quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Quebra de confiança

Os alarmistas não encaixam o que se está a passar... Alguns, os mais soft, até já começam a acordar, como é o caso do Andrew Revkin, do New York Times, que ontem tem um artigo que merece uma leitura atenta. Nele se refere, entre outros aspectos, que a evolução explosiva da blogosfera é uma força disruptiva nos domínios das discussões climáticas e da energia. E dá o exemplo de Anthony Watts, que detém já alguns prémios de melhor blog, e com várias dezenas de milhões de visitas em apenas pouco mais de dois anos.

Falando de Watts Up With That, há hoje um artigo sobre uma experiência blogosférica desenvolvida por Judith Curry, do Georgia Institute of Technology. Fala-se de muita coisa aqui abordada, mas de uma dimensão que todos pensávamos existir na ciência, mas que hoje está quebrada: a dimensão da confiança!

É por isso que os mais alarmistas ainda não entendem o que se passa. Como o do artigo de hoje no desmogblog.com. Richard Littlemore não compreende como dois inquéritos de opinião nos Estados Unidos e Reino Unido mostram um colapso na convicção de as alterações climáticas serem um assunto premente. Parece impossível, para ele, que a população não continue a acreditar cegamente nos argumentos dos alarmistas. Para estes, a ciência continua a não ter discussão, pelo que a população tem que ter cuidado naquilo que lê. Naquilo que os alarmistas propagandeiam, digo eu!

Actualização: Um leitor enviou-me um link para um artigo da BBC, que cita o president da Academia Nacional das Ciências doa EUA, Ralph Cicerone, como tendo dito que "There is some evidence that the distrust has spread," e que "There is a feeling that scientists are suppressing dissent, stifling their competitors through conspiracies.". Não é que Cicerone seja de confiança, mas talvez também já esteja a ver a luz...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Areia para os olhos dos madeirenses

A história do radar meteorológico para a Madeira tem sido a forma que o IM arranjou para disfarçar o seu inqualificável falhanço na previsão do dilúvio que se abateu sobre a Madeira, no passado fim de semana. Como diz o DN, foi necessária a ocorrência de uma tragédia da dimensão da que agora aconteceu na Madeira para o Ministério da Ciência e da Tecnologia, Mariano Gago, dar luz verde à instalação de um radar meteorológico no arquipélago.

O Ministro diz que o radar até foi anunciado antes da tragédia, na semana passada, no dia 16. Ele esquece-se é de dizer que já deu luz verde ao projecto em 2008, mas que se esqueceu de avançar com o financiamento. À TSF, Adérito Serrão, presidente do Instituto de Meteorologia, afirmou que a instalação de um radar meteorológico na Madeira "entrou no quadro de preocupações" do IM, mas não quis precisar uma data para a colocação do aparelho pois esta implica "capacidade de financiamento". Mas para Victor Prior, delegado do IM na Madeira, a coisa não é bem assim, sendo que ele dizia antes da tragédia, na semana passada:

Seguramente que será um bom investimento, daqui por três a cinco anos. É algo em que o IM está empenhado e eu, como meteorologista, sinto também a falta desse equipamento que nos permite fazer uma vigilância à volta da Madeira de cerca de 200 quilómetros

Mas, para que serve o radar? Segundo o presidente do IM, a inexistência de um radar na ilha "dificulta a previsão destes fenómenos que poderiam ser antecipados entre quatro a cinco horas antes de tudo acontecer". Mas para o Ministro, que falava hoje na Assembleia da República, o radar permite "antecipar talvez em duas ou três horas o alerta emitido". O Delegado do IM na Madeira, esclarece:

O nosso interlocutor considera que as informações por radar são das mais importantes em termos de observação meteorológica, possibilitando acompanhar de 5 em 5 minutos a evolução de células conectivas, associadas a situações de precipitação intensa, em vez dos actuais 15 minutos através das imagens de satélite, com um atraso de 5 a 10 minutos.

Afinal, eles até têm imagens de satélite, que são actualizadas de 15 em 15 minutos!!! O radar permite acompanhar de 5 em 5 minutos. Ainda estão a seguir o raciocínio do Adérito e do Ministro?

E quanto é que custa? A maioria diz que são dois milhões de euros. No Jornal da Madeira, o investimento é de 3 a 4 milhões de euros. Não fiquem admirados se a coisa derrapar muito...

