sexta-feira, 18 de junho de 2010

Deixem-se de conversa

O novo primeiro-ministro inglês David Cameron, e o primeiro-ministro sueco Fredrik Reinfeldt, num artigo conjunto no Financial Times de ontem, começam por relatar como se conheceram:

We first met in Stockholm three years ago. Our discussions were all about issues such as education and climate change. The economy barely came up.

Re-encontraram-se esta semana em Bruxelas. Parece que a conversa foi outra:

So when we meet in Brussels today, the economy will dominate discussions. We are agreed there are four clear steps we need to take to ensure that Europe thrives and prospers.

Dessas quatro medidas, certamente a educação e as alterações climáticas se encaixarão numa delas:

First we need to get a grip on our debts. (...)

Second, we need to fix our financial sector. (...)

The third step is creating the conditions for growth. (...)

The fourth step to a prosperous Europe is to fight protectionism. (...)

Mas, nem uma palavra sobre os temas que os reuniu inicialmente! O que eles sugerem é que nos deixemos de conversas, nomeadamente sobre as alterações climáticas, e que passemos à acção naquilo que realmente é importante:

The time has come for the EU to stop talking and start taking action - on debt, on fixing the banks, on creating the conditions for growth, on promoting free trade.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Parasitagem em contos

A parasitagem dos ecologistas traduz-se em boa medida na quantidade de fundos públicos que conseguem extorquir. Os políticos, fracos como se sabe, não hesitam em apoiar projectos mirabolantes, como o caso do francelhos da RAVE, que recentemente referi. Na altura encetei um esforço em perceber quão longe consegue isto da extorsão ir. Neste primeiro post, referencio apenas alguns (poucos) relativos ao tema do Aquecimento Global/Alterações Climáticas, que conforme podem ver, ainda tinha pouca expressão no final do século XX:

ReferênciaInvestigador ResponsávelProjectoExtorsão
PRAXIS/C/MGS/11048/98Filipe Duarte Santos Alterações climáticas em Portugal, cenários, impactes e medidas de adaptação (SIAM)32157 Contos
3/3.2/EMG/1949/95Carlos Alberto Diogo Soares BorregoImpacte das Alterações Climáticas Globais no Ambiente Atmosférico do Atlântico Norte e Península Ibérica30000 Contos
3/3.2/EMG/70/94 Filipe Duarte Santos Mudança Climática em Portugal nos Últimos 15 Mil Anos20000 Contos
2/2.1/MAR/1743/95 João Manuel Alveirinho DiasRiscos Naturais Associados a variações do Nível do Mar - Estudo de Causas e Efeitos (RIMAR)40000 Contos

Depois, haverá mais em euros...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Défice Tarifário em Espanha

A electricidade vai subir significativamente em Espanha. Tudo função do monstruoso défice tarifário de nuestros hermanos, do qual falamos recentemente, mas que entretanto parece ter engordado ainda mais. Segundo o diário El Mundo, o monstrozinho é actualmente de 18 mil milhões de euros, o que significa quase 400€ por cada espanhol!

O tema ganhou relevância política em Espanha, por ter sido debatido ontem no Congresso lá do sítio. Perante as evidências, e a necessidade de aumentar o preço da electricidade, Zapatero culpou Aznar da necessidade dessa subida! Os políticos são assim, e não tardará Sócrates a seguir a culpabilização do seu grande amigo espanhol.

Mas olhando para os gráficos, a história é outra. Atente-se no gráfico acima, retirado deste excelente documento, que evidencia apenas a evolução do monstro até 2008. Para quem não sabe, Zapatero tomou cargo como primeiro-ministro de Espanha em Abril de 2004...

Mundial frio

Jogar com luvas neste Mundial de futebol pode parecer um tique dos futebolistas, mas a maior parte dos fanáticos de futebol, com os quais falei ontem, não fazem ideia que é (quase) Inverno na África do Sul. O jogo entre o Brasil e a Coreia do Norte foi mesmo jogado em temperaturas negativas. Há locais onde nevou pela primeira vez nos últimos 20 anos. É mesmo esperada neve para alguns jogos desta semana.Fora do futebol, esta vaga de frio já matou mesmo 500 pinguins.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Painéis Solares à FNAC

Muitos não se lembram que, dantes, FNAC era sinónimo de ar condicionado. A FNAC era a "Fábrica Nacional de Ar Condicionado", tinha como símbolo um lince, e era supostamente um modelo empresarial. Na Internet, há pouca informação sobre esta história recente, mas há ainda algumas pérolas. A FNAC faliu nos finais da década de 80, no meio de um processo atribulado, sem que pessoas como o presidente Alexandre Alves, fossem afectadas no processo. O Alexandre Alves, conhecido como o "O Barão Vermelho", entretanto foi abordando outros conceitos empresariais, mas como bom empresário comunista, nenhum com sucesso reconhecido.

