segunda-feira, 19 de julho de 2010

Onde não dá um cemitério, dá um Freeport

A notícia de hoje do Público é eloquente sobre como se gere o Ambiente em Portugal. Na sequência da construção da ponte Vasco da Gama, o estuário do Tejo foi alvo de medidas de protecção ambiental acrescidas, sobretudo em função das reservas das autoridades comunitárias. Dois ou três anos antes da vergonha da aprovação do Freeport, veio-se agora a saber, o Instituto de Conservação da Natureza (ICN) negou à Câmara Municipal de Alcochete (CMA) a intenção de instalar um cemitério no mesmo local.

A justificação para tal decisão foi a da "pressão humana" que tal equipamento iria gerar numa zona ambientalmente sensível. Tal é o depoimento de Vítor Carvalheira, responsável pelo sector de gestão urbanística da Câmara de Alcochete, que acrescentou que para o ICN tal cemitério "contrariava o espírito" da Zona de Protecção Especial (ZPE) do Estuário do Tejo e "provocaria o aumento da densidade humana". O resto é história, com 75 mil metros quadrados de outlet, e promessas de meio milhão de pessoas, logo no primeiro ano de actividade, a não serem concerteza tão "densos"... E também não interessou que "o Freeport estava a cem metros da zona mais sensível da ZPE, lamas e sapais", segundo garante o antigo director da Reserva Natural do Estuário do Tejo (RNET), António Antunes Dias. Ou muito me engano, ou para a semana, com o término do segredo de justiça do caso Freeport, mais coisas se vão ficar a saber!

O susto da acidificação dos oceanos

O leitor António Gaito manda-nos mais um caso de endoutrinamento das nossas escolas. As referências a catequese ambiental já foram aqui referenciadas algumas vezes no passado, mas esta atinge uma nova dimensão! Depois das desgraças e profecias falhadas do passado, é preciso continuar a alimentar o Mundo das próximas desgraças. E uma delas é a acidificação dos oceanos...

A prova escrita de Física e Química A, do 10.º e 11.º Anos de Escolaridade, da segunda fase deste ano de 2010, começa de forma assustadora (realces da minha responsabilidade):

A vida dos organismos marinhos com concha enfrenta uma nova ameaça: o aumento do nível de dióxido de carbono (CO2) atmosférico.
Os oceanos absorvem naturalmente parte do CO2 emitido para a atmosfera, dissolvendo-o nas suas águas. Uma vez em solução, o CO2 reage, tornando a água do mar, actualmente a um pH de cerca de 8,1, menos alcalina. Como se continua a emitir enormes quantidades daquele gás, o impacto começa a notar-se – os cientistas mediram já um aumento de acidez de cerca de 30% na água do mar e prevêem um aumento de 100 a 150% até 2100.
O aumento de acidez é acompanhado por uma diminuição da concentração de iões carbonato em solução. Assim, muitos organismos marinhos, que dependem do carbonato da água do mar para construírem as suas conchas e outras componentes duras, perderão a capacidade de construir ou de manter essas estruturas vitais.

Christopher Monckton já tinha aliás avisado. Na sua resposta a John Abraham, na pergunta 283, a sua eloquência é a do costume:

Is it not correct that, yet again, you have grossly misstated the point I was actually making? Was I not saying that yesterday they called the climate scare “global warming”; then, when warming stopped, they called it “climate change”; then, when the climate changed no more than usual, they called it “energy security”; then they would probably try to call it “ocean acidification”; and eventually they would have to call the climate scare what it is: absolute rubbish?

Comecemos pelos factos: a água dos oceanos não é ácida, e com um pH actual de 8.1, como refere o exame, nem daqui a muitas centenas de anos seria ácido! Entre 1751 e 1994 acredita-se que a diminuição do pH foi de 8.179 para 8.104! Deve notar-se ainda que a escala de pH é logarítmica! A água destilada, sem CO2, tem um pH de 7 enquanto a chuva normal, não poluída, tem um pH de 5.6!!!

Como pergunta o António, "O que é que vos assusta mais? A água ficar menos alcalina, aproximar-se da neutralização ou ficar mais ácida? É a mesma coisa, mas, a palavra ácido assusta mais! Afinal, é assim que se faz uma evangelização: ou acreditas ou vais para o Inferno!

sábado, 17 de julho de 2010

Fraude nas lâmpadas economizadoras


Há uns tempos, um leitor atento tinha-me chamado a atenção para o problema. Tenho andado a reparar mais nos corredores das lâmpadas dos hipermercados. Aproveitem para reparar também nuns mostradores que mostram o consumo das lâmpadas normais, vs. lâmpadas economizadoras. Verificarão que estas terão uns valores de consumo inferiores às normais...

Mas nem tudo o que parece é! No vídeo acima, uma lâmpada avariada continua a consumir electricidade, o que é uma aberração física! Mas nesses mostradores dos hipermercados, experimentem desatarrachar a lampada normal (ou a económica...), e verifiquem que o contador continua! Melhor, troquem as lâmpadas de posição, e verifiquem que as lâmpadas economizadoras afinal são piores que as normais...

Isto é uma monumental fraude, que vou comunicar às entidades competentes. Aos leitores que detectarem locais onde a marosca está a enganar os consumidores, agradecia indicação desses locais. E se alguém tiver os conhecimentos técnicos para fazer um filme melhor e colocá-lo no Youtube, não deixem de me fazer chegar o URL! Façam também queixas, mas não já... Deixem algum tempo para todos nós fazermos, nos hipermercados e não só, uma re-apredizagem dos conceitos da Física...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Para que serve uma Ministra?

