sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Eólicas queimam electricidade

Um leitor enviou-me um link muito interessante para uma página, onde se descreve como os aero-geradores eólicos consomem energia eléctrica. Sim, é isso mesmo: em vez de produzirem energia eléctrica, também gastam! É claro que isto também acontece noutras formas de produção de energia eléctrica, mas é delicioso pensar que para além de todos os barretes aqui expostos, há agora mais um!
  • Controlo Yaw: Um aero-gerador tem que estar orientado por forma a tirar o máximo partido do vento. Para isto ser conseguido, motores eléctricos posicionam a cabina e as pás no sentido correcto. Para isso é preciso bastante energia, essencialmente devido ao peso da estrutura a ser movida. Há que somar ainda alguns movimentos para desenlace dos cabos de energia.
  • Controlo de potência: Há várias formas de o fazer, mas o controlo do pitch do rotor (que possibilita a rotação da pá em torno do seu eixo longitudinal) exige obviamente um consumo de energia.
  • Em ambientes frios, como são o topo das serras, e em climas mais frios que o nosso, é necessário aquecer as pás, e a cabina. Chegam a requerer 10% a 20% da potência nominal dos aero-geradores, como em circunstâncias de formação de gelo.

Há lá mais exemplos até hilariantes, como o caso de fazerem girar as pás durante as visitas guiadas! Ou então pô-las a girar para não entortarem...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Dom Quixote de la India

Tal como cá, bancos estrangeiros procuram fazer de tudo para passar uma imagem verde. Na Holanda, o Rabobank comprou, em 2008, 175000 toneladas de offsets de carbono, no sentido de tornar o banco neutro em termos de carbono. Foi mesmo considerado um dos três melhores bancos na área da sustentabilidade.

Mas há uns meses, Bouwe Taverne, responsável pelo desenvolvimento da sustentabilidade dentro do banco, recebeu uma notícia que não queria ouvir: o esquema de compensação era uma fraude miserável!

Do outro lado do planeta, Yashwant Malche, tal como seu pai e antepassados, os Adivasi, têm amanhado as suas terras isoladas da civilização. Mas em 2007, uns estrangeiros apareceram a oferecer $4000 pelas suas terras, para construir um parque eólico. Malche declinou a oferta, mas os estrangeiros garantiram que o parque eólico seria construído à mesma... E o parque de Dhule, com 550 aero-geradores, promovido pela Suzlon, foi mesmo avante. Pelo meio vieram os confrontos, com vários feridos e múltiplas detenções.

Numa questão de dias, antes de erguerem as torres, 25000 árvores foram cortadas. Enquanto as mulheres da zona são perseguidas por arrancarem alguns galhos às árvores, à Suzlon deram ainda autorização para cortarem 11000 mais árvores!

Homens como Malche já não conseguem subsistir da terra, e agora têm que imigrar para outras zonas da Índia durante parte do ano. Bouwe Taverne, e o Rabobank, em vez de promoverem a sustentabilidade, estão a promover a miserabilidade destas pessoas. Estão tristes com o resultado, mas não é isso que dá de comer a estas pessoas. E já agora, onde estão os ecologistas??? Valham-nos pessoas como Doug Struck, o jornalista que investigou a fraude, e que recebeu um justo prémio por isso.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

The past comes alive

I had referenced before that we live interesting times, and that some of the melting that is going on might even be good for science, as collecting samples from where ice is gone, will certainly reveal our past history in more detail... One week later, an interesting news article from Reuters is one more proof that there have been more interesting times in recent history...

Lars Piloe, a Danish scientist heading a team of "snow patch archaeologists", is recovering artifacts in mid-Norway, 1850 meters above sea level. He has found "specialized hunting sticks, bows and arrows and even a 3,400-year-old leather shoe" in the Jotunheimen mountains, The Home of the Giants, inspired by the name Jötunheimr in Norse mythology. The findings are very significant, with 600 artifacts recovered in the Juvfonna ice-field alone.

Rune Strand Oedegaard, a glacier and permafrost expert from Norway's Gjoevik University College states that "some ice fields are at their minimum for at least 3000 years,". Interestingly, though, is that these artifacts seem to be from the Iron Age, more or less 1500 years ago, or even from Viking times, only 1000 years ago. This leads to the conclusion that these artifacts are from the Medieval Warm Period, and not from Holocene climatic optimum, as Oedegaard states.

What remains clear from these examples is that past climate was clearly warmer, with less ice, both in glaciers and in the Arctic, not long ago. One more clear indication of the hockey stick fraud (they hided the decline before 1400, remember?), and that the warming we are experiencing today is not abnormal, even in recent times...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O barrete das mini-hídricas vem aí!

Foi com enorme surpresa que li hoje uma notícia do Diário Económico, sobre um plano do Governo sobre novas barragens, que permitirá encaixar 500 milhões de euros. Ainda pensei que pudesse ser relativa à história do mexilhão, mas não! A notícia era relativa a mini-hídricas.

Mas como podiam as mini-hídricas justificar um valor de 500 milhões de euros? Quem no seu bom juízo poderia desembolsar esse dinheiro? Mas depois compreendi: o Estado propõe pagar a esses produtores de energia eléctrica 95€ por MWh. Mais do que paga neste momento aos produtores de energia eólica, facto que tenho exposto repetidamente neste blog... E propõe-se pagar esta tarifa durante 25 anos, num total de 45 anos de contrato?

Não há dúvidas de que a especialidade deste Governo é hipotecar completamente o futuro deste país. Pretende meter ao bolso 500 milhões de euros agora, à custa desta e da próxima geração, obrigando os contribuintes e consumidores a arcarem com este negócio ruinoso durante 25 anos!!! E ainda arruma os pequenos produtores, que não têm possibilidades de avançar com esse dinheiro inicial, para beneficiar os amiguinhos do costume? No processo, afunda a economia... E depois vai aparecer nas notícias como um grande feito! Acho que vou vomitar...

