terça-feira, 19 de outubro de 2010

Custos de Interesse Económico Geral

O termo "Custos de Interesse Económico Geral" é um palavrão, de que a maioria dos consumidores de energia eléctrica nunca ouviram falar, mas que lhes toca de perto... O primeiro gráfico acima, retirado do mesmo documento da ERSE que havia referido aqui, dá-nos uma ideia precisa de como andamos todos aldrabados.

Veja-se o aumento exponencial dos "Custos de Interesse Económico Geral", cada vez maior. Veja-se também a interrupção em 2009, que para os mais distraídos significa apenas a realização de eleições, e a necessidade de canalizar o dinheiro para outros fins... Mas que custos são estes? A consulta deste documento da ERSE, nas páginas 206 e 207, relativo às tarifas para 2010, revela para onde vai este dinheiro:
  • Diferencial de custos com a aquisição de energia eléctrica a produtores em regime especial (PRE) mediante fontes de energia renovável e não renovável (cogeração), imputados à parcela II da tarifa de Uso Global do Sistema.
  • Rendas de concessão pela distribuição em baixa tensão.
  • Custos com o Plano de Promoção da Eficiência no Consumo de energia eléctrica.
  • Custos com os Planos de Promoção do Desempenho Ambiental.
  • Custos com os terrenos afectos ao domínio público hídrico (amortização e remuneração).
  • Custos com as sociedades OMIP, S.A. e OMI Clear, S.A.
  • Custos com a Autoridade da Concorrência (AdC).
  • Custos com a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.
  • Custos com a convergência tarifária na Região Autónoma dos Açores.
  • Custos com a convergência tarifária na Região Autónoma da Madeira.
  • Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC).
  • Amortização e juros do défice tarifário, relativo aos custos com a convergência tarifária na Região Autónoma dos Açores em 2006 e 2007 não repercutidos nas tarifas.
  • Amortização e juros do défice tarifário, relativo aos custos com a convergência tarifária na Região Autónoma da Madeira em 2006 e 2007 não repercutidos nas tarifas.
  • Amortização e juros do défice tarifário das tarifas de Venda a Clientes Finais em Baixa Tensão, relativo a 2006.
  • Amortização e juros do défice tarifário das tarifas de Venda a Clientes Finais em Baixa Tensão Normal, relativo a 2007.
  • Custos inerentes à actividade de gestão dos CAE remanescentes, pelo Agente Comercial, não recuperados no mercado.
  • Tarifa Social.
  • Custos com a Gestão das Faixas de Combustível no âmbito do Sistema Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios (limpeza de corredores de linhas aéreas).

A segunda imagem acima dá-nos o detalhe da distribuição dos cerca de dois mil milhões de euros para este ano de 2010. Note-se como mais de 40% vai direitinho para o sobrecusto da PRE, que aqui no blog temos vindo repetidamente a assinalar. Mas a isto voltaremos novamente...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Subida em toda a linha

Quando ontem dava o exemplo do Desgoverno no Orçamento do Ministério do Ambiente, estava longe de imaginar o que me esperava mais! Conforme se pode ver na tabela ao lado, extraída da página 255 (Quadro V.11.2) do Relatório do OE 2011, os aumentos são em toda a linha, em tudo o que é Serviço do Ministério do Ambiente. Enquanto os outros apertam o cinto, com cortes na Saúde, Educação, e Segurança Social, o Ministério do Ambiente sobe em absolutamente todos os Serviços!!!

Quando se fala de cortar e juntar, ficam tantas ideias aqui ao lado!

domingo, 17 de outubro de 2010

Desgoverno no Ambiente

Enquanto que todos vamos ser sacrificados, nos impostos, na Educação, na Saúde, o Ministério do Ambiente vai ter mais dinheiro para estourar em 2010!!! São uns 400 milhões de euros, que Dulce Pássaro e companhia, poderão distribuir pelos seus... Segundo esta notícia do Público, há mais 20% para gastar no próximo ano!

E para onde vai esse dinheiro todo? O maior aumento, de 325%, vai para o Fundo Português de Carbono, o que quer dizer dinheiro para ser entregue aos estrangeiros... Andamos nós a apertar o cinto para entregar o dinheiro aos outros??? No resto, as propostas são de encanar a perna à rã...

Mas para que serve afinal este Ministério do Ambiente? Não haja ilusões; para além dos exemplos que já evidenciamos anteriormente no link atrás, podemos ver os exemplos seguintes, retirados da página do Twitter, do próprio Ministério do Ambiente:
  • Seia, Ministra do Ambiente participa na abertura do 16º CineEco, Festival Internacional de Cinema. Casa Municipal da Cultura. Sábado, 12h00
  • Amanhã, Humberto Rosa, na inauguração do novo pólo de actividade ambiental da Fundação Serralves “Espaço Parque”, Porto, 10h00.
  • 5 de Outubro, secretária de Estado Fernanda do Carmo inaugura Centro Escolar Bela Vista, Gondomar, 12h00 e Centro Escolar de Sabrosa, 15h30
  • 5 de Outubro, Lisboa, secretário de Estado do Ambiente inaugura Escola Secundária Gil Vicente, 12h00.
  • 5 de Outubro, Coimbra, Ministra do Ambiente inaugura Escolas Secundária Avelar Brotero, 12h00, e Secundária Infanta D. Maria, 12h35.

