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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Pela calada dos gabinetes

A notícia vi-a primeiro na Agência Angola Press. Depois no nosso alarmista Público. Numa época de crise, em que todos somos obrigados a apertar o cinto, a Ministra Dulce Pássaro e a Ministra do Ambiente de Angola, Fátima Jardim, assinaram um memorando de entendimento no âmbito da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre alterações climáticas. Este memorando vem na sequência das decisões de Copenhaga, e visa supostamente a redução de emissões de gases... São três milhões de euros para os Angolanos, por ano!

Este tipo de subsídios a países que estão a lucrar desmesuradamente do preço do petróleo, é simplesmente inaceitável para os contribuintes portugueses! Estamos a pagar os nossos impostos, para a coberto de um não problema, subsidiarmos um país, que provavelmente aproveitará para reforçar as suas participações financeiras em importantes empresas da Economia Nacional. Por isso, interessa que rapidamente Dulce Pássaro explique porque anda a estoirar assim o dinheiro dos contribuintes! Será para coisas deste género que se sobe o Orçamento do Ministério do Ambiente???

sábado, 30 de outubro de 2010

Abram os olhos!

Via Espectador Interessado, tomei conhecimento das palavras de um artigo do Público, de Campos e Cunha, ex Ministro das Finanças. O mesmo artigo parece estar disponível integralmente aqui, e saiu ontem, sob o título "A década perdida". Campos e Cunha é, portanto, mais uma destacada personalidade portuguesa a abrir os olhos. Outros se seguirão... Aqui está o extracto relevante para os leitores deste blog:

(...)depois foi a moda, politicamente correcta, das renováveis, com especial destaque para os últimos 5 anos. A aposta nas energias alternativas - vento e sol - saíu caríssima às famílias e às empresas, que já estão a pagar a factura, com perdas acrescidas de bem-estar e competitividade.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Pegada do Ministério do Ambiente

O Diário Económico lançou hoje uma notícia bombástica: o Ministério do Ambiente tem a maior pegada "imobiliária" dos vários Ministérios do Governo. Segundo a notícia, que só é completamente acessível na versão em papel, cada funcionário da Sede do Ministério do Ambiente tem uma pegada de 53.6 m2, contra os 15.4 m2 do Ministério da Justiça, no extremo inferior. No total, o Ministério do Ambiente ocupa 11256 metros quadrados, com 210 postos de trabalho. A sede do Ministério do Ambiente localiza-se na Rua de O Século, sendo a entrada a que é visível na foto.

O estudo destes valores foi efectuada pela empresa inglesa de consultoria IPD - Investment Property Databank, depois de encomendado em 2008, e entregue ao Governo no ano passado. O estudo revela ainda que cada funcionário público tem um custo médio de ocupação de 8376 euros/ano, o que quer dizer que o valor do Ministério do Ambiente será certamente muito maior... O estudo estima ainda que o Governo pode poupar mais de 1.25 mil milhões de euros com edifícios!

Actualização: Um leitor atento apontou-me um link de um documento que parece conter os dados referenciados pelo Diário Económico.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Custos de Interesse Económico Geral

O termo "Custos de Interesse Económico Geral" é um palavrão, de que a maioria dos consumidores de energia eléctrica nunca ouviram falar, mas que lhes toca de perto... O primeiro gráfico acima, retirado do mesmo documento da ERSE que havia referido aqui, dá-nos uma ideia precisa de como andamos todos aldrabados.

