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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Ciência climática da treta, em 2009

O ano passado havia falado da parasitagem de fundos públicos de investigação, justificados com o alarmismo do Aquecimento Global, Alterações Climáticas, CO2, etc. Nos vários posts, havia referenciado 4.4 milhões de euros para umas dezenas de investigadores parasitas. Agora, dei-me conta que já estão disponíveis os projectos de 2009, conforme tabela abaixo. São mais 2.6 milhões, o que dá um total de 7 milhões de euros desperdiçados nesta ciência da treta. É fácil, por isso, perceber porque é que esta Religião, e o seu Clero, continua em alta!

ReferênciaInvestigador ResponsávelProjectoExtorsão
PTDC/AAC-AMB/110331/2009Lúcia Maria das Candeias GuilherminoSIGNAL - Effects of pollution on estuarine zooplankton-zooplanktivorous fish ecological interactions in relation to climate changes199000.00
PTDC/AAC-AMB/111349/2009Carlos Silva netoConsequences of past and present climatic changes on biodiversity patterns of peat-rich environments: from genes to communities79819.00
PTDC/AAC-AMB/111675/2009Maria Cristina Amaral Penas Nabais dos SantosMediterranean climate control on tree-ring growth dynamics: towards a mechanistic model and its applications in dendroclimatology (ONE RING)177000.00
PTDC/AAC-AMB/112438/2009Nelson José Cabaços AbrantesVITAQUA - Climate change: an additional threat to aquatic systems under intensive pressure from agricultural diffuse pollution162369.00
PTDC/AAC-AMB/113639/2009José Luis Monteiro TeixeiraEvaluation of climate changes impacts on irrigated systems and definition of adaptation measures.98256.00
PTDC/AAC-CLI/111706/2009Isabel Maria Cunha Antunes LopesSALTFREE- Previsão de efeitos da salinização em ecossistemas costeiros dulçaquícloas e edáficos devido às alterações climáticas160255.00
PTDC/AAC-CLI/111733/2009Alfredo Moreira Caseiro RochaClimate change of precipitation extreme episodes in the Iberian Peninsula and its forcing mechanisms - CLIPE81702.00
PTDC/AAC-CLI/112189/2009Cristina Isabel Coelho Dias LopesPast Analogs for Future Climate: tomorrow's predictions from North Pacific Ocean Pleistocene/Pliocene reconstructions154572.00
PTDC/AAC-CLI/112735/2009Joana Barcelos e RamosResponses of phytoplankton communities from the Subtropical North Atlantic Gyre to increasing CO2 concentrations and consequent carbonate chemistry changes in the ocean - Azores (ROPICO2)146000.00
PTDC/AAC-CLI/112936/2009Nuno Miguel Pinto de Sousa MonteiroSex at the edge: How temperature influences sexual selection175800.00
PTDC/AAC-CLI/114031/2009Daniele BortoliMATAGRO - Monitoring of Atmospheric Tracers in Antarctica with Ground -based Remote sensing Observations193108.00
PTDC/AAC-CLI/114512/2009Ana Maria Branco BarbosaRemote sensing of phytoplankton variability patterns off South-Western Iberia: a sentinel for climate change? (PHYTOCLIMA)134800.00
PTDC/AGR-ALI/110877/2009José Manuel Moutinho PereiraShort-term climate change mitigation strategies for Mediterranean vineyards (ClimVineSafe)163582.00
PTDC/AGR-CFL/112996/2009Glória Catarina Cintra da Costa PintoEcophysiolyptus: Physiological and gene expression profiles for early selection of Eucalyptus globulus in a climate change context190546.00
PTDC/ECM/113115/2009Carla Maria Duarte da Silva e CostaECO-Zement: Reuse of fluid catalytic cracking waste from oil refineries in cement-based materials156486.00
PTDC/MAR/111223/2009Iacopo BertocciRAP - Responses to Anthropogenic Perturbations: climatic and nutrient effects on rock pool assemblages68088.00
PTDC/MAR/114380/2009Helena Maria Leitão Demigné GalvãoPHYTORIA - Environmental regulation of phytoplankton in the Ria Formosa coastal lagoon125536.00
PTDC/MAR/115789/2009João Miguel Sousa da SilvaMäerl calcification, photosynthesis and metabolism in an acidified ocean193027.00

terça-feira, 7 de junho de 2011

Defending a skeptic PhD

The idea that there is an almost unanimity of support of AGW (Anthropogenic Global Warming) in the scientific community, was one of the early responses to skepticism in this field. About a year ago, Anderegg et al., even published a paper with such claims as "97–98% of the climate researchers most actively publishing in the field support the tenets of ACC outlined by the Intergovernmental Panel on Climate Change". Several lists do exist 1, 2, 3, of many highly regarded scientists who are, for some or more reasons, skeptic of several of the AGW arguments. Most of the lists are poorly compiled though, and can impact the people involved.

Most of the skeptics that do appear in these lists are usually established scientists, who are renown for their work. But if you're struggling for a career, depend on grants, or are yet studying, being a skeptic is not the easy way to move forward...

But this is what Daniela de Souza Onça has done. She has defended her PhD thesis earlier this year, at the University of São Paulo, in Brazil. The abstract for the thesis reads:

This research aims to gather scientific proofs and evidences against anthropogenic global warming hypothesis and to elucidate its meaning in the present. We argue that climate is in a permanent transformation, not resuming itself to a product of atmospheric carbon dioxide concentration variations and that worries about climatic changes are not new but, despite this, our ignorance on the functioning of the climate system is still challenging. We conclude that anthropogenic global warming hypothesis is not consensual and exerts nowadays the function of late capitalism legitimating ideology, perpetuating social exclusion transvestiting itself as a commitment to future generations.

The thesis is in Portuguese, but seems a very complete document. I have not read it fully, as it is a very long document. But a lot of interesting stuff is there, including some new stuff I had not found elsewhere. What I do know is that Daniela revealed a lot of courage to go forward with such a PhD. Don't know if it was first of a kind, but I sure hope more students will follow her steps! If you want to contact her, you can easily find her email in page 7 of the thesis's PDF.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Extinção em massa?

Um dos nossos académicos alarmistas, o Miguel Araújo, conseguiu que um artigo para o qual contribuiu fosse publicado na revista Nature. O Miguel, contribuinte assíduo do blog ambio, bem como os seus co-autores, utilizam uma estratégia bem conhecida de publicação cruzada, associada à empolação dos factos, que tenho referenciado várias vezes no passado. Agora, segundo o papaguear do alarmista Público, a Terra estará a viver a sexta extinção em massa por causa das alterações do clima...

