domingo, 2 de maio de 2010

Afinal o roubo eólico é ainda maior

A crítica principal que tem sido feita aos posts sobre quanto custam as eólicas e o impacto do desperdício na exportação de energia, é a de que os custos da energia eólica estão a baixar.

O valor que está em causa é o do valor médio do ano de 2009, 93.74 €/MWh. Este valor, conforme podem ver no link apresentado, é de Fevereiro de 2010, e é portanto extremamente recente. Procurar valores mais actuais nem sequer se revelou difícil, e na página da ERSE sobre a Informação Mensal sobre a Produção em Regime Especial podemos ver no relatório mais recente, relativo a Março de 2010, queo valor actual é de 97.20 €/MWh, um aumento de 3.69% relativamente aos valores do ano anterior, que temos aqui utilizado!

NOTA: Um leitor atento chama-me a atenção para o facto dos valores serem ajustados no final do ano, em função da produção global do ano. A este tema voltarei com novo post.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Bons ventos de Espanha

O que para muitos parecia impossível, acabou de acontecer aqui ao lado em Espanha: uma machadada nas energias renováveis! Aos problemas dos Espanhóis já nos referimos várias vezes, incluindo recentemente na vertente solar, e ainda mais recentemente ao seu monstruoso défice tarifário.

Pois bem. No meio desta grave crise económica, o governo Espanhol, entre outras coisas, resolveu equacionar definitivamente a palhaçada dos apoios efectuados às energias renováveis. O Ministério da Indústria, de Miguel Sebastián, mandou elaborar estudos detalhados para confirmar a insustentabilidade do modelo actual. Um deles, referenciado neste link, enumera muitas verdades inconvenientes:
  • Espanha deixou de ter um custo de electricidade inferior à media europeia, para ter um valor superior;
  • Entre 1998 e 2009, as tarifas para os lares registou um aumento de 36.8%, enquanto para a Indústria, a subida foi de 77.1%
  • Para além dos custos directos envolvendo as renováveis, há os custos indirectos, nomeadamente de 10% adicionais no custo das redes de transporte.
  • Em 2009, as subvenções às renováveis foram equivalentes ao total dos valores públicos gastos em Investigação e Desenvolvimento!
  • Se nada for feito, nos próximos 25 anos, o total de custos com as renováveis ascenderá a 126 mil milhões de euros!

O documento é uma autêntica bofetada de luva branca. E reparem que parte do Governo, o que é extraordinário. Os ventos de mudança estão a levantar-se! As opiniões, algumas até anteriores a este documentos, são já mais que muitas, mas muitas mais se somarão!

Quando chegarão a Portugal estes ventos de mudança?

Carrossel de CO2 na Alemanha

As falcatruas envolvendo o comércio de emissões têm-se revelado cada vez mais comuns, Já aqui relatamos as experiências criminosas na Dinamarca, Hungria e Espanha. Agora chegou a vez da Alemanha!

Em meados desta semana, cerca de 50 empresas alemãs foram invadidas por investigadores da polícia, com suspeitas de evasão de impostos em cerca de 180 milhões de euros! As buscas foram efectuadas por mais de 1000 investigadores, em mais de 230 locais em toda a Alemanha, incluindo gigantes como o Deutsche Bank, mas também as casas de vários indivíduos. Cerca de 150 pessoas são suspeitas de evasão de impostos, no conhecido esquema de carrossel do IVA, envolvendo a negociação de permissões de emissões de gases de efeito de estufa.

As estimativas da Europol indicam que 27% do mercado foi fraudulento nos 18 meses que terminaram em 2009, ou o equivalente a 1.9 bilião de toneladas. Tais dados são baseados numa taxa de IVA de 17%, um preço de 15.80 euros por tonelada de CO2, e 7 biliões de toneladas negociadas nesse período.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Quanto custam as eólicas?

Na sequência do post de ontem sobre o impacto das eólicas, Henrique Pereira dos Santos, no blog ambio, deu-me uma ideia interessante: quanto custaria deixar de ter as eólicas todas? Ora aqui está uma pergunta interessante, com uma resposta não muito difícil. Todos os dados são relativos ao primeiro trimestre de 2010, e têm como base os dados obtidos a partir da REN e do OMEL.

