terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A triste história de Peter Spencer

Já aqui nos referimos ao absurdo do que acontece na Austrália, a coberto de uma política comuna verde. Agora surge mais um exemplo, que está a ter finalmente uma grande cobertura na Austrália, mas que ainda é desconhecido no resto do planeta.

Peter Spencer é um agricultor australiano, que detém uma propriedade de 5385 hectares, que foi declarada um sumidouro de carbono. Em função disso, e doutros muitos casos semelhantes, a Austrália beneficia directamente em muitos biliões de dólares, no âmbito do protocolo de Kyoto.

Mas para Peter Spencer, nem sequer indeminização há! Nem sequer pode agora cultivar as suas terras... Por isso, entrou há 44 dias numa greve de fome, para chamar a atenção para este problema. Entrincheirou-se numa tenda, a meio de um torre de monitorização de vento, e já tem uma legião de seguidores.

A notícia está finalmente a chegar aos medias australianos, e esperemos que rapidamente a todo o Mundo! Ele exige uma explicação do primeiro ministro australiano, Kevin Rudd, que politicamente, se diz próximo dos pequeninos!

Espalhem a notícia, antes que sejamos todos nacionalizados (planetizados?) e comunizados a nível global!

Actualização: Resumo mais actualizado aqui.

Saldos de lâmpadas economizadoras

A lógica ecológica é muitas vezes perversa. A empresa energética alemã Npower, enviou 12 milhões de lâmpadas economizadoras, não solicitadas, para famílias do Reino Unido. Podem pensar que o objectivo é poupar-se energia, mas desenganem-se: a maioria nem chegará ao seu destino. Mas o objectivo último foi poupar uma multa estimada de 40 milhões de libras!

A prenda idiota de Natal surge como forma de cumprir as obrigações legais de corte de emissões de CO2. A Npower é a última a abusar deste truque, sendo que um estudo de Julho havia revelado que cerca de 200 milhões de lâmpadas economizadoras haviam sido enviadas ao abrigo do esquema CERT (Carbon Emissions Reduction Target).

Até o partido Verde lá do sítio criticou o envio. Lendo o seu comunicado, não se percebe muito bem porquê, até porque são estes idiotas dos poucos que defendem acerrimamente estas lâmpadas! Mais um monumental barrete...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Neve por todo o lado

Todos andam surpreendidos com o mau tempo. Temporariamente, deixamos de ser incomodados com a nova religião Verde, que todos os dias nos incomodava os sentidos. Os exemplos vem de todo o lado. No Reino Unido, o caos é significativo. Na China, milhares de escolas fecharam em consequência do frio, uma medida pouco habitual, mas lógica depois da maior queda de neve num dia, desde 1951. Na Coreia do Sul, 25 centímetros de neve caíram em Seoul, o valor mais elevado desde que há registos, no longínquo ano de 1937. Nos Estados Unidos, foram estabelecidos recordes de várias décadas de queda de neve num dia.

Como já havíamos referido há dois meses, o que está a dar é ir para a neve!

Trabalhar para aquecer


Pinto de Sá, no seu blog, escreveu no final do ano como são difíceis de fazer as contas da energia em Portugal. Como ele diz, "quando o vento sopra mais forte, e dado que as barragens estão cheias de água da chuva e não podem armazenar mais, que tem feito a REN ao excesso de energia eólica existente?"

No primeiro gráfico acima, tirado do site da REN, a linha grossa a preto representa o consumo verificado no dia 30 de Dezembro. Como se pode ver, durante grande parte do dia, a produção de energia foi muito superior à consumida. Como se pode ver no segundo gráfico, verificou-se uma exportação de energia significativa durante grande parte do dia. Curiosamente, teve que se importar energia em dois períodos do dia, para se efectuar essencialmente bombagem!

É claro que se houve tanta exportação de energia, ela teve que ir para Espanha... Mas vendo as estatísticas da Red Eléctrica de España, também nesse dia se observou uma quantidade importante de exportação de energia. Nos períodos em que Portugal importou, os valores da exportação de Espanha são semelhantes. Mas nos momentos em que Portugal exportou, apenas se verificou uma importação irrisória no país vizinho!

Pode-se e deve-se perguntar para onde vai a energia exportada? França não costuma importar, mas não consegui obter números concretos. E depois, porque aparecem importações de energia, quando não precisamos dela? Como o Pinto de Sá refere, é mais provável que estejemos, nós Portugueses, a subsidiar alguém. Ou então falta um item na legenda da REN, que é energia deitada fora!

domingo, 3 de janeiro de 2010

Que seca de chuva!

Há um mês atrás, o Instituto de Meteorologia criou o Observatório de Secas. Segundo a respectiva página:

Este Observatório fará a monitorização da evolução das situações de seca meteorológica, dando indicação mensal sobre o grau de severidade e produzindo uma antevisão da evolução com cenários baseados em probabilidades de ocorrência de precipitação no médio prazo.

Um mês depois, o relatório é ainda o de Novembro. Mas para o comum dos mortais, quem anda à chuva, molha-se. Quem lê os jornais, pode ler no Público que a Albufeira da barragem de Alqueva nunca esteve tão cheia, no Jornal de Notícias que as Barragens estão perto da capacidade máxima, ou então no Correio da Manhã que o Ribatejo está debaixo de água... E na Internet, pelo SNIRH, podemos confirmar que apenas três das doze bacias hidrográficas estavam no final do mês passado ligeiramente abaixo dos valores médios.

Ficamos a aguardar ansiosamente a informação mensal prometida pelo Instituto de Meteorologia!

sábado, 2 de janeiro de 2010

Glaciares a derreter com II Guerra Mundial

Depois de artigos recentes terem revelado que a diminuição recente dos glaciares não é um caso único em termos históricos, saiu mais um paper peer-reviewed a afirmar que o recuo dos glaciares nos Alpes foi mais acelerada nos anos 40. Os realces do abstract, são da minha responsabilidade:

A 94-year time series of annual glacier melt at four high elevation sites in the European Alps is used to investigate the effect of global dimming and brightening of solar radiation on glacier mass balance. Snow and ice melt was stronger in the 1940s than in recent years, in spite of significantly higher air temperatures in the present decade. An inner Alpine radiation record shows that in the 1940s global shortwave radiation over the summer months was 8% above the long-term average and significantly higher than today, favoring rapid glacier mass loss. Dimming of solar radiation from the 1950s until the 1980s is in line with reduced melt rates and advancing glaciers.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ano novo, ideias velhas

Neste novo ano de 2010, um leitor chama-me a atenção para as ideias velhas. Não é que o Mário Soares, mais conhecido como montador de tartarugas, do que especialista em clima, pôs cá fora esta semana, um artigo de opinião no Diário de Notícias, típico daqueles que já passaram o seu tempo? Leiam o parágrafo seguinte, extraído do artigo, para terem uma ideia do que aí vem, com os realces da minha responsabilidade:

Prevê-se agora que, a continuar assim, o aquecimento mundial até ao final do século subirá 3 graus ou mais. Iremos ter uma subida regular das águas do mar, não de centímetros mas de metros. O que fará desaparecer algumas ilhas e recuar as zonas costeiras de certos países marítimos, como o nosso. Os excessos climáticos, chuvas torrenciais, ventos ciclópicos, tsunamis, furacões, tremores de terra e, por outro lado, secas, calor excessivo, desertificação, decréscimo das florestas, sensível diminuição da biodiversidade, vão tornar-se frequentes. Não é uma perspectiva agradável para ninguém, sobretudo para as jovens gerações.