domingo, 22 de agosto de 2010

Grandes incêndios florestais

As recentes referências aos fogos florestais ocorridas na Rússia, levou-me a pesquisar os grandes incêndios florestais da História. A lista abaixo não permite uma correlação com o Aquecimento Global, como facilmente se percebe. Aliás, já houve a preocupação dos cientistas afastarem tal relação. Lá, como cá, é a incompetência da gestão florestal que nos continua a levar a lado nenhum... Entretanto, se descobrir novas entradas, a lista será completada:

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Mais pseudo-ciência de mamutes

Saiu mais uma barbaridade sobre mamutes. Num recente estudo publicado na "Quaternary Science Reviews", com o título "Last glacial vegetation of northern Eurasia", Allen et al., argumentam que foram as alterações climáticas que levaram à extinção dos mamutes. Tudo, claro, baseado em modelos computacionais complexos...

A mensagem subliminar é clara: se aqueles simpáticos herbívoros morreram porque o planeta ficou mais quente, então por exemplo, os ursos polares não terão qualquer hipótese... Nós, por cá, temos jornalistas ávidos destas notícias. Filomena Naves, do Diário de Notícias, lançou imediatamente cá para fora a notícia: "Aquecimento da Terra ditou fim dos mamutes". Mas será que esta jornalista já não se lembra da última notícia com que nos brindou sobre mamutes? Pois é, foi há menos de três meses, e na altura o título foi "Extinção de herbívoros causou arrefecimento" a que nos referimos aqui.

Mas há mais estudos da treta sobre mamutes nas últimas semanas. Doughty et al., em "Biophysical feedbacks between the Pleistocene megafauna extinction and climate: The first human-induced global warming?" argumentam que os mamutes deixaram de comer bétulas, conclusão calculada a partir de um proxy de pólen. Em função disso, as bétulas prosperaram, o albedo aumentou, o calor aumentou e os mamutes morreram...

Resumindo, umas fogueiras dos homens das cavernas devem ter aquecido o Planeta; em função disso, os mamutes começaram a morrer (provavelmente no espeto), deixaram de comer bétulas e depois disso deixou de haver gases na atmosfera, e depois veio o arrefecimento? Não há pachorra para estes cientistas e jornalistas...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Ainda o custo das eólicas e da solar

A propósito do post de anteontem, relativo ao custo das renováveis no segundo trimestre, Henrique Sousa, do blog HorAbsurda.org, fez hoje um post equacionando algumas das minhas afirmações. O Ecotretas adora esta troca de argumentações, porque o resultado final é ainda melhor! Aliás, recomendo vivamente este blog e congratulo o seu autor, pela natureza extremamente pedagógica que apresenta!

Em primeiro lugar, há que reconhecer que o título do post de anteontem é erróneo. As renováveis são mais que as eólicas e solar, e inclui nomeadamente as hídricas, que nada tinham a ver com o conteúdo do post. Por isso, o custo referenciado é relativo à produção de energia solar, mas sobretudo eólica.

Henrique Sousa equaciona sobretudo o conceito de custo. O custo que eu mencionei não é o custo de produção para os promotores, mas o custo deste modelo de tarifas feed-in, que são claramente um custo para os consumidores/contribuintes portugueses. A ser pago com juros elevados! Disto ninguém tenha dúvidas.

Da análise do post, e dos comentários de Jorge Pacheco de Oliveira, ressalta também interessante concluir que os números que apresento confirmam as previsões efectuadas para o défice tarifário de 2010, que segundo as contas da ERSE apontam para um valor de 700 milhões de euros.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Custo das renováveis no segundo trimestre

No primeiro trimestre calculei quanto custavam as energias renováveis aos Portugueses. Numa primeira fase, calculei quanto custou a exportação da energia eólica, que redundou nums impressionantes 50 milhões de euros. Acicatado pelos ecologistas da treta, calculei quanto custaram as eólicas no primeiro trimestre: as contas revelaram então uma factura de cerca de 216 milhões de euros! Por fim, calculei quanto tinha custado a energia solar, para uns mais modestos 8.7 milhões de euros.

