terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Haiti com baixa pegada ecológica...


O Haiti está na ordem do dia, pelas piores razões. É todavia desconcertante quão pouco sabemos sobre o que se passa, muitas vezes, além-fronteiras. Poucos sabem que o Haiti era um dos países mais pobres do mundo, tendo ficado obviamente muito pior. Muitos desconhecem também que essa realidade faz fronteira com a República Dominicana, que muitos portugueses até conhecem, enquanto outros sonham com as suas magníficas praias!

Acontece que este Haiti é um dos exemplos dos ecologistas. A WWF, no seu relatório "Living Planet Report 2008" dá o exemplo do Haiti, na página 15, Fig. 22, como um dos países cuja pegada ecológica, por pessoa, é das menores em termos do planeta. Essa noção é reforçada na sua Press Release da altura que junta ao exemplo do Haiti, o Congo! Dá para perceber que modelo de Planeta estes loucos ambicionam...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Abaixo o IPCC

Já havíamos referido há dois meses a bomba que havia constituído a divulgação pelos Indianos, de um estudo que dava como erradas as conclusões existentes relativas ao desaparecimento dos glaciares dos Himalais. Rajendra Pachauri, o tretas mor do IPCC, não gostou nada da ideia, e insurgiu-se publicamente na altura.

Agora, veio a lume que o tretas tem telhados de vidro! Surgiu ontem no Times, que andamos a ser enganados sobre o futuro dos glaciares nos Himalaias! A ideia de que a maioria dos glaciares dos Himalaias estaria em vias de desaparecer até 2035, segundo a religião do IPCC, não têm factos que a suportem!

Tudo começou com uma história na New Scientist, publicada 8 anos antes do relatório do IPCC de 2007. Essa história foi baseada numa pequena entrevista telefónica a Syed Hasnain, da Universidade Jawaharlal Nehru de Delhi. Entretanto, Hasnain admitiu que a afirmação era mera especulação, não suportada em qualquer investigação formal...

Quem descobriu a marosca, não foi nenhum cientista num processo formal de peer-review. Foi antes Fred Pearce, que entrevistou Hasnain em 1999, e que na ausência de dados ou papers que suportassem as afirmações iniciais, botou a boca no trombone...

Mas como é que isto chega à religião do IPCC é ainda mais engraçado! Em 2005, a WWF citou o relatório da New Scientist num relatório seu: "An Overview of Glaciers, Glacier Retreat, and Subsequent Impacts in Nepal, India and China". Esse relatório da WWF foi depois assumido por Murari Lal, responsável pelo capítulo dos glaciares no relatório do IPCC, e que até assume que não percebe quase nada de glaciares! Neste relatório, tais especulações de Hasnain foram promovidas a muito prováveis, o que segundo o IPCC é algo com uma probabilidade de ocorrência superior a 90%!!!

Abaixo o IPCC!

Actualização: Para os lado da Índia, o ambiente está a aquecer!
Actualização II: Foi descoberto que o Hasnain trabalha para o Pachauri!

Luxos e lixo em Copenhaga

A maioria das notícias saídas nos media portugueses não conseguem dar uma ideia clara do que se passou em Copenhaga. Todavia, há excepções, como a que saiu no Diáro de Notícias. Escrita por Bruno Abreu, relata os luxos e lixos da cimeira de Copenhaga, dos quais destaco os seguintes parágrafos:

Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço poderia ser um lema para a última cimeira pelo Ambiente em Copenhaga. Mais de 42 mil toneladas de dióxido de carbono foram enviadas para a atmosfera durante os onze dias em que decorreu o encontro. Comparando, emitiu-se tanto como 2300 americanos ou 600 mil etíopes num ano. Pior: 40 500 toneladas vieram apenas das viagens de avião até à capital dinamarquesa.

Essa foi a primeira polémica a estalar em relação ao COP15. O aeroporto de Copenhaga esperava 140 jactos privados, incluindo o Falcon do primeiro-ministro José Sócrates. Aqueles que não conseguiam aterrar foram desviados para aeroportos regionais ou então para a vizinha Suécia. Isto implicou o uso de mais transportes, particulares ou não, desde esses locais até à capital.

Além de ter falhado um acordo pelas alterações climáticas, o COP15 também foi palco de alguns excessos, ou não tivéssemos a presença dos mais importantes líderes mundiais. Por exemplo, foram alugadas 1200 limusinas para transportar os representantes de cada país, desde os hotéis para o Bella Center, onde se realizou a cimeira, e dentro da capital dinamarquesa. Apenas uma ínfima parte delas era híbrida, relatou o jornal britânico The Telegraph, na altura.

"Ao entrar no Bella Center, é oferecido um livro de 302 páginas que explica como se pode tornar vegetariano. Comer carne, principalmente gado, é responsável por 50 por cento dos gases de efeito de estufa", conta William La Jeunesse, da cadeia de televisão Fox News.

