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segunda-feira, 26 de março de 2012

A analogia dos transportes públicos

Bruno Carmona, no Luz Ligada, escreveu hoje uma analogia, em que compara a produção e distribuição da energia eléctrica na Península Ibérica, com o sector dos transportes. É uma forma de se mostrar, de uma forma simples, como isto anda tudo engatado. Aproveito para pedir aos leitores que deixem alguma contribuição no blog de Bruno (eu vou já lá a correr), para que possa surgir uma versão ainda mais utópica desta analogia:

Imaginemos que o sector electroprodutor é a rede urbana de transportes públicos. De um lado temos taxis eléctricos que são as fontes renováveis intermitentes. Do outro a rede de autocarros que equivale à produção ordinária (termoeléctricas e barragens).

Os utentes são obrigados por lei a utilizar o taxi sempre que um esteja disponível mesmo que estejam numa paragem. Apesar do custo ao quilómetro do taxi ser superior ao do autocarro o preço de transporte não é diferenciado. Existe um bilhete válido para os dois tipos e o seu preço varia apenas com a distância percorrida e não o meio de transporte.

O preço deste bilhete não cobre os custos de transportar pessoas de taxi por isso o Estado paga aos operadores de taxi um valor fixo por esse serviço (subvenções às renováveis - FIT). Estes custos de se obrigar as pessoas a usar taxis quando podiam ir de autocarro são passados para os consumidores ao serem incluídos numa parcela do preço chamada Custo de Interesse Económico Geral (CIEG). Existe ainda outra parcela para manutenção de paragens, praças de taxi equivalente aos custos de rede eléctrica.

Os taxis têm uma capacidade limitada de passageiros transportados (baixa densidade de produção) e os taxistas têm horário livre (intermitência). O fluxo de utentes é conhecido mas o de taxis não. Isso faz como que o parque de taxis tenha de ser sobredimensionado ao mesmo tempo que a sua disponibilidade é aleatória. Para não provocarem engarrafamentos quando existem demasiados a circular existem parques de estacionamento que os acolhem (bombagem em baragens). Para mitigar falta de taxis a utilização da frota de autocarros não é optimizada para a procura. Está constantemente a circular independentemente de haver utentes nas paragens. Os operadores de autocarros recebem compensações sempre que circulam sem lotação esgotada, são os CMEC. Quanto mais taxis circulam e menos utentes necessitam de autocarros o valor de CMEC, FIT e aluguer de estacionamento aumenta.

Apesar do maior custo de se usar taxis eléctricos em vez de de autocarros o Estado considera vantajoso pois isso permite poupar na importação de combustíveis fósseis necessários ao funcionamento dos autocarros. No entanto, como quase toda a frota de taxis que opera em Portugal foi importada na realidade o serviço fornecido pelos taxis (equivalente à eelctricidade produzida pelas fontes renováveis) tem uma componente de importação tão ou mais elevada quanto os autocarros (fontes convencionais).

quarta-feira, 21 de março de 2012

Greve dos príncipes e fidalgos

Amanhã, é garantido que mais uns poucos, vão infernizar a vida de muitos! Os muito poucos são os trabalhadores públicos do sector dos transportes públicos. Os príncipes são de tal forma importantes, que o Metropolitano vai fechar. São estas estratégias que têm enterrado esta empresa pública, que devia em 2010 qualquer coisa como 3800 milhões de euros. Cada um de nós deve cerca de 380 € por causa das mordomias destes fidalgos do Metropolitano de Lisboa.

Mas não é só no Metropolitano que se notará a greve. Em todos os locais onde mais se chucha os contribuintes, é garantido que a greve será mais sentida. Para somar à dívida do Metro, na CP e Refer deve-se mais de 10000 milhões de euros, ou seja 1000 euros para o leitor, e outros 1000 para mim, e para cada um dos Portugueses, crianças e velhinhos incluídos! E como se isto fosse pouco, também não pagam aos fornecedores, aumentando ainda mais a dívida encapotada...

É por isto que todos nós nos temos que insurgir contra estes grevistas que apenas visam manter as regalias de muitos poucos, em detrimento de todos nós. Que pagamos para manter esta boa vida destes trabalhadores, que mal agradecidos, ainda nos brindam com mais um dia de miséria! Por isso, estes serviços têm que ser privatizados o mais rapidamente possível. As suas regalias principescas têm que acabar imediatamente, pois não é aceitável que quem aufere rendimentos baixos, e que são a maioria dos Portugueses, andem a alimentar estes príncipes que ganham milhares de euros por mês!

Porque nunca ouvi falar disto nos jornais, deixo aos leitores um gráfico que ilustra de forma eloquente porque são sempre os mesmos a fazer greve. Reparem no gráfico abaixo (cliquem para ver melhor), retirado deste documento do Banco de Portugal, e confirmem como os salários do sector público eram muito mais elevados que os dos privados, em 2005. Reparem como a função de densidade do sector público se deslocou muito mais para a direita desde 1996, e como a diferença de valores médios (dados pelas linhas verticais) aumentou entre o público e o privado. E vejam como os elevados salários praticados nas empresas públicas, nomeadamente de transportes, ainda acabam por compensar a curva dos salários dos privados! Imaginem, finalmente, onde estas funções se encontram hoje, e perguntem porque são sempre os mesmos a fazer greve?



Actualização: A notícia teve que ser editada relativamente à dívida da CP e Refer. O link que havia providenciado está manifestamente incorrecto, como se pode confirmar por notícias de anos anteriores, onde o valor já era manifestamente superior. Obrigado ao Rui Rodrigues pela correcção.
Actualização II: O sector público mencionado no estudo do Banco de Portugal, referenciado no último parágrafo, é entendido pelos autores como o conjunto da Administração Local, Regional e Central do Estado. As empresas públicas foram enquadradas no sector privado. O último parágrafo foi, por isso, ligeiramente alterado.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Dragar os recursos públicos

Os políticos de esquerda gostam de defender o transporte público, e estão sempre dispostos a defender os interesses dos seus príncipes, e a incentivá-los a fazer greves.

Mas uma coisa é o que é suposto nós fazermos. Outra coisa é o que fazem os políticos da esquerda ecosocialista. O Correio da Manhã de hoje relata o grande exemplo da deputada do Bloco de Esquerda, Ana Drago, que não tem carro nem carta. Vai daí, e numa acção de endoutrinação dos nossos jovens, o Parlamento dos Jovens, deslocou-se a Guimarães de carro e chauffer, tudo à nossa custa!