Entretanto, meti novamente mãos à obra, para calcular o prejuízo do segundo trimestre. A metodologia utilizada é idêntica à do primeiro trimestre, pelo que os valores são imediatamente comparáveis. A exportação de energia eólica custou cerca de 18 milhões de euros, enquanto que, se não existisse eólica de todo, o país teria poupado cerca de 126 milhões de euros. A produção de energia solar teve um sobrecusto de 15.9 milhões de euros.

Como é fácil de ver, o custo das exportações foi bem menor. Tal resulta de uma muito menor produção de energia eólica, que desceu de cerca de 2872 GWh para 1876 GWh, mas também da subida do preço médio no OMEL, que subiu de 2.511 cêntimos/kWh no primeiro trimestre para 3.473 cêntimos/kWh no segundo trimestre. Em função da muito menor produção de energia eólica, há naturalmente também um valor muito inferior do seu custo directo. Como seria igualmente de esperar, o custo da energia solar subiu muito significativamente, em função do aumento de produção, associado a um aumento da duração da exposição solar.

Resumindo, os contribuintes e consumidores portugueses ficaram mais pobres em cerca de 142 milhões de euros no segundo trimestre, o que somando aos valores do primeiro trimestre, dá um custo de 367 milhões de euros para esta primeira metade de 2010, por conta das eólicas e energia solar... Enquanto isso, os Tios Patinhas da economia verde vão engordando!

Actualização: O conteúdo deste post é equacionado, sobretudo na referência ao termo renováveis, neste post subsequente.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Homens e tomates

Os homens com tomates no sítio são cada vez menos neste país. Já conhecemos o Alberto João para chamar as coisas pelos nomes. Há momentos ouvi outro na TSF, Martinho Araújo de seu nome, vereador da Protecção Civil de Arcos de Valdevez. Nesta notícia, já com uns dias, vemos o resumo do problema (todos os realces da minha responsabilidade):

O autarca frisou que o concelho está a arder há cerca de um mês, salientando que, além de Vilar de Suente, estiveram esta quinta-feira em risco as casas dos moradores das aldeias de Paradela, Iísuas e Cunhas, já que as chamas andaram muito perto.
(...)
A zona, uma das mais florestadas e bonitas do Parque Nacional da Peneda-Gerês, fora já atingida em 2006 por uma vaga de incêndios que destruiu centenas de hectares, entre eles uma parte da Mata do Rabiscal, um dos tesouros da estrutura ambiental.

No Jornal de Notícias, ele já havia dado uma perspectiva do que realmente se passa:

As críticas da autarquia de Arcos são feitas a duas vozes. O vereador da Protecção Civil, Martinho Araújo, lamenta que não sejam feitos investimentos no parque e que há um "total desconhecimento por parte dos responsáveis da administração do PNPG do que se passa dentro das suas fronteiras".
O vereador destacou que o desinvestimento levou ao actual estado. "Há quatro anos, após um incêndio, também em Agosto, no Mezio, o parque procedeu à venda das madeiras que renderam centenas de milhares de euros. O resto da madeira ficou lá amontoado, o que originou uma manta morta de vários metros de altura, o que dificulta a actuação dos bombeiros e meios aéreos, até mesmo o acesso aos locais onde está arder, pois os caminhos estão bloqueados. O dinheiro, esse, foi para outros interesses", disse Martinho Araújo ao JN.
O vereador acrescenta que a única preocupação de quem dirige o PNPG é "manter os seus empregos". "O parque é uma instituição nacional que já não tem razão de existir porque deixaram exterminar toda a vegetação e não fizeram nada para a manter ou para que existissem reflorestações".
"Isto é administrado por pessoas de Lisboa que não sabem o que é o PNPG. Querem fazer disto uma reserva de "índios", põem todo tipo de entraves à população que reside no PNPG, e este sem população não é nada", sublinha o autarca, que prevê ainda consequências drásticas, "não há pasto para os animais", frisa.