Actualização: Os termos do barrete estão definidos na Resolução do Conselho de Ministros n.º 72/2010.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

As maravilhas da Ria Formosa

No Sábado foram anunciados os vencedores das sete maravilhas naturais de Portugal. Ainda vi um bocado do programa, mas quando pareceu claro que a realização e o costureiro pareciam mais interessados em mostrar as maravilhas naturais da Catarina Furtado, vi logo que o resto não teria conteúdo melhor...

É claro que depois não pude evitar saber quem eram os vencedores. E quando soube que locais como o Vale do Douro e Sintra não estavam na lista, tive a certeza que o processo foi controlado pelos caciqueiros regionalistas do costume... E pior fiquei quando vi a secção de comentários da notícia do Público.

Há vencedores surpreendentes, mas a Ria Formosa é certamente um deles! Ainda há uns dias, o Bloco de Esquerda entregou no Parlamento umas perguntas sobre o estado dessa maravilha. Parece que ela é lugar de depósito de "todo o tipo de lixo, desde eletrodomésticos a materiais de sucata, poluição agravada por descargas provenientes de suiniculturas". Em vez de turistas...

Como é costume, não são nem os políticos, nem os ecologistas, que nos dão conta desta situação. São os pescadores, o povo livre, que em blogs nos dão conta, como a imagem acima documenta, das maravilhas naturais da Ria Formosa. De como ela é intervencionada de forma arbitrária, por pessoas que não fazem a menor ideia do que andam a fazer? A leitura de foruns da região deixa-nos a todos mais perplexos, mas mais certos do país em que vivemos...

Actualização: Um dia depois, são os patos... O que será amanhã?

domingo, 12 de setembro de 2010

Calor Urbano na América do Sul


O blog Sol e Mudanças Climáticas, que referencio ao lado, elaborou um post sobre as ilhas de calor urbano na América do Sul, e que tinha saído originalmente no blog do Metsul. O artigo completo merece ser lido, sendo evidente como as ilhas de calor urbano provocam uma notória subida nas temperaturas das grandes cidades, enquanto noutros locais se verificam mesmo descidas. No primeiro gráfico acima, relativo a Buenos Aires, a tendência de subida tem sido imparável. Logo mais a sul, a estação de Mar del Plata, entre outras, não exibe a tendência de subida da capital da Argentina. O Metsul percorre muitos outros exemplos que dão que pensar, pelo que não percam o post completo.

Nota: O título do post foi corrigido, dado a referência do Metsul ser ao continente da América do Sul.

sábado, 11 de setembro de 2010

As verdades subliminares da energia eólica

A IEA Wind, uma ramificação da Agência Internacional de Energia, publicou o seu relatório anual. Naturalmente, celebra o triunfo da tecnologia eólica, sobre diversos prismas. Mas as verdades que são possíveis recolher no relatório serão quase subliminares para a maioria dos seus leitores...

Nas muitas tabelas e gráficos, procurei primeiro pelos valores dos apoios e tarifas feed-in. Não encontrei! Estão dispersos pelo texto, como o valor de 93.74 €/MWh para Portugal (pag. 133), mas a comparação directa com outros países não existe! Que conveniente... Dá contudo para perceber que pagamos bastante mais que os Espanhóis, que registaram um valor médio de 78.183 €/MWh em 2009 (pag. 140).

14 dos 20 membros da IEA, incluindo Portugal, utilizam tarifas feed-in (pag. 9). Segundo este esquema, que os leitores habituais do blog conhecem bem, as companhias de distribuição de electricidade são obrigadas a comprar toda a energia eólica produzida, a valores muito mais elevados que os normais. Os países que não utilizavam em 2009 este esquema eram, entre outros, o Japão (excepção a pequeno produtores), Reino Unido (em 2010), Finlândia (terá em 2010?), Coreia (terá em 2012), Mexico e Noruega. Cruzemos os dados da página 6, relativa à percentagem do consumo de energia proveniente do vento (ordenados por ordem decrescente), com os dados da página 9, realçando a sublinhado aqueles que tinham tarifas feed-in:

19.30% Denmark
15.00% Portugal
14.40% Spain
10.50% Ireland
6.50% Germany
4.40% Greece
4.00% Netherlands
3.00% Austria
2.10% Italy
1.90% United States
1.80% Canada
1.80% Sweden
1.70% United Kingdom
1.60% Australia
0.80% Norway
0.40% Japan
0.30% Finland
0.20% Korea
0.20% Mexico
0.04% Switzerland


A mensagem subliminar assim é perfeitamente visível. A energia eólica só existe onde é escandalosamente subsidiada! Depois de mais de 98000 torres eólicas em funcionamento (apenas nos países da IEA), esta é ainda uma indústria fortemente subsidio-dependente! E com montes de problemas, como são o exemplo das turbinas que não atingem o seu período expectável de vida e que tem que ser substituídas ou reparadas a custos elevados (pag. 11), ou o exemplo impressionante do Japão (pag. 111)

Finalmente, uma referência a Portugal. Parece sair-se bem das estatísticas, mas estamos a pagar para isso, como repetidamente aqui vimos referindo. Somos todos tão aldrabados: As pessoas que contribuíram para o documento, deviam estar tão em êxtase perante os seus pares internacionais, que colocaram Viana do Castelo em Espanha (pag. 134):

In 2007, the technological complex of the German company Enercon GmbH, a member of the wind energy consortium Eólicas de Portugal, SA., began construction in the north of Spain (Viana do Castelo).