Veja-se o aumento exponencial dos "Custos de Interesse Económico Geral", cada vez maior. Veja-se também a interrupção em 2009, que para os mais distraídos significa apenas a realização de eleições, e a necessidade de canalizar o dinheiro para outros fins... Mas que custos são estes? A consulta deste documento da ERSE, nas páginas 206 e 207, relativo às tarifas para 2010, revela para onde vai este dinheiro:
  • Diferencial de custos com a aquisição de energia eléctrica a produtores em regime especial (PRE) mediante fontes de energia renovável e não renovável (cogeração), imputados à parcela II da tarifa de Uso Global do Sistema.
  • Rendas de concessão pela distribuição em baixa tensão.
  • Custos com o Plano de Promoção da Eficiência no Consumo de energia eléctrica.
  • Custos com os Planos de Promoção do Desempenho Ambiental.
  • Custos com os terrenos afectos ao domínio público hídrico (amortização e remuneração).
  • Custos com as sociedades OMIP, S.A. e OMI Clear, S.A.
  • Custos com a Autoridade da Concorrência (AdC).
  • Custos com a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.
  • Custos com a convergência tarifária na Região Autónoma dos Açores.
  • Custos com a convergência tarifária na Região Autónoma da Madeira.
  • Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC).
  • Amortização e juros do défice tarifário, relativo aos custos com a convergência tarifária na Região Autónoma dos Açores em 2006 e 2007 não repercutidos nas tarifas.
  • Amortização e juros do défice tarifário, relativo aos custos com a convergência tarifária na Região Autónoma da Madeira em 2006 e 2007 não repercutidos nas tarifas.
  • Amortização e juros do défice tarifário das tarifas de Venda a Clientes Finais em Baixa Tensão, relativo a 2006.
  • Amortização e juros do défice tarifário das tarifas de Venda a Clientes Finais em Baixa Tensão Normal, relativo a 2007.
  • Custos inerentes à actividade de gestão dos CAE remanescentes, pelo Agente Comercial, não recuperados no mercado.
  • Tarifa Social.
  • Custos com a Gestão das Faixas de Combustível no âmbito do Sistema Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios (limpeza de corredores de linhas aéreas).

A segunda imagem acima dá-nos o detalhe da distribuição dos cerca de dois mil milhões de euros para este ano de 2010. Note-se como mais de 40% vai direitinho para o sobrecusto da PRE, que aqui no blog temos vindo repetidamente a assinalar. Mas a isto voltaremos novamente...

domingo, 17 de outubro de 2010

Desgoverno no Ambiente

Enquanto que todos vamos ser sacrificados, nos impostos, na Educação, na Saúde, o Ministério do Ambiente vai ter mais dinheiro para estourar em 2010!!! São uns 400 milhões de euros, que Dulce Pássaro e companhia, poderão distribuir pelos seus... Segundo esta notícia do Público, há mais 20% para gastar no próximo ano!

E para onde vai esse dinheiro todo? O maior aumento, de 325%, vai para o Fundo Português de Carbono, o que quer dizer dinheiro para ser entregue aos estrangeiros... Andamos nós a apertar o cinto para entregar o dinheiro aos outros??? No resto, as propostas são de encanar a perna à rã...

Mas para que serve afinal este Ministério do Ambiente? Não haja ilusões; para além dos exemplos que já evidenciamos anteriormente no link atrás, podemos ver os exemplos seguintes, retirados da página do Twitter, do próprio Ministério do Ambiente:
  • Seia, Ministra do Ambiente participa na abertura do 16º CineEco, Festival Internacional de Cinema. Casa Municipal da Cultura. Sábado, 12h00
  • Amanhã, Humberto Rosa, na inauguração do novo pólo de actividade ambiental da Fundação Serralves “Espaço Parque”, Porto, 10h00.
  • 5 de Outubro, secretária de Estado Fernanda do Carmo inaugura Centro Escolar Bela Vista, Gondomar, 12h00 e Centro Escolar de Sabrosa, 15h30
  • 5 de Outubro, Lisboa, secretário de Estado do Ambiente inaugura Escola Secundária Gil Vicente, 12h00.
  • 5 de Outubro, Coimbra, Ministra do Ambiente inaugura Escolas Secundária Avelar Brotero, 12h00, e Secundária Infanta D. Maria, 12h35.