Primeiro, ao abolir a produção de eólicas, deixava-se de ter que pagar aos produtores eólicos. Segundo o valor médio do ano de 2009, 93.74 €/MWh, e tendo em conta a geração de 2872.2476 GWh, foram pagos aos produtores eólicos um pouco mais de 269 milhões de euros!

Segundo, a energia adicional necessária ao consumo teria que ser adquirida. Para os efeitos do presente cálculo, vou utilizar os preços do OMEL. O valor a adquirir por hora seguiu o seguinte algoritmo: se a produção eólica foi inferior à energia exportada, então não seria necessário importar energia adicional; nos restantes casos, teria que ser comprada o diferencial entre o total de energia eólica produzida e a o total de energia exportada, ao preço praticado no OMEL. Fazendo as contas, seria necessário efectuar compras de energia num valor ligeiramente superior a 52 milhões de euros.

Resumindo, se não existissem eólicas, o país teria poupado no primeiro trimestre de 2010 a módica quantia de 216667527.70 €. É claro que a brutalidade deste número tentará ser diminuída, não pela verdade dos números, mas pelos factos colaterais. Pela via das percas da economia verde, uma miragem em Portugal, especialmente depois desta semana a EDPR ter encomendado um conjunto recorde de turbinas, não ao consórcio nacional, mas à Vestas. Outros factores até seriam benéficos, como seja a optimização dos sistemas de turbinagem/bombagem, que seriam melhor geríveis na ausência das eólicas...

terça-feira, 27 de abril de 2010

50 milhões de euros

O debate sobre a exportação de energia a custos baixos, ou mesmo nulos, para o estrangeiro, é antiga aqui no Ecotretas. No início do ano verificamos como estavamos a trabalhar para aquecer, tendo depois verificado que a má gestão era a característica dominante da importação/exportação de energia. Há pouco mais de duas semanas, na sequência do Manifesto por uma nova política energética em Portugal, voltamos à carga para evidenciar a validade das afirmações inscritas no Manifesto.

Entretanto, os defensores das energias renováveis, sentiram o toque. Como o que se verificou no blog Ambio, nos últimos dias, e que se tem intensificado. Ainda hoje, Henrique Pereira dos Santos teve um ataque saudosista, com insinuações de aldrabice à mistura, talvez motivado pelo comentário que fiz no post anterior, relativo aos dois terços do Alqueva que foram por água abaixo. Eu sei que eles têm dificuldades em fazer contas, por isso aqui vão mais umas verdades inconvenientes.

Neste primeiro artigo vamos calcular quanto dinheiro foi deitado fora na exportação de energia eléctrica. Todos os dados aqui utilizados foram retirados dos sites da OMEL e da REN. O dinheiro mais mal gasto é quando se está a exportar energia para Espanha, e se está a pagar dinheiro aos produtores fotovoltaicos. Acreditamos que este cenário não terá um impacto significativo, mas a ele voltaremos. No caso da eólica, o cenário é diferente, e será o analisado aqui

A energia eólica produzida em Portugal, como sabemos, tem tarifas feed-in. Ou seja, tudo o que eles produzirem tem que ser comprado pela EDP. Aliás, um dos argumentos bacocos dos ambientalistas é que a energia eólica não é exportada no contexto da OMEL. Pois claro! A EDP tem que comercializar aos Portugueses a energia mais cara, e vende a mais barata, que é a restante, aos estrangeiros.

Em 2009, a tarifa média para as eólicas foi de 93.74 €/MWh. Quase sempre a tarifa praticada foi inferior à das eólicas, e em apenas 6.895% dos períodos horários do primeiro trimestre se verificou uma produção eólica efectivamente inferior à exportada. Por isso, para cada período horário escolheu-se o menor dos valores, ou a energia eólica produzida nessa hora, ou a energia efectivamente exportada. Em qualquer um dos casos, seria sempre preferível não pagar aos produtores eólicos, do que pagar-lhes e receber uma quantidade inferior de dinheiro dos estrangeiros. Multiplando cada um desses valores de energia exportados, pelo diferencial entre o preço pago às eólicas e o preço de energia praticada no âmbito do OMEL, verificamos que se perdeu no primeiro trimestre a módica quantia de 50893224.12 €!

