segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Receita de tratamento de temperaturas de Lisboa

Apesar do tempo escasso de que disponho, tive hoje um tempinho para descascar os primeiros dados revelados a semana passada pela Perestroika Climática. Depois do cozinhado que vão ver a seguir, a receita até nem é difícil.

Primeiro, vai-se buscar os dados disponibilizados pelo Met Office (HadCRUT3). Pega-se nos dados e enfia-se numa directoria. Descomprime-se o ficheiro comprimido, e aparecem mais uma série de directorias. Pesquisa-se por Portugal e Lisboa, e aparece o ficheiro 085350. Abre-se numa folha de cálculo, reorganizam-se as colunas, e a primeira parte da receita já está!

Depois, é preciso procurar mais ingredientes. Vai-se ao alarmista realclimate.org, e verifica-se que os dados das temperaturas europeias estão no ECA. Descarrega-se os dados para Lisboa, em mais um ficheiro comprimido. Descomprime-se e aparece um ficheiro com os valores diários. Mais uma função básica, e calculam-se os valores médios mensais.

O resultado do cozinhado são dois gráficos, bastante parecidos. Faz-se a diferença entre o HadCRUT3 e o ECA, e resulta o gráfico acima (clicar para ver maior)! Não vai ser preciso o leitor perceber muito de temperaturas para perceber que pelo menos uma das séries está engatada!

Desgraçados em Copenhaga

É muito interessante verificar como sofrem os ecologistas às portas do Paraíso do Bella Center, em Copenhaga. Sem mais demoras, para o Muro das Lamentações:

http://blog.heritage.org/2009/12/14/live-at-copenhagen-left-out-in-the-cold/
The main impression of many attendees at the UN climate change conference in Copenhagen is just how poorly organized it all is. The check in time for non-governmental delegates (like Heritage’s attendees) on December 14 was over 8 hours. Hundreds had to wait for hours outside, where global warming has had no apparent impact on December Copenhagen temperatures, and many never even got in.

www.facebook.com/notes/the-climate-pool/boos-queues-a-seven-hour-saga-getting-into-the-conference/228381494413?_fb_noscript=1
Seth's toes are finally warm. In his security photo he is grinning like a child -- and with reason. He's finally in. "You have no idea how important water and a bathroom is until you don't have it," he said after waiting 7 hours and 20 minutes to enter the Copenhagen climate talks.

www.nationalcenter.org/2009/12/cop-15-observation-so-these-are-people.html
I heard this morning from the National Center for Public Policy Research's delegation to the COP-15 climate conference in Copenhagen. Seems they've been standing in line outside the conference (in 32 degree F weather!) for nearly six hours (so far) in a so-far fruitless effort to get insie.
(...)
The U.N.'s COP-15 climate conference organizers may face the irony of having global warming conference attendees hospitalized for exposure -- assuming that hasn't happened already. Six hours is a long time to stand outside in 32 degree weather, and many of the people forced to wait outdoors presumably dressed for the commute to the conference, not for a day standing outside.


http://blogs.wsj.com/environmentalcapital/2009/12/14/thousands-line-up-for-climate-conference/
As dozens of developing countries threatened to walk out of the Copenhagen climate-change summit, thousands of NGOs, journalists, lawyers, activists were still trying to get in.
(...)
Would-be attendees chanted “Let us in!” to Danish policemen ringing the Bella Center.
United Nations officials announced at one point that the process of accreditation would stop at 6 p.m. today, prompting boos and catcalls and cries of “shame” from those in line. One sign declared: “This is what UN efficiency looks like.
As the debate about whether the planet is heating up proceeded inside the conference center, it was plenty cold outside. With temperatures ducking below 0 Celsius, people stood on pieces of cardboard to try and keep warm and stamped their feet as snow started falling.

Monckton vs. Greenpeace

Christopher Monckton é uma raridade mediática, a que já nos referimos aqui mais que uma vez. Nestes vídeos enfia-se no papel de um entrevistador, aos activistas da Greenpeace, e é vê-lo a malhar uma e outra vez, numa cambada de ignorantes, que só sabem papaguear o que outros ignorantes concerteza papagueiam!

Inflação de cientistas


Nestes tempos conturbados de Copenhaga, há uma inflação ecológica muito significativa. A pegada da estupidez é cada vez maior, a atestar pelos inúmeros vídeos que circulam pela Web. Neste domínio, Marc Morano, do site climatedepot.com, é daqueles que melhor desintoxica o ambiente.