Palavras, para quê? Acabem com esta palhaçada, e deixem lá um Secretário de Estado, que é mais que o suficiente!

sábado, 16 de outubro de 2010

Uma visão verdalhada

Um leitor atento alertou-me para a Visão que está nas bancas. Lá fui gastar dinheiro inútil, mas na senda de mais um serviço público. Já lhe dei uma vista de olhos, e tem tantas tretas, que tenho material para muitos posts. Mas este inicial, é sobre a VISÃO que os ecologistas têm sobre o que é o ideal da vida na Terra. E na revista, essa honra cabe aos Mentawai, na Indonésia. Este deve ser o paraíso desta verdalhada, mas porque não irão eles para lá?

Na densa floresta tropical de Siberut, a Ilha das Serpentes e dos Macacos, vivem, nas enormes umas comunitárias, os clãs do povo seminómada dos Mentawai, que imolam galinhas, leem o futuro nas suas entranhas, fabricam remédios a partir de plantas, caçam com setas envenenadas, pescam com sacos de redes nas águas barrentas dos rios e, apesar de serem asiáticos, ignoram, de tão isolados que estão, a própria existência do arroz.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

As maravilhas da Ria Formosa

No Sábado foram anunciados os vencedores das sete maravilhas naturais de Portugal. Ainda vi um bocado do programa, mas quando pareceu claro que a realização e o costureiro pareciam mais interessados em mostrar as maravilhas naturais da Catarina Furtado, vi logo que o resto não teria conteúdo melhor...

É claro que depois não pude evitar saber quem eram os vencedores. E quando soube que locais como o Vale do Douro e Sintra não estavam na lista, tive a certeza que o processo foi controlado pelos caciqueiros regionalistas do costume... E pior fiquei quando vi a secção de comentários da notícia do Público.

Há vencedores surpreendentes, mas a Ria Formosa é certamente um deles! Ainda há uns dias, o Bloco de Esquerda entregou no Parlamento umas perguntas sobre o estado dessa maravilha. Parece que ela é lugar de depósito de "todo o tipo de lixo, desde eletrodomésticos a materiais de sucata, poluição agravada por descargas provenientes de suiniculturas". Em vez de turistas...

Como é costume, não são nem os políticos, nem os ecologistas, que nos dão conta desta situação. São os pescadores, o povo livre, que em blogs nos dão conta, como a imagem acima documenta, das maravilhas naturais da Ria Formosa. De como ela é intervencionada de forma arbitrária, por pessoas que não fazem a menor ideia do que andam a fazer? A leitura de foruns da região deixa-nos a todos mais perplexos, mas mais certos do país em que vivemos...

Actualização: Um dia depois, são os patos... O que será amanhã?

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

90 euros por consumidor

O Jornal de Negócios fez as contas e os valores são os que o Ecotretas vem aqui referindo. Fazendo as contas por família, cada uma desembolsará este ano 90 euros para sustentar o vício das renováveis. A notícia tem destaque de primeira página no Jornal de Negócios de hoje, pelo que é de salutar que o grande público esteja a começar a saber como lhe vão ao bolso... Será assim cada vez mais difícil aos políticos esconder estas políticas desastrosas!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Onde não dá um cemitério, dá um Freeport

A notícia de hoje do Público é eloquente sobre como se gere o Ambiente em Portugal. Na sequência da construção da ponte Vasco da Gama, o estuário do Tejo foi alvo de medidas de protecção ambiental acrescidas, sobretudo em função das reservas das autoridades comunitárias. Dois ou três anos antes da vergonha da aprovação do Freeport, veio-se agora a saber, o Instituto de Conservação da Natureza (ICN) negou à Câmara Municipal de Alcochete (CMA) a intenção de instalar um cemitério no mesmo local.