A página do Parlamento diz que a acção até terá sido em Braga, na EB João de Meira, mas para o efeito é a mesma coisa. Quanto mais pequeninos, melhor se torcem os pepinos. E tanto faz Braga como Guimarães, porque ambas as cidades são bem servidas pela CP. No caso de Guimarães há 9 horários ao longo das segundas-feiras, com Alfa Pendular até ao Porto, e serviço urbano até Guimarães. No caso de Braga, a oferta é ainda maior, incluindo quatro Alfas Pendulares directos! Porque não fazem eles o que defendem, e utilizam os transportes públicos???

Actualização: Obviamente esta análise vai ser percepcionada mesmo pelas melancias. Vejam este exemplo do Ambio...
Actualização II: Alertado por um leitor, reformulei o texto, porque os Alfas Pendulares não são directos para Guimarães, e só alguns o são para Braga.
Actualização III: A referência no site do Parlamento a Braga deve estar errada, porque todas as referências a uma escola intitulada "João de Meira" remetem efectivamente para Guimarães.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Mais dados sobre a Linha do Tua

Depois do nosso último post sobre a barragem/linha do Tua, recebi mais um conjunto de mensagens, a maioria delas implicando com os meus conhecimentos da realidade da linha do Tua. Todavia, hoje em dia, é fácil perceber o que está a acontecer através da Internet. E apesar dos dados serem filtrados, muitas vezes pelas entidades locais, a Verdade vem sempre à tona...

O nosso conhecido Daniel Conde não gosta de revelar os verdadeiros dados sobre a linha do Tua e o Metro de Mirandela, do qual é funcionário. Mas ele é o editor do Blogue oficial do Metro de Mirandela. Aí se confirma como o Metro de Mirandela é essencialmente um transporte para alunos:

No último ano lectivo, o Metro de Mirandela serviu com orgulho como transportadora para dezenas de milhares de estudantes, tanto no eixo Tua - Mirandela, como no eixo Mirandela - Carvalhais.

Para aqueles que dizem que o transporte ferroviário é mais amigo do ambiente, pensem igualmente duas vezes! As locomotivas utilizadas no Metro de Mirandela são a diesel, e portanto nada mais eficientes que um simples autocarro!

Igualmente interessante é olhar para os horários da linha do Tua, no site da CP. Note-se que tipo de serviço a CP presta (realces da minha responsabilidade):

A - Os percursos Tua - Cachão - Tua e Ribeirinha - Cachão - Ribeirinha são efectuados por táxi.
As paragens em Brunheda, Abreiro e Vilarinho efectuam-se no cruzamento da Estrada Nacional para a estação.
As paragens em Castanheiro, São Lourenço, Tralhão, Codeçais e Ribeirinha efectuam-se respectivamente em Castanheiro do Norte, Pombal, Pinhal do Norte, Codeçais e Ribeirinha.

O percurso entre o Porto e Mirandela leva 5 horas e meia durante o dia, e 5 horas à noite! No sentido contrário o tempo é ligeiramente inferior. Comparem com os tempos de autocarro: cerca de duas horas e meia, mas de apenas duas horas para os directos! Com muitos mais horários! Mas quem é que no seu perfeito juízo vai do Porto para Mirandela de comboio/taxi, sabendo que vai demorar o dobro do tempo, mais de duas horas a mais???

E quanto é que custa a viagem de taxi? É só consultar a tabela de preços da CP, para perceber que o custo é de menos de 5 euros entre a estação do Tua e Mirandela! São mais de 60 quilómetros! Quem me dera que a CP tivesse um serviço público a minha casa! Mas quanto custa à CP esta brincadeira do taxi? Segundo a reportagem seguinte da RTP, a brincadeira ficava em 10500 euros/mês há um ano atrás, e ainda se explica como viajar de borla:



Adicionalmente, a segurança da linha ainda funcional deixa igualmente muito a desejar. Há um ano atrás, um acidente entre uma automotora e um automóvel chamou a atenção para os problemas constantes da sinalização, com um morador a exagerar um pouco, dizendo que "isto demora muito tempo, às vezes estamos aqui parados às duas e três horas".

Quanto mais se escava neste problema, mais se percebe que os defensores da linha do Tua, tal como está, não vivem neste Planeta! Pelo meio, continuam-se com ameaças vãs. Por isso, continuaremos a expor as evidências daquilo que está verdadeiramente em causa, por via da barragem de Foz-Tua.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Mais greves nos transportes

Confesso que sou um utilizador pouco frequente dos transportes públicos. E quando os utilizo fico, quase sempre, certo que fui mal servido! Por isso, algumas vezes nem noto quando o serviço ainda é pior, como foi a quadra natalícia deste ano. Só hoje é que me dei conta que os maquinistas da CP resolveram, mais uma vez, utilizar a arma da greve. Porque foi Natal, pensei logo, mas quando fui investigar, ainda mais parvo fiquei!

A greve destes dias, e que deve estender-se até à passagem do ano, é essencialmente motivada por processos disciplinares, que a administração desencadeou, porque estes mesmos maquinistas não haviam cumprido os serviços mínimos por ocasião de greves anteriores ocorridas na empresa...

Também, ao contrário dos anos anteriores, o salário de Dezembro não foi antecipado. Não admira, pois praticam-se salários absurdos nas empresas públicas de transportes, como referi para o caso do Metro de Lisboa aqui e ali. Na CP não se ganha tão bem, mas como o semanário Sol já referia este ano, há maquinistas que chegam a ganhar 50000 euros por ano! É para isto que servem as absurdas indeminizações compensatórias de serviço público, em que a CP, Refer e Metropolitano de Lisboa receberam quase 120 milhões de euros este ano...

Mas o que motivará verdadeiramente todas estas greves dos Maquinistas da CP? Parte do mistério estará no fundo de greve para o qual eles descontam todos os meses para o Sindicato dos Maquinistas. Todos os meses os maquinistas descontam um por cento do seu ordenado para o Fundo. Quando fazem greve, os Maquinistas recuperam esse investimento. Agora, toca a fazer contas: de quanto em quanto tempo devem os maquinistas fazer greve, para recuperarem o investimento?

