quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Esmolas digitais para o Mexia

Há pouco mais de uma semana, levantava a questão do impacto que as set-top boxes têm no consumo de energia. No estudo referenciado da BCG olhou-se apenas para um dos lados da questão... Entretanto, um leitor chateado, porque pensa que eu sou contra o progresso, questionou o porquê de uma Sociedade da Informação mais avançada, poder ter um impacto ("bárbaro" como referi) nas emissões de CO2?

Esta Sociedade de Informação entra-nos em casa de forma cada vez mais digital. Se antes tínhamos que alimentar os amplificadores das antenas de TV, agora temos que ter uma set-top box. Se quisermos aceder à Internet, então é preciso um modem. E depois há quase sempre um dispositivo wireless, ou outros dispositivos, para distribuir os sinais por vários equipamentos. A Quercus chegou a valores entre 40 e 50 Wh, mas os valores não batem com os meus. Outros valores aproximam-se mais dos meus. Medições detalhadas cá em casa apontam para 37 Wh, para a set-top box, modem e wireless...

Estes valores tornam-se rapidamente assustadores. 37*24*30 = 26640 Wh = 26.6 kWh por mês. Aos preços normais da EDP, não considerando o bi-horário, o custo actual é de 0.135 €/kWh, o que significa cerca de 3.60 euros por mês, e pouco mais de 43 euros/ano. Saber quanto isso representa no país é algo mais complexo; dados da Anacom, órgão regulador das comunicações, revelam 965000 assinantes do serviço de televisão digital no segundo trimestre de 2010. Tal significa receitas para a EDP de quase 3 milhões e meio de euros por mês, com uns estonteantes 25.7 GWh por mês... E não estou sequer a contar os restantes assinantes, com menos tecnologia...

Não tenham dúvidas, todavia, de que a situação vai piorar! Vem aí a Televisão Digital Terrestre, pelo que todos os portugueses que ainda se podem gabar de não estar a dar uma esmola maior ao Mexia, vão passar a fazê-lo... E depois há os Media Centers... Talvez alguém se lembre de começar a regular esta vergonha; talvez, vão fazê-lo em nome do CO2. Mas os leitores, façam como eu já faço há dois anos: invistam numa extensão eléctrica com interruptor, e desliguem-na sempre que não necessitem do triple-play. Vão ver que a poupança na factura, ao fim do mês, é bem visível!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Ponferrada

40000 mineiros manifestaram-se em Espanha, há menos de uma semana, na localidade de Ponferrada. Já havíamos referenciado o porquê aqui. Já todos sabemos que a Economia Verde é uma verdadeira destruidora de emprego, mas a notícia não é essa...

A notícia é a de que isto não é notícia. Como o observou Antón Uriarte no seu blog. E é verdade: uma pesquisa na Internet apenas revela a notícia do Diario de Leon. A religião Verde a isso obriga: é preciso não revelar as Verdades Inconvenientes... Mas se fôr para relatar uma Mentira Conveniente dos Ecologistas, os Media aparecem logo a correr...

A Máfia Verde

Os negócios mafiosos envolvendo as energias renováveis já foram aqui relatados no passado. As energias alternativas são um bom disfarce, por exemplo no transporte de droga, mas também uma forma de aldrabar a Sociedade, sem esquecer as fraudes associadas às negociatas do carbono.

Um leitor atento fez-nos chegar agora um artigo que resume alguns dos negócios mafiosos, envolvendo a economia verde, na Europa. Se se fala de Máfia, então devemos começar por Itália. Pelo Sul de Itália, onde apesar do pouco vento existente (ver mapa europeu de vento acima), têm proliferado inúmeros parques eólicos. Daqueles que não giram, como os do nosso primeiro ministro... Numa notícia que saiu nos Media de todo o Mundo, excepto em Portugal, relatou-se a apreensão dos bens verdes do "Senhor do Vento", Vito Nicastri, num total de 1500 milhões de euros. Tal inclui pelo menos 43 empresas de energia solar e eólica...

Esta lavagem de dinheiro, no âmbito da economia verde, estende-se porém para além das fronteiras italianas. A motivação é fácil de perceber: Um investimento numa turbina de 2MW custa cerca de 2.75 milhões de euros; com as tarifas feed-in, essas turbinas podem chegar a render meio milhão de euros por ano. Como os contratos são normalmente entre 15 e 20 anos, é só fazer as contas... Tal é todavia escandalosamente evidente em Itália, com um preço de 180€ por MWh, quase o dobro do oferecido em Portugal!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O relatório inconveniente da OCDE

Via as escolhas do Beijokense, chegamos ao relatório da OCDE sobre Portugal, que alguma tinta tem feito correr. Uma leitura superficial dá-nos uma clara ideia da choça em que vivemos. Mas foi a componente da energia que chamou a atenção do Beijokense, reproduzindo-se aqui também o parágrafo relevante (realces meus):

Portugal's large energy balance deficit is due inter alia to structural features such as above-average energy dependence and energy intensity [...] To tackle these problems, as well as to reduce CO2 emissions, the government has been actively promoting stronger reliance on renewable energy sources and higher energy efficiency. The ambitious targets for 2020 set in the recent National Energy Strategy, which include a 20% reduction in final energy consumption and a fall in energy dependence to 74%, are expected to reduce net energy imports by around 2000 million euros relative to 2010. Estimating the overall impact on the current account is nonetheless more complex: the fall in energy imports and the development of energy-related industrial clusters with export potential need to be weighed against more expensive electricity from renewable sources (at least at current oil prices) and the opportunity cost of resources channelled into renewable energy.