O grande problema destes tristes cientistas é que não se comprometem. Apenas anunciam uma desgraça de perspectivas históricas, e é isso que lhes garantiu a publicação. E que seca as publicações seguintes, pois agora que isto foi definida como a sexta maior extinção de sempre, a próxima terá de ser de cinco para baixo! Eles não dizem qual o número de espécies que irá desaparecer. Falam de extinção de espécies, mas esquecem-se de dizer se aparecerão novas espécies, por exemplo. O azar de Miguel Araújo é tanto, que no mesmo dia em que saía o artigo do Público acima, saía outra notícia no mesmo jornal alarmista, a anunciar "Duas novas espécies de plantas descobertas em Espanha".

Na verdade, também em Portugal se vão descobrindo mais espécies. Alguns exemplos rápidos podem ser vistos aqui e ali. Mas estas notícias não aparecem nos jornais ou nas revistas de maior prestígio... Isso está reservado para os alarmistas...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A História repete-se...

No blog Sol e Mudanças Climáticas abordou-se no início desta semana a importância do clima, no contexto da queda do Império Romano. Tais factos são relativamente conhecidos, sendo que o aquecimento e o arrefecimento condicionaram muito a História passada. O artigo propriamente dito, de Buntgen et al., intitula-se "2500 Years of European Climate Variability and Human Susceptibility", e saiu na Science no passado mês de Janeiro. Vários artigos na Internet abordam a forma como o calor conduziu ao desenvolvimento civilizacional, enquanto os períodos mais frios significaram um retrocesso no desenvolvimento humano...

Para um apaixonado de História, como eu, nada de novo! Já sabemos que o Planeta foi mais quente no passado, e que agora estamos a descobrir coisas que o gelo cobriu num passado mais quente. Porque o Holoceno, e sobretudo o seu Óptimo Climático, significaram o surgimento das primeiras grandes civilizações. E depois verificaram-se igualmente o Período Quente Romano e o Período Quente Medieval, com este último a contribuir, entre outros, para o surgimento de um pequeno grande país, a oeste da Europa...

Infelizmente, os calhamaços da História são hoje praticamente proscritos, pois revelam verdades bem inconvenientes para a Religião Verde! Por isso da minha biblioteca saco este pequeníssimo excerpto, do livro "Climate, history and the modern world", de H. H. Lamb, já depois de virar um troca-tintas, e que revela que não há nestes novos papers peer-reviewed, nada de novo:

Roman horticultural writers in Pliny's time, and in the previous century, drew attention to the fact that the vine and the olive could then be cultivated farther north in Italy than had been the custom in earlier centuries. This agrees with the general indications of various kinds of fossil or proxy climatic data that there was a continued tendency towards recovery of warmth in Europe through Roman times, and of increasing dryness, until about AD 400. A gradual, global warming up to AD 400 would, of course, be consistent with the evidence of rising sea level...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Ecobolas com humor

A maioria da população vê um cientista como alguém que está sempre a inventar coisas novas. É assim, desde o nosso imaginário infantil. Mas o trabalho de um cientista é muito mais abrangente que isso. Muitas vezes, todavia, o nosso trabalho é o de evidenciar as correcções necessárias, para que a Ciência não saia dos carris... Isso acontece em vários cenários, da qual a análise peer-review é uma das mais significativas. Aqui, os cientistas confrontam as descobertas de outros, sendo que muitas dessas descobertas, muitos desses papers submetidos, nunca vêem a luz da publicação, porque simplesmente não têm que a ver.

Mas há muitos mais cenários. É por isso reconfortante assistir ao vídeo abaixo, de David Marçal, um verdadeiro cientista, a analisar de forma humorística as qualidades das ecobolas.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Estudos parasitas a engordar

Depois de termos evidenciado a parasitagem científica portuguesa no domínio das Alterações Climáticas, primeiro em contos, e depois já em euros, prosseguimos agora com mais um episódio desta saga. Se os leitores repararem, os projectos parasitas mais recentes conseguem sacar cerca do dobro dos anteriores, já sendo difícil fazer alguma coisa por menos de 150000 euros! Os nomes dos parasitas não são muito diferentes, e se verem os detalhes de cada um dos projectos, verão que os sub-parasitas são cada vez mais!

Resumindo, já vamos em 4.4 milhões de euros, de estudos climáticos da treta!

ReferênciaInvestigador ResponsávelProjectoExtorsão
POCI/CLI/58348/2004Filipe Duarte SantosClima Costeiro Presente e Futuro de Portugal e seus impactos nas comunidades biológicas (PORTCOAST)90000
PTDC/CTE-GEX/65789/2006Maria da Conceição Pombo de FreitasEvolução paleoambiental da planície litoral a sul da Nazaré desde o Tardiglaciar (PaleoNaz)160000
PTDC/CLI/67910/2006Maria Julia Fonseca SeixasMALVEO - Vulnerabilidade ao vector da malaria a partir de dados de observação da Terra: Mapas de densidade do mosquito Anopheles atroparvus em cenários de alterações climáticas para o Sul de Portugal108612
PTDC/CLI/68488/2006Tomasz BoskiEVOLUÇÃO DO VALE ESTUARINO DURANTE A SUBIDA EUSTÁTICA DO NÍVEL DO MAR - AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS ATRAVÉS DA CONFRONTAÇÃO DE DADOS PALEOAMBIENTAIS COM DOIS TIPOS DE MODELOS – EVEDUS153997
PTDC/CLI/70020/2006Gonçalo Brito Guapo Teles VieiraPermafrost e Variações Climáticas na Antárctida Marítima (PERMANTAR)180000
PTDC/ENR/70767/2006Paulo Manuel Cadete FerrãoEstratégias para emissões nulas na utilização de combustíveis fósseis em Portugal192905
PTDC/AAC-AMB/098163/2008Miguel AraujoRange Shift - Redução de incertezas nos modelos de distribuição de espécies face às alterações climáticas187226
PTDC/CS-SOC/100376/2008Maria Luísa de Carvalho de Albuquerque SchmidtMudanças Climáticas, Costeiras e Sociais - erosões glocais, concepções de risco e soluções sustentáveis em Portugal168000
PTDC/CTE-GIX/101466/2008Susana CostasReconstituição da posição da linha de costa Portuguesa nos últimos 6000 anos - Análise da estrutura e estratigrafia de barreiras arenosas (SCARPS)195000
PTDC/AAC-CLI/103110/2008Carla Patrícia Cândido de Sousa SantosRios Portugueses Atlânticos e Mediterrânicos sob o efeito das alterações climáticas: demografia actual e histórica e filogeografia comparada de peixes como instrumento para a conservação de espécies criticamente ameaçadas136392
PTDC/AGR-AAM/104562/2008José Paulo Mourão de Melo e AbreuFUTUROLIVE - Efeitos das alterações climáticas na cultura, produção e economia do olival199172
PTDC/AAC-CLI/105164/2008Maria Julia Fonseca SeixasHybCO2 - Abordagens híbridas para avaliar o impacto económico, ambiental e tecnológico de cenários de redução de carbono de longo prazo - o caso de estudo Português185588
PTDC/AAC-CLI/105296/2008Paulo José Relvas AlmeidaVariabilidade de Longo Período do Sistema de Alfloramento da Corrente das Canárias (LongUp)81454
PTDC/CTE-GIX/105370/2008Francisco Manuel Falcão FatelaWesTLog - Evolução recente dos estuários da costa oeste portuguesa: estudo do registo geológico dos sapais em alta resolução.150000