A justificação para tal decisão foi a da "pressão humana" que tal equipamento iria gerar numa zona ambientalmente sensível. Tal é o depoimento de Vítor Carvalheira, responsável pelo sector de gestão urbanística da Câmara de Alcochete, que acrescentou que para o ICN tal cemitério "contrariava o espírito" da Zona de Protecção Especial (ZPE) do Estuário do Tejo e "provocaria o aumento da densidade humana". O resto é história, com 75 mil metros quadrados de outlet, e promessas de meio milhão de pessoas, logo no primeiro ano de actividade, a não serem concerteza tão "densos"... E também não interessou que "o Freeport estava a cem metros da zona mais sensível da ZPE, lamas e sapais", segundo garante o antigo director da Reserva Natural do Estuário do Tejo (RNET), António Antunes Dias. Ou muito me engano, ou para a semana, com o término do segredo de justiça do caso Freeport, mais coisas se vão ficar a saber!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Qualidade da água


Um leitor enviou-me um email sobre a recente polémica da mensagem SMS da Quercus: "Evite comprar água engarrafada e prefira a da torneira, cuja qualidade está devidamente controlada. Um conselho Vodafone/Quercus". A APIAM (Associação Portuguesa dos Industriais de Águas Minerais Naturais e de Nascente) considerou a iniciativa "infeliz". Quem tem razão?

Se por um lado é claro que existe um forte interesse comercial no negócio das águas, como o vídeo acima, de Annie Leonard, demonstra, também não deixa de ser do conhecimento dos Portugueses que por vezes há problemas graves com a água de abastecimento público. Embora as redes públicas enunciem as suas vantagens, e os resultados também sejam publicamente disponíveis, não há dúvidas que as águas engarrafadas também têm algumas vantagens, como este excelente documento revela.

Por isso, nestes tempos de crise, o mais importante é muitas vezes pensarmos na carteira. E nesse aspecto, a água da torneira, de casa, é normalmente mesmo muito melhor!

domingo, 27 de junho de 2010

Portugal no Quinto Relatório do IPCC

Depois de nenhum português ter contribuído, como autor ou editor, para o quarto relatório do IPCC (1)(2)(3), a lista para o quinto relatório do IPCC inclui dois portugueses. São eles, o já nosso muito conhecido Filipe Duarte Santos, e Pedro Viterbo, um colaborador do Instituto de Meteorologia. Do pouco que descobri na Internet sobre este último, praticamente desconhecido, realço algumas afirmações neste artigo do Público, que são mesmo adequadas para o presente ano de 2010:

A temperatura de conforto para ir à praia, que é de 21 ou 22 graus, está a registar-se em mais dias do ano.
(...)
Como a variação entre Maio e Junho é de um grau a um grau e meio, pode dizer-se que a temperatura de conforto para ir à praia está a ser antecipada.
(...)
A transição do Inverno para a Primavera [a 21 Março] tem acontecido mais cedo, cerca de dez dias a meio mês.
(...)
Uma das diferenças entre o Inverno e a Primavera é precisamente a precipitação. O final do Inverno tem registado menos chuva, logo pode dizer-se que há uma antecipação da Primavera em uma ou duas semanas.

Ambos são "Review Editors", o que segundo o IPCC, têm como função:

Review Editors will assist the Working Group/Task Force Bureaux in identifying reviewers for the expert review process, ensure that all substantive expert and government review comments are afforded appropriate consideration, advise lead authors on how to handle contentious/controversial issues and ensure genuine controversies are reflected adequately in the text of the Report.

Nos conjunto dos grupos, (1), (2) e (3), mais de 60% dos peritos são novos, como os dois portugueses. Confesso que isto transmite uma mensagem, não muita abonatória para os anteriores. Mas os novos escolhidos não prometem ser melhores, dado o exemplo dos dois portugueses... Por isso, acompanharemos de perto este processo, e especialmente o contributo destes dois.

sábado, 29 de maio de 2010

Sobreequipamento

O Decreto-Lei n.º 51/2010 de 20 de Maio passou despercebido, excepto obviamente para os interessados. A leitura de partes da introdução explica rapidamente porque ninguém ouviu falar de mais esta negociata:

Através da instalação limitada de novos aerogeradores, designada por sobreequipamento, destinados a aumentar a potência instalada em centrais eólicas é possível incrementar a respectiva capacidade instalada, com menores impactes sobre o ambiente e o território do que a instalação de novas centrais eólicas, ao mesmo tempo que se racionaliza a utilização das infra -estruturas existentes da Rede Eléctrica de Serviço Público (RESP).