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Já (quase) não nos falta nada

O título deste post é o título do Editorial, de Sandro Mêda, da Autohoje desta semana. Sandro dá-nos uma visão equilibrada de como os nossos políticos tinham as prioridades erradas. E como o Canadá está a ver bem as coisas, perante a hipocrisia da China. Comparem este texto, disponibilizado abaixo com realces da minha responsabilidade, com o discurso das grandezas do Basílio Horta, num artigo de opinião do Diário Económico de ontem, para perceberem as diferenças entre a realidade e a utopia:

Foram notícia a saída do Canadá do tratado de Quioto e a crítica da China a essa decisão. A surpresa vem, segundo os analistas, do Canadá, tendo uma sociedade evoluída, abandonado um programa que “salvaguarda” o planeta; e também da China por se atrever a criticar a atitude recusando-se ela própria a integrar o grupo. Não me surpreendeu nenhuma das posições. Pelo contrário, considero-as coerentes com a forma de estar na vida de cada país: o Canadá, perante a óbvia conclusão de que as medidas do tipo Quioto só serão efectivas quando perderem a hipocrisia e passarem a ser universais, decidiu, em tempos de crise e perante países que alegam estar em desenvolvimento - qual não gostaria de estar, e os que estão em regressão, como Portugal, que tipo de condescendências deveriam ter? - para não cumprirem quaisquer regras, optou por distribuir os resíduos do seu desenvolvimento por todo o planeta, como tantos outros fazem, em vez de os concentrarem na sua população, com brutais impostos ou prejuízo da qualidade de vida; e os chineses limitaram-se a seguir a filosofia “façam o que eu digo e não o que eu faço, senão não ganham dinheiro connosco”. O que os analistas esperavam era uma atitude à portuguesa: na posição do Canadá, aumentar a colecta e perseguir os automóveis; na da China, emitir opinião apenas se estivesse alinhada com a de todos os outros.
E por sermos assim, tão pseudo-altruístas, temos empresas que fizeram planos e estratégias que são arrasadas por portagens de última hora e alterações constantes na fiscalidade automóvel. Temos milhões de euros gastos em 1300 postos de carregamento para 200 carros eléctricos. Temos proibições de circulação a carros velhos, sem fazermos nada para que se troquem por novos. Temos tudo para não sermos nada.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Barragem do Tua

As discussões à volta da barragem do Tua estão ao rubro. Os ecologistas propagam cada vez mais mentiras, mas pasme-se! Em vez de corrigirem as suas contas, estão a inflacioná-las! Estes tretas não têm perdão, como já evidenciei no passado: Há um ano, em Dezembro de 2010, anunciavam um custo de 7000 milhões de euros. Em Abril de 2011, subiram a parada para 15 mil milhões. Em Agosto de 2011 subiram a parada para 16 mil milhões. Agora, falam em valores entre os 16 mil e 20 mil milhões... A inflação só vai parar quando conseguirem parar o processo de construção, ou então forem completamente desmascarados pelos Media, que teimam em não querer sequer equacionar as contas...

Há uns dias, 20 ecologistas da treta fizeram uma manifestação em Lisboa, para propagandear estas mentiras. No feriado de 1 de Dezembro, também uma multidão de 20 pessoas se manifestou pela linha do Tua. Entre os 20 palhaços incluíam-se o pretendente ao trono, duque de Bragança, o aldrabão João Joanaz de Melo, e o pobre coitado Daniel Conde, cujas prestações podem ver no seguinte vídeo (vejam especialmente a partir do minuto 3:24, e a ligação ao TGV espanhol):



Daniel Conde avança com um número de 70000 passageiros em 2010, mas rapidamente depressa percebemos que a maioria devem ser alunos da escola, os quais provavelmente prefeririam um autocaro bem mais rápido. Como dizia o Ministro dos Transportes anterior, quase mais vale dar um carro a cada um dos passageiros, o que os alunos não veriam certamente com mau grado...

Agora, vem-se com a ameaça da UNESCO, entretanto já desmentida. Faz-me lembrar a treta dos rabiscos de Foz-Coa. Mas como é preciso alarmar ainda mais, e como a recente estupidez da comparação com os Budas de Bamiyan não resultou, isto não irá parar! Mas há outras visões muito interessantes, e dessas, a de pintar a barragem parece-me uma das mais interessantes... Aposto que seria um boa razão para ver uma pintura gigante ao vivo, e talvez trouxesse mais turistas que a própria Linha do Tua!!!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Príncipes em greve

Amanhã, os utilizadores de transportes públicos, terão mais um dia infernal, cortesia das greves previstas para o Metro de Lisboa, CP, Carris, Soflusa e Transtejo, e STCP. Não se sabe muito bem porque há greve, mas neste post evidenciava como são imorais, nomeadamente, os ordenados e regalias dos funcionários do Metropolitano de Lisboa, que em 2006 tinham o segundo nível salarial mais elevado da Europa!

Sabemos que as melancias são os maiores advogados dos nossos transportes públicos. Mas quem pode confiar neste sistema de transportes, se estas pessoas têm mais olhos que barriga? Para que nos lembremos deles amanhã, deixo-vos os ordenados PRINCIPESCOS que os funcionários do Metropolitano de Lisboa recebem, bem como os subsídios, prémios e outros valores, que em 2007 já representavam um terço do ordenado, tendo o rácio entre subsídios e ordenados subido entre 2003 e 2007 cerca de 4.5 pontos percentuais! Nem quero imaginar em quanto já vão hoje...

Os dados abaixo são retirados deste documento do Tribunal de Contas. Infelizmente, os dados são apenas até 2007, pelo que agora estamos certamente muito pior! Como o leitor certamente desconhecerá o que são estes subsídios todos, mais abaixo extraímos as explicações do próprio Tribunal de Contas, sobre alguns dos subsídios/prémios/outros (realces da minha responsabilidade).