O problema é que, em média, uma árvore produz 71 145 folhas de papel. Dividindo pelas páginas deste livro, teremos uma árvore abatida a cada 236 volumes.

Outro problema com o papel surgiu com o programa que era entregue na cimeira, duas vezes por dia. Ali davam-se informações sobre quem discursaria, quando e onde. Numa terça-feira tinha 58 páginas e na quarta-feira tinha 48. Fazendo as contas, foram gastas 1,56 milhões de folhas só nesses dois dias. A ambientalista Ana Rita Antunes confirma: "Não havia papel reciclado."

domingo, 17 de janeiro de 2010

Neve a mais

Os alarmistas andaram a stressar durante anos os praticantes de ski, afirmando que as estâncias estavam à beira de fechar. Só para terem uma ideia, foi compilada uma lista com as previsões da BBC dos últimos anos, que se tem revelado um fiasco completo! Este trabalho é meritório, porque algumas das previsões podem começar a ser avaliadas, como a seguinte, efectuada em 2003:

The closure of Glencoe ski resort has come as a blow to the winter tourism industry in Scotland...
The theory that global warming could be to blame for the difficulties at Glencoe is favoured by Professor Adam Watson from the Centre for Ecology and Hydrology in Banchory, Aberdeenshire.
He said: "With temperatures rising at the speed they are, within 20 years, skiing in Scotland could be finished."

Embora ainda faltem muitos anos para 2023, a verdade é que este ano estâncias estão a fechar, mas por excesso de neve! Veja-se o caso de da estância das Montanhas CairnGorm, justamente na Escócia, que fecharam por acumulações de quase 5 metros de neve nas estradas... Felizmente há caterpillars de 17 toneladas que tem estado a trabalhar 18 horas por dia, a tentar resolver o problema!

Mais catequese ambiental

A participação do Ecotretas nas Olimpíadas do Ambiente, desencadeou uma série de reacções, por e-mail, sobretudo de pais preocupados com a catequese a que os seus filhos estão a ser sujeitos. Um leitor mandou-me mais um exemplo eloquente, sobre uma Prova de Aferição de Língua Portuguesa para alunos do 2º Ciclo do Ensino Básico. Nela é apresentado o seguinte texto:

A electricidade que vem das ondas

Os portugueses vão ser os primeiros a utilizar electricidade produzida a partir de energia do mar.

Ao longe, parece mesmo uma gigantesca serpente vermelha, a ondular à superfície do oceano Atlântico. Até tem nome de cobra – Pelamis, a serpente dos mares –, mas é uma máquina que transforma a energia das ondas em electricidade. Como é isto possível? É que o ondular do oceano faz trabalhar um gerador, que converte o movimento das ondas em energia eléctrica. E Portugal é o primeiro país do mundo a ter máquinas deste tipo a funcionar.

Para já, o Parque de Ondas Pelamis, localizado a cinco quilómetros da Praia da Aguçadora, perto de Leixões (no Norte do país), ainda está a ser experimentado. Mas, se tudo correr bem e a Pelamis resistir às tempestades do Inverno, no próximo ano, mais de mil famílias vão poder acender a luz, ligar o computador e ver televisão com energia das ondas atlânticas.

O melhor de tudo é que esta electricidade é limpa e renovável. Ou seja, por um lado, não é preciso emitir dióxido de carbono (o gás responsável pelo aquecimento global) para a produzir e, por outro lado, a ondulação marítima não se gasta, pode ser usada indefinidamente. Será esta mais uma fonte energética do futuro?


Entre as perguntas realizadas sobre o texto, aparecem preciosidades como as seguintes:

10. No texto, afirma-se «esta electricidade é limpa e renovável» (linha 12).
Explica, por palavras tuas, o sentido que a palavra sublinhada tem no texto.

11.1. A pergunta «Como é isto possível?» (linha 4) prepara o leitor para a explicação acerca
  • da localização do Parque de Ondas Pelamis.
  • do efeito das tempestades de Inverno no mar.
  • da redução de emissões de dióxido de carbono.
  • do funcionamento da máquina transformadora.


Repare-se que a prova é de Português, e não de Ciências, para alunos do 6º ano! Talvez para este ano se quisesse comentar o programa "Nós por Cá", que emitiu recentemente uma reportagem fabulosa sobre o fiasco das Pelamis. A não perder abaixo, e a mostrar aos filhos que tenham feito a prova, e não só!

E se tiverem mais exemplos de catequese ambiental, por favor enviem-nas para o meu email, no canto superior esquerdo...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Ecotretas nas Olimpíadas do Ambiente

O Ecotretas foi tentar resolver o teste da 1ª eliminatória, da categoria Júnior, das Olimpíadas do Ambiente, realizado ontem. O desafio foi lançado pelo leitor assíduo do blog, Eduardo Ferreira. Está claro que a coisa não correu pelo melhor, porque não tenho frequentado a Catequese Ambiental...