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Climate-gate

Os alarmistas andam todos contentes! Saiu um relatório que branqueia as actividades criminosas e de fraude científica da CRU (Climatic Research Unit), da Universidade de East Anglia, e que se designa por Climate-gate. Pessoalmente tinha a certeza que seria um branqueamento, dado o clima político que se vive no Reino Unido. Nunca eles iriam admitir a verdade de que andam a cometer fraude científica! Mas, por mim, é bom ver Phil Jones voltar ao activo; é sinal de que teremos muitas mais tretas para relatar!

Voltando ao relatório do burocrata Muir Russell, é difícil esquecermos a figura de Sir Humphrey, da série inglesa Yes Minister. A forma enviezada como o relatório foi constituído está a ser completamente desmanchada. Até o suspeito alarmista Guardian desanca na equipa de Jones et al. Roger Pielke descreve aqui como Russell não faz ideia de como funciona o IPCC. Ou como Steve McIntyre refere aqui, a culpa é dos computadores e do email, mas não dos cientistas. E isto são apenas as reacções preliminares... Mas, se alguém se referir à manutenção da qualidade da ciência, invocando este relatório, o próprio Russell balda-se com um esclarecedor (realce da minha responabilidade):

It is important to note that we offer no opinion on the validity of their scientific work. Such an outcome could only come through the normal processes of scientific debate and not from the examination of e-mails or from a series of interviews about conduct.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Encontro Ciência 2010

Terminou hoje o Ciência 2010 - Encontro com a Ciência em Portugal no Centro de Congressos de Lisboa. Marcou-me pela positiva, embora talvez os dias de calor tenham motivado de forma diferente a assistência. Algumas das intervenções a que assisti foram particularmente acutilantes, embora na vertente climática claramente marcadas pelas provocações gratuitas...

Uma das intervenções que mais marcou o encontro foi a do Prof. Delgado Domingos, que muitos leitores do blog já conhecem. Teve a virtude de desencadear o interesse dos Media, tendo saído no Correio da Manhã uma notícia interessante, sobretudo pela forma como o Ministro da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, foi obrigado a responder às perguntas do CM, envolvendo a forma como o Instituto de Meteorologia trata os dados meteorológicos (realces da minha responsabilidade):

Correio da Manhã – Como analisa as acusações do Instituto Superior Técnico, que reclama o acesso à informação recolhida pelo modelo de previsão usado pelo Instituto de Meteorologia, acusando-o de não fornecer dados mesmo quando solicitado?

Mariano Gago – Não é possível fazer avaliação científica sem ter acesso a todos os dados existentes. Isto é um grande obstáculo a sermos cada vez melhores e o acesso a essa informação tem de ser resolvido muito proximamente. Este congresso [Encontro com a Ciência e Tecnologia em Portugal, que termina amanhã] veio demonstrar essa urgência.

De que forma será possível fazer-se essa partilha?

A utilização desses dados para efeitos científicos é muito importante. Tem de ser criada uma plataforma de avaliação para permitir que os diferentes dados recolhidos estejam disponíveis.

Existem outras áreas onde melhorar essa colaboração?

Na avaliação dos dados recolhidos pelos vários modelos sobre fenómenos extremos. A cooperação terá de ser internacional, até para se ter mais fenómenos para analisar.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Os nossos cientistas


O programa Pessoal e Transmissível, da TSF, é um dos meus programas radiofónicos preferidos. No passado dia 30 de Junho, Carlos Vaz Marques [CVM] entrevistou Rui Luís Reis [RLR], responsável pelo Instituto Europeu de Excelência em Engenharia de Tecidos e Medicina Regenerativa, uma equipa portuguesa que lidera a investigação em biomateriais a nível europeu.

Carlos Vaz Marques, apresentador do programa, começou com um provocador:

Qual é a ameaça mais perigosa, Prof. Rui Luis Reis, a que a ciência está submetida actualmente?

A resposta de Rui Luis Reis é a imaginada pelos leitores habituais do blog (todos os realces são da minha responsabilidade):

[RLR]:Eu diria que são duas coisas. Uma tem a ver com a influência, muitas vezes a má influência dos políticos, e outra tem a ver com o reconhecimento do mérito e de que forma isso influencia a atribuição do financiamento.

A entrevista começara bem. Não tardou muito, aos 3:10, a continuar numa dimensão conhecida:

[RLR](...) há obviamente um ambiente hostil em muitas coisas, mas há também hoje em dia uma percepção e uma abertura para a ciência. Nunca se viu tantos cientistas nos Media, tantas entrevistas, tantos jornais a começar a ter as suas pequeninas páginas de Ciência...

[CVM]: Portanto esse ambiente está a mudar?

[RLR]: Está. O problema é que muita dessa gente e dessas áreas que são mediatizadas, muitas vezes não é a correcta e é isso que querem dizer muitas vezes os nossos bons cientistas que trabalham no estrangeiro: é que o nosso sistema não se auto-filtra em termos de mérito e portanto há um conjunto, que eu chamo de vedetas, que aparecem sempre. Muitas vezes não estão a fazer grande coisa mas sistematicamente para a comunicação social muitas vezes, e depois obviamente via comunicação social para as pessoas, essas é que são as pessoas, essas é que são os nossos cientistas.

[CVM]: E isso é assim porquê?

[RLR]: Isso é assim como em muitas áreas; começaram a haver umas pessoas que são relativamente conhecidas. Essas pessoas muitas vezes estão mais ligadas ao poder, têm acesso a um conjunto de coisas, começam a aparecer, e depois é uma questão de quais são os números que eu tenho no meu telemóvel, não é? E telefono sistematicamente aquela pessoa para falar muitas vezes sobre coisas que não percebe (...)

Nem era preciso dizer tanto...

sábado, 3 de julho de 2010

Os cientistas e as crianças

Alunos do sétimo ano de uma escola americana foram expostos a uma experiência, pouco científica aliás, de avaliação da sua percepção sobre o que eram cientistas. A experiência decorreu há 10 anos, e visava perceber como as crianças percepcionavam os cientistas, antes e depois de os conhecerem. Obviamente, a exposição a três cientistas, naturalmente pre-escolhidos, influenciou os resultados, como facilmente se conclui ao ler várias análises na Internet.

