sexta-feira, 18 de junho de 2010

Tretas de Saramago

José Saramago morreu hoje. Não gostava, nem dele, nem da escrita dele. Aos leitores deixo-lhes a visão de um Prémio Nobel, a propósito do sismo no Haiti, pouco esclarecido:

Haverá outros terramotos, outras inundações, outras catástrofes dessas a que chamamos naturais. Temos aí o aquecimento global com as suas secas e as suas inundações, as emissões de CO2 que só forçados pela opinião pública os governos se resignarão a reduzir, e talvez tenhamos já no horizonte algo em que parece ninguém querer pensar, a possibilidade de uma coincidência dos fenómenos causados pelo aquecimento com a aproximação de uma nova era glacial que cobriria de gelo metade da Europa e agora estaria dando os primeiros e ainda benignos sinais.

Comprenderam? Como todos sabemos, é preciso fôlego para ler a frase completa. Vejam a confusão que reinava naquela mente, sobre um tema que ele obviamente não dominava:

Não importa que qualquer dia comecem a nascer flores no Árctico, não importa que os glaciares da Patagónia se reduzam de cada vez que alguém suspira fazendo aumentar a temperatura ambiente uma milionésima de grau, não importa que a Gronelândia tenha perdido uma parte importante do seu território, não importa a seca, não importam as inundações que tudo arrasam e tantas vidas levam consigo, não importa a igualização cada vez mais evidente das estações do ano, nada disto importa se o emérito sábio José María vem negar a existência do aquecimento global, baseando-se nas peregrinas páginas de um livro do presidente checo Vaclav Klaus que o próprio Aznar, em uma bonita atitude de solidariedade científica e institucional, apresentará em breve.

Mas afinal, o importante que me fica de Saramago, é que ele utiliza a palavra treta:

Quando Rajoy, com aquela composta seriedade que o caracteriza, nos informou de que um seu primo catedrático, parece que de física, lhe havia dito que isso do aquecimento climático era uma treta, tão ousada afirmação foi apenas o fruto de uma imaginação celta sobreaquecida que não havia sabido compreender o que lhe estava a ser explicado, ou, para tornar ao ovo dialéctico, é isso uma doutrina, uma regra, um princípio exarado em letra pequena na cartilha do Partido Popular, caso em que, se Rajoy teria sido somente o repetidor infeliz da palavra do primo catedrático, já o oráculo em que o seu ex-chefe se transformou não quis perder a oportunidade de marcar uma vez mais a pauta ao gentio ignaro?

Deixem-se de conversa

O novo primeiro-ministro inglês David Cameron, e o primeiro-ministro sueco Fredrik Reinfeldt, num artigo conjunto no Financial Times de ontem, começam por relatar como se conheceram:

We first met in Stockholm three years ago. Our discussions were all about issues such as education and climate change. The economy barely came up.

Re-encontraram-se esta semana em Bruxelas. Parece que a conversa foi outra:

So when we meet in Brussels today, the economy will dominate discussions. We are agreed there are four clear steps we need to take to ensure that Europe thrives and prospers.

Dessas quatro medidas, certamente a educação e as alterações climáticas se encaixarão numa delas:

First we need to get a grip on our debts. (...)

Second, we need to fix our financial sector. (...)

The third step is creating the conditions for growth. (...)

The fourth step to a prosperous Europe is to fight protectionism. (...)

Mas, nem uma palavra sobre os temas que os reuniu inicialmente! O que eles sugerem é que nos deixemos de conversas, nomeadamente sobre as alterações climáticas, e que passemos à acção naquilo que realmente é importante:

The time has come for the EU to stop talking and start taking action - on debt, on fixing the banks, on creating the conditions for growth, on promoting free trade.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Parasitagem em contos

A parasitagem dos ecologistas traduz-se em boa medida na quantidade de fundos públicos que conseguem extorquir. Os políticos, fracos como se sabe, não hesitam em apoiar projectos mirabolantes, como o caso do francelhos da RAVE, que recentemente referi. Na altura encetei um esforço em perceber quão longe consegue isto da extorsão ir. Neste primeiro post, referencio apenas alguns (poucos) relativos ao tema do Aquecimento Global/Alterações Climáticas, que conforme podem ver, ainda tinha pouca expressão no final do século XX:

ReferênciaInvestigador ResponsávelProjectoExtorsão
PRAXIS/C/MGS/11048/98Filipe Duarte Santos Alterações climáticas em Portugal, cenários, impactes e medidas de adaptação (SIAM)32157 Contos
3/3.2/EMG/1949/95Carlos Alberto Diogo Soares BorregoImpacte das Alterações Climáticas Globais no Ambiente Atmosférico do Atlântico Norte e Península Ibérica30000 Contos
3/3.2/EMG/70/94 Filipe Duarte Santos Mudança Climática em Portugal nos Últimos 15 Mil Anos20000 Contos
2/2.1/MAR/1743/95 João Manuel Alveirinho DiasRiscos Naturais Associados a variações do Nível do Mar - Estudo de Causas e Efeitos (RIMAR)40000 Contos