Na Sky News, no Sábado, Marc debateu o professor Mark Maslin, da Universidade College de Londres. Ao minuto 3:15, Maslin refere que "If you look at the [UN] IPCC report, 5000 leading climate scientists put together all the leading science together", mas Morano não se deixa intimidar com tanta asneira. Depois responde metodicamente, com "Your idea that [there are] 5000 UN scientists – you need to apologize and retract that immediately. The biggest number you can come up with if you include [UN bureaucrats] and delegates is 2800."

E depois dá o cheque mate: "Matt, check out the claim of 5000 UN scientists -- that is a bald face -- error. The professor needs to retract it. There is no 5000. And interestingly a few days ago you said 4000. Why not just say 100,000? You gave it away sir when you said 'key scientists'. It is a small cadre, only 52 UN scientists signed. Peer-reviewed studies are showing the scare is ending."

http://climatedepot.com/a/4441/Climate-Depots-TV-Debate-in-Copenhagen-UK-Warming-Prof-falsely-claims-5000-leading-climate-scientists-in-UN-IPCC--Morano-Counters-You-need-to-apologize-and-retract-that-immediately

Mitos Climáticos na SIC Notícias


O Eng. Rui Moura, do Mitos Climáticos, esteve no final da noite da passada Sexta-feira, no Expresso da Meia Noite, na SIC Notícias. Fica aqui o registo de que algo começa a mudar nos meios audiovisuais nacionais, tendo estado igualmente presentes Humberto Rosa, secretário Estado do Ambiente; João Joanaz de Melo, presidente GEOTA; e Virgílio Azevedo, jornalista do Expresso.

Para quem, como eu, não pode ver em directo, nem numa das emissões em diferido, fica aqui o registo online. Foi muito interessante ver Rui Moura ao ataque, e os restantes a elogiar o cepticismo! Mas uma das melhores partes do debate ocorre quando um dos entrevistadores provoca João Joanaz de Melo, com um "O buraco de ozono de repente parece ter fechado ou evaporado". Infelizmente, o Melo, que devia ler o blog, pelo menos na etiqueta Ozono, não sabe sequer que o buraco ainda não fechou: "O buraco de ozono fechou porque se pôs em prática medidas de política ambiental quando o problema foi identificado e que teve a ver com a cessação do envio de CFCs para a atmosfera". Não percam!

domingo, 13 de dezembro de 2009

Tubaroezinhos furiosos

Os media continuam a inundar-nos de lixo académico, daqueles que mereciam claramente um prémio Ig Nobel. Um dos melhores dos últimos dias foi-me encaminhado por um leitor, e refere que temperaturas mais quentes dos oceanos, causadas claro está pelo Aquecimento Global, tornariam os tubarões e outros peixes mais agressivos.

O estudo foi conduzido pela Universidade de Nova Gales do Sul, e chegou à conclusão que uma subida de dois ou três graus Celsius, tornariam os peixinhos até 30 vezes mais agressivos, do que normalmente são. O investigador Peter Biro fez a descoberta com peixes damsel, mas extrapolou para os tubarões, um peixinho do nosso imaginário, indicando que tal está associado ao seu metabolismo...

http://news.ninemsn.com.au/world/979699/climate-change-could-enrage-sharks

sábado, 12 de dezembro de 2009

Por mares nunca de antes navegados

A história dos nossos antepassados tem muito de histórico, e muitos dos seus descendentes renegam tais feitos. Por estes dias, em Copenhaga, uma das consequentes desgraças mais repetidas é a do potencial subida do nível das águas do mar. O exemplo de Tuvalu já aqui foi referido.

Voltando à nossa história, já aqui nos referimos ao processo da subida que se vem verificando nos últimos milhares de anos. Aliás, as maiores taxas de subida foram observadas há alguns milénios, no Óptimo Climático do Holoceno.

Estes segredos encontram-se aparentemente bem escondidos dentro da comunidade académica. Da nossa comunidade académica portuguesa. Vejam este relatório, produzido num seminário organizado na Universidade do Porto a 19 de Setembro de 2005, intitulado "Sea Level Changes". Nele se encontram várias evidências de níveis do mar mais elevados na costa portuguesa, no Período Quente Medieval e no Óptimo Climático do Holoceno. Para além de evidências muito mais antigas na História. Que não aproveitamos, ao contrário de outros.

Ora, se assim é, como se pode invocar que é a actividade do Homem que está a levar à subida dos mares no presente? A menos que se justifique isto com o facto de que foram as fogueiras dos Homens das Cavernas, ou talvez da Inquisição, que levaram à subida dos mares no passado?

http://web.letras.up.pt/asaraujo/Trabalhos/Sea%20level%20changes.pdf