segunda-feira, 31 de maio de 2010

O clima muda todos os dias em Roland Garros

Num artigo da semana passada, o jornal desportivo Record relatava:

Este foi o primeiro dia em que as alterações climáticas criaram problemas nos cortes de Roland Garros. Com estas mudanças, pudemos assistir ainda aos desequilíbrios que as paragens forçadas criaram em alguns jogadores e ainda às mudanças do próprio estilo de jogo (bolas mais lentas e jogadas mais longas).

Não há dúvidas que para os jornalistas desportivos, uma simples alteração da direcção do vento deve ser um forte indicador de alterações climáticas. E então, de uns pequenos aguaceiros, já nem se fala... Vejam a descrição mais pormenorizada de um canal de meteorologia, para verificar porque tanta gente confunde o que são alterações climáticas com o tempo que faz...

domingo, 30 de maio de 2010

20 Motoristas do primeiro

Uma notícia do outro dia, no Correio da Manhã, evidencia como estratégias públicas contribuem para que o desemprego não seja maior em Portugal. De acordo com a notícia, só o primeiro-ministro contratou 12 motoristas. Fui procurar no Diário da República online a confirmação da notícia, e verdade, ela aqui está!

Mas uma pesquisa rápida no Google revela mais motoristas do primeiro-ministro. Neste exemplo há mais seis motoristas, com mais um aqui, e outro aqui. Ao todo 20 motoristas, só para o primeiro-ministro, um contraste significativo com outros exemplos, como o do novo Governo inglês, que conforme esta notícia do Público, dá o exemplo doutro modo:

Os ministros deixarão ter um motorista particular para conduzir o seu carro, salvo em "circunstâncias muito excepcionais". O secretário do Tesouro britânico, David Laws, que quando assumiu o cargo abdicou do seu Jaguar com motorista, disse mesmo esperar que os ministros vão para o trabalho "a pé ou de transporte público sempre que possível".

sábado, 29 de maio de 2010

Sobreequipamento

O Decreto-Lei n.º 51/2010 de 20 de Maio passou despercebido, excepto obviamente para os interessados. A leitura de partes da introdução explica rapidamente porque ninguém ouviu falar de mais esta negociata:

Através da instalação limitada de novos aerogeradores, designada por sobreequipamento, destinados a aumentar a potência instalada em centrais eólicas é possível incrementar a respectiva capacidade instalada, com menores impactes sobre o ambiente e o território do que a instalação de novas centrais eólicas, ao mesmo tempo que se racionaliza a utilização das infra -estruturas existentes da Rede Eléctrica de Serviço Público (RESP).

Neste contexto, o Decreto -Lei n.º 225/2007, de 31 de Maio, estabeleceu, entre outras medidas, o sobreequipamento de centrais eólicas licenciadas ou em licenciamento, até ao limite de 20 % da capacidade de injecção licenciada.

Assim, o presente decreto -lei mantém a possibilidade de sobreequipamento até ao limite de 20% da capacidade de injecção de potência na RESP previamente atribuída e, ao mesmo tempo, obriga à instalação em todos os aerogeradores de equipamentos destinados a suportar cavas de tensão e fornecimento de energia reactiva durante essas cavas para reforçar a segurança da RESP e a qualidade de serviço.

Resumindo, o défice tarifário, que já é grande, vai ficar maior! Para além disso, os promotores eólicos podem instalar muitas mais torres por aí, mesmo em zonas sensíveis, sem grandes dificuldades:

5 — Considera -se que o sobreequipamento não tem impacte negativo importante no ambiente e não é susceptível de afectar o sítio onde se pretende efectuar essa instalação de forma significativa, não estando sujeito a avaliação de impacte ambiental ou a avaliação de
incidência ambiental, nos seguintes casos:
a) Quando, em áreas não sensíveis, o sobreequipamento não implique a instalação de 20 ou mais torres e a distância de outro parque similar não passe a ser inferior a 2 km;
b) Quando, em áreas sensíveis, o sobreequipamento não implique a instalação de 10 ou mais torres e a distância de outro parque similar não passe a ser inferior a 2 km.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Ajustes directos ecológicos

Há mais de um ano havíamo-nos referido ao site transparencia-pt.org como um excelente exemplo de evidenciação das maroscas que se cometem neste país. Com a exposição de casos genéricos verificada esta semana, lembramo-nos de ir consultar a Base. Eis algumas importantes descobertas (lembrem-se que tudo isto é por ajuste directa, nada de Concursos):

E ficamo-nos por aqui, por hoje. Foram cerca de 2 milhões de euros em alguns minutos de pesquisa! Sigam os links e pesquisem, para poderem perceber para onde realmente vão os nosssos impostos, e porque existe um défice tão grande...

