizada por lucros cessantes, aplicando -se o disposto no n.º 2 da cláusula 28.ª do presente contrato. |
Mas, e quem é que paga? Os mesmos do costume:
| 7 — Nos termos a aprovar pelo membro do Governo responsável pela área da energia, após parecer da ERSE, a indemnização prevista no número anterior deverá ser incluída nos custos de uso geral do sistema eléctrico nacional, a repercutir por todos os consumidores de energia eléctrica, de forma a ser recuperado integralmente num prazo máximo de cinco anos após o ano em causa. |
Etiquetas:
energia,
energias alternativas
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Défice Tarifário em Espanha
A electricidade vai subir significativamente em Espanha. Tudo função do monstruoso défice tarifário de nuestros hermanos, do qual falamos recentemente, mas que entretanto parece ter engordado ainda mais. Segundo o diário El Mundo, o monstrozinho é actualmente de 18 mil milhões de euros, o que significa quase 400€ por cada espanhol!O tema ganhou relevância política em Espanha, por ter sido debatido ontem no Congresso lá do sítio. Perante as evidências, e a necessidade de aumentar o preço da electricidade, Zapatero culpou Aznar da necessidade dessa subida! Os políticos são assim, e não tardará Sócrates a seguir a culpabilização do seu grande amigo espanhol.
Mas olhando para os gráficos, a história é outra. Atente-se no gráfico acima, retirado deste excelente documento, que evidencia apenas a evolução do monstro até 2008. Para quem não sabe, Zapatero tomou cargo como primeiro-ministro de Espanha em Abril de 2004...
Etiquetas:
energia,
energias alternativas,
políticos
domingo, 13 de junho de 2010
Buraco nuclear
Os ingleses estão a topar que a energia nuclear não fornece apenas energia em quantidade e barata. O secretário de estado da energia do Reino de Sua Majestade, Chris Huhne, descobriu uma herança negativa de 4 biliões de libras, dos seus sucessivos antecessores. O valor está relacionado com a desactivação de algumas centrais nucleares inglesas nos próximos quatro anos.Este valor é enorme para quem tem um orçamento anual de 3 biliões de libras, que era supostos serem aplicados, entre outras coisas, nas alterações climáticas... E andaram muitos anos a pagar energia supostamente barata, para agora lhes aparecer uma factura no final! Huhne, que é um céptico do nuclear, tal como eu, especialmente em Portugal, terá todavia que tratar do problema, considerando ainda que terá que meditar o que fazer quando fechar as ditas centrais nucleares. É que no Reino Unido, a produção nuclear é responsável por 20% do total de electricidade produzida.
Editado: O meu cepticismo em relação ao nuclear é, sobretudo, na aplicação dessa tecnologia ao caso português. Não é por querer o nuclear longe, mas sobretudo por não termos manifestamente competências nacionais nessa matéria, e por não termos economias de escala associadas.
terça-feira, 8 de junho de 2010
As tretas das baterias
![]() | ![]() |
Tenho um colega a quem já lhe explodiu a bateria (pirata) dum telemóvel. Não é grande novidade. Henrique Sousa, no blog HorAbsurda, tem uma imagem do que acontece quando se deixa um telemóvel a assar dentro de um carro ao sol, e que reproduzo acima. Ou como a da segunda imagem, relativa à explosão de um portátil, captada numa conferência no Japão.
Vem isto a par do entusiasmo que anda aí pelos carros eléctricos. Esqueçam o facto de que não há grandes quantidades de lítio, ou de que a sua extracção é custosa. Que as reservas de lítio são insuficientes para as quantidades de veículos eléctricos previstos. Esqueçam que Portugal também produz lítio. O futuro dos carros eléctricos vai ser umas valentes explosões...
Etiquetas:
automóveis,
energia
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Ajustes directos ecológicos
Há mais de um ano havíamo-nos referido ao site transparencia-pt.org como um excelente exemplo de evidenciação das maroscas que se cometem neste país. Com a exposição de casos genéricos verificada esta semana, lembramo-nos de ir consultar a Base. Eis algumas importantes descobertas (lembrem-se que tudo isto é por ajuste directa, nada de Concursos):
E ficamo-nos por aqui, por hoje. Foram cerca de 2 milhões de euros em alguns minutos de pesquisa! Sigam os links e pesquisem, para poderem perceber para onde realmente vão os nosssos impostos, e porque existe um défice tão grande...
