sexta-feira, 30 de abril de 2010

Carrossel de CO2 na Alemanha

As falcatruas envolvendo o comércio de emissões têm-se revelado cada vez mais comuns, Já aqui relatamos as experiências criminosas na Dinamarca, Hungria e Espanha. Agora chegou a vez da Alemanha!

Em meados desta semana, cerca de 50 empresas alemãs foram invadidas por investigadores da polícia, com suspeitas de evasão de impostos em cerca de 180 milhões de euros! As buscas foram efectuadas por mais de 1000 investigadores, em mais de 230 locais em toda a Alemanha, incluindo gigantes como o Deutsche Bank, mas também as casas de vários indivíduos. Cerca de 150 pessoas são suspeitas de evasão de impostos, no conhecido esquema de carrossel do IVA, envolvendo a negociação de permissões de emissões de gases de efeito de estufa.

As estimativas da Europol indicam que 27% do mercado foi fraudulento nos 18 meses que terminaram em 2009, ou o equivalente a 1.9 bilião de toneladas. Tais dados são baseados numa taxa de IVA de 17%, um preço de 15.80 euros por tonelada de CO2, e 7 biliões de toneladas negociadas nesse período.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Quanto custam as eólicas?

Na sequência do post de ontem sobre o impacto das eólicas, Henrique Pereira dos Santos, no blog ambio, deu-me uma ideia interessante: quanto custaria deixar de ter as eólicas todas? Ora aqui está uma pergunta interessante, com uma resposta não muito difícil. Todos os dados são relativos ao primeiro trimestre de 2010, e têm como base os dados obtidos a partir da REN e do OMEL.

Primeiro, ao abolir a produção de eólicas, deixava-se de ter que pagar aos produtores eólicos. Segundo o valor médio do ano de 2009, 93.74 €/MWh, e tendo em conta a geração de 2872.2476 GWh, foram pagos aos produtores eólicos um pouco mais de 269 milhões de euros!

Segundo, a energia adicional necessária ao consumo teria que ser adquirida. Para os efeitos do presente cálculo, vou utilizar os preços do OMEL. O valor a adquirir por hora seguiu o seguinte algoritmo: se a produção eólica foi inferior à energia exportada, então não seria necessário importar energia adicional; nos restantes casos, teria que ser comprada o diferencial entre o total de energia eólica produzida e a o total de energia exportada, ao preço praticado no OMEL. Fazendo as contas, seria necessário efectuar compras de energia num valor ligeiramente superior a 52 milhões de euros.

Resumindo, se não existissem eólicas, o país teria poupado no primeiro trimestre de 2010 a módica quantia de 216667527.70 €. É claro que a brutalidade deste número tentará ser diminuída, não pela verdade dos números, mas pelos factos colaterais. Pela via das percas da economia verde, uma miragem em Portugal, especialmente depois desta semana a EDPR ter encomendado um conjunto recorde de turbinas, não ao consórcio nacional, mas à Vestas. Outros factores até seriam benéficos, como seja a optimização dos sistemas de turbinagem/bombagem, que seriam melhor geríveis na ausência das eólicas...

terça-feira, 27 de abril de 2010

50 milhões de euros

O debate sobre a exportação de energia a custos baixos, ou mesmo nulos, para o estrangeiro, é antiga aqui no Ecotretas. No início do ano verificamos como estavamos a trabalhar para aquecer, tendo depois verificado que a má gestão era a característica dominante da importação/exportação de energia. Há pouco mais de duas semanas, na sequência do Manifesto por uma nova política energética em Portugal, voltamos à carga para evidenciar a validade das afirmações inscritas no Manifesto.

Entretanto, os defensores das energias renováveis, sentiram o toque. Como o que se verificou no blog Ambio, nos últimos dias, e que se tem intensificado. Ainda hoje, Henrique Pereira dos Santos teve um ataque saudosista, com insinuações de aldrabice à mistura, talvez motivado pelo comentário que fiz no post anterior, relativo aos dois terços do Alqueva que foram por água abaixo. Eu sei que eles têm dificuldades em fazer contas, por isso aqui vão mais umas verdades inconvenientes.