Neste contexto, o Decreto -Lei n.º 225/2007, de 31 de Maio, estabeleceu, entre outras medidas, o sobreequipamento de centrais eólicas licenciadas ou em licenciamento, até ao limite de 20 % da capacidade de injecção licenciada.

Assim, o presente decreto -lei mantém a possibilidade de sobreequipamento até ao limite de 20% da capacidade de injecção de potência na RESP previamente atribuída e, ao mesmo tempo, obriga à instalação em todos os aerogeradores de equipamentos destinados a suportar cavas de tensão e fornecimento de energia reactiva durante essas cavas para reforçar a segurança da RESP e a qualidade de serviço.

Resumindo, o défice tarifário, que já é grande, vai ficar maior! Para além disso, os promotores eólicos podem instalar muitas mais torres por aí, mesmo em zonas sensíveis, sem grandes dificuldades:

5 — Considera -se que o sobreequipamento não tem impacte negativo importante no ambiente e não é susceptível de afectar o sítio onde se pretende efectuar essa instalação de forma significativa, não estando sujeito a avaliação de impacte ambiental ou a avaliação de
incidência ambiental, nos seguintes casos:
a) Quando, em áreas não sensíveis, o sobreequipamento não implique a instalação de 20 ou mais torres e a distância de outro parque similar não passe a ser inferior a 2 km;
b) Quando, em áreas sensíveis, o sobreequipamento não implique a instalação de 10 ou mais torres e a distância de outro parque similar não passe a ser inferior a 2 km.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Os pardais do Barão de S. João

No fim de semana foi inaugurado o Parque Eólico do Barão de S. João. Como de costume, a intoxicação foi extensa. No artigo do Público linkado atrás, a quantidade de asneiras é impressionante, destacando as três seguintes:
  • "Os estudos apontam para um cenário de produção de 153 gigawatts por hora": Obviamente, o jornalista não percebe muito de medidas!
  • "Para uma cidade que em 2008 tinha pouco mais de 28 mil habitantes, (...), o parque ontem inaugurado é quase uma promessa de uma população inteiramente abastecida com energia renovável.": Como será nos dias sem vento?
  • "contando a partir de agora com aquele que é o maior parque eólico do país, segundo descreveu o ministro da Economia, Vieira da Silva, durante a inauguração.": Com 25 aero-geradores, fica longe de todos os que já reclamaram no passado o mesmo título.

Mas há coisas ainda piores! Parece que há tecnologias como GPS e radars envolvidas, para proteger as aves migratórias. Parece que elas estão preparadas para travar "as gigantescas pás sempre que se aproxima uma águia, cegonha, abutre ou um simples pardal". Talvez lá para o Verão passe por lá e largue um pombo, para ver se funciona mesmo... Para "Miguel Repas, da empresa STRIX, responsável pelo desenvolvimento desta nova tecnologia para parques eólicos, calcula que os aerogeradores deverão parar cerca de 150 horas por ano".

Também a história deste parque é sinistra. Henrique Pereira dos Santos conta-a de uma forma desconcertante, e de quem lidou directamente com os vários interessados. Parte da história relatada pelo HPS está devidamente relatada nas páginas 53 e seguintes, desta edição do Diário da República.

Dá para perceber como o caldo está todo entornado! Ainda mais interessante é perceber que são espanhóis os interessados, que o cluster eólico nacional nada beneficia dele, que as tarifas continuam a não ser referenciadas, e que quem sai mais prejudicado são os consumidores/contribuintes, em vez dos pardais.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Contas aos subsídios

Um leitor atento enviou-me um link para uma notícia do Publico de hoje, que é mais um avanço no jornalismo de investigação no domínio da subsidiação da energia. A notícia, com o título sugestivo "Contas da luz pagam mais subsídios do que gasto de energia" tem por base dados da ERSE, que eu não consegui encontrar com o detalhe referenciado na notícia. A fonte mais provável é o documento da ERSE, "TARIFAS E PREÇOS PARA A ENERGIA ELÉCTRICA E OUTROS SERVIÇOS EM 2010". Enquanto não esmiuçamos mais estes dados, ficam algumas referências extraídas da notícia do Público:

Por cada euro pago na factura eléctrica de cada um dos cinco milhões de consumidores domésticos, 31 cêntimos destinam-se a pagar a energia consumida e o seu fornecimento, 27 cêntimos vão para o uso de redes e gestão do sistema e 42 cêntimos servem para custear um bolo crescente de subsídios a várias entidades.

A Produção em Regime Especial (PRE) constitui o principal grupo subsidiado (6,51 cêntimos) e o mais polémico. Lá dentro, encontram-se a energia eólica, sendo esta que detém o maior peso com 3,3 cêntimos, embora o bolo da PRE inclua também energias fósseis.

Os 31 cêntimos que restam destinam-se a pagar as rendas da EDP aos municípios, os sobrecustos com a convergência tarifária das regiões autónomas da Madeira e Açores e outras acções tão diversas como a gestão das faixas de combustível e os próprios terrenos das centrais eléctricas.

terça-feira, 4 de maio de 2010

A mudança está próxima










Rajendra Pachauri esteve recentemente em Portugal, como havia aqui referido há pouco menos de duas semanas. Para quem seguiu o evento, não há como realçar a introdução inicial de Teresa Gouveia, administradora da Fundação Calouste Gulbenkian, que segundo este excelente post de Manuel Brás, "fez uma introdução prudente e cuidadosa, próxima do realismo". O resto da conferência foi, na verdade, maçador...

Tal como previra, os jornalistas portugueses foram apenas ao beija-mão, com uma notável excepção. No suspeito Público, Ricardo Garcia, fez uma entrevista que considero adequada, com o tipo de perguntas que eu faria:
  • Há três anos o IPCC ganhou um Prémio Nobel. Agora, temos o climategate, erros nos relatórios do IPCC, acusações contra si. O que está a acontecer?
  • Voltando ao erro sobre os glaciares. Foi um erro maior...
  • Mas isto fez manchetes...
  • Como podemos ter a certeza de que não há outros erros como este nos relatórios do IPCC?
  • Alguma vez considerou renunciar à presidência do IPCC?
  • O que tem a dizer sobre as acusações de conflito de interesses de que tem sido alvo?
  • Uma das acusações é a de que está a usar o seu prestígio como presidente do IPCC para conseguir apoios para o seu instituto [TERI] e para as organizações para as quais trabalha como consultor. Não há aí um conflito de interesses?
  • Tem dito que o cepticismo crescente em relação às alterações climáticas é um mero lampejo que irá passar. Por que acredita nisso?
  • Os inquéritos mostram que a mensagem dos cépticos, antes mais restrita a alguns pontos do mundo, está a espalhar-se, especialmente na Europa, tradicionalmente mais consciente do problema das alterações climáticas. Isso preocupa-o?
  • Os cépticos são ouvidos dentro do IPCC?
  • O que pergunto é se os seus argumentos são avaliados integralmente para saber se são verdadeiros ou não?
  • Há hoje uma exigência muito maior pela responsabilização da ciência das alterações climáticas. Isto não torna mais difícil o trabalho para o próximo relatório do IPCC?
  • E o que haverá de novo?
  • Por exemplo?
  • O processo do IPCC é muito longo, o lapso de tempo entre o último e o penúltimo relatórios foi de sete anos. Há alguma maneira de o encurtar?
  • Para a política, não é necessário uma espécie de avaliação intermédia?
  • Uma das missões do IPCC era a de esclarecer o que é que seria uma contribuição humana "perigosa" para o clima. Mas ainda não chegou a esta conclusão. Chegará algum dia?
  • Então faz algum sentido dizer que um aumento de dois graus na temperatura média global é razoável?
  • Está frustrado em relação à cimeira climática de Copenhaga?
  • Mas costuma dizer que não há tempo a perder...
  • Mas Copenhaga representou um atraso...
  • Nos Estados Unidos, um forte lobby está a bloquear uma lei climática no Senado. Isto é a sociedade a não fazer o seu papel? Isto pode mudar?
  • Se tivesse de apontar três medidas para os cidadãos na luta contra as alterações climáticas, quais seriam?
  • Já sugeriu uma vez que nos hotéis deveria haver contadores de electricidade nos quartos...
  • E quanto a ser vegetariano, como é o seu caso?
  • Dado que viaja muito, como lida com a sua pegada carbónica?
  • Podia ter feito uma videoconferência...
  • Mas faz alguma coisa para compensar as suas emissões de CO2?
  • Compra créditos de emissões para compensar as suas viagens aéreas?

