segunda-feira, 14 de junho de 2010

Ecologia à muçulmana

Já há mais de meio ano que não falavamos aqui do Príncipe Carlos. Mas como ele não tem noção das barbaridades que diz, ao ponto de já nem a assistência militante o levar a sério, como a foto documenta, é preciso continuar a expôr estes príncipes da treta.

Na semana passada, o príncipe de Gales sugeriu aos ecologistas que levassem uma vida à maneira dos muçulmanos. É preciso seguir os seus princípios espirituais para proteger o ambiente... Até porque as outras religiões também o sugerem, mas para Carlos, cristão praticante, e futuro líder da Igreja de Inglaterra, o Islão é o melhor exemplo... Até porque Carlos andou a estudar recentemente o Alcorão, afirmou ele no Centro de Estudos Islâmicos de Oxford. Mas olhando para partes do discurso, é díficil perceber se isso está de acordo com o Alcorão:

Many of Nature's vital, life-support systems are now struggling to cope under the strain of global industrialization. How they will manage if millions more people are to achieve Western levels of consumption is highly disturbing to contemplate. The problems are only going to get much worse. And they are very real.

Segundo Carlos, não só devemos obrigar o terceiro mundo a continuar pobre, como a culpa é do Galileo:

This imbalance, where mechanistic thinking is so predominant, goes back at least to Galileo's assertion that there is nothing in Nature but quantity and motion. This is the view that continues to frame the general perception of the way the world works and how we fit within the scheme of things. As a result, Nature has been completely objectified – “She” has become an “it” – and we are persuaded to concentrate on the material aspect of reality that fits within Galileo’s scheme.

Mas o que mais impressiona são as múltiplas referências às teorias catastróficas de Malthus, pouco islâmicas, e que estão por todo o lado no discurso, como é o exemplo seguinte:

The experts suggest that, in theory, the Earth could support 9 billion people, but not if a vast proportion is consuming the world’s resources at present Western levels. So the changes have to be essentially two-fold. It would certainly help if the acceleration slowed down, but it would also help if the world reduced its desire to consume.

domingo, 13 de junho de 2010

Buraco nuclear

Os ingleses estão a topar que a energia nuclear não fornece apenas energia em quantidade e barata. O secretário de estado da energia do Reino de Sua Majestade, Chris Huhne, descobriu uma herança negativa de 4 biliões de libras, dos seus sucessivos antecessores. O valor está relacionado com a desactivação de algumas centrais nucleares inglesas nos próximos quatro anos.

Este valor é enorme para quem tem um orçamento anual de 3 biliões de libras, que era supostos serem aplicados, entre outras coisas, nas alterações climáticas... E andaram muitos anos a pagar energia supostamente barata, para agora lhes aparecer uma factura no final! Huhne, que é um céptico do nuclear, tal como eu, especialmente em Portugal, terá todavia que tratar do problema, considerando ainda que terá que meditar o que fazer quando fechar as ditas centrais nucleares. É que no Reino Unido, a produção nuclear é responsável por 20% do total de electricidade produzida.

Editado: O meu cepticismo em relação ao nuclear é, sobretudo, na aplicação dessa tecnologia ao caso português. Não é por querer o nuclear longe, mas sobretudo por não termos manifestamente competências nacionais nessa matéria, e por não termos economias de escala associadas.

sábado, 12 de junho de 2010

O livro sobre a fraude eólica

Para todos aqueles que ainda acreditam que a energia eólica nos pode levar a algum lado, sugiro-vos uma leitura do livro "The Wind Farm Scam". Ainda não o li todo, mas todos os comentários lidos definem o livro como extraordinário! Talvez alguém queira fazer chegar um exemplar ao nosso primeiro ministro, e já agora ao líder da oposição. Mas é possível ler um pouco online na Amazon, donde extraí o início do primeiro capítulo:

Like Concorde, a modern wind turbine is a remarkable feat of ingenuity and it is surprising to find such outer limits of civil engineering described as elegant - even beautiful. (...) As with Concorde there should be a couple of wind turbines in a museum.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O mistério do Iceberg desaparecido

Há ecologistas demasiado idiotas, para ser verdade. E isso é particularmente verdade com todos aqueles que se têm metido com o Árctico, como foram estes exemplos de 2008 e 2009.Um dos primeiros apanhados de 2010 é o projecto cool(E)motion, patrocinado pela WWF. A ideia foi colocar uma escultura gigante num iceberg, depois esperar que o iceberg partisse, e que o Aquecimento Global fizesse o resto... Colocaram um bocadinho de tecnologia, incluindo localização por GPS, para que todo o planeta pudesse acompanhar em directo o degelo que ocorre mais a Norte. O iceberg era um pequeno monstrozinho a 28 de Maio, sendo preciso lembrar que 90% do volume de um iceberg está tipicamente debaixo de água.