Pensando bem, os radares também não funcionam sozinhos. O problema parece ser diferente: o de tratar os dados de satélite, os tais que até estão disponíveis de 15 em 15 minutos. Será que há quem trate disto localmente na Madeira? Uma rápida observação ao "Plano de Actividades 2009" do Instituto de Meteorologia (o último disponível) revela (pag. 139 e seguintes) que são 20 os recursos humanos da Delegação Regional da Madeira (DRM). Repare-se na Memória Descritiva das Actividades da DRM, com especial destaque para as da DRM02:

DRM01Criar condições para uma maior frequência no referente às manutenções periódicas às estações (Estações Meteorológicas Automáticas e Clássicas).
Substituição de alguns equipamentos das Estações Clássicas com particular destaque para as estações dos Aeroportos da Madeira e Porto Santo.
Acções de formação nos locais de trabalho dadas por pessoal do COBE e do CMAE.
Promover conjuntamente com outras UO do IM a instalação de pelo menos mais duas Estações Meteorológicas Automáticas.
DRM02Centro Meteorológico do Aeroporto do Porto Santo: Substituição do pavimento em 2 salas, substituição de persianas das janelas, arranjos e pintura da vedação do parque meteorológico. Colocação de uma protecção no varandim que ladeia o Centro.
Centro Meteorológico do Aeroporto da Madeira: Substituição dos pavimentos, arranjo nas canalizações, loiças sanitárias.
Observatório do Funchal: Substituição dos pavimentos em 4 salas, arranjos e envernizamento do pavimento em 3 salas. Arranjo nos sanitários (homens), substituição de loiças, chão, azulejos de paredes e 2 portas interiores. Substituição da rede de água antiga (50 anos).

Resumindo, sem ovos não se fazem omoletes. Mas de que vale a pena ter os ovos, se não se têm quem os cozinhe???

Confiança congelada

Os mercados financeiros vivem muito da confiança existente na Sociedade. E hoje saiu um indicador importante, o Índice do clima de negócios Ifo, da Alemanha. Este Índice é baseado nas respostas a 7000 inquéritos, efectuados mensalmente a empresas na área da indústria, construção, comércio e retalho. Pergunta-se o estado de negócios actual e as expectativas para os seis meses seguintes. O Índice, que tem vindo a subir sistematicamente nos últimos onze meses, caiu este mês para 95.2, comparados com os 95.8 do mês anterior.

Perguntarão os leitores do blog, o que tem isto a ver com as notícias aqui habitualmente publicadas? É que segundo a Bloomberg, a descida na confiança deveu-se ao Inverno mais frio dos últimos 14 anos, que afectaram gravemente as vendas de retalho e a construção. As temperaturas abaixo da média e a neve pararam a construção, obrigando as empresas a reduzir a contratação. Para o presidente do Ifo, Hans-Werner Sinn há todavia esperança: "The economic recovery is expected to continue when winter is over,"

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Citações de um cientista da NASA


Gavin Schmidt é um cientista da NASA, cujo trabalho com temperaturas foi corrigido por Steve McIntyre, do blog Climate Audit. Este foi citado num recente artigo de um jornal canadiano como o responsável pelo melhor blog dos cépticos. Com toda a razão! Mas Schmidt não concorda! Por isso, não percam a melhor parte do artigo, que está reservada para o penúltimo parágrafo:

One little-known irony of the debate is that for all the harsh words, many scientists have a grudging respect for Mr. McIntyre's intelligence. "He could be a scientific superstar," Mr. Schmidt says. "He's a smart person. He could be adding to the sum total of human knowledge, but in effect he adds to the reduction of the sum total of human knowledge."

Em função destas palavras, será que alguém sabe qual é que foi a soma da redução do somatório total do conhecimento humano, de Galileu???

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Tragédia na Madeira

Num dia que é de luto para muitos Madeirenses, pela tragédia que se abateu sob a forma de dilúvio sobre a ilha, interessa saber como a comunidade meteorológica se comportou neste domínio. Afinal, se eles são capazes de prever o Aquecimento Global, deviam ser capazes de alertar adequadamente a população e os responsáveis.

No Diário de Notícias do Funchal, na quinta-feira, o delegado do Instituto da Meteorologia na Madeira, Vítor Prior, avançou com "O pior já passou, em termos de precipitação". Quanto a previsões para hoje, nada! A edição de hoje, que saiu para as bancas, está exposta acima à esquerda. Dá para perceber o que falhou!