Neste primeiro artigo vamos calcular quanto dinheiro foi deitado fora na exportação de energia eléctrica. Todos os dados aqui utilizados foram retirados dos sites da OMEL e da REN. O dinheiro mais mal gasto é quando se está a exportar energia para Espanha, e se está a pagar dinheiro aos produtores fotovoltaicos. Acreditamos que este cenário não terá um impacto significativo, mas a ele voltaremos. No caso da eólica, o cenário é diferente, e será o analisado aqui

A energia eólica produzida em Portugal, como sabemos, tem tarifas feed-in. Ou seja, tudo o que eles produzirem tem que ser comprado pela EDP. Aliás, um dos argumentos bacocos dos ambientalistas é que a energia eólica não é exportada no contexto da OMEL. Pois claro! A EDP tem que comercializar aos Portugueses a energia mais cara, e vende a mais barata, que é a restante, aos estrangeiros.

Em 2009, a tarifa média para as eólicas foi de 93.74 €/MWh. Quase sempre a tarifa praticada foi inferior à das eólicas, e em apenas 6.895% dos períodos horários do primeiro trimestre se verificou uma produção eólica efectivamente inferior à exportada. Por isso, para cada período horário escolheu-se o menor dos valores, ou a energia eólica produzida nessa hora, ou a energia efectivamente exportada. Em qualquer um dos casos, seria sempre preferível não pagar aos produtores eólicos, do que pagar-lhes e receber uma quantidade inferior de dinheiro dos estrangeiros. Multiplando cada um desses valores de energia exportados, pelo diferencial entre o preço pago às eólicas e o preço de energia praticada no âmbito do OMEL, verificamos que se perdeu no primeiro trimestre a módica quantia de 50893224.12 €!

Estas contas continuarão a ser complementadas. Para que os Portugueses percebam a factura que estão a pagar... Para este peditório do primeiro trimestre, cada Português já entrou com 5 euros!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Falta de oportunidade do "Minuto Verde"









O "Minuto Verde" da Quercus, que passa todas as manhãs na RTP1, é quase sempre patético! Mas hoje a patetice foi extraordinária! Francisco Ferreira, voltou hoje a demonizar os veículos que todos os dias temos que levar para os centros das cidades. E a tentar impingir-nos as virtudes dos transportes públicos.

O que é extraordinário num dia em que a CP esteve em greve, e em que amanhã se prepara uma mega-greve em todas as empresas de transportes.

Fica-lhes bem, parecerem estúpidos! O que vale é que já ninguém deve levar o "Minuto Verde" a sério, mas ele continua lá. Quanto será que pagam os contribuintes por estas baboseiras?

sábado, 24 de abril de 2010

Dois terços do Alqueva pelo Guadiana abaixo

Henrique Pereira dos Santos (HPS), escreveu ontem no blog ambio, as tretas que o Ecotretas têm revelado. A história é longa, mas tivera um antecedente directo na quinta-feira, noutro post do HPS sobre o Manifesto, e do qual transcrevo uma passagem importante:

Esta falácia tem vindo a ser repetida vezes sem conta sem que nem por uma única vez alguém diga qual a percentagem de energia vendida a preço zero, nem quanta energia potencial se perdeu com a abertura das comportas de Alqueva (que é determinada pela quantidade de chuva e não pela bombagem entretanto feita, pelo menos em quantidade significativa)

O Ecotretas nunca se acobarda perante insinuações de diminuição da importância dos argumentos aqui apresentados. Também não me esquivo a correcções, que felizmente têm sido muito poucas. Neste primeiro de dois posts relacionados, tratarei a questão da energia potencial perdida no Alqueva. A segunda, relativa ao import/export, pela sua complexidade ficará para mais tarde...

