terça-feira, 16 de março de 2010

Energia eólica aquece o planeta

Num dia em que o primeiro ministro vai reforçar a sua aposta na energia eólica, as notícias que vem lá de fora são inimagináveis para os comuns dos monstrinhos verdes. No artigo "Potential climatic impacts and reliability of very large-scale wind farms", de Wang et al., saído na Atmospheric Chemistry and Physics, revela-se agora que a energia eólica vai contribuir, e de que maneira, para o Aquecimento Global do planeta!

Uns conhecimentos básicos de termodinâmica e da circulação geral da atmosfera permitem-nos imaginar isso de forma simples. Mas Wang et al. fizeram contas. Se utilizarmos energia eólica para gerar 10% do consumo mundial de energia, o incremento de temperatura chegará a um grau Celsius localmente, que contribuirá para um efeito global de aquecimento de 0.15ºC. Ocorrerão também alterações climáticas significativas, a nível da cobertura de nuvens e precipitação!

Afinal, as alterações climáticas estão aí... Será que o efeito local em Espanha e Portugal já se faz sentir?

segunda-feira, 15 de março de 2010

Renúncia à energia verde

Uma notícia que passou despercebida, e que todos os verdes querem enterrar, é um comunicado da passada sexta-feira, da EDF Energies Nouvelles (equivalente à nossa EDP Renováveis). Resume-se à quebra unilateral, sem explicações, da Indianapolis Power and Light Company do contrato de fornecimento de energia do parque eólico de Lakefield, celebrado entre a Indianapolis Power and Light Company e a enXco, a empresa local da EDF.

À medida que se escavam os detalhes da notícia, ela fica mais interessante! O contrato foi rescindido unilateralmente pela IPL, a 1 de Março. Mais de 10 dias depois, a EDF deu conhecimento dela ao mercado. Entretanto, no página de notícias da enXco não há qualquer referência, senão das boas notícias... A referência à assinatura apareceu em muitos locais da Internet na altura, mas agora é muito difícil detectar a notícia inversa...

O que é que querem eles esconder? Será isto o regresso de uma verdade antiga?

O meu blog é neutro em termos de CO2

O leitor que acabou de chegar, e está a ler estas linhas, já libertou 0.02 gramas de dióxido de carbono! Assim o diz um estudo de Alexander Wissner-Gross, da Universidade de Harvard. Tal assume um blog como o do Ecotretas, que recebe cerca de 15000 visitas por mês, causando assim emissões anuais de cerca de 3.6 quilogramas de CO2! Mas o que são 3.6 Kg de CO2? É equivalente à repiração humana em 4 dias, ou a 34.6 Km num Toyota Prius!

Alguns tretas da Web querem agora que os blogs compensem as suas emissões plantando uma árvore. Argumentam que uma árvore absorve aproximadamente 10 Kg de CO2 por ano. Eu já plantei muitas ao longo da minha vida, pelo que o meu blog está compensado há muito tempo... O problema é, no entanto, sempre o mesmo: e quando elas ardem?

domingo, 14 de março de 2010

Previsões do dia da Terra

O dia da Terra está apenas a umas semanas de distância. Interessa pois, antecipar a comemoração dos seus 40 anos com as previsões efectuadas em 1970! Estas previsões tem sido alvo da chacota total, nomeadamente nas comemorações anteriores, mas numa comemoração tão especial, que certamente será recheada de mais cenários catastrofistas, não nos podemos esquecer delas! Vamo-nos concentrar neste artigo nas previsões relativas à poluição atmosférica.

Paul Ehrlich, um dos tretas-mor da altura, tinha umas visões eloquentes em Abril de 1970, na revista Mademoiselle:

Air pollution is certainly going to take hundreds of thousands of lives in the next few years alone,

O mesmo Ehrlich previu em 1973 que 200.000 americanos morreriam de poluição, e que em 1980 a esperança de vida dos Americanos seria de 42 anos!