20032004200520062007
Subsídio de Agente Único10759161119985115006011596901219792
Subsídio Quilometragem705321803549891081884581894286
Subsídio Limpezas Técnicas 496356467714455647463602447907
Subsídio Ajuramentação 5606350036634855743453219
Subsídio Acréscimo Função 3910184654887234559275501279638
Subsídio Salubridade 6960475352951689659795610
Subsídio Função 32680130528022294022222714881
Subsídio Manobras 3568231041648086714569435
Subsídio Transporte 391983418012487591557945565694
Subsídio de Turno 535785530250513678542117547646
Subsídio Trabalho Nocturno 14320671450867144490214759901516941
Subsídio Isenção de Horário 239398255040310772405234470337
Subsídio Prevenção105340108735112096210090218016
Subsídio Chefia 871690759655757806799948821737
Vencimento Carreira Aberta 208173272777333379373441507473
Outros Subsídios (Conservação, Formação, Telefone) 80248889599058312231353241
Prémio de Desempenho 240819,15223125,84221787,76220924,59269004,34
Prémio de Performance 132451,2298386,03112392,43144337,99176121,80
Prémio de Assiduidade 801932,89783094,57867150,83819694,91849685,30
Prémio Assiduidade Trimestral 055110,3261416,5255418,4649572,91
Trabalho Suplementar 2236777156849911466321023140939873
Feriados Trabalhados 01026688116855411288701405868
Feriados 392686250027364456403440392401
Eventos e Feriados Especiais 2408848950287234040526197
Descanso Compensatório 6445691091721097002558001
Outras 4881464421519932555311237
Total Subsídios+Prémios+Outros10.963.469,2611.412.132,7611.812.665,5412.297.712,9512.953.814,35
Salário Base+Diuturnidades+ Anuidades+subsidio de férias, natal e refeição38.264.80938.413.93238.907.01139.022.04739.128.441
Rácio Subsídios/Salários28,65%29,71%30,36%31,51%33,11%

Subsídio Agente Único
É um dos subsídios que mais pesa na estrutura dos subsídios visíveis no quadro anterior, 1.220 milhares de euros, em 2007. Porém, é um benefício pecuniário que, actualmente, nada tem que ver com o desempenho de funções, já que é atribuído indiscriminadamente a todos os que têm a categoria de maquinistas e maquinistas de manobras. Este subsídio é considerado remuneração de trabalho e integra os subsídios de férias e de Natal, logo, é auferido 14 meses.
De acordo com as alegações prestadas pelo Presidente do CG do Metropolitano de Lisboa, o presente subsídio teve a sua origem em 1995 em consequência da redução da tripulação dos comboios a apenas um agente, implicando, assim, a extinção da categoria funcional do Factor. Desta forma, a Empresa pretendeu com a criação daquele subsídio, abonar os Maquinistas por assumirem na íntegra as funções antes atribuídas ao Factor.
No entanto, já decorreram 14 anos daquela transição, bem como dos antecedentes históricos que estiveram na sua génese, pelo que considera-se que a Empresa deveria ponderar a continuidade desta contrapartida pecuniária adaptando-a aos conteúdos funcionais actuais dos Maquinistas.

Subsídio Quilometragem
Trata-se de um subsídio que é atribuído aos Maquinistas no exercício efectivo da função de condução, sendo este remunerado em ordem dos quilómetros percorridos (€0,13/Km). No entanto, a cláusula 29.º do Acordo de Empresa I é contraditória no seu conteúdo quando no seu n.º1 sublinha a atribuição do subsídio “aos maquinistas em serviço efectivo” (negrito nosso), mas no n.º2 refere que o subsídio é pagável no 13.º, 14.º mês, quando o trabalhador não executa quaisquer funções de condução.
Em sede de contraditório, quanto a esta matéria, o Presidente do CG do Metropolitano de Lisboa refere que «(…) esta situação introduzia uma distorção indesejável quer na função, quer na eficácia do subsídio, pelo que nos termos do Novo Acordo o subsídio de quilometragem é pago exclusivamente em função dos quilómetros efectivamente percorridos, ou seja, 11 meses/ano» e, ainda, «(…) entendeu-se dar menor relevância económica ao subsídio de quilometragem, (…) o montante fixado é de €0,09/Km».
Pese embora, em alegações, o Presidente do CG do Metropolitano de Lisboa tenha explicitado que o citado subsídio é «(…) calculado em função dos quilómetros efectivamente percorridos, o que lhe dá um carácter variável, pois é pago em função da quantidade de trabalho percorrido (…) e nessa medida deve considerar-se como um subsídio à produtividade», o facto é que todos os quilómetros percorridos são remunerados e não somente, como seria mais razoável, aqueles que o trabalhador executasse para além dos atribuídos no seu plano de trabalho.

Subsídio Limpezas Técnicas
São abrangidos por este subsídio todos os trabalhadores pertencentes à carreira Técnica/ Desenho/Administrativa e, ainda, à carreira de Manutenção. É atribuído a estes colaboradores um subsídio mensal no montante de 170,24€ e constitui remuneração 14 meses.

Subsídio de Ajuramentação
São beneficiários deste subsídio todos os que detêm a categoria de fiscais, sendo atribuído no mesmo montante e forma que o Subsídio Limpezas Técnicas, 170,24 euros durante 14 meses.

Subsídio Acréscimo de Função
É atribuído aos possuidores da categoria de Operadores de Linha e aos Agentes de Tráfego, num montante mensal de 170,24€, alongado a 14 meses.

Subsídio de Salubridade
À semelhança dos subsídios anteriores, são abrangidos pelo presente subsídio mensal os Oficiais de via, na quantia de 170,24€, pagável 14 meses.

Subsídio Função e Manobras
Trata-se de um subsídio atribuído aos trabalhadores que detenham a categoria de Técnicos Auxiliares, Técnicos Administrativos, Desenhadores, Projectistas, Técnicos-adjuntos, Coordenadores Técnicos, Técnicos principais, Operadores de estação, Oficiais, Auxiliares, Cobradores de tesouraria, fiéis de armazém, Secretários, Secretários de administração, Enfermeiros. Para os Maquinistas de Manobras, o subsídio de Função tem a designação de subsídio de manobras.
O montante fixado era de 71,49€ mensais e, à similitude de todos os anteriores, este Subsídio Função e Manobras era pago 14 meses no ano.

Subsídio de Transporte
O Subsídio de Transporte é atribuído a todos os trabalhadores que iniciem ou terminem o serviço entre a 01h00 e as 07H00, correspondente ao quantitativo do subsídio de transporte em automóvel próprio, atribuído por quilómetro aos funcionários e agentes da Administração Pública.

Subsídio de Turno
Subsídio atribuído a quem está sujeito ao regime de turnos contínuos ou descontínuos com duas ou mais variantes de horário de trabalho em cada mês, cuja retribuição mensal ronda 50,26€.