- Universidade de Aveiro (341.169,40 €): Empreitada de Instalação de Painéis Fotovoltaicos no Edifício Complexo Pedagógico, Científico e Tecnológico (CPCT) da Universidade de Aveiro/ Melhoria da Eficiência Energética dos Edifícios Públicos (Acção I – I3 Painéis Fotovoltaicos)
- Universidade de Aveiro (335.362,40 €): Empreitada de Instalação de Painéis Fotovoltaicos no Edifício Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Aveiro/ Melhoria da Eficiência Energética dos Edifícios Públicos (Acção I – I3 Painéis Fotovoltaicos)
- Universidade do Algarve (325.200,00 €): Realização de Auditoria Energética com vista à Certificação Energética e da Qualidade do Ar Interior dos Edifícios dos Campi da Penha, Gambelas e Saúde
- EMEL Empresa Publica Municipal de Estacionamento de Lisboa, E.E.M. (196.400,00 €): Fornecimento, instalação e colocação em serviços de 40 parquímetros com painel solar, dois cofres e kit de comunicações GPRS
- Município do Fundão (176.800,00 €): Fornecimento e Instalação de 8 Painéis Fotovoltaicos de 3.68 KW, com financiamento por Leasing
- Município da Covilhã (149.800,00 €): Empreitada de avaliação do recurso eólico no concelho da Covilhã
- Município de Penalva do Castelo (133.730,00 €): Energias Renováveis (Sistemas Solares Fotovoltaicos e Térmicos no Edifício da Piscina, dos Paços do Concelho, dos Armazéns e Oficinas)
- ICOVI - Infraestruturas e Concessões da Covilhã, E.E.M. (127.330,00 €): Avaliação do recurso eólico do concelho da Covilhã
- Resíduos do Nordeste, E.I.M. (123.290,00 €): O presente contrato tem por objecto a aquisição de “Bens e serviços para instalação de sistemas, solar fotovoltaico e solar térmico, no âmbito do programa “Renováveis na hora”.
- Empresa de Desenvolvimento e Infra Estruturas do Alqueva SA (74.980,00 €): Concepção e construção das diversas componentes de um Projecto de Jangadas Solares, o qual abrange três áreas a beneficiar na envolvente da albufeira de Alqueva para criação de bosques ripícolas de cabeceira
- Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros (50.275,24 €): Fornecimento e instalação de painéis fotovoltaicos na Residência Oficial do Primeiro Ministro
E ficamo-nos por aqui, por hoje. Foram cerca de 2 milhões de euros em alguns minutos de pesquisa! Sigam os links e pesquisem, para poderem perceber para onde realmente vão os nosssos impostos, e porque existe um défice tão grande...
Etiquetas:
economia verde,
energia
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Vaquinhas tecnológicas
Um estudo do fabricante de computadores HP diz que 10 vacas são o suficiente para alimentar de energia um servidor Internet. Este estudo da treta, que mais não faz do que ruminar e regurgitar estudos passados, explica como uma hipotética quinta de 10000 vacas poderia ser suficiente para alimentar de energia um data-center de 1MW.Mas este processo deglutivo dos engenheiros da HP foi mais rebuscado, como se espera do processo digestivo de uma verdadeira vaca. Um dos mais surpreendentes é que o calor dos computadores poderia servir para aquecer as vaquinhas! É óbvio que para isso os computadores teriam que estar bem pertinho das vaquinhas, para o processo de transferência de calor se fazer com eficiência. Mas não podemos ficar por aqui, porque 1 MW não é nada num data-center de jeito. Tomemos um exemplo dum data-center da Microsoft, já que dos do Google esta informação parece ser um segredo de estado, não fosse estar lá o Al Gore. Para alimentar os 198 MW do datacenter de Chicago, seriam necessárias 1980000 vaquinhas! Estão a ver o pasto que era necessário para essas vaquinhas todas???