Verdades sobre carros eléctricos

Os portugueses que já ouviram falar do carro eléctrico, andam a sonhar com um futuro risonho, com muitos descontos, e gasosa quase de borla. É isso o que os políticos mentirosos andam a prometer! À medida que se vai descobrindo a verdade, vamos ficar a saber que todos estes actores que andam a engordar à nossa custa, não vão querer obviamente fazer dieta...

As noticias que saíram ontem no Diário Económico são um exemplo. Vejamos apenas o início:

As empresas que queiram disponibilizar aos seus clientes postos de carregamento para carros eléctricos terão de pagar três mil euros por cada coluna central de abastecimento. Isto no caso dos postos que fazem os carregamentos mais lentos, conforme revelou a Efacec, empresa que criou estes equipamentos eléctricos.

Estão a ver como não vai ser ligar o carro na ficha eléctrica? Nã, nã! Estas tomadas vão ser especiais de corrida:

O investimento necessário para ter postos de carregamentos, contudo, não se fica por aqui. A esta coluna central terão de ser ligadas várias saídas de carregamento, semelhantes a tomadas - cada uma, adianta a Efacec, vai custar 1.500 euros.

Mas ainda se pode pensar que o custo é para o sistema de meter as moedinhas, a gestão, etc? Nã... Para os particulares também vai haver tomadas especiais:

A Siemens vai produzir sistemas de carregamento para veículos eléctricos a instalar nas habitações, no âmbito do programa de mobilidade eléctrica (MOBI.E) que está a ser desenvolvido pelo Governo, anunciou esta sexta-feira o presidente do grupo em Portugal.

Será que ainda vamos ter saudades das bombas de abastecimento?

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Francelhos da RAVE

O blog ambio têm-nos surpreendido por uma visão cada vez mais realista, do Ambiente e Sociedade em que vivemos. Num post de hoje, reflecte sobre a realidade do francelho (um pequeno falcão). No post faz-se referência a um artigo do Público de hoje, que se congratula pelo nascimento de umas quantas crias de francelho em cativeiro.

Como Henrique Pereira dos Santos aborda, o problema nem é este. O problema é que a brincadeira custa 250.000 euros!!! E quase todo esse dinheiro vem dos nossos impostos... Até a RAVE apoia, provavelmente esperando que o falcão possa ajudar, imagino eu, na caça dos ratos da linha de alta velocidade? Uma enorme estupidez, quando o próprio artigo do Público refere que "a colónia mais próxima de Évora tem 42 casais e fica numa propriedade privada, a oito quilómetros do centro da cidade".

Metano às toneladas e megadigestões

Os leitores habituais sabem que eu costumo gozar com as causas dos Aquecimentos Globais do passado. A mais habitual foi a de que as fogueiras dos Homens das Cavernas foram as responsáveis pelo Óptimo Climático do Holoceno... Mas há outras teorias, estas de cientistas estúpidos. Veja-se o caso do seguinte estudo de Felisa A. Smith, et al., referenciado ante-ontem no DN:

Há 12 500 anos, a chegada do 'Homo sapiens' ao Novo Mundo levou à extinção de grandes herbívoros, como os mastodontes ou os mamutes, diminuindo as emissões de metano.

Ou seja, os homens das cavernas não fizeram fogueiras, mas mataram os grandes herbívoros, e reduziram assim as emissões de metano? Grande combinação! Note-se o entusiasmo da jornalista Filomena Naves:

Há 13 400 anos o continente americano era um paraíso para mais de uma centena de espécies de herbívoros gigantes, que produziam metano às toneladas com as sua megadigestões.

E eu a pensar que se ía falar da Europa, Ásia ou África... Mas não! Os culpados foram os Índios Americanos:

Mas, com a chegada dos primeiros Homo sapiens ao Novo Mundo por essa altura, isso mudou. A caça intensiva que a espécie humana fez a esta megafauna contribuiu para o seu desaparecimento. E a quebra na produção de metano que isso implicou ter-se-á repercutido também numa alteração climática abrupta (de arrefecimento súbito do planeta) que então ocorreu (durou um milénio) e ficou conhecida por Younger Dryas.

Vejam lá o que os humanos podem fazer! Hoje somos biliões e não conseguimos aquecer o planeta como deve ser. Mas há uns milhares de anos, para aqueles lados eram certamente menos de um milhão (valor provável para todo o planeta na altura), e conseguiram ter um impacto maior que nós, no presente??? Francamente!

Mas como não conseguem provar a influência antropogénica no clima actual, prova-se no passado:

De acordo com os investigadores, a influência dos seres humanos no clima terá assim começado bem antes do recente capítulo da revolução industrial, com as suas emissões de gases com efeito de estufa devido à queima dos combustíveis fósseis.

Não tive ainda oportunidade de ler o artigo original, mas é certamente um óptimo exemplo da Ciência da Treta que os cientistas do nosso planeta produzem! Não devem ter visto o Manny na Idade do Gelo...