terça-feira, 17 de agosto de 2010

Custo das renováveis no segundo trimestre

No primeiro trimestre calculei quanto custavam as energias renováveis aos Portugueses. Numa primeira fase, calculei quanto custou a exportação da energia eólica, que redundou nums impressionantes 50 milhões de euros. Acicatado pelos ecologistas da treta, calculei quanto custaram as eólicas no primeiro trimestre: as contas revelaram então uma factura de cerca de 216 milhões de euros! Por fim, calculei quanto tinha custado a energia solar, para uns mais modestos 8.7 milhões de euros.

Entretanto, meti novamente mãos à obra, para calcular o prejuízo do segundo trimestre. A metodologia utilizada é idêntica à do primeiro trimestre, pelo que os valores são imediatamente comparáveis. A exportação de energia eólica custou cerca de 18 milhões de euros, enquanto que, se não existisse eólica de todo, o país teria poupado cerca de 126 milhões de euros. A produção de energia solar teve um sobrecusto de 15.9 milhões de euros.

Como é fácil de ver, o custo das exportações foi bem menor. Tal resulta de uma muito menor produção de energia eólica, que desceu de cerca de 2872 GWh para 1876 GWh, mas também da subida do preço médio no OMEL, que subiu de 2.511 cêntimos/kWh no primeiro trimestre para 3.473 cêntimos/kWh no segundo trimestre. Em função da muito menor produção de energia eólica, há naturalmente também um valor muito inferior do seu custo directo. Como seria igualmente de esperar, o custo da energia solar subiu muito significativamente, em função do aumento de produção, associado a um aumento da duração da exposição solar.

Resumindo, os contribuintes e consumidores portugueses ficaram mais pobres em cerca de 142 milhões de euros no segundo trimestre, o que somando aos valores do primeiro trimestre, dá um custo de 367 milhões de euros para esta primeira metade de 2010, por conta das eólicas e energia solar... Enquanto isso, os Tios Patinhas da economia verde vão engordando!

Actualização: O conteúdo deste post é equacionado, sobretudo na referência ao termo renováveis, neste post subsequente.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Homens e tomates

Os homens com tomates no sítio são cada vez menos neste país. Já conhecemos o Alberto João para chamar as coisas pelos nomes. Há momentos ouvi outro na TSF, Martinho Araújo de seu nome, vereador da Protecção Civil de Arcos de Valdevez. Nesta notícia, já com uns dias, vemos o resumo do problema (todos os realces da minha responsabilidade):

O autarca frisou que o concelho está a arder há cerca de um mês, salientando que, além de Vilar de Suente, estiveram esta quinta-feira em risco as casas dos moradores das aldeias de Paradela, Iísuas e Cunhas, já que as chamas andaram muito perto.
(...)
A zona, uma das mais florestadas e bonitas do Parque Nacional da Peneda-Gerês, fora já atingida em 2006 por uma vaga de incêndios que destruiu centenas de hectares, entre eles uma parte da Mata do Rabiscal, um dos tesouros da estrutura ambiental.

No Jornal de Notícias, ele já havia dado uma perspectiva do que realmente se passa:

As críticas da autarquia de Arcos são feitas a duas vozes. O vereador da Protecção Civil, Martinho Araújo, lamenta que não sejam feitos investimentos no parque e que há um "total desconhecimento por parte dos responsáveis da administração do PNPG do que se passa dentro das suas fronteiras".
O vereador destacou que o desinvestimento levou ao actual estado. "Há quatro anos, após um incêndio, também em Agosto, no Mezio, o parque procedeu à venda das madeiras que renderam centenas de milhares de euros. O resto da madeira ficou lá amontoado, o que originou uma manta morta de vários metros de altura, o que dificulta a actuação dos bombeiros e meios aéreos, até mesmo o acesso aos locais onde está arder, pois os caminhos estão bloqueados. O dinheiro, esse, foi para outros interesses", disse Martinho Araújo ao JN.
O vereador acrescenta que a única preocupação de quem dirige o PNPG é "manter os seus empregos". "O parque é uma instituição nacional que já não tem razão de existir porque deixaram exterminar toda a vegetação e não fizeram nada para a manter ou para que existissem reflorestações".
"Isto é administrado por pessoas de Lisboa que não sabem o que é o PNPG. Querem fazer disto uma reserva de "índios", põem todo tipo de entraves à população que reside no PNPG, e este sem população não é nada", sublinha o autarca, que prevê ainda consequências drásticas, "não há pasto para os animais", frisa.

