quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Concorrência acelerada

O presidente da Autoridade da Concorrência (AdC), Manuel Sebastião, esteve ontem novamente na Assembleia da República, para reafirmar que não existem indícios de cartel nos combustíveis. Manuel Sebastião fez uma apresentação, sendo que uma das principais linhas de argumentação foi a de que os painéis de combustível ao longo das auto-estradas veio pressionar a concorrência, para além de contribuir para que os consumidores estejam mais bem informados.

Não rezam as crónicas que os deputados tenham questionado as suas conclusões... Aliás, em bom abono de verdade, tenho-os em menor consideração que a Autoridade da Concorrência. Já havíamos aqui referenciado no passado que os painéis não levaram a lado nenhum. Por isso interessa esmiuçar novamente esta infeliz argumentação.

A forma mais fácil é começar no comparador de preços online da DGEG. Selecciona-se o tipo de combustível, neste caso gasóleo, para comparar directamente com os slides do Sebastião, seleccionando igualmente como tipo de posto a auto-estrada. O resultado de hoje está na imagem ao lado, devendo clicá-la para observar o detalhe. Note-se que nesta data os preços não diziam apenas respeito ao dia de hoje.

Depois, é só comparar com os slides do Sebastião. No slide 121, há uma diferença substancial nos preços de gasóleo praticados ao longo das auto-estradas portuguesas, referenciado no mínimo em 5.5 cêntimos entre 25 e 29 de Janeiro. A escolha do gasóleo não é despropositada, como se verá de seguida, sendo que se se estudasse a gasolina, os resultados não seriam tão evidentes...

Nos dados recolhidos hoje, a diferença é realmente de 5.5 cêntimos, mas se excluirmos os postos da A25 (Vilar Formoso, Mangualde e Viseu, porque será?), então a diferença é de apenas 3.5 cêntimos! A A25 é muito importante neste contexto porque é por onde circulam mais camiões para Espanha/Europa. Com depósitos brutais, os camiões (e mesmo os particulares) sabem que podem atestar do outro lado da fronteira, pelo que deste lado os postos têm que fazer um esforço para não ficarem sem clientes. Aliás, isso é igualmente visível fora das auto-estradas. .

Depois há o argumento no slide 134, em que se diz que "uma amostra significativa não pode ser substituída pela simples observação de imagens instantâneas dos painéis que vou vendo quando me desloco numa autoestrada". Devia dizer que é proibido parar para tirar uma foto e partilhá-las depois na Internet! Mas para isso serve o site da DGEG. Para ver esses dados quase em tempo real e provar que as estatísticas da AdC são insuficientes!

Mas vamos a factos. Vejamos os postos da A1:
  • GALP AVEIRAS: 1.124€
  • BP SANTARÉM: 1.124€
  • REPSOL LEIRIA: 1.124€
  • GALP POMBAL: 1.124€
  • BP MEALHADA: 1.124€
  • REPSOL ANTUÃ: 1.099€

Não há dúvidas que todos os postos, com a notável excepção da estação de Antuã, têm o mesmo preço. A Antuã voltaremos. E se observarem a imagem ao lado com atenção, vão ver que o preço apresentado para estas estações da A1 são as mais elevadas em todas as auto-estradas do país. Como justificará a AdC que na principal auto-estrada do país se pratiquem os preços mais elevados? Será regido pela oferta/procura?

Portanto, a AdC primeiro disse que os paineis serviriam para aumentar a concorrência. Agora justifica os preços iguais nos painéis com a seguinte tirada:

A recomendação da AdC tem por base a conclusão de que informar atempadamente e de maneira prática os consumidores sobre os preços praticados em cada momento pelos diversos operadores num mercado relevante aumenta a transparência e reforça a concorrência nesse mercado em benefício dos consumidores.

Se algum deputado ler esta análise, é melhor começar a pensar em chamar novamente o Sebastião...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O El Nino Chavez

Hugo Chavez é sempre alvo das atenções, pelas piores razões. Agora declarou o estado de emergência no sector eléctrico, depois de há duas semanas ter tomado outras medidas ambientalistas.