Subsídio de Trabalho Nocturno
No disposto no Acordo de Empresa I, é considerado trabalho nocturno o prestado entre as 20h00 de um dia e as 08h00 do dia seguinte, o qual é remunerado com o acréscimo de 25% da retribuição a que dá direito o trabalho prestado durante o dia. Os maquinistas, maquinistas de manobras e operadores de linha são, entre outros, colaboradores cujo serviço prestado abrange o intervalo temporal acima identificado.
Entre as alterações introduzidas pelo novo Acordo de Empresa, datado de Março de 2009, encontra-se a diminuição em uma hora do período de prestação de trabalho considerado nocturno, passando este a ser auferido a partir das 21h00.

Subsídio Isenção de Horário de Trabalho
Este subsídio é apenas recebido pelos Técnicos Superiores que o Conselho de Gerência entendia dever beneficiar. Enquadram-se neste critério, sobretudo, os Técnicos Superiores da área de Engenharia e, ainda, as Secretárias e os Motoristas do Conselho de Gerência.

Subsídio Prevenção
Trata-se de uma remuneração pecuniária compensatória pelo facto de o trabalhador ter o dever de se encontrar sempre localizável e à disposição da Empresa nos dias de descanso semanal e feriados, mediante a organização de escalas de prevenção, em regime de rotação.
Ainda que o citado subsídio não esteja previsto no AE I, alguns dos colaboradores pertencentes a este Acordo de Empresa beneficiam desta componente salarial, por estarem integrados nas escalas de prevenção.

Subsídio de Chefia
O citado subsídio é aplicável a todos os titulares de funções de chefia existentes no Metropolitano.

Vencimento Carreira Aberta
Refere a Cláusula n.º5 do Regulamento de Carreiras do AE I que, “sempre que o trabalhador atinja o último grau de progressão na respectiva categoria, continuará a ter garantido a sua evolução, vertical ou horizontalmente de acordo com as regras emergentes do presente Regulamento de Carreiras.”
O Presidente do CG do Metropolitano de Lisboa, em sede de contraditório e em consideração das novas regras insertas no novo Acordo de Empresa, referiu, quanto ao Vencimento de Carreira Aberta, a introdução de «(…) diversas alterações no seu regime que irão tornar bastante mais lenta a progressão profissional dos trabalhadores beneficiários do mesmo com a consequente diminuição dos respectivos custos. Com efeito, os trabalhadores passam a necessitar de 6 pontos, em vez dos anteriores 3, para obterem uma progressão na carreira relevante para efeitos deste regime».

Prémio de Desempenho
A sua atribuição é, exclusivamente, direccionada aos titulares de funções de chefia do AE I, segundo a classificação obtida no decurso da Avaliação e Gestão de Desempenho.

Prémio de Performance
Podem beneficiar do Prémio de Performance os trabalhadores licenciados e bacharéis e, portanto, ao abrigo do AE II. Este prémio encontra-se associado aos escalões resultantes da avaliação de desempenho anual cometida a este grupo de trabalhadores.

Prémio de Assiduidade e Prémio de Assiduidade Trimestral
Aos trabalhadores abrangidos pelo AE I é-lhes atribuído uma prestação pecuniária mensal, 63,73€, criando-se, assim, o “Prémio de Assiduidade”. Cumulativamente, a quem mantiver a assiduidade contínua, em cada trimestre, terá direito a um acréscimo de 25% do valor da totalidade do prémio mensal – Prémio de Assiduidade Trimestral.
De referir, ainda, que «a sua atribuição está limitada aos trabalhadores do AE I, isto porque desempenhando a maioria destes trabalhadores funções essencialmente operacionais, a presença no local de trabalho constitui um aspecto determinante ou mesmo essencial da produtividade do trabalhador».
Ora, se o objectivo dos Prémios é, de facto, premiar todos aqueles que, meritoriamente, não se ausentassem da Empresa, aquando do seu horário de trabalho, e, bem assim, diminuir o absentismo, o certo é que a sua atribuição não teve impactos visíveis ao nível da evolução da Taxa de Absentismo, a qual, em 2007, rondava os 8%, não se afastando muito dos valores atingidos nos anos precedentes.
Ademais, a Unidade de Negócio Exploração Comercial, operacional por excelência, apresentou sempre, ao longo do quinquénio 2003-2007, taxas de absentismo acima da verificada para a Empresa no seu global.

sábado, 24 de setembro de 2011

Ciclistas assassinos

Hoje tropecei numa notícia que os Media não propagam. O lápis azul ecologista não nos deixa ter conhecimento delas. Oocrreu há mais de dois meses, em Toronto, no Canadá. Numa rua de sentido único, um ciclista seguia no sentido proibido. Atropelou uma mulher de 56 anos, que fracturou o crânio, mas felizmente não morreu. O ciclista pagou uma multa de 400 dólares canadianos, mas quase provocou uma morte. Enfim, relatos posteriores dão conta de contínuas transgressões no mesmo local... E uma pesquisa de 30 segundos no google revela que há mortes em abundância 1 2 3. Mas pior é constatar que, só no Reino Unido, entre 1998 e 2007, 29 pessoas morreram atropeladas por ciclistas!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Subidas nos transportes públicos

Os transportes públicos são das bandeiras favoritas dos ecologistas. A subida prevista de 15% para o próximo mês obviamente deixou as mais acérrimas melancias desorientadas, embora com algumas notáveis excepções.

Um dos principais problemas associado a estas subidas está nos níveis salariais das nossas empresas públicas. Neste post abordarei o caso do Metropolitano de Lisboa, por ser o mais flagrante (na minha opinião), mas coisas semelhantes passam-se nomeadamente na CP. Comecemos pela quantidade de funcionários do Metro. Neste documento do Tribunal de Contas, não há dúvidas de como estamos mal:

Em 2007, a Empresa integrava, em média, 2.879 efectivos, dos quais 1.685 eram colaboradores activos e 1.194 inactivos com os quais o Metropolitano assumiu responsabilidades.

E como ganham esses funcionários? Neste artigo do Correio da Manhã de 2006, não há que enganar:

O nível salarial do Metropolitano de Lisboa é o segundo mais elevado da Europa. Só os funcionários do sistema subterrâneo de comboios de Viena de Áustria ganham mais do que os trabalhadores do Metro da capital portuguesa.