Finalmente, a transcrição da notícia que ouvi, no noticiário de hoje das 18 horas (aos 09:48):

Tive notícias ali na freguesia de Carral Cova: estão os bombeiros a apagar por um lado e andam ali uns malandros, uns terroristas, a pegar fogo nas costas dos bombeiros. Deve ver em que Estado é que estamos a viver, não é? Foram detectados quatro indivíduos a pegar fogos nas costas dos bombeiros.
(...)
Já foi comunicado que estavam relativamente longe dos bombeiros. Já foi comunicado à GNR, que já se deslocou ao local para tentar apanhar esses vagabundos.

Alguém condecore imediatamente este senhor!

Período Quente Medieval de regresso

A notícia de mais uma machadada, porventura definitiva, no hockey-stick, está há dois dias no Watts Up With That. Os leitores sabem que eu raramente duplico aqui posts do site de referência dos cépticos, mas neste caso temos que abrir uma excepção.

O artigo, a publicar na próxima edição de "The Annals of Applied Statistics", de Blakeley B. McShane e Abraham J. Wyner, chama-se "A Statistical Analysis of Multiple Temperature Proxies: Are Reconstructions of Surgace Temperatures Over the Last 1000 Years Reliable?". Para todos os efeitos, o artigo resulta claro apenas pela leitura do seu abstract (realces da minha responsabilidade):

Predicting historic temperatures based on tree rings, ice cores, and other natural proxies is a difficult endeavor. The relationship between proxies and temperature is weak and the number of proxies is far larger than the number of target data points. Furthermore, the data contain complex spatial and temporal dependence structures which are not easily captured with simple models.
In this paper, we assess the reliability of such reconstructions and their statistical significance against various null models. We find that the proxies do not predict temperature significantly better than random series generated independently of temperature. Furthermore, various model specifications that perform similarly at predicting temperature produce extremely different historical backcasts. Finally, the proxies seem unable to forecast the high levels of and sharp run-up in temperature in the 1990s either in-sample or from contiguous holdout blocks, thus casting doubt on their ability to predict such phenomena if in fact they occurred several hundred years ago.
We propose our own reconstruction of Northern Hemisphere average annual land temperature over the last millenium, assess its reliability, and compare it to those from the climate science literature. Our model provides a similar reconstruction but has much wider standard errors, reflecting the weak signal and large uncertainty encountered in this setting.

domingo, 15 de agosto de 2010

Agosto em Portugal

Os alarmistas portugueses andam por aí a pavonear-se. Filipe Duarte Santos é o que mais se desdobra por aí, e conjuntamente com Viriato Soromenho Marques, aparecem por exemplo num artigo vergonhoso do Jornal de Notícias. Alguém lhes explique por favor as diferenças entre tempo e clima?

Os alarmistas andam activos em Portugal, e no Mundo inteiro, por causa da Rússia. A razão é fácil de perceber, porque realmente fez calor para os lados da Rússia. Por cá, toda a indústria do Turismo, e os estrangeiros no Algarve, se regozijam. Tirando os fogos, tema ao qual voltaremos, temos todos razão para sorrir. Ao contrário do resto do Mundo, onde uma grande parte tem experimentado um frio significativo, conforme se pode ver na imagem acima (clicar para ampliar), retirada de um site da NASA. Pode-se perguntar porque ninguém fala do frio da Rússia central, onde o gelo do Árctico não tem derretido? Ou então da Europa? Em grande parte da Eurásia, norte de África e Alaska, numa análise do Watts Up With That, há 43% mais pontos abaixo da temperatura normal, que acima...

Resumindo: muita sorte teve quem escolheu Portugal para estas férias do início de Agosto. E esperemos que assim continue na segunda metade!

sábado, 14 de agosto de 2010

Caluda

As tácticas utilizadas pelos promotores das energias alternativas, e neste caso específico, da energia eólica, dão que pensar. No estado do Oregon, nos Estados Unidos, o silêncio dos moradores está a ser comprado por $5000 cada. Patricia Pilz da Caithness Energy, uma empresa de Nova Iorque, entrega um cheque nesse valor a todos os residentes que aceitarem assinar um documento onde se lê que não se queixarão, no futuro, do ruído excessivo!