No Jornal da Madeira, ontem, falava-se dos valores especiais de quinta-feira. Previsão para hoje: "Depois, no sábado, voltam os aguaceiros, com o vento a soprar forte". Todavia, a edição de hoje trazia na primeira página uma notícia mais adequada, conforme se pode ver pela segunda imagem acima. O texto assume que existia algum conhecimento para a situação, pelo que quem ainda conseguiu hoje ler o jornal ficou avisado, pelo menos para a parte da tarde: "Face às previsões meteorológicas para hoje, que apontam para chuva e vento muito forte em toda a ilha a partir da madrugada, mas com particular incidência à tarde (entre as 12 e as 18 horas)".

No site do Instituto de Meteorologia, um comunicado saído hoje às 18:59 (só é válido até dia 23?), enuncia aquilo que já se havia topado: colocaram o alerta vermelho, depois de terem reparado que tinham caído 52mm na hora anterior:

Esta situação determinou a emissão de avisos de precipitação pelo Instituto de Meteorologia, I.P., a partir do dia 19, às 19h25, elevando-se o nível de severidade ao longo da evolução do fenómeno, tendo sido emitido aviso vermelho ? o nível mais severo na escala de avisos utilizada pelo IM - às 10 h do dia 20.
Os valores mais elevados de precipitação acumulada numa hora registados nas estações Funchal-Observatório e Pico do Areeiro foram respectivamente 52 mm (entre as 9 e as 10 h) e 58 mm (entre as 10 e as 11 h). Entre as 6 e as 11h registaram-se 108 mm e 165 mm nas estações mencionadas. O valor acumulado em 6 horas na estação Funchal-Observatório foi superior ao valor normal de 30 anos (1961-1990).

Já neste Domingo, o Diário de Notícias dá uma ideia mais clara das desprevisões do Instituto de Meteorologia:

Pelas 19.25 de sexta-feira foi emitido o aviso amarelo de precipitação que corresponde à queda de dez milímetros de chuva por hora (mm/h). Entretanto, o satélite permitiu aos técnicos antever um agravamento da situação, pelo que às 08.52 de ontem o aviso mudou para laranja (queda de chuva entre 20 a 40 mm/h), passando às 10.00 para vermelho (queda de chuva acima dos 40 mm/h). Mas, na realidade, entre as 09.00 e as 10.00 choveram 52 mm/h; ou seja; bastante mais do que o previsto.

Até os amadores fizeram melhor, como é visível num fórum nacional de meteorologia, onde o primeiro alerta é de ontem às 22:25.

Entretanto, já andam a desconversar, com a excepcionalidade do dilúvio. Diz Costa Alves, no Diário de Notícias:

Os valores ainda não estão confirmados pelo Instituto de Metereologia, mas os dados das estimativas são arrasadores: "No Pico do Arieiro, os valores recolhidos foram de 185 litros por metro quadrado", diz ao DN Costa Alves. O meteorologista diz que nunca se viu coisa assim em Portugal. "Lembro-me de alguns registos até 120 litros, mas nada deste género".

Uma simples consulta no site do Instituto de Meteorologia determina que os valores até estão longe dos recordes nacionais:
  • Madeira: 277,0 mm em Encumeada em 9/12/1976
  • Açores: 276,0 mm em Furnas/S.Miguel em 03/10/1974
  • Continente: 220,0 mm em Penhas da Saúde em 14/01/1977
A compilação dos dados históricos é algo pouco habitual. Por isso, deve registar-se o trabalho de José Lemos, que tem uma página excepcional sobre os Desastres Naturais no Arquipélago da Madeira, no seu blog Madeira Gentes e Lugares.

Também recorrente nas notícias é a ideia de que tudo teria sido evitado se houvesse um radar meteorológico na ilha.

Segundo o presidente do IM, "ainda não foi adquirido um radar para a Madeira por falta de orçamento". Porém, equipamento, que custa dois milhões de euros, está instalado nos Açores e em dois locais do continente - Coruche e Loulé - e vai ser colocado um em Arouca, para fazer cobertura no Norte do País. Já segundo o governador civil de Lisboa, este não é o momento para apontar falhas, mas sim para socorrer. "Isto faz- -nos pensar que temos de ter outra atitude face às alterações climáticas, mas não é o momento para fazer crítica à falta de meios.