Mas o que me preocupa não são os desenhos dos cientistas, antes e depois. O que me preocupa é o que os alunos escreveram, antes e depois. A endocrinação destas crianças está conseguida, e para quase todas elas, o caminho da ciência deixa de ser o do conhecimento, mas sim o da facilidade. Agora, qualquer um pode ser um cientista, mesmo que não perceba nada daquilo... Atente-se nas suas próprias palavras, com destaques da minha responsabilidade:

AlunoAntesDepois
AmandaA scientist is in the Guiness Book of World Records. I see a scientist winning on "Who Wants to Be a Millionaire?"....anyone can be a scientist. I saw people walking around in sweatshirts and jeans. Who knows? Maybe I can be a scientist.
AmyI think of a scientist as very dedicated to his work. He is kind of crazy, talking always quickly. He constantly is getting new ideas. He is always asking questions and can be annoying. He listens to others' ideas and questions them.I know scientists are just normal people with a not so normal job.... Scientists lead a normal life outside of being a scientist. They are interested in dancing, pottery, jogging and even racquetball. Being a scientist is just another job which can be much more exciting.
AndreaYou can see them as a mad scientist with hair standing straight up and a mean wicked laugh.... I see them with rubber gloves and safety goggles on. I see them in a chemistry lab surrounded by beakers, graduated cylinders and tables filled with experimental materials.Scientists love their jobs. They wake up in the morning and are excited to come to work.... When you are a scientist, you come to work ready to explore and learn new things. Things that may change the world someday. Maybe not today, maybe not tomorrow.
AndyA scientist is a person that learns more by experimenting.... A scientist is someone that makes the world a better place. Anyone can be a scientist if he wants to be.A scientist is a person who tries to make the world a better place. A scientist is a person who tries to learn more about the universe and about life, not to make money and to be famous.
AngelaScientists have a strong impact on our world and my life.... There are so many different kinds of scientists and they have many different personalities. But they all have one thing in common, a love for science and discovery.... Scientist Judy is wearing her white lab coat. She is a very simple person ... simple clothes, simple house, simple personality. I think everyone has little bit of science "love" in them. They wonder about processes in their life and processes in their body. A scientist is a male or female that enjoys learning about the Earth and its contents.
AshleeA scientist to me is many things. First she is someone who other people can count on to be right. She can't be afraid to try something new or different. Scientists are always changing and reusing their experiments.I have learned that a scientist is much more then someone who is crazy about science, they are just like a normal person who has kids and life. They got normal grades in school but they mostly did better in math and science.
AshleyTo me, a scientist is bald and has hair coming out of the sides of his head.... Scientists live in their own world and the rest of society puts them there."You can not judge a book by the cover!" Scientists come in all shapes and forms. Women, men, chemists, biologists, and physicists are all in the field of science.
BethThe scientist has big square-shaped glasses and a big geeky nose with brown hair and blue eyes. I see a scientist working in a lab with a white lab coat... holding a beaker filled with solutions only he knows. Scientists are very interesting people who can figure out things we don't even know exist.My picture of a scientist is completely different than what it used to be! The scientist I saw doesn¹t wear a lab coat.... The scientists used good vocabulary and spoke like they knew what they were talking about.
BetsyI see him with glasses. A scientist would be very interesting. He would be quiet and just hear everything before he talked. A scientist would look at every side of a problem or view.Scientists must love their work because they work an awful long time on one project. Scientists have to find out equations and work on their chalkboards and computers. Scientists try to find out problems like putting together a puzzle.
ClaireMy scientist is a very good man. He is very smart and went to school for many years. He is somewhat of a workaholic.... He never got into sports as a child; he was always trying to get his straight A grades even higher.I realized that scientists aren't very different from everyone else.... They are very smart. As children, they had very good grades. Mostly A's.... Their strong subjects were math and science.
Dan D.My scientist also mixes chemicals together. He also teaches at Yale University. He teaches students how to take apart DNA.I think a scientist is a person who studies objects for information. I also see them as people who can explain things very well.... Many of the scientists played sports, still play some sports or still watch and go to games.
Dan S.I picture a scientist as a genius. I think they can usually calculate almost anything. I think of weird experiments and bottles of chemicals. Also I think of big explosions and atoms and molecules.Scientists are normal people just like us all. They do the same things and act just like us. Most of them speak foreign languages. Scientists aren't always stuck in their offices. They have lives outside of the labs too. Some like to do outdoor activities; others like to read or do things inside.
DavidI always see a scientist holding a bottle with a bubbly substance and it is usually a weird color, like green or red.The scientists are really nice and funny people. I first thought of the scientist as a nerdy person or someone walking around with a laptop. Now after I visited Fermilab I know what a real scientist is like. They are just like you and me.
EricDr. Nero, a character I made up ... spends most of his time dedicated to his work. Dr. Nero will work to find a cure for AIDS and cancer. He wants to help people to the full extent of science.The stereotype gives the impression of a geek with glasses or someone who is bald. Actually, they are just people who ask and answer questions.
GillianneThey help people learn more about their land. Scientists study hard to change our world to make things easier in life. Each year more and more things are being invented by our scientists.A scientist is not always about testing chemicals; some scientists do other things like study missing energy.... If you have a idea for a project that you want to work on, your boss doesn't stop you; he will tell you to go for it. Scientists do not only work hard; they also have fun with their job.
JamesWhen I think of a scientist I think of brainy and very weird people. I think of lots of bottles with chemicals in them. I think of explosions with chemicals. I think of tiny little disks with data information on them. I think of little gadgets that are used for things that I do not know what they are.A scientist is a normal person. They have a life. Scientists are just like you. Scientists wear normal clothes and not big lab coats. Scientists have hobbies like baseball and volleyball and basketball. A scientist's job looks like a lot of fun.
JeffreyMy scientist would look very smart and intelligent. My scientist would have a pair of glasses and a lab coat. My scientist would also be bald. He would have on blue jeans, a white pair of shoes, and white socks.Scientists are normal everyday people.... Instead of wearing lab coats, they wear whatever they want and are hardly seen wearing ties at the Fermilab building. The scientists all have computers to work on and all have chalkboards to work out equations.
JesseTo me a scientist is a man who works hard in his lab examining liquid and chemicals. He has a long white coat open. He is fixing his glasses so he can see better. He has pockets full of pens and pencils.Some people think that (scientists) are just some genius nerds in white coats, but they are actually people who are trying to live up to their dreams and learn more. No two scientists are exactly alike. So, if you want to be a scientist, be like these wonderful people and live up to your dreams.
JoeWhen I think of a scientist I think of a person who is smart. They also have a little bit of funny joyful in there too. Scientists are very important to us today.The scientists work hard on their jobs for long hours. Scientists are at a standpoint of trying to find something for many generations ahead that will improve life for people.
KatieI describe my scientist as being medium height with short brown hair and blue or brown eyes. He'd have a sky-blue, button-down shirt. He would also wear black pants or jeans. He would also have numerous white lab coats.Actually, scientists are normal people that lead normal lives. Their jobs sound very interesting because they can do whatever they want and they still get paid for it. They can dress in casual clothes and decorate their offices however they want.
KevinThe way I see a scientist is with brown hair, a beard, dorky glasses, a white lab coat, pens in his shirt, a blue polo shirt, khaki-colored pants, and a white-colored lab coat.A scientist to me is a normal person because he probably likes the same things that a normal person would like ... things such as: basketball, the Virgin Islands, science, math, rock climbing, hiking, sports, classical music, and many more things
KiermanI think a scientist is very involved with the Internet. I also think that a scientist is on a very even keel. He is very much organized. He really likes to do the job he does.A scientist is a person who had very good grades in school. A scientist is a person who can adapt to different languages. A scientist is a person who can relax. A scientist is a person who really likes his job. A scientist, truly, is a normal, happy, nice person.
KyleMy scientist always wears a white coat to protect himself. He's a hard worker and is devoted to his work.... He enjoys his work. He really doesn't take it as work; he calls it his hobby because he would not want to be doing anything else.... most of the scientists were in jeans and striped shirts. I even saw a person with a Bulls shirt on.... (Scientists are) interesting, smart people who dedicated their lives to what they like with many other lively endeavors, like kids or marriage.
MarisaA scientist is hard working, studious, detail-oriented, observant, intelligent, exacting, and patient. Most people think of a scientist as a person who is nerdy, studious, scholarly, and a person who is devoted to her job and doesn't have much of a personality or isn't very interesting. This is a stereotype and today just proves that scientists have lives, interests, hobbies, families and friends. I find that scientists are very, very interesting.
MattA scientist is willing to learn and is not afraid to be wrong.With most jobs you might say, "When is it ever going to be five thirty?" But the scientists I talked to say, "Is it five thirty, already?"
MichaelTo me a scientist is a friendly person. He has a good sense of humor. He is a caring person. He is serious in his studies and experiments.A scientist ... loves the subject of science and can relate to the subject in everything he/she does. After today I learned that a scientist is more than a person doing experiments; he is a person with a life.
NickI think a scientist would be very kind and smart (and) would be very devoted and concentrated on his/her work.Scientists are great people; they solve many problems, which in turn helps us.
PatI think a scientist is a very intelligent and mathematical person (and) very energetic because they have to stay interested in their work. A scientist looks like a person who is in their 30's to 50's, has glasses, and is somewhat balding.The scientists were smart but not like geeks.... The scientists were good with kids; they would talk to us so that we could understand them not in scientific terms.... The scientists were like me when I was little. The scientists played sports, hung out with their friends and also did not get straight A's in every subject.
RachelA scientist helps people solve problems, like finding new medicines and new chemicals and such. It is a person who is fascinated by ways of science and who has the patience to redo and redo things to get an answer. I admire people like that because they help me realize that you always have to do your best to get an answer.To me scientist are people who like to have fun but are interested in what they can do to make the world better. Scientists ask themselves and other scientists questions like why? and how? something happened.
RyanI think a scientist is smart and logical. I think scientists are wanting to discover new things. They want to investigate and to make a theory. They want to see if their theory is correct.Scientists are very different from what most people (think). The scientists (at Fermilab) are friendly and hard working, One of the projects that they are doing is an experiment with a proton accelerator.
SandraShe lives in New York and stays in a big apartment home. She is married and has two children.... Every year she goes on a business trip around the world to get updated on what's happening in science today.A scientist can have a family of their own and go on vacations a lot.... A scientist also can hang out with their friends and have fun.... Scientists can also like other things aside from science, like pottery, poetry, and basketball.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Investigação em quantidade

