sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Mãe Natureza descarrega no Observatório

Há três meses, o Instituto de Meteorologia criou o Observatório de Secas. A ele me referi no início do ano, sendo claro que a Mãe Natureza entendeu dar mais uma resposta a uns burocratas alarmistas nacionais. Repare-se na ironia de Dezembro de 2009 ter sido o mês de criação do Observatório, quando se lê o resumo relativo à precipitação:

Verifica-se que entre Novembro de 2009 e Janeiro de 2010, os valores de precipitação ocorridos foram sempre superiores ao valor normal 1971-2000, em particular em Dezembro com um total mensal de precipitação cerca de 160% em relação ao valor normal, o que contribuiu para o fim da situação de seca em Portugal Continental.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

30.6 gramas de CO2?

Um leitor enviou-me um link para um dos produtos que assenta que nem uma luva nos ecotópicos: o cartão Caixa Carbono Zero. Com ele, o ambientalista puro e duro "beneficia de condições especiais na aquisição de bens e serviços mais eficientes no consumo de energia e com melhor desempenho ambiental. Uma solução que o ajuda a reduzir emissões e a poupar, enquanto poupa o ambiente."

A primeira pergunta que me ocorreu foi a de se o cartão seria de plástico? É, mas é feito em PETG, que é um bocadinho melhor para o ambiente, dispensando mesmo o cloro. Não é todavia uma novidade no mundo dos cartões...

Os bastidores do cartão são todavia ainda mais interessantes. Como o plástico é especial, o seu portador deverá sentir-se um Clooney nas nuvens. O serviço é essencialmente electrónico, pois assim minimizam-se os custos envolvidos com o papel e poupam-se árvores. No final, diz a CGD que "As emissões inevitáveis resultantes da produção e envio dos cartões são contabilizadas e compensadas, tornando-o num produto CarbonoZero®;". Muito bem!? Mas quantas são essas emissões inevitáveis?

São 30.6 gramas de CO2! O que é isso? É mais ao menos o CO2 que uma pessoa produz em 50 minutos de respiração normal. Dá para andar 294 metros num Toyota Prius. E aos valores de Novembro de 2009, dá para alimentar uma lâmpada de 60W durante menos de uma hora e meia!!!

Como farão eles os cartões assim, quando ainda por cima admitem que eles vem de Inglaterra? Dá para perceber que eles são muito poupadinhos e os clientes que paguem!

Abandonar barco!

Yvo de Boer demitiu-se hoje do cargo de secretário executivo da Convenção da ONU para as alterações climáticas. É um dos primeiros comandantes a abandonar o barco. Curioso é o facto de ir trabalhar para a esfera privada, na empresa de consultoria KPMG, enquanto conselheiro global para o clima e sustentabilidade. Ele até admitiu que começou a procurar emprego no final de 2009. Mais um que vai ganhar dinheiro à custa do Planeta! Talvez os exemplos vindos a lume de Pachauri o tenham motivado! E talvez agora Pachauri lhe retribua, demitindo-se também?

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Raparigas nuas embaraçam deuses da chuva

Um leitor enviou-me uma referência muito interessante sobre como os povos tratam o tema do tempo e do clima. Nós por cá temos alguns provérbios dos antigos. Mas na Índia, há uma tradição diferente. Em Bihar, raparigas solteiras e nuas lavram os campos, cantando hinos antigos depois do pôr do sol, na expectativa de embaraçarem os deuses da chuva, que não hesitarão em enviar chuvas. A tradição está fortemente enraizada na zona, e os aldeões não desistem enquanto as chuvas fortes não aparecem. Outros têm mais sentido de humor...

Eólicas assombradas

A história triste da primeira vaga de energia eólica tem um excelente resumo aqui. Fala-se das turbinas eólicas abandonadas, que assombram os montes do Hawaii e da California. E fica-se a compreender porque assim é. Basicamente, o término dos subsídios determinou o fim de uma suposta indústria, restando agora apenas a ferrugem no meio da paisagem. Curiosa é a associação a Portugal e Espanha (e também Grécia), como exemplos falidos desta nova vaga.

Actualização: Dados recentes indicam mais de 14 000 turbinas eólicas abandonadas, só nos Estados Unidos...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Pedro passadus

O semanário Sol, na sua edição deste fim-de-semana, dá uma ideia da macacada em que vivemos. Mas não foi a leitura das primeiras páginas que mais me marcou. Antes, o artigo de José António Lima na última página impressionou-me muito mais. Então não é que Steven Chu é uma grande inspiração para o Pedro Passos Coelho? Ou seja, depois de Sócrates, ficamos a saber que, se Pedro Passos Coelho chegar a algum lado, no dia seguinte, tudo o que ele disser pode ser desdito!

A associação de ideias que Pedro Passos Coelho cita no último capítulo do seu livro é absolutamente confrangedora. Steven Chu havia afirmado em Setembro de 2008 que "Somehow we have to figure out how to boost the price of gasoline to the levels in Europe". Nessa altura, o galão de gasolina estava a 8 dólares na Europa... Mais tarde Chu até admitiu no Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos, a estupidez da sua argumentação:

REP. STEARNS: No. But somehow, your statement, “Somehow we have to figure out how to boost the price of gasoline to the levels in Europe,” doesn’t that sound a little bit silly in retrospect for you to say that?
SEC. CHU: Yes.

Chu é igualmente um vidente/astrólogo. Gosta muito de afirmar as certezas sobre como será a Terra daqui a 100 anos: "At no other time in the history of science have we been able to say what the future will be 100 years from now.". Nem Nostradamus foi tão assertivo!

E depois, ele é o cientista louco. Desde pintar os telhados de branco, passando pelos seus pesadelos carbónicos, até às seus assustadoras previsões sobre furacões e subida dos níveis dos mares, que todos sabemos não se estarem a verificar, Chu é um verdadeiro palhaço nesta discussão dos temas climáticos.

É claro que na Internet o gozo é geral. Depois do efeito Gore, descobriu-se o efeito Chu. Se ele diz qualquer coisa, o inverso começa rapidamente a acontecer. E é isto que inspira Pedro Passos Coelho???

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Vamos tirar o Nobel ao Gore e IPCC

Já há uns tempos que ando com a ideia de lançar uma petição online, para tirar o Nobel ao Gore e IPCC. Mas desconhecia o trabalho associado (que imagino não seja nada de especial), e por isso fui adiando este "projecto". Hoje constatei, sem surpresa, que a ideia foi lançada há uns dias. Em consciência, já assinei, e pela primeira vez, uma petição online. Não é só por aqui que vamos lá; faz apenas parte do trajecto. Mas o trajecto já incorpora defensores entre personalidades conhecidas, como é o caso de Donald Trump...

Como em Portugal só ainda há duas assinaturas, e dos nossos amigos brasileiros não há nenhuma, convido-vos a analisar a petição. Se concordarem com ela, não deixem de a assinar!