Segundo os dados da REN, durante o primeiro trimestre de 2010 foram gastos em bombagem no Alqueva, 33.995 GWh. No mesmo período, foram efectuadas descargas de 2769.83 hm3. Estes valores são um grande avanço sobre os dados que havia aqui relatado a 27 de Fevereiro. Para que o HPS tenha uma noção destes números, as descargas representam dois terços (2769.83/4150 => 66.743%) da capacidade de armazenamento total do Alqueva! E os 33.995 GWh gastos em bombagem dão para abastecer energia suficiente para 11300 famílias durante um ano completo, o equivalente a quase 4 meses e meio de produção da central solar da Amareleja!

Quanta energia potencial se perdeu dá uma conta ainda maior! É que enquanto esteve a bombar, o Alqueva não esteve a turbinar! Portanto, para além dos 34GWh perdidos em bombagem, o Alqueva podia ter estado verdadeiramente a produzir energia!!! Quanta energia se poderia ter produzido com 2769.83 hm3 é uma conta apenas um pouquinho mais complexa. Cada um dos dois grupos do Alqueva turbina 200m3/s, pelo que o valor dos 2769.83 hm3 daria para turbinar mais de 80 dias sem parar! Como o Alqueva consegue produzir mais de 5500MWh num único dia (ver dados de eg. 3 de Março de 2010), perderam-se 440.8 GWh pelo rio abaixo!!! Somando este valor ao do desperdício de bombagem, a energia potencial perdida é de cerca de 5 anos de produção da central solar da Amareleja... Mas o HPS pode argumentar que nem toda a energia potencial seria aproveitada, porque não há tantos dias num trimestre. Resumindo, o valor real mais concreto é de um desperdício de produção de cerca de 200 GWh (entre o máximo teórico para o trimestre e o efectivamente produzido no primeiro trimestre), a que se deve somar os tais 34 GWh desperdiçados na bombagem. Ora isso dá para quase dois dias de consumo de energia eléctrica em Portugal!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Eurekagate

Yesterday's post about Eureka has led to some comments, regarding how important this issue is. Anthony Watts has made some very good points explaining why this is important. I would like to further expand on this.

Maximum temperatures are very important, as mean temperatures result from the average between the maximum and minimum temperatures of a day. That can be seen for the July 2009 values, where the mean temperature for July 14th, was 14.1ºC. This results from adding the minimum temperature (7.3ºC) to the maximum temperature (20.9ºC), and dividing the result by 2, thus giving 14.1ºC. Now, as can be seen from the hourly temperatures of the day, 14.1ºC was only surpassed at 19:00, with 14.4ºC. Now, the mean monthly temperatures seem to be derived from the daily means, giving the 8.0ºC mean temperature for July 2009. This value is the same as given in GHCN data (note: very large file!) and they confer with the National Climate Data and Information Archive, with only a minor difference in April, in all of 2009. Please notice the data in the GISS file:

4037191700062009 -340 -386 -386 -273 -98 40 80 56 -56 -234 -233 -296

Now, readers following this might wonder how much big the impact is when maximum temperatures have sky-rocketed, as we have shown yesterday. More in a little moment. First I had to be sure about how the mean temperatures were calculated. Reverse engineering the values for 2009, I found that the monthly mean is the mean of the daily means. This can be seen by calculating other months mean values, namely March 2009 and November 2009. This has an interesting impact, as the value rounding observed in each day's value, is incorporated in the monthly value. Please see the following table for the details on the July average:

DayMaxMinNCDIA
mean
Math
mean
July 110-0.154.95
July 27.82.154.95
July 37.61.94.84.75
July 49.34.46.96.85
July 56.22.64.44.4
July 69.52.96.26.2
July 78.62.75.75.65
July 810.12.56.36.3
July 910.43.97.27.15
July 1011.53.47.57.45
July 119.32.96.16.1
July 129.32.86.16.05
July 1319.82.811.311.3
July 1420.97.314.114.1
July 1515.74.510.110.1
July 1612.63.78.28.15
July 1714.438.78.7
July 1814.86.610.710.7
July 1913.46.710.110.05
July 2016.43.710.110.05
July 21152.68.88.8
July 2217.19.113.113.1
July 2313.86.810.310.3
July 24123.17.67.55
July 2514.47.310.910.85
July 2613.46.39.99.85
July 279.54.16.86.8
July 287.22.14.74.65
July 299.41.25.35.3
July 3013.14.48.88.75
July 3110.34.77.57.5
8.0067.981