Alguns aceitaram alegremente o cheque. Incluindo George Griffith, de 84 anos de idade, que deverá estar mais interessado em apressar-se a aproveitar os cinco mil dólares. Outros recusam, criando um interessante cenário especulativo. Outros já avançaram para acções legais, até porque o estado do Oregon tem leis específicas que limitam o barulho permitido. Um dia, vai-se virar o bico ao prego, por aqueles lados...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

As promessas falhadas de Patrick Barkham

Os leitores enviam-me histórias deliciosas. Como a de Patrick Barkham, um jornalista do alarmista Guardian, que prometeu no final de 2009, não comprar uma única peça de roupa durante todo o ano de 2010. Não estava motivado pela crise económica que vivemos, mas sim pelo desejo de cortar nas suas emissões de CO2... Para isso contava com o seu extenso guarda-roupa!

Durante seis meses, Patrick conseguiu aguentar a pressão! Ou quase, porque em Março teve que comprar uns boxers em segunda mão, que nem sequer lavou! Mas pouco depois, numa viagem ao País de Gales, deparou com mau tempo, e lá teve que comprar uma gabardine... E lá se foi a promessa!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Tretas e mais tretas de incêndios

Os leitores mais habituais já terão estranhado a ausência de mais referências à problemática dos fogos florestais, que estão este ano de volta e em força, na minha opinião sobretudo por via do Inverno muito chuvoso que tivemos. As muitas tretas que se ouvem por aí esquecem que a grande maioria do território não está ainda em situação de seca, como o próprio Instituto de Meteorologia refere (realces da minha responsabilidade):

Em 31 de Julho de 2010 verifica-se o aparecimento de seca meteorológica fraca em alguns locais de Portugal Continental, mantendo-se, no entanto, um índice de “chuva fraca” na maior parte do Continente.

Desta forma, em termos de percentagem do território o ( índice de seca meteorológica PDSI ) apresenta a seguinte distribuição: 2% em chuva moderada, 53% em chuva fraca, 23% em situação normal e 21% em seca fraca e 1% em seca moderada.

Como facilmente se depreende da imagem acima, as plantinhas e o mato têm encontrado ingredientes para crescerem, facto que parece ter escapado à maior parte dos analistas na temática. Nada que fosse muito difícil de prever, dado o Inverno chuvoso que tivemos!

O melhor que os políticos conseguem fazer é comparar este ano com os de 2003 e 2005, em que grandes fogos existiram, mas com condições completamente distintas das de este ano. Rui Pereira, é um actor surdo no meio da tragédia. O ministro da Agricultura, António Serrano, não se lhe ficou atrás, e ontem propôs a "nacionalização" das propriedades mal cuidadas. Como pode um Ministro propôr isto, quando é o Governo que não cumpre, como se pode inferir, entre outras, pelo conteúdo da seguinte notícia (realces da minha responsabilidade):

São 23 os fiscais no Parque Nacional da Peneda-Gerês que agora passam os dias em casa, sem condições de vigiar mais de 280 mil hectares.
A falta de dinheiro tem justificado que a viatura fique parada e, consequentemente, que não haja fiscalização. As saídas eram feitas, ainda há meses, por transportes públicos, algo que já não acontece por falta o dinheiro, como confirmou à TSF o presidente do conselho directivo dos baldios de Vilar da Veiga.
(...)
Para além disso, até para sair de casa, a pé, os fiscais precisam de uma autorização do director do parque. Trata-se de uma prisão domiciliária, comentou à TSF, com ironia, um dos guardas.
(...)
O ano passado, o Ministério do Ambiente aprovou um plano de prevenção que previa uma vigilância feita por 23 pessoas e com meios, que nunca foram usados.
Só esta semana é que foi requisitada uma viatura para Castro Laboreiro, mas porque, em breve, o parque recebe a visita da Comissão Parlamentar da Agricultura.

Outros políticos são mais atinados. Um autarca do PS descreve como são afectas as prioridades nos combates aos incêndios (realces da minha responsabilidade):

"Estou desesperado. Quando vejo os meios a serem canalizados para uma área protegida em que está a arder mato e nós temos casas a arder há dois dias e ninguém nos manda apoio, gera indignação", afirmava o autarca do PS, José Maria Costa.

Destaque para o Henrique Pereira dos Santos, do blog Ambio, que tem feito um trabalho notável a desmascarar as tretas deste negócio do fogo. Temos tido divergências no passado, mas neste aspecto, ultrapassou-me na quantidade de tretas expostas! Finalmente, devemos lamentar as mortes humanas, que este devaneio dos políticos e outros responsáveis provocam...