Uns dias depois, um dos comentadores, a 2 de Junho, notou que o GPS dava indicações de que o iceberg estava no meio da localidade de Saattut. Aí começou a confusão. Num post do dia seguinte, o projecto notou que o iceberg se tinha mexido a grande velocidade para sudeste, de acordo com a trajectória que está definida no mapa acima. Notem que depois de andar à deriva, o iceberg aprendeu depois a navegar a direito! Depois, de repente, o iceberg navegou rumo a norte, directamente para o meio da localidade de Saattut!

Num post do mesmo dia, o projecto anuncia que o iceberg tinha desaparecido! Melhor, afundado! Depois de avisados por um comentário, lá tiraram o afundado, porque qualquer tótó sabe que um iceberg não afunda!!! Depois fala-se de icebergs a explodir e a colapsar por causa do calor! Dá para acreditar???

Não percam a história contada no blog de Anthony Watts. É de rir e chorar por mais. Provavelmente, ao pescador que fanou o GPS/transmissor não lhe acontecerá nada, como não passa nada com o Ricardo Rodrigues. Mas talvez ainda possa devolver o iceberg...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Nem tudo o que reluz é água

Nem tudo o que reluz é o que parece! É o que diz um estudo acerca da influência dos painéis fotovoltaicos em determinados insectos. Segundo o estudo, que saiu na Conservation Biology, esses painéis produzem luz polarizada, que atraiem os insectos. Os insectos confundem os painéis com água, e depositam os seus ovos aí! Pelo menos 300 espécies de insectos reconhecem a água por esta forma, pelo que o impacto pode ser significativo...

Mas os investigadores propuseram uma solução simples: pintar umas faixas brancas nos painéis. Reduziria a sua capacidade de produção de energia em 1.8%, mas com uma redução estatisticamente significativa da atracção dos painéis pelos insectos...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

More about Beeville


The Beeville story just keeps getting better. In the comments section of yesterday's WUWT post, I got a couple of ideas. First, there is a very interesting site where we can graph adjusted vs. non-adjusted temperatures of GHCN. The first graph above is the result for the Beeville station. A clear difference is visible between adjusted and non-adjusted temperatures, especially during the first half of the XX century. And looking at the blue line does give us an impression that Global Warming might not be happening in Beeville.

Being a skeptic, I searched for the raw data. The monthly data is available at the NOAA site. Got the data for Beeville and plotted the second graph above (click the graphs for better detail). Does anyone see any warming going on? Doing a linear trendline on the monthly data gives us "y = -0.0637x + 829.59", which means that temperatures have gone down! And now, imagine which were the 20 hottest months at Beeville, for the last 113 years:

MonthTemperature (x 10 ºF)
1951/8888
2009/7880
1998/7879
1952/8878
2009/8877
1953/7876
1902/8875
1998/6872
1897/7871
1915/7871
1980/7871
1914/7869
1915/8869
1916/6869
1938/7869
1951/7869
1958/8869
1911/8868
1954/8867
1927/8866

Might Julisa Castillo deserve a prize, after-all?

terça-feira, 8 de junho de 2010

Being skeptic


Great interest has developed on the Internet relating to the story about Julisa Castillo's "Disproving Global Warming" project. It admittedly had received a NSF prize, with Al Gore in the jury. It has now been confirmed as most probably a strange hoax.

While most of the Internet is judging why would Al Gore be in this jury, or if there is such a thing as "National Science Fair" associated with the National Science Foundation (note the same initials), which both set my BS detector very high on Sunday, I was quickly on the run to find out what temperatures were like in Beeville, TX. Checking out the paper's claims was far more interesting than being skeptic about the news...

First thing to check was for USHCN data. Quick to find it out at the GISS website, and first graph above. Looking at it, I wondered what type of station was this. I went to the surfacestations.org site, and discovered it was a reasonably well located station. But then, the temperature graph, a little more than one year old, was slightly different, as can be seen in the above second graph. Looks like there was some tweaking going on! But discovering anything more about Beeville seemed pretty difficult. Some interesting information about the station can be found at NOAA. But what really surprised me was the graph uploaded by "Tom in Texas", referenced in the comments section in a Watts Up With That post. It shows that adjustment data for Beeville is greater than 2ºF for the last 110 years.

While other information might help in settling all these different graphs, it seems like the real news will be about how temperatures are being dealed with in Beeville...