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Contas aos subsídios
Um leitor atento enviou-me um link para uma notícia do Publico de hoje, que é mais um avanço no jornalismo de investigação no domínio da subsidiação da energia. A notícia, com o título sugestivo "Contas da luz pagam mais subsídios do que gasto de energia" tem por base dados da ERSE, que eu não consegui encontrar com o detalhe referenciado na notícia. A fonte mais provável é o documento da ERSE, "TARIFAS E PREÇOS PARA A ENERGIA ELÉCTRICA E OUTROS SERVIÇOS EM 2010". Enquanto não esmiuçamos mais estes dados, ficam algumas referências extraídas da notícia do Público:| Por cada euro pago na factura eléctrica de cada um dos cinco milhões de consumidores domésticos, 31 cêntimos destinam-se a pagar a energia consumida e o seu fornecimento, 27 cêntimos vão para o uso de redes e gestão do sistema e 42 cêntimos servem para custear um bolo crescente de subsídios a várias entidades. |
| A Produção em Regime Especial (PRE) constitui o principal grupo subsidiado (6,51 cêntimos) e o mais polémico. Lá dentro, encontram-se a energia eólica, sendo esta que detém o maior peso com 3,3 cêntimos, embora o bolo da PRE inclua também energias fósseis. |
| Os 31 cêntimos que restam destinam-se a pagar as rendas da EDP aos municípios, os sobrecustos com a convergência tarifária das regiões autónomas da Madeira e Açores e outras acções tão diversas como a gestão das faixas de combustível e os próprios terrenos das centrais eléctricas. |
Etiquetas:
energia,
energias alternativas
domingo, 2 de maio de 2010
Jogar na antecipação
Vale a pena ler o mais recente post de Henrique Pereira dos Santos (HPS), no blog ambio. Tudo a propósito das contas que efectuei relativamente aos dois terços do Alqueva que foram pelo Guadiana abaixo. No post, HPS (ou alguém por ele) fez finalmente uns gráficos catitos, misturou os vários conceitos relativos à barragem do Alqueva, no sentido de confundir o leitor do seu blog, e o levar a acreditar que as contas que eu fiz estavam mal feitas. Curiosamente, não rebate um dos únicos números que eu apresentei.
Mas, com esta gente, não há nada como jogar na antecipação. Fui o que fiz, no link referenciado, e que resume o post do HPS:
| Mas o HPS pode argumentar que nem toda a energia potencial seria aproveitada, porque não há tantos dias num trimestre. Resumindo, o valor real mais concreto é de um desperdício de produção de cerca de 200 GWh (entre o máximo teórico para o trimestre e o efectivamente produzido no primeiro trimestre), a que se deve somar os tais 34 GWh desperdiçados na bombagem. Ora isso dá para quase dois dias de consumo de energia eléctrica em Portugal |
Etiquetas:
barragens,
economia verde,
energia
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Quanto custam as eólicas?
Na sequência do post de ontem sobre o impacto das eólicas, Henrique Pereira dos Santos, no blog ambio, deu-me uma ideia interessante: quanto custaria deixar de ter as eólicas todas? Ora aqui está uma pergunta interessante, com uma resposta não muito difícil. Todos os dados são relativos ao primeiro trimestre de 2010, e têm como base os dados obtidos a partir da REN e do OMEL.Primeiro, ao abolir a produção de eólicas, deixava-se de ter que pagar aos produtores eólicos. Segundo o valor médio do ano de 2009, 93.74 €/MWh, e tendo em conta a geração de 2872.2476 GWh, foram pagos aos produtores eólicos um pouco mais de 269 milhões de euros!
Segundo, a energia adicional necessária ao consumo teria que ser adquirida. Para os efeitos do presente cálculo, vou utilizar os preços do OMEL. O valor a adquirir por hora seguiu o seguinte algoritmo: se a produção eólica foi inferior à energia exportada, então não seria necessário importar energia adicional; nos restantes casos, teria que ser comprada o diferencial entre o total de energia eólica produzida e a o total de energia exportada, ao preço praticado no OMEL. Fazendo as contas, seria necessário efectuar compras de energia num valor ligeiramente superior a 52 milhões de euros.