Mais que qualidade, hoje em dia o que está a dar é investigação em quantidade. O sistema está feito para privilegiar aqueles que mais produzem, e os esquemas utilizados para conseguir publicar no sistema de peer-review são bastante bem conhecidos no meio científico... Já aqui referimos vários aspectos que corrompem a ciência; agora saiu uma análise de cinco reputadas personalidades, de áreas distintas, a chamar a atenção para a avalanche de investigação de má qualidade. Anotes-se apenas alguns extractos do artigo, com destaques da minha responsabilidade:

While brilliant and progressive research continues apace here and there, the amount of redundant, inconsequential, and outright poor research has swelled in recent decades, filling countless pages in journals and monographs. Consider this tally from Science two decades ago: Only 45 percent of the articles published in the 4,500 top scientific journals were cited within the first five years after publication. In recent years, the figure seems to have dropped further. In a 2009 article in Online Information Review, Péter Jacsó found that 40.6 percent of the articles published in the top science and social-science journals (the figures do not include the humanities) were cited in the period 2002 to 2006.

Experts asked to evaluate manuscripts, results, and promotion files give them less-careful scrutiny or pass the burden along to other, less-competent peers. We all know busy professors who ask Ph.D. students to do their reviewing for them.

We need to get rid of administrators who reward faculty members on printed pages and downloads alone, deans and provosts "who can't read but can count," as the saying goes. Most of all, we need to understand that there is such a thing as overpublication, and that pushing thousands of researchers to issue mediocre, forgettable arguments and findings is a terrible misuse of human, as well as fiscal, capital.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Lista dos trigloditas

Um estudo feito por um informático canadiano, mas logo secundado por alguns dos trigloditas climáticos, nomeadamente Stephen Schneider, já bastante conhecido dos leitores deste blog, revela que 97 a 98% dos investigadores climáticos suportam o Aquecimento antropogénico defendido pelo IPCC...

Neste aspecto, não há grande novidade. Afinal Galileu era uma percentagem infinitesimal há 500 anos atrás. O que surpreende neste estudo é a sua excepcional má qualidade! A lista negra dos cépticos tem inúmeras gralhas, como múltiplos posts na blogosfera e imprensa tem evidenciado! A utilização de ferramentas como o Google Scholar só evidencia como ferramentas muito úteis podem ser completamente mal utilizadas.

Mas o ponto que interessa aqui relevar é que o estudo cinge a comunidade científica nacional, na área climática, a dois cientistas: Jose Pinto Peixoto e Renato Henriques. Estes nomes foram confirmados ao Ecotretas, por e-mail, por Jim Prall, um dos autores do estudo, o informático que mantém tal lista. Um alarmista e um céptico, vejam só, em Portugal! 50%! Nada dos parasitas, nem de cépticos, alguns bem conhecidos em termos internacionais. Por isso, estudos destes, só pro caixote do lixo...