Hugo Chavez queixa-se do El Nino, que terá causado menos chuva para aqueles lados, e que ele considera que seja um produto das alterações climáticas que estão a atingir o planeta. No processo demitiu o Ministro da Energia e anda agora num frenesim para comprar geradores eléctricos! E o seu ministro do petróleo é que sabe: depois de uma ronda pela Rússia, China e Japão, Rafael Ramirez regressou ao país para anunciar que uma empresa chinesa vai construir novas centrais, num total de 2.7 GW. Mas não são de carvão, porque Chavez não tem; antes, serão alimentadas a diesel, gás natural e fuel!!!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Dinheiro sujo

Os alarmistas costumam respoder aos argumentos dos cépticos com a tirada baixa de que estes são financiados pelas empresas petrolíferas. O projecto ExxonSecrets da Greenpeace é, aliás, um bom exemplo dos ataques, sem ciência à mistura...

A maioria dos cépticos aliás, como eu, nunca viram financiamento seja de quem fosse. Acreditamos que a verdade não é muitas vezes a transmitida pelos supostos cientistas, quanto mais políticos, e eu não preciso de ser pago para dizer isso!

Agora veio a lume mais um escândalo do Rajendra Pachauri. O maior patrocinador da TERI é afinal a BP India. Para além de providenciar 6 milhões de libras, pagou o jantar e as bebidas de um evento publicitando a obra pornográfica de Pachauri. A BP até acha legítimo o patrocínio do jantar, até porque a associação com Pachauri é longa!

Mas a BP é apenas mais conhecida dos ocidentais. O livro "Return to Almora" foi lançado em Mumbai por Mukesh Ambani, que é apenas o homem mais rico da Índia, patrão da Reliance Industries, um conglomerado de petróleo e gás. As relações aqui também são muito interessantes, com a TERI a atribuir prémios de volta...

Da próxima vez que ouvirem falar que a indústria petrolífera anda a financiar os cépticos, lembrem-se de Rajendra Pachauri.

Actualização: No Falar do Tempo, surgiu um post pouco depois que complementa com mais informação sobre financiamentos...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Leituras da treta

O jornal i é um dos piores jornais que tenho visto nos últimos tempos. Refiro-o aqui porque um leitor atento mandou-me mais uma referência para uma entrevista, sem pés nem cabeça, do referido jornal a Klaus Hasselmann, que tem recebido uns prémios por umas ideias loucas. Vejamos primeiro em que consistem:

É simples. Funciona do mesmo modo que um polícia quando consegue encontrar uma impressão digital concreta num conjunto de impressões. A meados da década de 1990, concluímos que a probabilidade de explicar o aquecimento observado ao longo dos últimos 30 anos através da variabilidade natural do clima era inferior a 5%.

Ena! Se assim é, como é esta teoria tão obscura? Porque é impenetrável, como podem confirmar com o extracto a seguir:

A chave são os dados relativos à superfície terrestre - e não tanto as temperaturas oceânicas - porque são os registos mais antigos que temos. Mas também são importantes os dados sobre as distribuições da temperatura vertical e outros indicadores, como a extensão do gelo no Árctico, o nível do mar, a frequência das tempestades, etc. Contudo, nestes dados adicionais é mais difícil determinar a variabilidade natural dos níveis e demonstrar, com índices elevados de confiança estatística, que as mudanças observadas são de facto induzidas pelo homem.

Mas a qualidade do cientista percebe-se pela referência seguinte. Também a Igraja Católica esperava que os Copérnicos e Galileus desaparecessem, mas isso não aconteceu...

Na comunidade científica, ninguém tem dúvidas sérias sobre a origem humana das alterações climáticas. De facto, ninguém tinha dúvidas mesmo antes de os sinais serem estatisticamente detectáveis, porque os fundamentos físicos subjacentes são convincentes. A maioria dos cépticos age impelida por interesses corporativos e deve ter a mesma consideração que as pretensões iniciais da indústria do tabaco, quando afirmava que os perigos de fumar não são reais. [O primeiro-ministro britânico] Gordon Brown acertou ao comparar os cépticos climáticos com aqueles que ainda crêem que a Terra é plana. Como se pode convencer estes incrédulos? Não se pode, mas acabarão por desaparecer gradualmente.