Finalmente, a transcrição da notícia que ouvi, no noticiário de hoje das 18 horas (aos 09:48):

Tive notícias ali na freguesia de Carral Cova: estão os bombeiros a apagar por um lado e andam ali uns malandros, uns terroristas, a pegar fogo nas costas dos bombeiros. Deve ver em que Estado é que estamos a viver, não é? Foram detectados quatro indivíduos a pegar fogos nas costas dos bombeiros.
(...)
Já foi comunicado que estavam relativamente longe dos bombeiros. Já foi comunicado à GNR, que já se deslocou ao local para tentar apanhar esses vagabundos.

Alguém condecore imediatamente este senhor!

Período Quente Medieval de regresso

A notícia de mais uma machadada, porventura definitiva, no hockey-stick, está há dois dias no Watts Up With That. Os leitores sabem que eu raramente duplico aqui posts do site de referência dos cépticos, mas neste caso temos que abrir uma excepção.

O artigo, a publicar na próxima edição de "The Annals of Applied Statistics", de Blakeley B. McShane e Abraham J. Wyner, chama-se "A Statistical Analysis of Multiple Temperature Proxies: Are Reconstructions of Surgace Temperatures Over the Last 1000 Years Reliable?". Para todos os efeitos, o artigo resulta claro apenas pela leitura do seu abstract (realces da minha responsabilidade):

Predicting historic temperatures based on tree rings, ice cores, and other natural proxies is a difficult endeavor. The relationship between proxies and temperature is weak and the number of proxies is far larger than the number of target data points. Furthermore, the data contain complex spatial and temporal dependence structures which are not easily captured with simple models.
In this paper, we assess the reliability of such reconstructions and their statistical significance against various null models. We find that the proxies do not predict temperature significantly better than random series generated independently of temperature. Furthermore, various model specifications that perform similarly at predicting temperature produce extremely different historical backcasts. Finally, the proxies seem unable to forecast the high levels of and sharp run-up in temperature in the 1990s either in-sample or from contiguous holdout blocks, thus casting doubt on their ability to predict such phenomena if in fact they occurred several hundred years ago.
We propose our own reconstruction of Northern Hemisphere average annual land temperature over the last millenium, assess its reliability, and compare it to those from the climate science literature. Our model provides a similar reconstruction but has much wider standard errors, reflecting the weak signal and large uncertainty encountered in this setting.

domingo, 15 de agosto de 2010

Agosto em Portugal

Os alarmistas portugueses andam por aí a pavonear-se. Filipe Duarte Santos é o que mais se desdobra por aí, e conjuntamente com Viriato Soromenho Marques, aparecem por exemplo num artigo vergonhoso do Jornal de Notícias. Alguém lhes explique por favor as diferenças entre tempo e clima?

Os alarmistas andam activos em Portugal, e no Mundo inteiro, por causa da Rússia. A razão é fácil de perceber, porque realmente fez calor para os lados da Rússia. Por cá, toda a indústria do Turismo, e os estrangeiros no Algarve, se regozijam. Tirando os fogos, tema ao qual voltaremos, temos todos razão para sorrir. Ao contrário do resto do Mundo, onde uma grande parte tem experimentado um frio significativo, conforme se pode ver na imagem acima (clicar para ampliar), retirada de um site da NASA. Pode-se perguntar porque ninguém fala do frio da Rússia central, onde o gelo do Árctico não tem derretido? Ou então da Europa? Em grande parte da Eurásia, norte de África e Alaska, numa análise do Watts Up With That, há 43% mais pontos abaixo da temperatura normal, que acima...

Resumindo: muita sorte teve quem escolheu Portugal para estas férias do início de Agosto. E esperemos que assim continue na segunda metade!