domingo, 11 de abril de 2010

Défice Tarifário espanhol

O défice tarifário é uma invenção de países, como Portugal e Espanha, que para suportarem os custos das energias renováveis, sem subirem de forma muito significativa os preços dos consumidores finais, varrem o problema para baixo do tapete... Ao nosso já nos referimos aqui no passado, uma e outra vez. Ao caso espanhol também já nos referimos vagamente.

O monstro espanhol é tão grande, que alguma coisa tinha que ser feita. Segundo contas do jornal especializado Expansión, até 2008 o valor é de 10000 milhões de euros, a que se somam 3500 milhões em 2009, 3000 milhões em 2010, 2000 milhões em 2011 e 1000 milhões em 2012. Ou seja, em pouco mais de dois anos haverá que atacar 20 mil milhões de euros deste bronca tarifária. Para os leitores portugueses terem uma ideia da enormidade desta número, corresponde a cerca de 12% do nosso PIB português, embora para os Espanhóis represente bastante menos, até porque o PIB deles é mais de 6 vezes superior ao nosso!

Mas a história não vai ser assim tão simples! Como outro artigo do Expansión refere, o Tesouro Público de Espanha vai tentar emitir esta dívida em condições de mercado. Vai tentar pressionar a Banca, passando o problema para as mãos deles. Será que eles vão aceitar isto a qualquer preço? Ou será que vão ser acrescentadas mais umas valentes comissões? Para mim, isto vai dar mal, até porque alguém vai ter que pagar! Espero que não tenhamos que ser nós, os portugueses...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Abutres ambientalistas

Depois da catástrofe que se abateu sobre a Madeira, não tardaram a aparecer os abutres ambientalistas. A maioria deles apostaram no "não vos disse?", naquela senda de que qualquer chuvada daquelas teria tido consequências semelhantes nas ribeiras enterradas de Lisboa, ou mesmo nos arredores a norte de Lisboa, ou mesmo em muitos outros locais do país, onde a proximidade com os rios e ribeiros é uma constante.

Mas há espécies mais desconhecidas. Que começam agora a aparecer. Como um tal António Baptista, que há muitos anos está ausente do país. Para ele, a tempestade na Madeira é "mais um sinal de um mundo que está em mudança". Como se o planeta tivesse estado parado, não se sabe muito bem até quando! O senhor admira-se por coisas extraordinárias como as do "aparecimento de tipos de peixes em zonas onde historicamente não têm presença ou até a morte inexplicável de grande quantidade de espécimes". Como os abutres gostam de mortes em grandes quantidades...

O artigo do Público continua com pérolas como "Faz sentido dizer que há mudanças profundas, mas não sabemos quais são", ou então que "As mudanças serão significativas, só não se pode saber quais"! O artigo conclui com mais ênfase que por enquanto "é difícil provar qual vai ser a mudança". Por isso, mesmo desconhecendo completamente onde está a sua presa, "É preciso antecipar agora, tomar as medidas necessárias para ter zonas saudáveis, que permitam aos animais ser saudáveis e aos homens também". Perceberam?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Ecologistas à rasca