Please notice that the math mean will always be lower than the NCDIA mean. How much depends on the specific values, but one would expect it to be 0.025ºC (15x0.05/30) on a 30 day month. This is in range with the difference observed for July 2009.

Now finally we can measure the impact of the strange temperatures in July 2009. If we admit that the July 13th maximum value of 19.6ºC is an absurd, we can use the second lowest value of that day, which is 13.7ºC. Some of you might argue that it is still a high value, as can be seen in the daily graph, but for simplicity, let's use it. And we'll use 14.4ºC as the maximum temperature for July 14, as this is the highest value for that day.

DayMaxMinNCDIA
mean
Math
mean
delta for
13 and 14
July 110-0.154.954.95
July 27.82.154.954.95
July 37.61.94.84.754.75
July 49.34.46.96.856.85
July 56.22.64.44.44.4
July 69.52.96.26.26.2
July 78.62.75.75.655.65
July 810.12.56.36.36.3
July 910.43.97.27.157.15
July 1011.53.47.57.457.45
July 119.32.96.16.16.1
July 129.32.86.16.056.05
July 1319.82.811.311.38.25
July 1420.97.314.114.110.85
July 1515.74.510.110.110.1
July 1612.63.78.28.158.15
July 1714.438.78.78.7
July 1814.86.610.710.710.7
July 1913.46.710.110.0510.05
July 2016.43.710.110.0510.05
July 21152.68.88.88.8
July 2217.19.113.113.113.1
July 2313.86.810.310.310.3
July 24123.17.67.557.55
July 2514.47.310.910.8510.85
July 2613.46.39.99.859.85
July 279.54.16.86.86.8
July 287.22.14.74.654.65
July 299.41.25.35.35.3
July 3013.14.48.88.758.75
July 3110.34.77.57.57.5
8.0067.9817.777

The value has come down from 8.0ºC to 7.8ºC. But one might argue that this max/min temperature simple calculations are really too simplistic. I moved on, gathering the hourly values for July 2009, in CSV format, and doing the necessary calculations. Another column emerges, and as can be seen below, another reality appears: mean monthly temperatures for July 2009 are at 7.6ºC!

DayMaxMinNCDIA
mean
Math
mean
delta for
13 and 14
hourly
mean
July 110-0.154.954.953.895
July 27.82.154.954.954.305
July 37.61.94.84.754.753.691
July 49.34.46.96.856.856.564
July 56.22.64.44.44.44.255
July 69.52.96.26.26.25.659
July 78.62.75.75.655.654.773
July 810.12.56.36.36.34.636
July 910.43.97.27.157.157.241
July 1011.53.47.57.457.457.564
July 119.32.96.16.16.15.027
July 129.32.86.16.056.055.573
July 1319.82.811.311.38.258.527
July 1420.97.314.114.110.8511.464
July 1515.74.510.110.110.19.65
July 1612.63.78.28.158.159.927
July 1714.438.78.78.77.95
July 1814.86.610.710.710.711.164
July 1913.46.710.110.0510.0510.823
July 2016.43.710.110.0510.0512.845
July 21152.68.88.88.87.809
July 2217.19.113.113.113.113.973
July 2313.86.810.310.310.310.15
July 24123.17.67.557.557.995
July 2514.47.310.910.8510.8510.809
July 2613.46.39.99.859.859.286
July 279.54.16.86.86.87.118
July 287.22.14.74.654.653.991
July 299.41.25.35.35.34.686
July 3013.14.48.88.758.757.614
July 3110.34.77.57.57.56.482
8.0067.9817.7777.595