Actualização 2010/07/08: O Miguel Araújo descobriu hoje o artigo, mas ainda não descobriu que só há dois cientistas relacionados com o clima em Portugal...

domingo, 20 de junho de 2010

Parasitagem em euros, até 2004

Depois do primeiro post, sobre a parasitagem antes do Euro, neste evidenciamos os projectos que se socorreram dos temas do Aquecimento Global e Alterações Climáticas, para obterem subsídios até 2004. Acrescentei uma coluna sobre a descrição do projecto, que inclui um extracto do resumo do projecto, acessível na totalidade através do link providenciado para cada projecto:

ReferênciaInvestigador ResponsávelProjectoExtorsãoDescrição
POCTI/MGS/34883/99Helder José Perdigão GonçalvesAmbiente Construído, Clima Urbano e Utilização Racional da Energia (ACLURE)74819.68O consumo de energia está directamente relacionado com problemas ambientais tais como alterações climáticas à escala global e local
POCTI/MGS/37970/ 2001Maria Júlia Fonseca de SeixasGeneticLand: Descobrir paisagens futuras sob cenários de alterações climáticas usando Algoritmos Genéticos99475As alterações climáticas têm reprecurssões na paisagem. Algumas podem ser benéficas, outras podem ter implicações negativas para o ambiente e para a economia. Assim, é importante estudar como a paisagem irá evoluir em função das alterações climáticas.
POCTI/CTA/39607/ 2001Filipe Duarte SantosCLIVAR - Variabilidade e Mudança Climática: Padrões e Impactos à Escala Regional85000O Projecto CLIVAR propõe-se a clarificar alguns aspectos do clima regional ibérico que são em importantes tanto para a regionalização de previsões sasonais do clima como para a avaliação do impacto das mudanças climáticas.
POCTI/ESP/42532/ 2001Maria Amélia Afonso GrácioEfeitos do aquecimento global sobre potenciais hospedeiros intermediários e vectores de parasitas causandodoença no homem e animais em Portugal30000A migração em larga escala de populações de áreas em que as doenças transmitidas por H.I. e vectores são endémicas, associada com o aquecimento global, pode tornar receptivas á transmissão daquelas doenças algumas zonas na Europa.
POCTI/CTA/42917/ 2001Ana Maria Guedes de Almeida e SilvaDetecção Espaço-Temporal das Propriedades Ópticas dos Aerossóis e do seu Transporte por Advecção110000Contudo a falta de informação sobre as propriedades e a dinâmica dos aerossóis, particularmente na troposfera, constitui uma das maiores incertezas na previsão das alterações climáticas e na elaboração de cenários climáticos regionais.
POCTI/AGG/47275/ 2002Manuela Rodrigues Branco SimõesAdaptação de Tomicus spp à fisiologia do hospedeiro num cenário de alteração climatica80000Alterações na fisiologia das árvores em resultado de temperaturas mais elevadas e secura estival, previstos pelo cenário das alterações climáticas, serão favoráveis a estes insectos, por uma maior susceptibilidade do hospedeiro, quer por redução na produção de compostos secundários defensivos, quer por alterações na composição do floema.
POCTI/BSE/48918/ 2002Rui Orlando Pimenta SantosEfeito de alterações globais na flora marinha portuguesa numa escala temporal longa94020É actualmente reconhecido que as alterações climáticas têm influenciado a distribuição geográfica das espécies marinhas através dos limites fisiológicos de temperatura, que são específicos para cada espécie.
POCTI/MGS/49210/ 2002Celeste de Oliveira Alves CoelhoAvaliação dos impactes das alterações climáticas sobre os recursos hídricos e a fixação de CO2 por povoamentos florestais de crescimento rápido em P.150392Trabalhos recentes referem que o impacte das alterações climáticas sobre a evapotranspiração das florestas portuguesas e, sobre os recursos hÌdricos poderá ser importante, nomeadamente se se verificarem os cenários mais recentes quer de emissões quer de circulação geral da atmosfera que se traduzirão por uma diminuição da quantidade de precipitação no sul da Europa (Parry, 2000).
POCI/BIA-BDE/55596/ 2004José Carlos Alcobia Rogado de BritoO papel das barreiras ecológicas na estrutura genética dos viperídeos: uma aproximação a multi-escalas85000Eventos paleogeológicos e alterações climáticas desde o último máximo glaciar contribuíram, provavelmente, para eventos de isolamento, refúgio populacional e processos de contracção/expansão. Não é conhecido, no entanto, como é que os factores ambientais afectam a área de distribuição nem a estrutura da variabilidade genética.
POCI/CLI/56269/ 2004Elsa Maria Vila Maior CasimiroAlterações Climaticas e Turismo em Portugal: Impactos Potencias e Medidas de Adaptação (CLITOP)75000Muitos estudos já se debruçaram sobre os impactos das Alterações Climáticas globais nos diversos sectores da actividade humana nas várias regiões do Globo. É contudo surprendente que os estudos destinados ao Turismo – a maior indústria ao nível global – sejam tão poucos, já que é evidente que este tipo de actividade não apenas deverá receber fortes impactos, dado a sua nítida ligação ao clima, como também é um dos sectores cuja intensidade carbónica é maior, dada a sua ênfase em viagens de longa distância e elevado conforto, e portanto um alvo previligiado para medidas de adaptação e mitigação.
POCI/MAR/56296/ 2004JOSÉ FORTES LOPESEstudo do impacte das mudanças climáticas na costa portuguesa - o ecossistema costeiro de Aveiro –SIMCLAVE76500Prevê-se que, nos próximos séculos algumas zonas costeiras oceânicas poderão observar alterações climáticas, tais como a variações, dos padrões do vento e da temperatura do ar, o que poderá provocar mudanças nos eco-sistemas costeiros, nomeadamente, a temperatura das águas costeiras, o possível crescimento anormal de algas tóxicas, ou mudanças nas taxas de nutrientes ou na composição e distribuição do fitoplâncton.
POCI/CLI/56371/ 2004Amilcar de Oliveira SoaresBioAridRisk - Avaliação Espacio-Temporal dos Riscos de Alterações Climáticas Baseada num Índice de Aridez50000A desertificação é um processo persistente, abrangente e quase irreversível de degradação da terra, que afecta regiões sub-húmidas, semi-áridas e áridas do Planeta. A UNCCD (Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação) aponta a variabilidade climática e algumas actividades humanas como as principais causas da desertificação.
POCI/AGR/57279/ 2004Maria Margarida Branco de Brito Tavares ToméSimulação do efeito de diferentes estratégias de gestão e de alterações climáticas na produção de madeira/cortiça e no sequestro de carbono para as principais espécies da floresta portuguesa85500Em consequência do protocolo de Kyoto, entre os vários serviços que são hoje esperados da floresta, o sequestro de carbono pelas florestas desempenha um papel muito importante. Um outro paradigma com que a gestão florestal do presente se depara é o facto, já assumido por todos, de que as alterações climáticas esperadas terão impactos significativos no crescimento das florestas.
POCI/CLI/57597/ 2004Maria Amélia Afonso GrácioFactores climáticos/ambientais afectando a dinâmica das populações de Lymnaea truncatula e a transmissão de Fasciola hepatica em Portugal.95000No entanto, o acesso ao modo como as alterações climáticas afectam a transmissão da doença em Portugal é difícil porque a relação entre a dinâmica da transmissão e os factores ambientais específicos não está completamente compreendida.
POCI/ENR/59323/ 2004Carlos Manuel Lopes FrancoProdução de H2 por Gasificação de Biomassa45000A sociedade moderna por todo o mundo tem que lidar com grandes problemas. Entre os mais importantes temos: as mudanças climáticas, o tratamento dos resíduos produzidos e as necessidades energéticas.
POCI/AMB/60267/ 2004Teresa Filomena Vieira NunesCaracterização química do aerossol urbano PM2.5 e PM1070965Actualmente o interesse no aerossol atmosférico é elevado devido principalmente aos seus efeitos na saúde humana e nas alterações climáticas.
POCI/CLI/60421/ 2004António José Dinis FerreiraAvaliação do risco de cheia e mobilização de poluentes como resultado de alterações globais90000É esperado que as alterações globais (combinação das alterações climáticas e dos usos do solo), produzam alterações significativas ao nível dos processos climáticos e hidrológicos em áreas urbanas. O resultado são picos de cheia rápidos e catastróficos, que produzem perdas devastadoras sobre bens e propriedades, e colocando mesmo em risco a vida dos cidadãos, além de alterarem os mecanismos de transporte dos poluentes.
POCI/AMB/60646/ 2004Maria Julia Fonseca SeixasE2POL - abordagem integrada de política ambiental e energética na gestão da produção e consumo de electricidade74969Actualmente existe uma multiplicidade de instrumentos de política (IP) em actuação sobre os diferentes agentes que integram oferta e procura de electricidade. Estes instrumentos resultam da implementação de directrizes de política energética (decorrentes essencialmente de objectivos económicos) e de política ambiental (em particular política de alterações climáticas). Considerando apenas o campo da política ambiental é possível identificar conflitos entre objectivos de IP. Ao considerar também IP de energia, a complexidade aumenta.
POCI/BIA-BDE/60911/ 2004Maria Raquel Barata GodinhoGenealogias nucleares, genética da paisagem e SIGs: desenvolvimento de uma abordagem integrada para testar hipóteses sobre a biogeografia da herpetofauna ibérica89500Por outro lado, a modelação da distribuição das espécies na Península Ibérica feita através da utilização de dados climáticos e ambientais mostrou enormes potencialidades na previsão de distribuições futuras em cenários de aquecimento global ou na simulação de paleoclimas e identificação de potenciais refúgios.
POCI/CLI/61605/ 2004José Carlos Fernandes AntunesVariações em latitude na biologia de espécies-chave estuarinas como indicadores para a previsão de efeitos das alterações climáticas50000Como todos os ecossistemas costeiros, os estuários sofrem consequências das alterações climáticas globais. Estas afectam os organismos vivos não apenas ao nível individual, mas também ao nível da organização das cadeias tróficas e do funcionamento do estuário. Deste modo, a compreensão das interacções entre espécies é importante para prever os efeitos das alterações climáticas.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Parasitagem em contos