Na revista Life Magazine, de Janeiro de 1970, há mais previsões arrebatadoras:

In a decade, urban dwellers will have to wear gas masks to survive air pollution
(...)
By 1985, air pollution will have reduced the amount of sunlight reaching earth by one half
(...)
Increased carbon dioxide in the atmosphere will affect the earth's temperature, leading to mass flooding or a new ice age

Um outro ecologista, Kenneth Watt, foi ainda mais longe:

At the present rate of nitrogen buildup, it’s only a matter of time before light will be filtered out of the atmosphere and none of our land will be usable.

40 anos depois, a população dos Estados Unidos aumentou mais de 50%, a quantidade de milhas conduzidas aumentou 160%, e o PIB aumentou 204%. Mas como podem ver pelo gráfico acima, a qualidade do ar melhorou de forma muito significativa! E o gráfico não recua até 1970, quando a realidade era ainda pior!

Como é possível que estes tretas ainda andem por aí a assustar-nos? Mas não há dúvidas, mais previsões da treta estão na forja, e delas não escaparemos novamente este ano.

sábado, 13 de março de 2010

A economia verde alemã

Depois de termos divulgado aqui os estudos relativos à falácia dos números da economia verde de Espanha e Dinamarca, segue-se a Alemanha. Via o excelente EU Referendum, podemos atingir o estudo "Economic impacts from the promotion of renewable energies: The German experience", do Rheinisch-Westfälisches Institut für Wirtschaftsforschung. Atente-se no abstract, com realces da nossa responsabilidade:

The allure of an environmentally benign, abundant, and cost-effective energy source has led an increasing number of industrialized countries to back public financing of renewable energies. Germany’s experience with renewable energy promotion is often cited as a model to be replicated elsewhere, being based on a combination of far-reaching energy and environmental laws that stretch back nearly two decades. This paper critically reviews the current centerpiece of this effort, the Renewable Energy Sources Act (EEG), focusing on its costs and the associated implications for job creation and climate protection. We argue that German renewable energy policy, and in particular the adopted feed-in tariff scheme, has failed to harness the market incentives needed to ensure a viable and cost-effective introduction of renewable energies into the country’s energy portfolio. To the contrary, the government’s support mechanisms have in many respects subverted these incentives, resulting in massive expenditures that show little long-term promise for stimulating the economy, protecting the environment, or increasing energy security. In the case of photovoltaics, Germany’s subsidization regime has reached a level that by far exceeds average wages, with per-worker subsidies as high as 175,000 € (US $ 240,000)

O documento é um autêntico maná, mas um verdadeiro pesadelo para os ecologistas da treta. Atenta-se, por exemplo, no seguinte:

Although Germany’s promotion of renewable energies is commonly portrayed in the media as setting a “shining example in providing a harvest for the world” (The Guardian 2007), we would instead regard the country’s experience as a cautionary tale of massively expensive environmental and energy policy that is devoid of economic and environmental benefits.

Na imagem acima, retirada do estudo, podemos igualmente confirmar que a tarifa "feed-in", para a energia solar fotovoltaica, foi de 43 cêntimos de euro no ano passado,um custo que é oito vezes superior ao custo da electricidade "normal", e até quatro vezes superior ao pago pela energia eólica! Esta, que é considerada uma energia com provas dadas, precisa de tarifas "feed-in" até 300% superiores aos da energia "normal" para ser competitiva. Repare-se ainda na evolução dos preços nominais, que subiram cerca de 100% em 10 anos. Não se admirem que os Alemães se vejam rapidamente gregos com estas estratégias.

A energia solar, apesar de contribuir com apenas 0.6% para o total de energia eléctrica produzida na Alemanha, recebe a maior fatia de subsídios, com uns impressionantes 8400 milhões de euros em 2008! Entre 2000 e 2010 estima-se que os Alemães tenham esturricado na brincadeira solar qualquer coisa como 53300 milhões de euros e 20500 milhões de euros nas eólicas...