Resumindo, se não existissem eólicas, o país teria poupado no primeiro trimestre de 2010 a módica quantia de 216667527.70 €. É claro que a brutalidade deste número tentará ser diminuída, não pela verdade dos números, mas pelos factos colaterais. Pela via das percas da economia verde, uma miragem em Portugal, especialmente depois desta semana a EDPR ter encomendado um conjunto recorde de turbinas, não ao consórcio nacional, mas à Vestas. Outros factores até seriam benéficos, como seja a optimização dos sistemas de turbinagem/bombagem, que seriam melhor geríveis na ausência das eólicas...
Etiquetas:
economia verde,
energia,
energia eólica,
energias alternativas
terça-feira, 27 de abril de 2010
50 milhões de euros
O debate sobre a exportação de energia a custos baixos, ou mesmo nulos, para o estrangeiro, é antiga aqui no Ecotretas. No início do ano verificamos como estavamos a trabalhar para aquecer, tendo depois verificado que a má gestão era a característica dominante da importação/exportação de energia. Há pouco mais de duas semanas, na sequência do Manifesto por uma nova política energética em Portugal, voltamos à carga para evidenciar a validade das afirmações inscritas no Manifesto.Entretanto, os defensores das energias renováveis, sentiram o toque. Como o que se verificou no blog Ambio, nos últimos dias, e que se tem intensificado. Ainda hoje, Henrique Pereira dos Santos teve um ataque saudosista, com insinuações de aldrabice à mistura, talvez motivado pelo comentário que fiz no post anterior, relativo aos dois terços do Alqueva que foram por água abaixo. Eu sei que eles têm dificuldades em fazer contas, por isso aqui vão mais umas verdades inconvenientes.
Neste primeiro artigo vamos calcular quanto dinheiro foi deitado fora na exportação de energia eléctrica. Todos os dados aqui utilizados foram retirados dos sites da OMEL e da REN. O dinheiro mais mal gasto é quando se está a exportar energia para Espanha, e se está a pagar dinheiro aos produtores fotovoltaicos. Acreditamos que este cenário não terá um impacto significativo, mas a ele voltaremos. No caso da eólica, o cenário é diferente, e será o analisado aqui
A energia eólica produzida em Portugal, como sabemos, tem tarifas feed-in. Ou seja, tudo o que eles produzirem tem que ser comprado pela EDP. Aliás, um dos argumentos bacocos dos ambientalistas é que a energia eólica não é exportada no contexto da OMEL. Pois claro! A EDP tem que comercializar aos Portugueses a energia mais cara, e vende a mais barata, que é a restante, aos estrangeiros.
Em 2009, a tarifa média para as eólicas foi de 93.74 €/MWh. Quase sempre a tarifa praticada foi inferior à das eólicas, e em apenas 6.895% dos períodos horários do primeiro trimestre se verificou uma produção eólica efectivamente inferior à exportada. Por isso, para cada período horário escolheu-se o menor dos valores, ou a energia eólica produzida nessa hora, ou a energia efectivamente exportada. Em qualquer um dos casos, seria sempre preferível não pagar aos produtores eólicos, do que pagar-lhes e receber uma quantidade inferior de dinheiro dos estrangeiros. Multiplando cada um desses valores de energia exportados, pelo diferencial entre o preço pago às eólicas e o preço de energia praticada no âmbito do OMEL, verificamos que se perdeu no primeiro trimestre a módica quantia de 50893224.12 €!
Estas contas continuarão a ser complementadas. Para que os Portugueses percebam a factura que estão a pagar... Para este peditório do primeiro trimestre, cada Português já entrou com 5 euros!