A parasitagem dos ecologistas traduz-se em boa medida na quantidade de fundos públicos que conseguem extorquir. Os políticos, fracos como se sabe, não hesitam em apoiar projectos mirabolantes, como o caso do francelhos da RAVE, que recentemente referi. Na altura encetei um esforço em perceber quão longe consegue isto da extorsão ir. Neste primeiro post, referencio apenas alguns (poucos) relativos ao tema do Aquecimento Global/Alterações Climáticas, que conforme podem ver, ainda tinha pouca expressão no final do século XX:

ReferênciaInvestigador ResponsávelProjectoExtorsão
PRAXIS/C/MGS/11048/98Filipe Duarte Santos Alterações climáticas em Portugal, cenários, impactes e medidas de adaptação (SIAM)32157 Contos
3/3.2/EMG/1949/95Carlos Alberto Diogo Soares BorregoImpacte das Alterações Climáticas Globais no Ambiente Atmosférico do Atlântico Norte e Península Ibérica30000 Contos
3/3.2/EMG/70/94 Filipe Duarte Santos Mudança Climática em Portugal nos Últimos 15 Mil Anos20000 Contos
2/2.1/MAR/1743/95 João Manuel Alveirinho DiasRiscos Naturais Associados a variações do Nível do Mar - Estudo de Causas e Efeitos (RIMAR)40000 Contos

Depois, haverá mais em euros...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A população de signatários da carta aberta publicada na Science

Já nos referimos aqui várias vezes ao blog "Falar do Tempo". Tem-se revelado por uma actualização constante dos temas envolvendo o Clima, em termos nacionais e internacionais. Num trabalho de investigação notável, o blogger investigou a vergonha dos signatários da carta aberta publicada na Science. A história ficou sobretudo conhecida pela barraca originada pela falsificação das imagens utilizadas no artigo.

Na análise efectuada, Falar do Tempo categoriza os signatários em função de vários parâmetros. Na imagem ao lado constatamos que a maior parte deles não têm credenciais no âmbito do domínio climático. Nós também os temos por cá, bastando lembrar-nos do filósofo Viriato Soromenho Marques, ou da socióloga Susana Fonseca, actual presidente da Quercus. Muitos têm a lata de dizer que os cépticos não têm qualificações, mas não olham para o seu umbigo! E este é apenas um dos muitos aspectos interessantes da análise. Vejam o resto das conclusões detalhadas em http://tinyurl.com/NASsigs.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O tretas Pachauri em Portugal

Depois da sua última presença em Portugal, Rajendra Pachauri regressa a Portugal. Ele vai participar numa conferência na Gulbenkian, no próximo dia 27 de Abril, terça-feira, pelas 18 horas. Ao contrário do ano passado, a entrada é livre, e será transmitida na Internet aqui.

Os leitores deste blog já conhecem as tropelias que este senhor, e o gang do IPCC, cometem. Elas estão agregadas neste link. De seguida resumiremos a vertente específica da natureza da investigação no seio do IPCC, e como ela tem vindo a ser moldada ao longo dos tempos. Todas as citações abaixo estão linkadas à sua fonte original, com realces da nossa responsabilidade:

2007/02/02 Link:
The report and the scientists who wrote it called the document conservative. It used only peer reviewed published science and was edited by representatives of 113 governments that also had to agree to every word, including those opposed to measures like the Koyoto Protocol to limit greenhouse gas emissions.

2007/06/05 Link:
The IPCC doesn't do any research itself. We only develop our assessments on the basis of peer-reviewed literature. So this is really hundreds and thousands of years of research efforts that go into the distinct material that comes into the report.

