sexta-feira, 16 de abril de 2010

Falência tuga

A recente erupção do vulcão na Islândia, com todas as consequências que está a ter no tráfego aéreo, e que vai continuar a ter, levou-me a dar mais atenção a duas notícias envolvendo a política de transportes em Portugal: o novo aeroporto e o TGV. Os ecologistas da treta estão de mãos e pés atados, e não dão uma para a caixa. Sendo primariamente contra o progresso, é estranho não se fazerem ouvir...

Para o novo aeroporto, as ameaças de não construção já se fazem sentir. O problema é que o aeroporto actual seria mais que suficiente, com duas pequenas obras, conforme se pode ver aqui: um taxiway alternativo e uma limpeza de Figo Maduro, e já agora de parte do Prior Velho, da qual retirei a imagem acima.

Mesmo que isso fosse insuficiente, Alverca seria uma óptima alternativa, sobretudo para as lowcost: monta-se um barracão, como o fazem os espanhóis, e está um aeroporto prontinho para receber turistas! Ou porque acham que os turistas andam de low-cost? Será para admirar a sumptuosidade dos nossos aeroportos, dos seus magníficos lounges, ou do novo SPA? É claro que alguns vão dizer que Alverca não serve por estar no enfiamento da Portela, mas esse argumento é muito facilmente desmontado!

No TGV, a palhaçada é semelhante. Nas últimas notícias que li, sobre a aprovação do primeiro contrato do TGV, li com estupefacção, que para além das duas linhas do TGV, vai haver uma terceira linha, para mercadorias! A coisa, que anda bem escondida, ainda piora: a construção vai-se fazer em bitola ibérica, coisa com que os próprios espanhóis já estão a acabar! Para disfarçar a coisa ainda mais, prepara-se tudo para mudar para bitola europeia, com os custos obviamente acrescidos!!! E juntam-se aos comboios mais uns eixos telescópicos, com novo aumento de preço nestes... Dá para acreditar?

Regressando à duvida inicial. Esta corja de ambientalistas oportunistas está-se a alimentar. Todos sabemos que uma fera não constitui perigo quando se alimenta; assim são os ambientalistas. Assim que se acabarem os estudos e as avaliações destas mega-obras, os abutres regressarão esfomeados. Para se alimentarem com mais estudos e análises...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O poder da Mãe Natureza


A erupção do vulcão Eyjafjallajokull na Islândia está a causar um impacto enorme no tráfego aéreo da Europa do Norte. O seu impacto no clima será obviamente grande, sendo que aqui recordo apenas um exemplo do passado, que nos deve dar que pensar.

Em 1783, a erupção do vulcão Laki, na Islândia, causou um dos maiores desastres na história recente. Na altura, cerca de 14Km3 de lava e gases venenosos foram emitidos para a atmosfera. Tal causou a morte de cerca de 50% do gado da Islândia, com 25% da população a morrer também! Na altura, a nuvem de cinzas cobriu grande parte da Europa, e até partes da Ásia e Norte de África. O Verão registou uma queda acentuada de temperaturas, e o Inverno que se seguiu foi um dos mais frios de que há registos históricos... Até a Revolução Francesa lhe é atribuída, depois da fome que grassou, em função da perca de colheitas e de gado.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

IPCC tem 5600 referências não peer-reviewed

Uma análise independente determinou que 21 dos 44 capítulos do relatório do IPCC de 2007, têm menos de 59% de referências peer-reviewed. Na verdade, apenas 8 dos capítulos tem mais de 90% das suas referências peer-reviewed. Tal análise foi conduzida por 40 cidadãos-auditores, que examinaram as cerca de 18500 referências do relatório, que é a Bíblia dos alarmistas. Deste total, 5600 são referências não peer-reviewed!

Tais conclusões não são todavia surpreendentes... Há pouco mais de um mês já nos havíamos aqui referido à presença da designada literatura cinzenta nestes relatórios.

Como consegue Rajendra Pachauri conviver com este cenário é que é mais extraordinário! Como havíamos aqui referido, primeiro ele afirmou que o IPCC não ía buscar as conclusões aos jornais, mas entretanto tem vindo a "flexibilizar" o discurso. Alertado para a sua próxima presença em Portugal, pelo leitor Manuel Brás, estamos a preparar um dossier sobre o senhor. Para que se perceba quem é exactamente o tretas-mor do IPCC!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Eólica ao fundo

A produção de energia eólica offshore tem muitos desafios técnicos. Se a energia eólica em terra já tem que ser subsidiada, imaginem como é quando se tem que construir no mar! O jornal The Sun revela que centenas de turbinas eólicas do Reino Unido têm um erro de desenho que causa o seu afundamento. Quer dizer, os alarmistas dirão que é o mar que está a subir...