A OCDE destapa ligeiramente a vergonha que é este modelo das renováveis. Vamos poupar 2000 milhões até 2020, mas só este ano a brincadeira vai-nos custar a mais 700 milhões de euros. Como a brincadeira vai ser maior nos próximos anos, nem sequer é preciso ter uma Nova Oportunidade, para perceber que isto vai dar para o torto. Ou como diz o Sócrates, poupamos 100 milhões por ano, esquecendo-se de dizer que vamos pagar 700 milhões para conseguir essa poupança!!!

Muito mais interessante é a vertente dos custos da energia e os custos de oportunidade mencionados. Tenho a certeza que a revelação destes dados cairá como uma bomba! Mas, para já, ainda estão nos segredos dos deuses...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Será Monbiot um ateísta ecológico?

George Monbiot é um activista inglês, que escreve regularmente no Guardian. É profundamente admirado pelos outros seguidores da Religião Verde. O problema é que, ultimamente, Monbiot parece estar a querer pensar por si próprio, sem papaguear os pensamentos extremistas. Um dos seus últimos artigos evidencia que uma das melhores esperanças para a próxima cimeira de Cancún é a de que os participantes não adormeçam durante as reuniões...

Monbiot assumiu há muito que o vegetarianismo era a solução. Ele até experimentou durante 18 meses, mas desistiu depois de problemas de saúde e na iminência da loucura... Agora, perante os argumentos de Simon Fairlie, Monbiot admite que estava errado no seu posicionamento a favor do vegetarianismo.

Tudo porque no seu último livro, "Meat: A Benign Extravagance", Simon Fairlie desmonta muitos argumentos associados à pecuária... Um deles é a redução da importância do porco, curiosamente também banido por outras religiões, que não a verde. Outro argumento desmistificado é a de que são necessários 100 mil litros para produzir um quilo de bife: afinal, o valor parece ser três ordens de magnitude inferior! Também estima que a contribuição da pecuária para as emissões mundias é de cerca de 10%, contra os 18% estimados pelas Nações Unidas, valor com o qual já havíamos gozado aqui. Afinal, se o valor de Fairlie estiver correcto, nós humanos respiramos quase tanto CO2, quanto o total associado à pecuária.

A esta velocidade, Monbiot vai engolir muitos mais sapos... Mas pelo menos assume-os, o que é de louvar! Será que se vai tornar num ateísta ecológico, enquanto outros insistem na ladainha?

domingo, 26 de setembro de 2010

Para que servem os milhões da EDP?

Já aqui nos referimos à incursão de Manuel Pinho nas Américas. Ante-ontem, uma notícia concertada, em vários órgãos de comunicação social, revela como Manuel Pinho foi convidado para dar aulas nas Universidade de Columbia. Uma sumidade, que não sabe sequer como alguém tinha posto o seu telemóvel pessoal no silêncio e não encontrava forma de sair desta opção para pôr um toque bem audível no aparelho. Talvez tenha que pedir ajuda aos alunos...

O que muitos portugueses, e jornalistas, não sabem é que quem pagou para Pinho ir para a Columbia foi a EDP! Como ainda não se sabe exactamente se a prenda da EDP é de 3 milhões, ou mais, vale a pena ver como estão a ser investidos os dinheiros dos consumidores da EDP e contribuintes portugueses. Neste vídeo, (atenção, são mais de 500MB) vemos como a prenda deve ter sido tão boa, que até o responsável da Universidade exagera nos três primeiros minutos. Na palestra, fica evidente que o que Nobuo Tanaka defende é um preço da energia mais elevado: mais impostos, taxas e taxinhas. Pois claro, para depois ter dinheiro para pagar aos seus amiguinhos das eólicas e solar, e poderem viver à grande e à francesa (nova-iorquina, no caso do Pinho).

Este, concerteza só volta a Portugal, para organizar a Ryder Cup, na sua herdade da Comporta. Como dizia o Insurgente, "faltou escrever que a Herdade da Comporta é um projecto PIN do BES, que vem do tempo do Ministro Manuel Pinho que, por sua vez, preside à comissão de candidatura à Ryder Cup 2018". Até lá, tem tempo de ir vendendo a ideia...

Actualização: O Insurgente tem mais um exemplo do apoio da EDP: o "bad English" do nosso primeiro ministro...
Actualização II: No 31 da Sarrafada, o "bad English" é ainda mais evidente!
Actualização III: O Correio da Manhã confirmou finalmente os 3 milhões...

sábado, 25 de setembro de 2010

Windfall


Foi exibido no Festival Internacional de Filmes de Toronto o documentário "Windfall", de Laura Israel. Não creio que vá chegar longe, dadas as verdades inconvenientes que mostra. A história parece ter um final feliz: o povo de Meredith, Delaware, levantou-se contra a tirania das empresas eólicas, e assim salvou a sua terra... O filme fala igualmente da estratégia utilizada pelos promotores eólicos, de dividir para reinar, e que resultou num péssimo destino numa região próxima, Tug Hill. Não percam o trailer, pelo menos enquanto não é possível ver o documentário!