For some strange reason, data for this station doesn't include the first two hours of the day. Seems like temperatures should be colder in that period, despite the fact that there is always a sun up there in July. Couldn't help testing this one too. So, with no surprise, temperatures went down again:

DayMaxMinNCDIA
mean
Math
mean
delta for
13 and 14
hourly
mean
24 hour
mean
July 110-0.154.954.953.8953.804
July 27.82.154.954.954.3054.217
July 37.61.94.84.754.753.6913.633
July 49.34.46.96.856.856.5646.471
July 56.22.64.44.44.44.2554.346
July 69.52.96.26.26.25.6595.492
July 78.62.75.75.655.654.7734.742
July 810.12.56.36.36.34.6364.504
July 910.43.97.27.157.157.2417.108
July 1011.53.47.57.457.457.5647.592
July 119.32.96.16.16.15.0274.954
July 129.32.86.16.056.055.5735.717
July 1319.82.811.311.38.258.5278.208
July 1420.97.314.114.110.8511.46411.004
July 1515.74.510.110.110.19.659.717
July 1612.63.78.28.158.159.92710.138
July 1714.438.78.78.77.957.713
July 1814.86.610.710.710.711.16410.921
July 1913.46.710.110.0510.0510.82310.742
July 2016.43.710.110.0510.0512.84512.638
July 21152.68.88.88.87.8097.846
July 2217.19.113.113.113.113.97313.95
July 2313.86.810.310.310.310.1510.246
July 24123.17.67.557.557.9958.083
July 2514.47.310.910.8510.8510.80910.729
July 2613.46.39.99.859.859.2869.608
July 279.54.16.86.86.87.1187.104
July 287.22.14.74.654.653.9914.1
July 299.41.25.35.35.34.6864.563
July 3013.14.48.88.758.757.6147.429
July 3110.34.77.57.57.56.4826.421
8.0067.9817.7777.5957.540

So, instead of 8.0ºC, we are down to 7.5ºC! Well, I'll stop for now. Before it gets too cold!

Note: The photo at the beginning of the post was given by Tim Clark, in the Watts Up With That post, and is available here.
Note2: Reference to GISS was replaced with the correct reference to GHCN, above.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Eureka

Eureka, in Nunavut Canada, is a very special meteorological station. As can be seen in the first image above, it is responsible for the very big stripe on the very top of Canada. As can be seen on the second image, the data from only one station is responsible for a very big percentage of global temperatures... Both graphs can be obtained here.

So, one would imagine that data for this station is quality proof. But that was not the idea I got when I found out about Arctic heat. We found two sources for temperature data: at Weather Underground and at the National Climate Data and Information Archive.

The first interesting data about this station is it's record high temperature, which according to Wikipedia was reached on July 14, 2009, with 20ºC. On Weather Underground, the page for that day does say that 20ºC was the maximum temperature. But when you check the METAR data, the maximum temperature was 14ºC. Checking the Environment Canada page, the maximum for the date was 14.4ºC. Things were different on the day before, July 13th. Maximum temperature for Weather Underground was also 20ºC, while at Environment Canada was 19.6ºC. But if you check the graphs below, some special heat occurred at 10PM, when temperatures soared some 15ºC!

As Anthony Watts pointed out at Watts Up With That, the Eureka station registered the biggest rise in temperature probably seen on the Earth's surface: 86ºC in one hour, on March 3, 2007! Now this data is available on Weather Underground, but seems not to exist in Environment Canada. The graph differences are clear below:


But that seems not to be the case in other examples. Take January 1st, 2007, for instance. Both Weather Underground and Environment Canada agree: there was a mighty spike at noon. Seems like the "M" problem affects both:

There are times where differences are not so big, but the "M" problem is still there. Check the images from Weather Underground and Environment Canada for September 26, 2006:

Other times, changes are so significant, that something must be wrong. Check out the temperature rise on June 20, 2005. On the left, the weekly graph from Weather Underground shows a great surge in temperatures, confirmed by the Environment Canada graph for the day.