Fica-se a saber que o dito custa 2 milhões de euros, pelo que interessa saber que outras prioridades foram satisfeitas antes desta. Não me admirava que os orçamentos para os Aquecimentos Globais e Alterações Climáticas fossem muito superiores. Mas nós não precisamos de previsões para 2100, como agora fica evidente. Precisamos delas de um dia para o outro!

Por isso, não é de admirar que os abutres do Aquecimento Global já tenham chegado ao terreno, depois da hibernação deste Inverno. Como é o caso de Filipe Duarte Santos ontem para a Antena 1:

O professor Filipe Duarte Santos considera que o fenómeno meteorológico que causou a tragédia deste fim de semana na Madeira tende a tornar-se mais frequente. O climatologista, ouvido pelo jornalista da Antena1 Walter Medeiros, chama a atenção para a necessidade de minorar os efeitos destrutivos das alterações climáticas

A história dos pioneiros: Paul Ehrlich

A religião ecológica e a mentalidade dos talibans tem muito em comum! Partem do princípio de ser contra tudo o que é moderno, e em ambos os casos, um regresso às práticas da Idade Média seria o mais adequado. Claro que muitos ambientalistas actuais tentam embelezar as suas teorias anti-modernas...

É preciso regressar aos ensinamentos dos seus pioneiros, para perceber verdadeiramente as suas doentias teologias. No caso da ecologia, Paul Ralph Ehrlich foi um deles. Escreveu "The Population Bomb" em 1968, o qual tem as suas fundações no Sierra Club, a organização ambiental mais antiga dos Estados Unidos, e da qual a sua mullher foi directora. No livro, Ehrlich defende a ideia de que o planeta não comportava mais humanos. O livro começa com estas eloquentes frases:

The battle to feed all of humanity is over. In the 1970s and 1980s hundreds of millions of people will starve to death in spite of any crash programs embarked upon now. At this late date nothing can prevent a substantial increase in the world death rate...

Na entrada do Wikipedia sobre o livro, pode verificar-se como as suas previsões não se verificaram. Hoje, a população do planeta é sensivelmente o dobro da de 1968, e as tragédias imaginadas não se verificaram porque o Homem é capaz de superar desafios muito mais complexos que o que Ehrlich sonhou. Mas é capaz de o fazer quando deixa de pensar nas práticas da Idade Média.

Para aqueles que não conhecem a história, deixo ao lado um artigo com quase 40 anos (1972), escrito num jornal americano, sobre Ehrlich. Reparem nos seguintes dois extractos, e fiquem preocupados, sempre preocupados!

The 39-year-old professor did not favor the soft-sell approach to environmental and population control. In 1969, he said that if voluntary birth reduction methods did not work a nation might have to resort to "the addition of a temporary sterilant to staple food or to the water supply".

"An 'Americanized' China," they wrote, "would consume nearly eight billion metric tons of coal equivalent in energy each year, more than the present total world consumption...these numbers mean that raising Chinese energy consumption to the American level would amount to doubling the environment impact of homo sapiens. Indeed, just the concentrated release of heat in parts of China containing most of the population could lead to major, unpredictable climatic effects."

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Modelos do IPCC não encaixam recordes de neve

As recentes quedas de neve no Hemisfério Norte têm sido notícia por todo o lado, e delas tenho dado algum destaque. O gozo é geral, e com razão! De acordo com a Universidade de Rutgers, na segunda semana de Fevereiro registou-se a segunda maior cobertura de neve no hemisfério Norte, das últimas 2227 semanas, com 52166840 Km2. Este valor só foi superado há 32 anos atrás, em Fevereiro de 1978, com 53647305 Km2!

Mas, para os alarmistas tudo isto é consequência do Aquecimento Global! Alguns perdem toda a credibilidade, quando dizem que "Extreme storms, droughts, intense rains, unusual amounts of snow or lack of snow are all signs of global warming". Os do costume do Met Office atiram areia do deserto para os olhos das pessoas: Even with global warming you cannot rule out we will have a cold winter every so often. It sometimes rains in the Sahara but it is still a desert.. E outros fazem figuras tristes nas televisões!

Estas discussões terminam rapidamente nos dias de hoje. Porque pessoas normais, recorrendo à Internet, podem rapidamente provar a fraude destes pseudo-cientistas. Como a que foi exposta no magnífico Watts Up With That, onde se confirma que todos os modelos do IPCC apontam para uma redução progressiva de neve no Hemisfério Norte!!!