Somos um país rico, pois claro! Mas quanto é que eles ganham mesmo? Esse é praticamente um buraco negro, mas é possível lá chegar. No último Relatório e Contas de 2009, podemos chegar a algumas conclusões. Em 31 de Dezembro de 2009 (tabela página 51), a quantidade de colaboradores activos era de 1636, mas os inactivos tinham subido para 1345. Mais à frente, na página 64, podemos ver que os custos com pessoal foram de quase 85 milhões de euros! Se contarmos activos e inactivos, cada colaborador custa 28500 euros/ano, de média, pois claro!

Se formos buscar os extremos, estamos bem aviados! Aqui, podemos ver que em 2009 um técnico superior auferiu 114 mil euros. Neste link, a informação é mais ou menos coerente, indicando que o maquinista mais bem pago do Metro aufere um salário de 7351 euros/mês. E que a média é de 3883 euros/mês!!! Para quem só precisa de ter o 9º ano, e conduzir 3 horas por dia, convenhamos que não é mesmo nada mau...

Mas como é possível chegar a estes valores, se os ordenados publicados até nem são tão elevados? Fiquem a conhecer os subsidiozinhos... Mais uma vez o Tribunal de Contas:

O Metropolitano de Lisboa despendeu, em 2007, cerca de 8,8 milhões de euros em subsídios específicos, previstos nos Acordos de Empresa, não existindo evidência de que todos tenham contribuído para estimular a produtividade.
Ademais, no mesmo ano, foram expendidos 1,3 milhões de euros com a atribuição de prémios, dos quais 900 mil euros, associados a dois Prémios de Assiduidade, os quais mais se consubstanciavam numa componente fixa da remuneração auferida do que a um prémio.

Vejam o detalhe na seguinte tabela:



Mas que subsídios são estes? Comecemos pelo primeiro, o Subsídio de Agente Único. Segundo o Tribunal de Contas:

De acordo com as alegações prestadas pelo Presidente do CG do Metropolitano de Lisboa, o presente subsídio teve a sua origem em 1995 em consequência da redução da tripulação dos comboios a apenas um agente, implicando, assim, a extinção da categoria funcional do Factor. Desta forma, a Empresa pretendeu com a criação daquele subsídio, abonar os Maquinistas por assumirem na íntegra as funções antes atribuídas ao Factor.

Mas que raio era o Factor? Segundo o artigo do Correio da Manhã acima, era o responsável pela abertura e fecho das portas. Ou seja, os maquinistas, por abrirem e fecharem as portas, receberam mais 1.2 milhões de euros em 2007... Os outros subsídios seguem exactamente a mesma lógica, de fazer corar qualquer português, sobretudo aqueles que ganham uma miséria...

E perante esta fartazana, seria de esperar que eles seriam colaboradores aplicados. O Zé Povinho sabe que não, mas o Tribunal de Contas confirma:

É de sublinhar que não existe evidência de que todos estes benefícios atribuídos tenham surtido quaisquer impactos ao nível da diminuição da Taxa de Absentismo, a qual rondava, em 2007, os 8%, mostrando alguma rigidez face às taxas observadas entre 2003 e 2006. O Metropolitano depara-se com consideráveis taxas de absentismo, nomeadamente do pessoal afecto às estações (agentes de tráfego e operadores de linha), as quais apresentavam maior agravamento nas linhas azul e amarela, 12,66% e 15,45%, respectivamente e, ainda, ao nível da operação (maquinistas) que intervalaram, naquele ano, entre os 6,52% e os 9,37%.

Aquela ideia de que são as administrações das empresas a causar estes prejuízos é apenas a ponta do icebergue. Mas não são esses os únicos portugueses de primeira, de que os jornais tanto gostam de falar...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Contas à la TGV

Os indignados nacionais, e para os lados de Madrid, não gostaram da suspensão do TGV Madrid-Lisboa, na componente portuguesa. Não interessa que o projecto sofra de autênticos atentados à inteligência, ou que tenha sido promovido de forma absolutamente idiota...

O que interessa é olhar para os exemplos concretos. E eles vem, quando menos se espera, da própria Espanha! Foi suspenso ontem o AVE (TGV) que fazia a ligação directa entre Toledo e Albacete/Cuenca. Razão? Em vez dos 2190 potenciais passageiros, viajavam em média, 9 passageiros entre Toledo e Albacete, e 7 entre Toledo e Cuenca...

domingo, 5 de junho de 2011

Rosas de uma companhia verde

Quando esta semana vi a notícia da oferta de flores ao sindicato da TAP, lembrei-me logo do post que fiz sobre o CEO da Ryanair. Como nunca voei em Ryanair, porque infelizmente só voa a partir do Porto e de Faro, fui investigar um bocadinho mais esta companhia. O que descobri foi um conjunto de Verdades Inconvenientes!

Primeiro, um enquadramento, que eu desconhecia. A TAP tinha em 2009 56 aviões e 13397 funcionários. No mesmo ano, a Ryanair tinha 6369 funcionários, para 181 aviões. Com menos de metade de funcionários, a Ryanair tem mais do triplo de aviões! De que se queixarão os sindicatos da TAP? De contribuirem para o enterro do País?

Depois, descobri uma companhia que é verde, o que seria de esperar numa companhia irlandesa. São várias as técnicas que utiliza para minimizar o consumo de combustíveis, fazendo-nos recordar que também o hypermiling tem os seus adeptos nos céus. Todos os seus aviões são extremamente recentes, e dos mais eficientes da Boeing. Todos já têm winglets, mas outras técnicas permitiram uma redução superior a 55% no consumo de combustíveis e emissões, no período entre 1998 e 2007.

Medidas mais extravagantes até podiam ter vindo dos ambientalistas, mas não! Ideias como viajar de pé, uma ideia original dos Chineses que referi aqui, cobrar mais a clientes mais pesados, ou pela ida à casa de banho, são tipicamente verdes. Mas, aqui a lógica é mais empresarial, e não propriamente a pensar nas malditas emissões... Talvez os Verdes possam considerar esta a sua companhia!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Taxas para os carros eléctricos!

Por vezes, farto-me de rir. Desta vez, daqueles que dizem que os carros eléctricos vão ser um grande sucesso, porque a energia eléctrica é barata... Já havia desmontado uma série desses argumentos. O professor Pinto de Sá também tem vindo a fazer pedagogia nesta área... Mas há muita gente que continua iludida!