Palavras, para quê? Acabem com esta palhaçada, e deixem lá um Secretário de Estado, que é mais que o suficiente!

sábado, 16 de outubro de 2010

Mais aumentos na electricidade

A ERSE fez saber que os aumentos do preço da electricidade para o ano de 2011 serão de 3.8%. Mais do que os valores do aumento prognosticados nos Media. A notícia até passa despercebida no meio da discussão do Orçamento, o que é muito conveniente! Mas porque sobe a energia tanto? Vejamos o primeiro ponto da justificação da ERSE (realces da minha responsabilidade):

O empenho de Portugal para cumprir as metas de produção de electricidade através de fontes de energia renováveis, tem-se materializado num conjunto de incentivos económicos à Produção em Regime Especial (PRE), que inclui, para além da produção de energia eléctrica a partir de fontes renováveis, a produção em cogeração de energias eléctrica e térmica.

O custo médio deste tipo de produção tem sido superior ao custo da produção em centrais convencionais, sendo que o seu custo total tem vindo a aumentar ao longo do tempo pelo facto das entregas desta energia eléctrica à rede terem aumentado significativamente nos últimos anos.

Com o enorme conjunto de subsídios dados, nomeadamente às eólicas, é necessário garantir que as outras centrais convencionais não fecham as portas, pois deixaríamos de ter electricidade durante partes significativas do ano. Por isso, para compensar os subsídios das eólicas, é preciso subsidiar também as outras, através dos Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC) e da Garantia de Potência. Reparem que a electricidade sobe apenas, porque, no final, há energia eólica a mais!

Depois, a ERSE explica que os preços até poderiam, e deveriam, baixar. Porquê (realces da minha responsabilidade)?

Parte importante dos custos a recuperar pelas tarifas são custos de produção de energia eléctrica que variam directamente com a evolução dos preços da energia primária. Recentemente, tem-se verificado uma tendência de estabilização dos valores médios mensais, expressos em Euros. Esta realidade, associada a uma maior pressão concorrencial no MIBEL, permite perspectivar, para 2011, um custo médio de aquisição de energia eléctrica no mercado ligeiramente inferior ao considerado nas tarifas de 2010.

A ERSE acena ainda com o crescimento do consumo em 2010, em completo desacordo com o que havia previsto há um ano. Na verdade, havia previsto que em 2010 o consumo de energia eléctrica desceria 3%; agora, prevê um aumento de 4%! É claro que num cenário de Aquecimento Global, a ERSE faz contas à Quercus... E o Zé Povinho cala, e passa a pagar mais!

Uma visão verdalhada

Um leitor atento alertou-me para a Visão que está nas bancas. Lá fui gastar dinheiro inútil, mas na senda de mais um serviço público. Já lhe dei uma vista de olhos, e tem tantas tretas, que tenho material para muitos posts. Mas este inicial, é sobre a VISÃO que os ecologistas têm sobre o que é o ideal da vida na Terra. E na revista, essa honra cabe aos Mentawai, na Indonésia. Este deve ser o paraíso desta verdalhada, mas porque não irão eles para lá?

Na densa floresta tropical de Siberut, a Ilha das Serpentes e dos Macacos, vivem, nas enormes umas comunitárias, os clãs do povo seminómada dos Mentawai, que imolam galinhas, leem o futuro nas suas entranhas, fabricam remédios a partir de plantas, caçam com setas envenenadas, pescam com sacos de redes nas águas barrentas dos rios e, apesar de serem asiáticos, ignoram, de tão isolados que estão, a própria existência do arroz.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Showerpooling na Casa dos Segredos

Confesso que isto dos reality shows me passa completamente ao lado... Mas hoje contaram-me que há uma nova casa, a Casa dos Segredos, que entre outras coisas, têm uns duches comuns para os concorrentes... Mas alguém percebe qual é a intenção da TVI? Pois é, não é espreitar os concorrentes... mas sim poupar água? É pelo menos isso que a Axe diz, sobre as vantagens da partilha de chuveiro (showerpooling em inglês), conforme se pode ver no vídeo abaixo. O vídeo, que é extremamente estúpido e machista, como todos os anúncios da Axe, merece no entanto ser visto, para perceber quanto poderá a TVI poupar de água...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Censura Verde no Ecosfera do Público


Hoje de manhã, consciente que a campanha evangelizadora da WWF deveria aparecer nos locais do costume, lá fui ver o site da catequese Verde do Público: a Ecosfera. O título da notícia, "Estilo de vida em Portugal requer 2,5 planetas" requererá uma meditação mais profunda, mas acabei por colocar um comentário à notícia, alertando para as contas mal feitas, das quais destaquei a de ontem sobre a precipitação. O resultado foi um comentário bem sucedido, conforme pode ser visto na primeira imagem.

Na hora de tomar o segundo café do dia, enquanto saboreava o trago, volto para ver os comentários subsequentes dos religiosos da Ecosfera. Para grande surpresa minha, o meu comentário havia sido apagado. Tentei colocar outro, mas sem sucesso. O meu colega do lado postou uma mensagem "mais verde", de conquista do planeta, e voilá, passados uns segundos, já estava no site, conforme se pode ver na segunda imagem.

A mesma notícia, no site do Público, lá permitiu a publicação do comentário. Parece que a censura dos sacerdotes verdes não alcança ainda a totalidade do jornal, conforme pode ser visto na terceira imagem... Aliás, a notícia tem até outro comentário muito interessante, que valerá a pena investigar... Enquanto isso, na Ecosfera, a Mão Poderosa dos sacerdotes persegue-me. Mas só me dá mais força, e aos meus amigos...