Etiquetas:
economia verde,
energia,
energia eólica,
energias alternativas
sábado, 24 de abril de 2010
Dois terços do Alqueva pelo Guadiana abaixo
Henrique Pereira dos Santos (HPS), escreveu ontem no blog ambio, as tretas que o Ecotretas têm revelado. A história é longa, mas tivera um antecedente directo na quinta-feira, noutro post do HPS sobre o Manifesto, e do qual transcrevo uma passagem importante:| Esta falácia tem vindo a ser repetida vezes sem conta sem que nem por uma única vez alguém diga qual a percentagem de energia vendida a preço zero, nem quanta energia potencial se perdeu com a abertura das comportas de Alqueva (que é determinada pela quantidade de chuva e não pela bombagem entretanto feita, pelo menos em quantidade significativa) |
O Ecotretas nunca se acobarda perante insinuações de diminuição da importância dos argumentos aqui apresentados. Também não me esquivo a correcções, que felizmente têm sido muito poucas. Neste primeiro de dois posts relacionados, tratarei a questão da energia potencial perdida no Alqueva. A segunda, relativa ao import/export, pela sua complexidade ficará para mais tarde...
Segundo os dados da REN, durante o primeiro trimestre de 2010 foram gastos em bombagem no Alqueva, 33.995 GWh. No mesmo período, foram efectuadas descargas de 2769.83 hm3. Estes valores são um grande avanço sobre os dados que havia aqui relatado a 27 de Fevereiro. Para que o HPS tenha uma noção destes números, as descargas representam dois terços (2769.83/4150 => 66.743%) da capacidade de armazenamento total do Alqueva! E os 33.995 GWh gastos em bombagem dão para abastecer energia suficiente para 11300 famílias durante um ano completo, o equivalente a quase 4 meses e meio de produção da central solar da Amareleja!
Quanta energia potencial se perdeu dá uma conta ainda maior! É que enquanto esteve a bombar, o Alqueva não esteve a turbinar! Portanto, para além dos 34GWh perdidos em bombagem, o Alqueva podia ter estado verdadeiramente a produzir energia!!! Quanta energia se poderia ter produzido com 2769.83 hm3 é uma conta apenas um pouquinho mais complexa. Cada um dos dois grupos do Alqueva turbina 200m3/s, pelo que o valor dos 2769.83 hm3 daria para turbinar mais de 80 dias sem parar! Como o Alqueva consegue produzir mais de 5500MWh num único dia (ver dados de eg. 3 de Março de 2010), perderam-se 440.8 GWh pelo rio abaixo!!! Somando este valor ao do desperdício de bombagem, a energia potencial perdida é de cerca de 5 anos de produção da central solar da Amareleja... Mas o HPS pode argumentar que nem toda a energia potencial seria aproveitada, porque não há tantos dias num trimestre. Resumindo, o valor real mais concreto é de um desperdício de produção de cerca de 200 GWh (entre o máximo teórico para o trimestre e o efectivamente produzido no primeiro trimestre), a que se deve somar os tais 34 GWh desperdiçados na bombagem. Ora isso dá para quase dois dias de consumo de energia eléctrica em Portugal!
Etiquetas:
barragens,
economia verde,
energia,
Energia Solar
domingo, 11 de abril de 2010
Défice Tarifário espanhol
O défice tarifário é uma invenção de países, como Portugal e Espanha, que para suportarem os custos das energias renováveis, sem subirem de forma muito significativa os preços dos consumidores finais, varrem o problema para baixo do tapete... Ao nosso já nos referimos aqui no passado, uma e outra vez. Ao caso espanhol também já nos referimos vagamente.O monstro espanhol é tão grande, que alguma coisa tinha que ser feita. Segundo contas do jornal especializado Expansión, até 2008 o valor é de 10000 milhões de euros, a que se somam 3500 milhões em 2009, 3000 milhões em 2010, 2000 milhões em 2011 e 1000 milhões em 2012. Ou seja, em pouco mais de dois anos haverá que atacar 20 mil milhões de euros deste bronca tarifária. Para os leitores portugueses terem uma ideia da enormidade desta número, corresponde a cerca de 12% do nosso PIB português, embora para os Espanhóis represente bastante menos, até porque o PIB deles é mais de 6 vezes superior ao nosso!
Mas a história não vai ser assim tão simples! Como outro artigo do Expansión refere, o Tesouro Público de Espanha vai tentar emitir esta dívida em condições de mercado. Vai tentar pressionar a Banca, passando o problema para as mãos deles. Será que eles vão aceitar isto a qualquer preço? Ou será que vão ser acrescentadas mais umas valentes comissões? Para mim, isto vai dar mal, até porque alguém vai ter que pagar! Espero que não tenhamos que ser nós, os portugueses...