Para esses, há agora mais uma facada pelas costas. Para além da energia, vão pagar taxas, pois claro! De acordo com a Portaria n.º 180/2011, de 2 de Maio, para além do pagamento da electricidade, vão-se pagar as seguintes taxas, conforme Artigo 8º da referida portaria (todos os realces da minha responsabilidade):

Tarifas de serviço durante a rede piloto da mobilidade eléctrica
1 — Nos termos do disposto no artigo anterior, até 31 de Dezembro de 2012, as tarifas de serviço máximas para remuneração da actividade de operação de pontos de
carregamento, quanto ao carregamento normal em locais públicos de acesso público, são as seguintes:
a) Tarifa de serviço de carregamento normal para o período fora de vazio: € 0,07/kilowatt-hora;
b) Tarifa de serviço de carregamento normal para o período de vazio: € 0,03/kilowatt-hora.

2 — Quanto ao carregamento em pontos de carregamento rápido, até 31 de Dezembro de 2012, as tarifas de serviço máximas para remuneração da actividade de operação de pontos de carregamento são de € 0,20/kilowatt-hora, independentemente do período horário em que seja efectuado o carregamento.

Com um preço de energia de cerca de 0.1326€ + IVA por KWh, um carregamento rápido custará bem mais em taxas do que em electricidade. Ou seja, lá se vão os argumentos dos iludidos para metade? É claro que a MOBI.E pôs cá fora um comunicado a garantir que, mesmo assim, ainda são custos "50 por cento mais barato do que o abastecimento de um veículo a gasolina"... Mas há mais pérolas! Reparem o que vai acontecer nos vossos prédios urbanos (artigo 3º):

1 — Nos termos e para os efeitos do disposto na alínea b) do n.º 1 do artigo 18.º do Decreto -Lei n.º 39/2010, de 26 de Abril, os comercializadores de electricidade para a mobilidade eléctrica são responsáveis pelo pagamento, aos operadores de pontos de carregamento, da remuneração devida pelos utilizadores de veículos eléctricos como contrapartida pela utilização dos pontos de carregamento de acesso público, bem como pelo montante a auferir pela actividade de manutenção de pontos de carregamento de acesso privativo em locais de estacionamento em prédios urbanos para fins residenciais.

E pensavam que se safavam de mais taxas? Então toca a pagar também o estacionamento, custo que não será desprezível, porque os carros não carregam assim tão rapidamente:

3 — O eventual custo do estacionamento associado à utilização do espaço físico destinado ao carregamento de baterias de veículos eléctricos não é considerado para efeitos de determinação da remuneração do operador de pontos de carregamento, constituindo um encargo do utilizador do veículo eléctrico, ainda que possa ser liquidado através do comercializador de electricidade para a mobilidade eléctrica.

As taxas continuam, quando se esquecer onde deixou o carro, ou se adormecer dentro dele (artigo 9º):

A ocupação de pontos de carregamento sem efectivo carregamento de baterias eléctricas durante tempo de permanência excessivo é sancionada através do pagamento de uma compensação, considerando -se tempo excessivo a permanência no ponto de carregamento por período equivalente a mais de 50 % do tempo despendido para efeitos de carregamento a plena carga de baterias eléctricas ou, em alternativa, consoante a decisão do operador, a utilização do ponto de carregamento por mais de trinta minutos, no caso de pontos de carregamento normal, e por mais de dez minutos, no caso de pontos de carregamento rápido, após a plena carga da bateria eléctrica.

Para os utilizadores residenciais, volta-se à carga no artigo 10º:

Até 31 de Dezembro de 2012, o operador de pontos de carregamento de acesso privativo que se encontrem em locais de estacionamento em prédios urbanos para fins residenciais, em especial em condomínios privados, pode auferir um montante máximo de € 48 por ano para compensar os custos associados à operação e manutenção do equipamento instalado, incluindo actualizações tecnológicas e qualidade de serviço.

Mais à frente, já em anexo, vejam como se extraiu pelo menos uma hora ao período de vazio, quando comparado com os horários da EDP:

a) «Período fora de vazio» o período compreendido entre as 6 e as 24 horas;
b) «Período de vazio» o período compreendido entre as 24 e as 6 horas.

quarta-feira, 30 de março de 2011

A ventania do TGV

O Expresso deu-nos conta que o TGV pode produzir energia renovável! O conceito é que o TGV ao mover-se, a grande velocidade, faz uma deslocação grande de ar. Ora, se se colocarem ventoinhas à sua passagem, essas ventoinhas giram e produzem electricidade. Este é pelo menos o conceito da T-Box, uma das maiores barbaridades que vi nos últimos tempos!

Esqueçam que o TGV apenas passa algumas vezes por dia, e durante uns segundos por um determinado lugar. Esqueçam que ele consome uma quantidade de energia monumental para fazê-lo. Esqueçam que estas T-Box podem ter apenas 3500 watts de potência. Mas sobretudo, mais importante, esqueçam as leis da Física. É que este disparate é igual a tantos outros, como ao tradicionalmente associado aos automóveis, onde se pensa que se pode produzir energia a partir do nada...

segunda-feira, 14 de março de 2011

As contas fraudulentas de Rubalcaba

Nos últimos tempos, tenho seguido a discussão sobre as poupanças de combustíveis que se estarão a conseguir em Espanha, em função da redução da velocidade máxima nas auto-estradas de 120 para 110 Km/h. Segundo o Ministro Rubalcaba, a medida permitiria uma poupança de 15% no consumo da gasolina e de 11% no gasóleo. Quando vi estes números inicialmente, facilmente percebi que eram um barrete! Mas a confirmação obtive-a num dos blogs internacionais que referencio, Desde el exilio. O comentário do leitor Currela aponta para um fabuloso documento da IEA, intitulado "Saving Oil in a Hurry".