Todos imaginamos uma Ministra com muito que fazer, decisões importantes para tomar, etc... Mas não, a nossa ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, têm outras coisas para fazer! Como ir tomar um cafezinho a Campo Maior... Tudo isto porque a Delta resolveu produzir cinco milhões de saquetas de acúcar destinados a sensibilizar os portugueses para o Ambiente. E neste aspecto nada a apontar, bem como o facto de Nabeiro aparentemente não ter pedinchado nada para esta iniciativa. Quanto à Ministra, esperava-se que tivesse mais que fazer, do que aumentar muito a sua pegada de carbono do dia, com o tal cafezinho... Mas ela não para! De hoje a uma semana estará a inaugurar um parque de estacionamento...??? Algum jornalista lhe ousará perguntar pela sua pegada de carbono?

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Obama solar

O grande Obama anunciou há uns dias um apoio de quase 2 biliões de dólares na área de energia. Este apoio todo vai apenas para duas empresas, incluindo a espanhola Abengoa. O apoio visa construir centrais de aproveitamento de energia solar, para abastecer de energia eléctrica umas quantas milhares de casas. Com isso criam-se cerca de 5000 empregos, mas apenas 1600 são permanentes, o que quer dizer que cada emprego tem um subsídio de bem mais de 1 milhão de dólares!!!

É claro que os espanhóis da Abengoa estão todos contentes! Para construir uma central de uns 250MW, vão receber apoios de cerca de um bilião de euros! Para quem não sabe, a potência instalada de 250MW é o equivalente a cerca de 5 Amarelejas, mas inferior às potências instaladas da maior barragem portuguesa, da maior central de gás combinado ou das centrais de carvão de Sines. A central da Abengoa criará 85 postos de trabalho permanentes, o que significa um subsídio de mais de 13 milhões de euros por trabalhador!!!

Várias análises na Internet têm dificuldade em compreender a crueza destes números. Até eu tenho! Com esse dinheiro todo, eu criava pelo menos 100 vezes mais emprego! Facilmente...

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Amareleja aquece mais jornalistas


Nesta estupidez dos 50ºC da Amareleja, que já afectou vários Media nacionais, um leitor enviou-me um link para mais outro afectado: o Expresso. A jornalista Paula Cosme Pinto foi saber como é que é a vida na Amareleja, e começou o artigo com um estonteante (realces da minha responsabilidade):

Na Amareleja os termómetros chegaram esta semana aos 50º graus. Habituados às altas temperaturas, os habitantes da terra garantem não ter medo do calor: "O inverno custa mais", garantem.

Mas a parte mais divertida é ver o vídeo, a partir dos 03:45. Os Amarelejenses é que sabem (realces da minha responsabilidade):

Jornalista: Numa semana onde os 50ºC registados na Amareleja fizeram notícia, as gentes da terra poem em causa a veracidade das temperaturas.
Amarelejense1: Eu tenho 60 anos e toda a vida me lembro destas temperaturas. Como está a correr este ano, não é nada fora do normal. Isso é só propaganda das pessoas. Ahh 50... Mas onde é que..? Quem é que pode dizer que houve 50 na Amareleja?
Amarelejense2: 50? Nããã... Não sei se isso foi 50... Não sei se era verdade...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Amazongate

Vários leitores têm-me enviado, nos últimos dias, apontadores sobre o Amazongate. Esta é uma novela que tenho vindo a acompanhar há meses, com avanços e recuos na argumentação dos vários participantes na polémica. Tudo começou quando Richard North e Christopher Booker chamaram à atenção para o seguinte parágrafo do quarto relatório do IPCC:

Up to 40% of the Amazonian forests could react drastically to even a slight reduction in precipitation; this means that the tropical vegetation, hydrology and climate system in South America could change very rapidly to another steady state, not necessarily producing gradual changes between the current and the future situation (Rowell and Moore, 2000).

James Delingpole resumiu a gigantesca trapalhada de forma concisa:

The IPCC made a false claim in its most recent assessment report, passing off the propaganda of environmental activists as peer-reviewed science. Instead of admitting the truth and retracting its false claim, the IPCC and its sympathisers went into entirely characteristic cover-up mode. Activist scientists like Daniel Nepstad obfuscated; other activist scientists like Dr Simon Lewis of Leeds University exploited the ignorance and pro-Warmist bias of the Press Complaints Commission to bully an entirely unnecessary retraction of a true story on the subject by the Sunday Times; activist journalists like George Monbiot then boasted that they had been vindicated – a claim that was excitedly repeated throughout the ecotard blogosphere and among ecotard cheerleaders like the BBC. All of this energy in defence of a great, stinking lie.

Como se pode ver, as teias urdidas por organizações ambientalistas, como é o caso nomeadamente da WWF neste exemplo, são propagadas por outros cientistas, acabando por ser aceites como religião pelo IPCC! Durante o fim de semana, Christopher Booker fez um relato mais significativo, enquanto Richard North dá uma visão complementar no seu blog. Em qualquer um dos casos, dá para perceber que o que está nos relatórios do IPCC não pode ser, definitivamente, levado a sério...

Actualização: Reacção de alguém da WWF quando confrontado com a notícia: "essentially tried to tell me that this is all too complex for my pretty little head"