Eles andam todos apanhados. Se não é com o Climategate, é com Copenhaga, senão é com o Arrefecimento Global que por aí já se anuncia... Uns têm-se mantido calados, outros ainda estrabucham. Hoje, recebi vários e-mails de leitores assíduos, referenciando a Quercus, que colocou hoje cá fora um comunicado, que começa assim (realces da minha responsabilidade):

Na opinião da Quercus, as últimas semanas em termos meteorológicos em Portugal são sinais ou sintomas de uma alteração climática caracterizada por eventos meteorológicos extremos. O que se passou imediatamente antes do Natal na Região Oeste, o facto de Dezembro ter sido o mês mais chuvoso deste século, o ter-se passado de uma situação de seca meteorológica e de valores relativamente baixos de armazenamento das albufeiras, em comparação com a média, para uma situação de pleno armazenamento em muitos casos, são uma demonstração de uma maior irregularidade do clima.

O fiel alarmista Público parece ter sido mais rápido que a sombra da Quercus, e divulgou a notícia. Só que a população já não tem pachorra para esta gente, e os comentários populares no artigo são altamente recomendáveis. Da minha parte, recomendo que sejam enviados para os Açores, onde podem existir 4 estações num único dia... Talvez eles façam bem em estudar as alterações climáticas lá do sítio...

domingo, 3 de janeiro de 2010

Que seca de chuva!

Há um mês atrás, o Instituto de Meteorologia criou o Observatório de Secas. Segundo a respectiva página:

Este Observatório fará a monitorização da evolução das situações de seca meteorológica, dando indicação mensal sobre o grau de severidade e produzindo uma antevisão da evolução com cenários baseados em probabilidades de ocorrência de precipitação no médio prazo.

Um mês depois, o relatório é ainda o de Novembro. Mas para o comum dos mortais, quem anda à chuva, molha-se. Quem lê os jornais, pode ler no Público que a Albufeira da barragem de Alqueva nunca esteve tão cheia, no Jornal de Notícias que as Barragens estão perto da capacidade máxima, ou então no Correio da Manhã que o Ribatejo está debaixo de água... E na Internet, pelo SNIRH, podemos confirmar que apenas três das doze bacias hidrográficas estavam no final do mês passado ligeiramente abaixo dos valores médios.

Ficamos a aguardar ansiosamente a informação mensal prometida pelo Instituto de Meteorologia!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Os icebergs da Helena Geraldes

A classe dos jornalistas ambientais está cada vez mais estúpida. Prova é o artigo de Helena Geraldes, no Público de hoje. Esta Helena, que pelo menos não é loira, mas tem mestrado e tudo, está muito admirada com a notícia de que cientistas observaram icebergues brutais a caminho da Antárctida para a Nova Zelândia.

A notícia, que teve a cobertura de mais alguns estúpidos jornalistas ambientais, deve desaparecer rapidamente do radar, quando perceberem que este é o tipo de notícias que afunda o Aquecimento Global. Vejam primeiro alguns realces da notícia:
  • Há uma semana, os cientistas do programa polar australiano nem queriam acreditar no que viam, quando um bloco de gelo foi avistado a oito quilómetros da ilha. Tinha 50 metros de altura e 500 de comprimento.
  • Dean Miller, biólogo australiano do programa polar, foi o primeiro a avistar o icebergue. "Nunca tinha visto nada igual.".
  • O glaciologista daquele programa, Neal Young, afirma que existem pelo menos 20 icebergues em redor da ilha. É raro que estes blocos de gelo subam tanto para Norte e entrem em águas menos frias, salienta.

Mas, se isto não fosse suficiente, a nossa Lena complementa:

Icebergues a caminho da Nova Zelândia são um cenário que poderá dar novos argumentos para as negociações climáticas na cimeira de Copenhaga, em Dezembro.

Alguém me envia por favor o email desta pseudo-jornalista, para eu lhe dar uma novidade em primeira mão: ele há icebergues enormes a caminho da Nova Zelândia, porque nunca como agora houve tanto gelo nos mares da Antárctida!

http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1409759