Estas contas continuarão a ser complementadas. Para que os Portugueses percebam a factura que estão a pagar... Para este peditório do primeiro trimestre, cada Português já entrou com 5 euros!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Falta de oportunidade do "Minuto Verde"









O "Minuto Verde" da Quercus, que passa todas as manhãs na RTP1, é quase sempre patético! Mas hoje a patetice foi extraordinária! Francisco Ferreira, voltou hoje a demonizar os veículos que todos os dias temos que levar para os centros das cidades. E a tentar impingir-nos as virtudes dos transportes públicos.

O que é extraordinário num dia em que a CP esteve em greve, e em que amanhã se prepara uma mega-greve em todas as empresas de transportes.

Fica-lhes bem, parecerem estúpidos! O que vale é que já ninguém deve levar o "Minuto Verde" a sério, mas ele continua lá. Quanto será que pagam os contribuintes por estas baboseiras?

sábado, 24 de abril de 2010

Dois terços do Alqueva pelo Guadiana abaixo

Henrique Pereira dos Santos (HPS), escreveu ontem no blog ambio, as tretas que o Ecotretas têm revelado. A história é longa, mas tivera um antecedente directo na quinta-feira, noutro post do HPS sobre o Manifesto, e do qual transcrevo uma passagem importante:

Esta falácia tem vindo a ser repetida vezes sem conta sem que nem por uma única vez alguém diga qual a percentagem de energia vendida a preço zero, nem quanta energia potencial se perdeu com a abertura das comportas de Alqueva (que é determinada pela quantidade de chuva e não pela bombagem entretanto feita, pelo menos em quantidade significativa)

O Ecotretas nunca se acobarda perante insinuações de diminuição da importância dos argumentos aqui apresentados. Também não me esquivo a correcções, que felizmente têm sido muito poucas. Neste primeiro de dois posts relacionados, tratarei a questão da energia potencial perdida no Alqueva. A segunda, relativa ao import/export, pela sua complexidade ficará para mais tarde...

Segundo os dados da REN, durante o primeiro trimestre de 2010 foram gastos em bombagem no Alqueva, 33.995 GWh. No mesmo período, foram efectuadas descargas de 2769.83 hm3. Estes valores são um grande avanço sobre os dados que havia aqui relatado a 27 de Fevereiro. Para que o HPS tenha uma noção destes números, as descargas representam dois terços (2769.83/4150 => 66.743%) da capacidade de armazenamento total do Alqueva! E os 33.995 GWh gastos em bombagem dão para abastecer energia suficiente para 11300 famílias durante um ano completo, o equivalente a quase 4 meses e meio de produção da central solar da Amareleja!

Quanta energia potencial se perdeu dá uma conta ainda maior! É que enquanto esteve a bombar, o Alqueva não esteve a turbinar! Portanto, para além dos 34GWh perdidos em bombagem, o Alqueva podia ter estado verdadeiramente a produzir energia!!! Quanta energia se poderia ter produzido com 2769.83 hm3 é uma conta apenas um pouquinho mais complexa. Cada um dos dois grupos do Alqueva turbina 200m3/s, pelo que o valor dos 2769.83 hm3 daria para turbinar mais de 80 dias sem parar! Como o Alqueva consegue produzir mais de 5500MWh num único dia (ver dados de eg. 3 de Março de 2010), perderam-se 440.8 GWh pelo rio abaixo!!! Somando este valor ao do desperdício de bombagem, a energia potencial perdida é de cerca de 5 anos de produção da central solar da Amareleja... Mas o HPS pode argumentar que nem toda a energia potencial seria aproveitada, porque não há tantos dias num trimestre. Resumindo, o valor real mais concreto é de um desperdício de produção de cerca de 200 GWh (entre o máximo teórico para o trimestre e o efectivamente produzido no primeiro trimestre), a que se deve somar os tais 34 GWh desperdiçados na bombagem. Ora isso dá para quase dois dias de consumo de energia eléctrica em Portugal!