Esbarrei logo na primeira pergunta, abaixo. Pensava que haveria uma resposta do género "Receberem muito dinheiro, para os seus ditadores", mas não havia... Como sei que eles é suposto receberem dinheiro, deverá haver uma diminuição da pobreza, pelo que a primeira hipótese não é de certeza! Pelo mesmo raciocínio, as outras opções são possíveis. Como dizem que as alterações climáticas são fruto do CO2, e as plantas crescem mais rapidamente com esse gás, então a agricultura deve ser mais produtiva. E à medida que o desenvolvimento se verifica, incrementa-se o turismo. Com mais dinheiro e menos frio, também é evidente que as doenças respiratórias diminuirão. Felizmente a última opção também não poderia ser, porque com mais dinheiro haverá mais computadores Magalhães para esses países! Mas comecei a ficar nervoso, pois ainda só tinha excluído duas hipóteses...

1-As alterações climáticas trazem que implicações para os países em desenvolvimento?
  a) Agravamento da pobreza.
  b) Agricultura mais produtiva.
  c) Aumento do turismo.
  d) Diminuição da percentagem de pessoas com gripes e problemas respiratórios.
  e) Diminuição do número de computadores per capita.

Nas perguntas seguintes, como não frequentei a catequese, tive que ir deixando para trás. Vejam o exemplo seguinte. É só boas intenções, mas como a pergunta tem pouco a ver com o Ambiente, não me consegui decidir...

5-Dos seguintes, qual será o Objectivo de Desenvolvimento do Milénio mais importante e imediato?
  a) Alcançar o ensino primário para todos.
  b) Combater o VIH/SIDA, a malária e outras doenças.
  c) Criar uma parceria mundial para o desenvolvimento.
  d) Erradicar a pobreza extrema e a fome
  e) Melhorar a saúde das mulheres

A vergonha começava a apoderar-se de mim... Afinal, não sei nada disto! A pergunta seguinte deixou-me verdadeiramente confuso. De onde poderia vir toda a energia para Portugal? Por exclusão de hipóteses, a única que é verdadeiramente errada é a última! Todas as criancinhas sabem que a energia fotovoltaica só produz de dia, e que há muitas noites em que o vento não sopra. Se fosse dos Açores, mas não sou, ainda diria que poderia ser a geotérmica. Da energia das marés não pode ser; ainda se fosse das ondas, mas mesmo aí os equipamentos avariam passados três meses... Da corrente quente do Golfo também não me parece. Acabei por assinalar a hipótese c), porque tenho a certeza que alguém já deve saber o segredo, mas não devem querer dizê-lo, para que nós Portugueses não tenhamos hipótese de ser ricos...

26-Em Portugal, 100% da electricidade consumida podia vir:
  a) da energia geotérmica.
  b) da energia das marés.
  c) do petróleo captado ao largo da Figueira da Foz
  d) da corrente quente do Golfo
  e) da energia eólica e energia fotovoltaica

Acho que não me saí lá muito bem...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A má gestão do Alqueva - reacções


A análise efectuada à gestão do Alqueva tem registado reacções muito interessantes. Quase todos acham que a notícia não pode ser verdadeira, e muitos acham porque acham. A abordagem desta questão noutros sítios é muito reduzida, mas devo destacar vários contributos válidos no A ciência não é neutra. Abaixo rebato alguns dos principais argumentos que os críticos tem utilizado:

  • A bombagem reversível é boa
    É claro que esta afirmação é verdadeira. Mas só é minimamente verdade, quando a energia que foi bombeada para cima é turbinada de regresso à cota inferior. Se não fôr o caso, como o está a ser no Alqueva, o esforço, energia e dinheiro para a bombar foi em vão!
  • Não era possível prever que a barragem ia encher
    Como se pode ver no gráfico acima, retirado do SNIRH, a subida do nível do Alqueva começou poucos dias antes do Natal. No início do ano, a barragem tinha atingido a cota 150, e era evidente que iria até aos 152, dadas as condições atmosféricas previstas. É a partir do início do ano que se gastaram cerca de 10 GWh de bombagem desnecessária!
  • Se havia energia a mais, é sempre preferível bombar
    Esta também parece que é verdadeira, excepto que estamos a pagar essa energia a quem a produz. No caso português, aos produtores eólicos. E é aqui que o problema reside: eles podem produzir o que lhes apetecer, ou que o vento permitir, que são sempre pagos (e bem) por isso! E quem paga? Os consumidores/contribuintes, que são os que ficam a arder no meio deste filme...

Resumindo, apenas nestes primeiros dias do ano, perdeu-se no Alqueva, mais coisa menos coisa, a energia gerada pelo MARL num ano. Esta é a comparação para aqueles que acham que é pouca coisa...