Etiquetas:
economia verde,
energia,
energias alternativas
Preço nulo na exportação de energia
Uma das críticas que se ouve ao teor do Manifesto recentemente divulgado, é relativa ao seu ponto 3, onde se refere que estamos a "exportar a preço nulo (!) a produção renovável em excesso". As críticas são várias, desde este ser um fenómeno muito pontual, até não serem só as renováveis as envolvidas nesta vergonha.
Já aqui tínhamos observado no início do ano tal fenómeno, com imagens retiradas do site da REN e OMEL a deixarem clara tal evidência. Mas para aqueles que pensam que isto são fenómenos isolados, não deixem de visitar os referidos sites, pesquisando várias datas. Abaixo dou um exemplo recente de apenas quatro dias. Podia encher aqui o blogue com centenas de imagens equivalentes, mas a amostra recente é mais do que suficiente.
Na primeira coluna observamos como em quatro dias consecutivos recentes, largos períódos tiveram um custo de energia nulo. Nos períodos em que esse custo é nulo, assiste-se a uma forte exportação de energia a partir de Portugal. Quando o custo sobe, Portugal tende a importar? E quando se exporta verifica-se que a produção de energia eólica é maior. E então quando o vento sopra ao fim de semana, como é o caso dos dois primeiros dias, relativos ao fim de semana da Páscoa, então o saque ao bolso dos consumidores/contribuintes é redobrado! Há dúvidas ainda sobre o que é dito no Manifesto?
Já aqui tínhamos observado no início do ano tal fenómeno, com imagens retiradas do site da REN e OMEL a deixarem clara tal evidência. Mas para aqueles que pensam que isto são fenómenos isolados, não deixem de visitar os referidos sites, pesquisando várias datas. Abaixo dou um exemplo recente de apenas quatro dias. Podia encher aqui o blogue com centenas de imagens equivalentes, mas a amostra recente é mais do que suficiente.
Na primeira coluna observamos como em quatro dias consecutivos recentes, largos períódos tiveram um custo de energia nulo. Nos períodos em que esse custo é nulo, assiste-se a uma forte exportação de energia a partir de Portugal. Quando o custo sobe, Portugal tende a importar? E quando se exporta verifica-se que a produção de energia eólica é maior. E então quando o vento sopra ao fim de semana, como é o caso dos dois primeiros dias, relativos ao fim de semana da Páscoa, então o saque ao bolso dos consumidores/contribuintes é redobrado! Há dúvidas ainda sobre o que é dito no Manifesto?
![]() | ![]() | ![]() |
![]() | ![]() | ![]() |
![]() | ![]() | ![]() |
![]() | ![]() | ![]() |
Etiquetas:
energia,
energia eólica,
energias alternativas
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Gestão à Mexia
A bronca dos prémios ao António Mexia percorre a sociedade portuguesa. Vemos muita gente abismada, com o Correio da Manhã a enumerar aqui algumas das reacções:- "É economicamente chocante": Mira Amaral - Presidente do Banco BIC
- "Obscenos. É uma imoralidade!": António José Seguro - Dirigente do PS
- "Choca-me imenso (...) É uma vergonha": João Soares - Deputado do PS
- "É um escândalo": Henrique Neto - Empresário e ex-dirigente do PS
- "O desequilíbrio salarial em Portugal é excessivo": Vieira da Silva - Ministro da Economia
Comecemos pelo mais básico. Para ter prémio é preciso ter lucros. Muitos lucros! Despachar uma parte da EDP para investidores incautos é sempre uma óptima ideia. Foram apenas cerca de 405 milhões de euros com a IPO da EDP Renováveis... Mas vender é o que está a dar. Ainda em 2008, toca a despachar as posições na Turbogás (40%) e Portugen (27%), para mais 49 milhões de euros, bem como 1,5% do capital da REN (mais 17 milhões de euros) e a totalidade da posição na Edinfor (4,8 milhões de euros). Vamos a grande velocidade, ainda agora abrimos o calhamaço de bem gerir, e já lucramos quase 500 milhões de euros, o que já dá um valente bónus.