No fundo da página 106, na tabela 2.35, podemos ver que a redução de 120Km/h para 90Km/h permitiria uma poupança de apenas 2.1% no total de consumo de combustíveis na Europa. Por isso, a redução de 120 para 110Km/h é muito menor, e a conclusão que se tira é que as contas de Rubalcaba são uma fraude! E como tenho dito, a promoção do hypermiling é muito mais eficiente, conforme o mesmo estudo documenta. Na página 115, podemos ver o resumo das poupanças para as várias medidas possíveis. A promoção do hypermiling é a terceira mais eficiente, apenas superada por medidas ditatoriais, como banir os carros em metade dos dias, e o acasalamento dos passageiros através do car-pooling...

quarta-feira, 9 de março de 2011

Reino Unido quer acelerar

Depois de termos relatado que Espanha havia reduzido a velocidade máxima nas auto-estradas para 110 Km/h, vemos agora que no Reino Unido se poderá subir a velocidade máxima para 130 Km/h. Tudo por causa da produtividade, porque a andar à velocidade dos nossos avós, não vamos a lado nenhum! Porque eles percebem que a Economia sairá beneficiada.

Actualização: Um leitor atento notifica-me que os Holandeses até se anteciparam!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Ataque ciclista

Segundo uma notícia do Daily Mail, a utilização da bicicleta para deslocação para o trabalho, especialmente em situações de grande tráfego, potencia a ocorrência de ataques cardíacos. Tal é extensível aos restantes condutores, sujeitos ao stress do trânsito e também poluição. Mas nos casos dos ciclistas a probabilidade de um ataque cardíaco é maior, por via do esforço dispendido.

O estudo, conduzido por Tim Nawrot, da Universidade de Hasselt, na Bélgica, concluiu que a exposição ao tráfego representa 7.4% dos ataques cardíacos, enquanto o esforço físico representa 6.2%. A poluição atmosférica representa entre 5 a 7%, enquanto o consumo de álcool ou café contribui com 5%...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Espanha trava a fundo

A redução da velocidade máxima das autoestradas em Espanha, de 120 para 110Km/h, é uma daquelas medidas tipicamente de ditadura, muito ao gosto dos chuchalistas. A ideia é que os condutores são estúpidos, e por isso tem que ser implementado o pensamento do colectivo! A ideia é que andar a grande velocidade consome mais combustível, pelo que tem que se impôr um limite. A ideia na verdade não é nova, até por cá, como um dos primeiros posts do Ecotretas comprova...

Para mim, esta é uma medida completamente estúpida. E notem que sou um grande praticante do hypermiling. Mas a Sociedade moderna não resiste a uma diminuição da velocidade com que se move. Quem andar mais devagar, ficará para trás. O que é extraordinário é que em países onde a Economia progride, como é o caso da Alemanha, não há limites de velocidade nas auto-estradas! Porque será? Seria muito mais inteligente mostrar aos utilizadores as vantagens do hypermiling, mas não limitando as suas liberdades individuais.

Ler os jornais do país vizinho é naturalmente um fartote de riso! Neste artigo podemos ver que os custos da medida não são desplicentes, só para substituir as placas de alumínio, e outras. Porventura, as poupanças de combustível vão ser inferiores às novas caças à multa. E essas poupanças não vão ser visíveis para os condutores, porque a ganância das petrolíferas vai implicar uma subida de preços, para continuarem a manter números absurdos de lucros! Ou seja, isto só vai servir para o Estado engordar, ainda mais!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O Rapagão é um aldrabão!

No início da semana falava sobre os dois portugueses já aldrabados com os carros eléctricos. Mas olhando para uma notícia do Público, onde se vê mais detalhe da história, podemos chegar à conclusão que nos andam a aldrabar. Vejamos um dos parágrafos da notícia (realces da minha responsabilidade):

É que a poupança em combustível pode atingir as centenas de euros mensais. "Costumava gastar à volta de 600 euros em diesel todos os meses. Agora, desde que comprei este carro, nem me lembro disso", explica José Rapagão, 62 anos, que mora em Lisboa e todos os dias cumpre o trajecto de ida e volta até ao Carregado, onde se situa a sua loja. Todas as noites carrega a bateria do i-MiEV e nunca teve problemas de autonomia.

A notícia continua com o seguinte parágrafo (realces da minha responsabilidade):

"Ando mais ou menos 150 quilómetros por dia, sempre com este carro. Tenho o cuidado de andar devagar, para não estragar a média, mas, se o deixarmos, ele vai aos 130 km/h com facilidade. Para evitar exageros, não sigo pela auto-estrada [a A1], vou pela estrada nacional." Uma breve interrupção para consultar o painel de bordo e José Rapagão anuncia que já fez 1433 quilómetros.

Vamos a contas! Na reportagem do Expresso, o Rapagão diz que tem o carro "vai fazer um mês". Como já fez 1433 quilómetros, isso dará uma média ligeiramente superior a 48 quilómetros por dia. Muito inferior aos 150 quilómetros por dia que ele refere. Com um consumo de 6 litros por 100 Km, que será o razoável para o tipo de percurso que o Rapagão faz, e a 1.40€ por litro de gasóleo, o custo mensal com combustível, para fazer esses 1433 quilómetros, seria de cerca de 120 euros. Muito longe dos 600 € badalados pelo Rapagão! Ou então, feitas de outra maneira, será que o carro dele tinha um consumo de cerca de 29.9 litros por 100Km?

Por isso, tudo isto é, concerteza, uma grande aldrabice. Ele que continue a ir pela estrada nacional: assim, contribui de uma forma positiva para com os restantes, libertando a A1 para quem dela efectivamente precisa...

Actualização: Um leitor chama-me a atenção para o facto do Público referir três semanas como o tempo em que os eléctricos estão na posse dos seus donos. Para além da discrepância com o Expresso, as contas mantêm-se engatadas: A média diária sobe para 68Km, ainda menos de metade do que anuncia o Rapagão. O custo mensal que teria com gasóleo sobe para os 172 euros, pouco mais de um quarto do que ele dizia gastar...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Canova e Rapagão

Pinto de Sá já tinha colocado no "A ciência não é neutra" a novidade, dada este fim de semana pelo Expresso, de que há apenas dois proprietários particulares com um carro eléctrico em Portugal: o Sr. Canova e o sr. Rapagão! Estes senhores serão certamente recordados aqui num futuro próximo, a menos que tenham assinado um contrato de confidencialidade, o que não me admiraria! É provável que quase todos os Portugueses não lhes sigam as pisadas, até porque os 5000 euros prometidos de subsídio parece que não apareceram! Mas ainda há quem acredite no Sócrates, nem que sejam um ou dois... Os outros, eu e os estimados leitores, pagamos a brincadeira!