2007/11/19 Link:
This is the key document on climate change, and from now on you can forget any others you may have read or seen or heard about. This is the one that matters. It is the tightly distilled, peer-reviewed research of several thousand scientists, fully endorsed, without qualification, by all the world's major governments. Its official name is a mouthful: the Policymakers' Summary of the Synthesis Report of the United Nations Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) Fourth Assessment.

2008/06/05 Link:
"The process is so robust - almost to a fault - that I'm not sure there is too much scope for error. Where there are gaps we are very candid in admitting we don't know enough about this subject," he said.

"Given that it is all on the basis of peer-reviewed literature. I'm not sure there is any better process that anyone could have followed.

2009/11/10 Link:
When asked if the discussion paper could be taken into consideration in the on-going round of scientific review by IPCC, he said, "IPCC studies only peer-review science. Let someone publish the data in a decent credible publication. I am sure IPCC would then accept it, otherwise we can just throw it into the dustbin."

2009/12/07 Link:
IPCC relies entirely on peer reviewed literature in carrying out its assessment and follows a process that renders it unlikely that any peer reviewed piece of literature, however contrary to the views of any individual author, would be left out. The entire report writing process of the IPCC is subjected to extensive and repeated review by experts as well as governments.

Durante anos andou a vender esta religião. Perante as recente contradições, nomeadamente dos Himalaias, o Pachauri teve que ensaiar uma fuga para a frente. Como o referimos aqui, agora já vale quase tudo:

Let me emphasise that the others are not errors and it is perfectly valid to use non-peer reviewed literature provided we look at the source of information that is contained in that non peer-reviewed literature and make sure that it's authentic.

You must realise that there are some parts of the world where you really don't have published research material. And therefore it's been the practice of the IPCC to use non peer-reviewed literature. With, of course, a lot of caveats and careful authentication of the source of that information.

Mas a este tretas tem que ser feitas mais perguntas inconvenientes! Como a de explicar porque é que o IPCC tem 5600 referências não peer-reviewed? Talvez os jornalistas portugueses possam ser pioneiros, o que duvido...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

IPCC tem 5600 referências não peer-reviewed

Uma análise independente determinou que 21 dos 44 capítulos do relatório do IPCC de 2007, têm menos de 59% de referências peer-reviewed. Na verdade, apenas 8 dos capítulos tem mais de 90% das suas referências peer-reviewed. Tal análise foi conduzida por 40 cidadãos-auditores, que examinaram as cerca de 18500 referências do relatório, que é a Bíblia dos alarmistas. Deste total, 5600 são referências não peer-reviewed!

Tais conclusões não são todavia surpreendentes... Há pouco mais de um mês já nos havíamos aqui referido à presença da designada literatura cinzenta nestes relatórios.

Como consegue Rajendra Pachauri conviver com este cenário é que é mais extraordinário! Como havíamos aqui referido, primeiro ele afirmou que o IPCC não ía buscar as conclusões aos jornais, mas entretanto tem vindo a "flexibilizar" o discurso. Alertado para a sua próxima presença em Portugal, pelo leitor Manuel Brás, estamos a preparar um dossier sobre o senhor. Para que se perceba quem é exactamente o tretas-mor do IPCC!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Relatórios do IPCC baseados em literatura cinzenta

Já todos ouvimos a referência de que os estudos do IPCC são todos baseados em trabalhos e publicações peer-reviewed. O tretas Pachauri insistia nisso, mas entretanto já suavizou o discurso.

Entretanto, os cientistas que não temem, como Richard Tol, que é apenas um dos melhores economistas do Mundo, vão dando mais achas para esta fogueira que consome o IPCC. Neste artigo, a conclusão é clara:

Chapter 11 of AR4 WG3 suggests that climate policy could stimulate economic growth and would create jobs. These claims are supported by gray literature only, and they are biased.

Neste outro artigo, as conclusões são igualmente devastadoras:


The Fourth Assessment Report (AR4) of Working Group II (WG2) of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) has been discussed extensively in recent months. A number of errors were discovered. Few documents are without fault. What is surprising, however, is that the IPCC has denied obvious mistakes; and that the errors all point towards alarmism about the impacts of climate change.
The WG3 report did not attract the same scrutiny. This could create the impression that WG3 wrote a sound report. That impression would be false. Just as WG2 appears to have systematically overstated the negative impacts of climate change, WG3 appears to have systematically understated the negative impacts of greenhouse gas emission reduction.

Como se isto não fosse suficiente, depois das análises de Tol, num artigo muito detalhado, verifica-se que das 330 referências do WG3, 139 são de literatura cinzenta! 42% das referências desse capítulo não são peer-reviewed! Estão admirados?

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Novas regras para o IPCC


O presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, não tem saída. Já está tão envolto em contradições, que já não se sabe se o que diz é a sério ou não, como é o exemplo do vídeo acima, bem provocado pela jornalista Sandra León . Depois de ter dito que o IPCC não ía buscar conclusões aos jornais, agora é o vale tudo, desde que seja autêntico... Vejam as imagens, com a transcrição abaixo, retirada do EU Referendum:

Well. There are no errors. There is one error which we have acknowledged which was in respect of melting of the Himalayan glaciers.

Let me emphasise that the others are not errors and it is perfectly valid to use non-peer reviewed literature provided we look at the source of information that is contained in that non peer-reviewed literature and make sure that it's authentic.

You must realise that there are some parts of the world where you really don't have published research material. And therefore it's been the practice of the IPCC to use non peer-reviewed literature. With, of course, a lot of caveats and careful authentication of the source of that information.

And, what you're pointing out is really not correct. We have investigated these so-called errors. They're not errors and we are absolutely certain that what we have said over that can be substantiated on the basis of scientific information.

Except for the case that I mentioned, the Himalayan glaciers where it was said the glaciers would melt, would vanish by 2035 and that error we have acknowledged and have put a note on the IPCC website which I would request you to look at carefully.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Glaciares a derreter com II Guerra Mundial

Depois de artigos recentes terem revelado que a diminuição recente dos glaciares não é um caso único em termos históricos, saiu mais um paper peer-reviewed a afirmar que o recuo dos glaciares nos Alpes foi mais acelerada nos anos 40. Os realces do abstract, são da minha responsabilidade:

A 94-year time series of annual glacier melt at four high elevation sites in the European Alps is used to investigate the effect of global dimming and brightening of solar radiation on glacier mass balance. Snow and ice melt was stronger in the 1940s than in recent years, in spite of significantly higher air temperatures in the present decade. An inner Alpine radiation record shows that in the 1940s global shortwave radiation over the summer months was 8% above the long-term average and significantly higher than today, favoring rapid glacier mass loss. Dimming of solar radiation from the 1950s until the 1980s is in line with reduced melt rates and advancing glaciers.