Depois, haverá mais em euros...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Défice Tarifário em Espanha

A electricidade vai subir significativamente em Espanha. Tudo função do monstruoso défice tarifário de nuestros hermanos, do qual falamos recentemente, mas que entretanto parece ter engordado ainda mais. Segundo o diário El Mundo, o monstrozinho é actualmente de 18 mil milhões de euros, o que significa quase 400€ por cada espanhol!

O tema ganhou relevância política em Espanha, por ter sido debatido ontem no Congresso lá do sítio. Perante as evidências, e a necessidade de aumentar o preço da electricidade, Zapatero culpou Aznar da necessidade dessa subida! Os políticos são assim, e não tardará Sócrates a seguir a culpabilização do seu grande amigo espanhol.

Mas olhando para os gráficos, a história é outra. Atente-se no gráfico acima, retirado deste excelente documento, que evidencia apenas a evolução do monstro até 2008. Para quem não sabe, Zapatero tomou cargo como primeiro-ministro de Espanha em Abril de 2004...

Mundial frio

Jogar com luvas neste Mundial de futebol pode parecer um tique dos futebolistas, mas a maior parte dos fanáticos de futebol, com os quais falei ontem, não fazem ideia que é (quase) Inverno na África do Sul. O jogo entre o Brasil e a Coreia do Norte foi mesmo jogado em temperaturas negativas. Há locais onde nevou pela primeira vez nos últimos 20 anos. É mesmo esperada neve para alguns jogos desta semana.Fora do futebol, esta vaga de frio já matou mesmo 500 pinguins.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Painéis Solares à FNAC

Muitos não se lembram que, dantes, FNAC era sinónimo de ar condicionado. A FNAC era a "Fábrica Nacional de Ar Condicionado", tinha como símbolo um lince, e era supostamente um modelo empresarial. Na Internet, há pouca informação sobre esta história recente, mas há ainda algumas pérolas. A FNAC faliu nos finais da década de 80, no meio de um processo atribulado, sem que pessoas como o presidente Alexandre Alves, fossem afectadas no processo. O Alexandre Alves, conhecido como o "O Barão Vermelho", entretanto foi abordando outros conceitos empresariais, mas como bom empresário comunista, nenhum com sucesso reconhecido.

Entretanto, Alexandre Alves apareceu com um novo projecto: RPP Solar. É uma inflexão de 180º, do frio para o solar. E o que está a dar é sacar dinheiro ao Estado/contribuintes. São apenas 128 milhões de euros de incentivos, ao abrigo do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), sendo 58 milhões de incentivos financeiros e os restantes 70 milhões de incentivos fiscais. E ele ainda se queixa de que é pouco! Segundo o Correio da Manhã de hoje, são 30.000 euros de incentivos por cada posto de trabalho a criar!

Mas isso não é o pior. O pior é que o caminho da indústria fotovoltaico, nos termos actuais, é para baixo. Já o havia referenciado aqui no passado. Se lá fora a bolha já estoirou, porque estamos nós a investir aqui em Portugal? Será que vamos importar a sucata fotovoltaica de Espanha, puxar o lustro, e impingir os painéis fotovoltaicos a alguém? Qualquer dia, não se admirem, verão o Barão Vermelho noutro esquema qualquer...

Actualização: A nótícia do Correio da Manhã já está online, com mais detalhe. Alexandre Alves, na primeira pessoa:

Convidei os deputados todos e não puseram cá os pés. Têm mais que fazer. Aqui não tenho escutas para resolver. Não tenho maricas aqui ao pé de mim

Como incentivo trazemos os clientes de férias a Abrantes. Ficam ali no hotel, a ver o Tejo e vão aos bons petiscos do Alberto.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Plástico ecológico

Via Ciência Alternativa recebemos a notícia de que agora o plástico é ecológico! Como podem ver pela fotografia ao lado, o logo da WWF vem estampado nos produtos de plástico. Como refere Humberto Orcy da Silva, autor do blog, isto é um grande negócio:
  • A empresa que fabrica plástico, doa parte do valor para a ONG e fica de bem com a sociedade.
  • A ONG arrecada muito dinheiro e empresta seu nome para empresa
  • A população, que adora plástico, mas sabe que não é ecológico, compra o plástico achando que está ajudando o meio ambiente e vai tranquila para casa.