Não vão desaparecer, não! E o problema é que somos cada vez mais...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

IPCC não acerta uma

O IPCC, prémio Nobel da Paz, liderado pelo grande especialista em Kama Sutra, Rajendra Pachauri, parece que não acerta uma. Agora que o planeta resolveu esmiuçar os relatórios, parece que são poucos os parágrafos que vão escapar incólumes.

Desta vez, são os Holandeses que estão chateados. Conforme se pode ver aqui, o IPCC afirma que a Holanda regista 55% do seu teritório abaixo do nível do mar, onde vive 60% da sua população e é gerado 65% do seu PIB.

Estes numeros estão completamente engatados. Como rapidamente uma visitinha ao Wikipedia confirma, apenas 20% do seu teritório está abaixo do nível do mar, vivendo aí apenas 21% da sua população. Até a Ministra do Ambiente lá do sítio conhece estes números, e por isso está zangada. A Ministra, Jaqueline Cramer, já mandou abrir uma investigação sobre como é que o IPCC chegou a estes números, mas segundo esta outra notícia, parece que alguém não sabe somar como deve ser!

Ministra como exemplo

Numa semana marcada pela desorientação política completa na classe que dirige o país, com fortes implicações na nossa economia, e depois de expostos como a segunda tragédia grega deste planeta, o País discute alegremente os 50 milhões de euros para a Madeira, que aparentemente são uma compensação de um roubo descarado nos anos anteriores...

Por isso interessa esmiuçar como este Governo desgoverna o País. E nada como começar pelo Ministério do Ambiente. Segundo esta notícia do Diário de Notícias, as despesas em combustível nos Ministérios sobem 8.4%, com Dulce Pássaro, a Ministra do Ambiente a dar o exemplo, e a triplicar os seus gastos com combustível!

Interessa perceber estas contas. Será que está prevista uma subida escondida do ISP? Ou então vamos continuar a engordar os lucros da GALP? Ou está previsto uma compra de carros mais potentes para se passear à vontade? Não será para andar mais de bicicleta ou transportes públicos, concerteza...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Enterrado até ao pescoço


Rajendra Pachauri está cada vez mais enterrado, literalmente até ao pescoço! As notícias sobre um dos líderes mais aldrabões e fraudulentos que o Mundo actualmente tem, pululam por tudo o que é Media e Internet.

No vídeo acima, em tom de galhofa, cerca dos 1:25, ele diz que o IPCC não vai buscar as suas conclusões aos jornais. Está enganado, e cada dia que passa são mais as referências a conclusões do IPCC baseadas em artigos de jornais, como as que são referidas aqui e também aqui. O Ecotretas congratula-se por ter também descoberto uma, no capítulo 14.4.8 Energy, industry and transportation referenciada como "Welch, 2006", e que na verdade é uma referência a este artigo do Seattle Times!

Mas há muito mais sobre este vigarista. Numa entrevista no Times, John Sauven, director da Greenpeace no reino Unido, sugere que o IPCC necessita de um novo líder. A Índia, terra natal do Pachauri, ameaçou sair do IPCC, porque não pode confiar numa organização sem credibilidade nem rigor... Mas o IPCC prefere assobiar para o lado!

O homem é claramente um exemplo, também, de virtudes. Não estou a falar das suas fantasias sexuais. Em vez de praticar o que prega, não dispensa o seu chauffeur. E apesar de ter vários carros eléctricos à sua disposição, prefere um carro muito mais poluente. Isto tudo, quando podia fazer muitas das suas deslocações a pé ou de bicicleta. Tudo isto e muito mais por um jornalista que o seguiu um dia apenas, na Índia.

Mas por mim, que fique! Quanto mais tempo lá estiver, melhor! Porque mais mal não pode fazer, e precisamos de bons exemplos para malhar! E os cartonistas adoram!