O problema é o betão nas fundações, que sofre um processo de desgaste, causando uma descida de vários centímetros no fundo do mar. O problema acontece nas turbinas que tem um única fundação cilíndrica. A falha técnica, originalmente descoberta na Holanda, já foi confirmada em várias turbinas, mas muitas permanecem por analisar. Os especialistas dizem que a correcção pode atingir os 50 milhões de libras. Nada que os consumidores britânicos não venham concerteza a ter que pagar...

Niels Bergh-Hansen, da empresa dinamarquesa "Dong Energy", que detém 164 dessas turbinas, resume: "It's something no one could foresee and can give any engineer nightmares."

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Energia de lua cheia

Depois do post de ontem do défice tarifário espanhol, um leitor atento enviou-me um link para mais uma notícia paradigmática da economia verde no país vizinho. Segundo as notícias que estão a ser difundidas, foram produzidos durante a noite, 6000 MWh nos painéis fotovoltaicos de nuestros hermanos! Destes, 4500 MWh foram produzidos entre a meia-noite e as 7 da manhã, enquanto 1500 MWh foram produzidos entre as 19 e as 23 horas. Desconhece-se o que foi produzido entre as 23 e meia-noite...

Antes que o leitor pense que a estas horas ainda há Sol no pico do Verão, estes dados são relativos aos valores entre os meses de Novembro e Janeiro passados. Nesse período, a única contribuição terá sido talvez a do luar de Janeiro, mas sabe-se que o luar tem uma intensidade de luz que é cerca de 500000 vezes inferior à do Sol...

Assim sendo, não há outra explicação que não fraude! As notícias apontam para a geração de energia electrica a partir de grupos electrogéneos a gasóleo, mas também não é descabido ligar a produção à rede eléctrica e fazer tipo uma pescadinha de rabo na boca...

Actualização: Um leitor espanhol enviou-me uma cópia para a tabela de produção de energia, no artigo do El Mundo (clique para ampliar):

domingo, 11 de abril de 2010

Défice Tarifário espanhol

O défice tarifário é uma invenção de países, como Portugal e Espanha, que para suportarem os custos das energias renováveis, sem subirem de forma muito significativa os preços dos consumidores finais, varrem o problema para baixo do tapete... Ao nosso já nos referimos aqui no passado, uma e outra vez. Ao caso espanhol também já nos referimos vagamente.

O monstro espanhol é tão grande, que alguma coisa tinha que ser feita. Segundo contas do jornal especializado Expansión, até 2008 o valor é de 10000 milhões de euros, a que se somam 3500 milhões em 2009, 3000 milhões em 2010, 2000 milhões em 2011 e 1000 milhões em 2012. Ou seja, em pouco mais de dois anos haverá que atacar 20 mil milhões de euros deste bronca tarifária. Para os leitores portugueses terem uma ideia da enormidade desta número, corresponde a cerca de 12% do nosso PIB português, embora para os Espanhóis represente bastante menos, até porque o PIB deles é mais de 6 vezes superior ao nosso!

Mas a história não vai ser assim tão simples! Como outro artigo do Expansión refere, o Tesouro Público de Espanha vai tentar emitir esta dívida em condições de mercado. Vai tentar pressionar a Banca, passando o problema para as mãos deles. Será que eles vão aceitar isto a qualquer preço? Ou será que vão ser acrescentadas mais umas valentes comissões? Para mim, isto vai dar mal, até porque alguém vai ter que pagar! Espero que não tenhamos que ser nós, os portugueses...

Preço nulo na exportação de energia

Uma das críticas que se ouve ao teor do Manifesto recentemente divulgado, é relativa ao seu ponto 3, onde se refere que estamos a "exportar a preço nulo (!) a produção renovável em excesso". As críticas são várias, desde este ser um fenómeno muito pontual, até não serem só as renováveis as envolvidas nesta vergonha.

Já aqui tínhamos observado no início do ano tal fenómeno, com imagens retiradas do site da REN e OMEL a deixarem clara tal evidência. Mas para aqueles que pensam que isto são fenómenos isolados, não deixem de visitar os referidos sites, pesquisando várias datas. Abaixo dou um exemplo recente de apenas quatro dias. Podia encher aqui o blogue com centenas de imagens equivalentes, mas a amostra recente é mais do que suficiente.

Na primeira coluna observamos como em quatro dias consecutivos recentes, largos períódos tiveram um custo de energia nulo. Nos períodos em que esse custo é nulo, assiste-se a uma forte exportação de energia a partir de Portugal. Quando o custo sobe, Portugal tende a importar? E quando se exporta verifica-se que a produção de energia eólica é maior. E então quando o vento sopra ao fim de semana, como é o caso dos dois primeiros dias, relativos ao fim de semana da Páscoa, então o saque ao bolso dos consumidores/contribuintes é redobrado! Há dúvidas ainda sobre o que é dito no Manifesto?