Nem a lógica económica resiste. Fiquem com mais um extracto do documento, que vale pela sua leitura integral:

In fact, PV is among the most expensive greenhouse gas abatement options: Given the net cost of 41.82 Cents (Cents 63.00 US $) per kWh for modules installed in 2008 (Table 4), and assuming that PV displaces conventional electricity generated from a mixture of gas and hard coal with an emissions factor of 0.584 kg carbon dioxide (CO2) per kWh (Nitsch et al. 2005:66), then dividing the two figures yields abatement costs that are as high as 716 € (1,050 US$) per tonne. (...)
Since the establishment of the European Emissions Trading System (ETS) in 2005, the price of certificates has never exceeded 30 € per tonne of CO2.

Meteorologia não monopolista

O jornalista Ricardo Alexandre, da Antena 1, entrevistou o professor Delgado Domingos na passada segunda-feira. Entre outras afirmações muito pertinentes, Delgado Domingos referiu que a tragédia na Madeira podia ter sido prevista com uma semana de antecedência. Já aqui tínhamos referido como o IM tem falhado escandalosamente, como já foi referido no blog aqui, aqui, e ali... O Instituto de Meteorologia, no seu jeito conhecido, respondeu, incluindo:

O IM não se pronuncia sobre a qualidade das actividades do grupo existente no IST coordenado por aquele senhor Professor, pois desconhece essas mesmas actividades na área da meteorologia, aguardando pelas publicações científicas aceites em publicações internacionais nesta matéria, para poder emitir opinião fundamentada.

Para quem desconhece essas actividades, resulta curioso dizerem imediatamente a seguir:


Conforme é sabido por todos quantos operam nesta área os modelos deterministas, como o corrido no IST, têm limites que podem resultar em erros de previsão devido fundamentalmente ao desconhecimento perfeito das condições iniciais (erros ou falta de observações) que se propagam e diminuem a qualidade da sua previsão ao longo do tempo.

Uma resposta adequada a estes senhores foi dada na quinta-feira pelo Expresso. Neste artigo se referenciam sites nacionais onde podemos fazer as nossas previsões de tempo personalizadas. Nada como acabar com este monopólio do IM, que por acaso só deve existir na cabeça deles! Eu pessoalmente consulto sites internacionais sobre a meteorologia, e tenho dificuldades em me lembrar de alguém que utilize o site do IM para saber o tempo que vai fazer... Mas agora tenho mais alternativas! Aqui ficam para referência dos leitores:

http://meteo.ist.utl.pt/new/local/
www.weather.ul.pt
http://climetua.fis.ua.pt/main

sexta-feira, 12 de março de 2010

Árvores que não se comportam como deve ser

Uma das supostas consequências mais dramáticas de Aquecimento Global é o avanço para os polos de todo o tipo de desgraças. Depois de derreter o gelo, de se libertar o metano das tundras, as árvores avançarão e ocuparão esse espaço. Tanto assim é que o IPCC, no seu relatório do Clima de 2007, no Grupo de Trabalho II, na vertente dos impactos, dá como garantido que a linha de avanço das florestas será significativa. No Grupo de Trabalho I, as conclusões são as mesmas.

O problema é que um estudo divulgado no Verão passado na revista Ecology Letters, não alinha por estas previsões catastrofistas. Para Harsch et al., que analisaram árvores em 166 locais, em 77 dos locais (47%) não houve avanço nem recuo da linha de floresta. Curiosa foi a associação do avanço das árvores com as temperaturas de Inverno, e não de Verão, como se supunha. O avanço é apenas claro quando há aumento das temperaturas de Inverno, e não quando há aumento de temperaturas exclusivamente no Verão.

Este estudo dá que pensar, sobretudo quando se tem assistido a um regresso dos Invernos muito frios a latitudes elevadas. Dá também para equacionar todos os trabalhos associados ao crescimento das árvores, dado que o estudo das temperaturas históricas está essencialmente baseado no crescimento dos anéis das árvores a latitudes elevadas.