Mas isso foi em 2008. Em 2009, a saga vendedora continuou. No Brasil, a venda da ESC 90 rendeu mais 45 milhões de euros, com um ganho financeiro de 19 milhões. Em Portugal vendeu os 8% que ainda tinha na Sonaecom, com um duplo benefício: redução da dívida líquida na casa dos 53 milhões de euros e uma mais-valia de 28.9 milhões de euros. Mais 13 milhões de euros apareceram em resultado da entrada da Sonatrach no capital da CCGT Soto 4.
Mas é possível fazer muito mais! Subir o preço da energia é um deles. Com uma política encoberta, a subida este ano da electricidade em Portugal foi de 2.9%, depois da subida do ano passado ter sido de 4.9%! Esta subida foi possível depois de se assustar com 40% de subida... A aposta nas energias renováveis contribui para que a sociedade até suporte estas subidas!
Depois há as dívidas. Em 2008 a dívida subiu 18.8% e os custos com juros disparam 33%, para um gasto total de 721,8 milhões de euros no pagamento de juros. Para este ano, prevê-se que a dívida da EDP vai superar os 15 mil milhões de euros este ano, um crescimento acima dos 7% face ao nível do final de 2009. Considerando o total do Universo EDP, a dívida subiu de 14661 milhões de euros em 2008, para 16127 milhões de euros em 2009, uma subida de 10%! A maturidade da dívida subiu, perdendo-se assim o efeito das baixas taxas de juro no curto prazo; mas que se lixe, alguém que não a gestão actual há-de pagar! Perante esta gestão, a S&P reviu o outlook de estável para negativo, enquanto a Moody baixou o rating da EDP de ‘A2/Neg’ para ‘A3’. Mas isso aconteceu em tempos em que ainda ninguém sabia muito bem o que isso era!
Mas é também preciso aumentar os lucros à custa das migalhas! Como todos sabemos na gestão, não há almoços grátis! Mais 237.50 euros de prémio!
Bem, é melhor ficarmos por aqui... No final desta história, deixo o registo para uma ocorrência de que poucos já se lembram. Vítor Franco, do conselho geral e de supervisão (CGS) da EDP, demitiu-se há um ano. Já tinha topado este tipo de gestão... Como se costuma dizer, roubar não é vergonha nenhuma, ser apanhado é que é uma vergonha!
Etiquetas:
economia verde,
energia,
energias alternativas
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Fome que dá em fartura
Muitos leitores têm-me enviado emails sobre a apresentação do Manifesto. Para quem há dois anos e meio expõe publicamente estas trapalhadas das energias renováveis, os últimos dias representam a passagem do 8 para 80... Felizmente, a apresentação do Manifesto parece ter trazido para a Sociedade Civil a ideia de que andamos realmente todos a ser roubados!Um dos melhores exemplos que constatei pessoalmente foi o do exclente fórum da TSF, ontem dedicado ao tema. Com o espírito habitual de missão, lá estive a elucidar alguns dos participantes online... Foi muito interessante ouvir a reacção dos participantes espontâneos, perante a evidência do roubo à sua carteira.
Fica muito material para ir analisando aqui ao longo dos próximos tempos! Mas o primeiro a ser desmontado é o da associação ao tema, da energia nuclear. Não sei se interessa aos promotores do Manifesto, ou aos seus opositores. Por mim, sou absolutamente contra! Para além do risco e resíduos, enferma do mesmo problema das eólicas e fotovoltaico: não temos competências nem recursos internos para desenvolver este tipo de tecnologia. Seria tudo comprado ao estrangeiro, e neste aspecto nem sequer teríamos qualquer oportunidade de nos tornar uma referência nesta vertente.
Se há realmente quem advoge o nuclear, que se chegue à frente com os respectivos argumentos. Que serão aqui rapidamente desmontados!
Etiquetas:
energia,
energias alternativas,
nuclear
Subscrever:
Mensagens (Atom)