Entretanto, Alexandre Alves apareceu com um novo projecto: RPP Solar. É uma inflexão de 180º, do frio para o solar. E o que está a dar é sacar dinheiro ao Estado/contribuintes. São apenas 128 milhões de euros de incentivos, ao abrigo do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), sendo 58 milhões de incentivos financeiros e os restantes 70 milhões de incentivos fiscais. E ele ainda se queixa de que é pouco! Segundo o Correio da Manhã de hoje, são 30.000 euros de incentivos por cada posto de trabalho a criar!

Mas isso não é o pior. O pior é que o caminho da indústria fotovoltaico, nos termos actuais, é para baixo. Já o havia referenciado aqui no passado. Se lá fora a bolha já estoirou, porque estamos nós a investir aqui em Portugal? Será que vamos importar a sucata fotovoltaica de Espanha, puxar o lustro, e impingir os painéis fotovoltaicos a alguém? Qualquer dia, não se admirem, verão o Barão Vermelho noutro esquema qualquer...

Actualização: A nótícia do Correio da Manhã já está online, com mais detalhe. Alexandre Alves, na primeira pessoa:

Convidei os deputados todos e não puseram cá os pés. Têm mais que fazer. Aqui não tenho escutas para resolver. Não tenho maricas aqui ao pé de mim

Como incentivo trazemos os clientes de férias a Abrantes. Ficam ali no hotel, a ver o Tejo e vão aos bons petiscos do Alberto.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Plástico ecológico

Via Ciência Alternativa recebemos a notícia de que agora o plástico é ecológico! Como podem ver pela fotografia ao lado, o logo da WWF vem estampado nos produtos de plástico. Como refere Humberto Orcy da Silva, autor do blog, isto é um grande negócio:
  • A empresa que fabrica plástico, doa parte do valor para a ONG e fica de bem com a sociedade.
  • A ONG arrecada muito dinheiro e empresta seu nome para empresa
  • A população, que adora plástico, mas sabe que não é ecológico, compra o plástico achando que está ajudando o meio ambiente e vai tranquila para casa.

Ecologia à muçulmana

Já há mais de meio ano que não falavamos aqui do Príncipe Carlos. Mas como ele não tem noção das barbaridades que diz, ao ponto de já nem a assistência militante o levar a sério, como a foto documenta, é preciso continuar a expôr estes príncipes da treta.

Na semana passada, o príncipe de Gales sugeriu aos ecologistas que levassem uma vida à maneira dos muçulmanos. É preciso seguir os seus princípios espirituais para proteger o ambiente... Até porque as outras religiões também o sugerem, mas para Carlos, cristão praticante, e futuro líder da Igreja de Inglaterra, o Islão é o melhor exemplo... Até porque Carlos andou a estudar recentemente o Alcorão, afirmou ele no Centro de Estudos Islâmicos de Oxford. Mas olhando para partes do discurso, é díficil perceber se isso está de acordo com o Alcorão:

Many of Nature's vital, life-support systems are now struggling to cope under the strain of global industrialization. How they will manage if millions more people are to achieve Western levels of consumption is highly disturbing to contemplate. The problems are only going to get much worse. And they are very real.

Segundo Carlos, não só devemos obrigar o terceiro mundo a continuar pobre, como a culpa é do Galileo:

This imbalance, where mechanistic thinking is so predominant, goes back at least to Galileo's assertion that there is nothing in Nature but quantity and motion. This is the view that continues to frame the general perception of the way the world works and how we fit within the scheme of things. As a result, Nature has been completely objectified – “She” has become an “it” – and we are persuaded to concentrate on the material aspect of reality that fits within Galileo’s scheme.

Mas o que mais impressiona são as múltiplas referências às teorias catastróficas de Malthus, pouco islâmicas, e que estão por todo o lado no discurso, como é o exemplo seguinte:

The experts suggest that, in theory, the Earth could support 9 billion people, but not if a vast proportion is consuming the world’s resources at present Western levels. So the changes have to be essentially two-fold. It would certainly help if the acceleration slowed down, but it would also help if the world reduced its desire to consume.