segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Alterações Climáticas: os Desafios e as Respostas

Amanhã realiza-se na Sala do Senado da Assembleia da República, a Conferência Internacional - Alterações Climáticas: os Desafios e as Respostas. Da leitura do programa percebe-se que é internacional, porque vem cá três estrangeiros. Como o objectivo é engrupir os deputados, vão lá estar os piores alarmistas nacionais, como o Filipe Duarte Santos. Podem participar porque é livre, mas não percam o vosso tempo!

domingo, 28 de novembro de 2010

Mau tempo a tempo de Cancún

O Inverno ainda está a três semanas de distância, mas como amanhã vai começar a cimeira de Cancún, a Mãe Natureza teve que antecipar a chegada do frio... A ponto de deixar o Al Gore deprimido! Um pouco por todo o Planeta, as alterações climáticas do Inverno estão a chegar mais cedo, e mais frescas.

Em Portugal, Bragança atingiu uma mínima de -6ºC. Nos próximos dias prevê-se a queda de neve, tal como aqui ao lado em Espanha. Em França, existe um alerta laranja por quase todo o país. No Reino Unido, foram batidos vários recordes históricos de temperaturas mínimas de Novembro, depois do Met-Office ter previsto exactamente o contrário, como é seu costume!

Mas o frio não é um exclusivo da Europa. Na China, a neve chegou 40 dias antes do habitual, tendo sido a mais forte em 30 anos... Nalgumas províncias do Canadá, as temperaturas estão 10ºC abaixo da média sazonal. No Alaska, o mau tempo foi designado de icepocalypse.

Cheira-me que ainda vamos ter saudades do Aquecimento Global!

sábado, 27 de novembro de 2010

Manuela Ferreira Leite junte-se ao nosso clube

Via Espectador Interessado, tomei nota da coluna de Manuela Ferreira Leite no Expresso deste fim-de-semana, com destaque de primeira página, no Caderno de Economia. É a personalidade mais importante a juntar-se ao clube daqueles que equacionam a validade dos investimentos nas energias renováveis. Curiosamente, os leitores mais habituais sabem que as perguntas colocadas pela Manuela já tiveram resposta aqui no blog. Era mais um email que enviava, se o soubesse...

Depois da petição da DECO, o elefante anda à solta dentro da loja de porcelanas! Nada vai ser como dantes... Aproveitem para comprar o jornal, ou desde já prever o artigo:

A recente questão levantada pela Deco sobre as componentes reais que integram a fatura de eletricidade teve o mérito de chamar a atenção para que apenas uma parcela do que pagamos corresponde ao efetivo consumo de energia que podemos controlar.
Tudo o resto, bastante significativo, é constituído por diversas taxas e rendas fixadas maioritariamente pelo poder político e só uma ínfima parte da responsabilidade da entidade reguladora.
Uma dessas parcelas, resulta de apoio do Estado ao sector das energias renováveis e cogeração, o que, por uma questão de transparência, exige resposta a várias perguntas.
Quantas dessas empresas produtoras de eletricidade vivem à custa dos subsídios estatais à produção de energia?
Quantas e quais empresas obtêm lucros com a venda da eletricidade que produzem à EDP, o que significa que investem sem qualquer risco?
Quanto é que estamos a pagar através de impostos encapotados na nossa fatura de eletricidade?
Durante quanto tempo vai durar este encargo e qual a sua evolução previsível?
Estaremos a criar outra espécie de SCUT?
Estas questões sempre deviam ter sido claras, mas são especialmente pertinentes numa altura em que os cidadãos mal conseguem planear o seu dia a dia, com os dados que
conhecem, quanto mais com o que os apanha de surpresa.
Transparência e respeito pelos portugueses exige-se!

Poupança no carvão

A posta de ontem de manhã, relativa à contra-informação do Zorrinho, foi abordada em vários locais da Internet, com destaque para o Blasfémias. Estes políticos e a cambada de oportunistas que os rodeiam, avançam com números, mas justificações para eles, nem vê-las. Procurei um bom bocado ontem à noite, nos sites da EDP, ERSE, REN, DGEG, etc., mas nada de nada. Por isso tive que meter mãos à obra!

Lembremos que a poupança este ano está essencialmente à forte pluviosidade do primeiro trimestre, contas que alguns parecem não querer perceber. Não devemos esquecer igualmente que o sobrecusto das eólicas e solar na primeira metade de 2010 foi de 367 milhões de euros.

Neste primeiro post, iremos abordar quanto se poupou no carvão, um dos combustíveis fósseis substituídos pelas energias alternativas. Num post subsequente, irei abordar o gás natural. Segundo os dados da REN, a maior quebra de produção neste ano de 2010 verificou-se ao nível das centrais a carvão, pelo que será a parcela maior da poupança preconizada pelo Zorrinho.

O cálculo começa pelo site da DGEG (Direcção-Geral de Energia e Geologia). Dada a natureza estranha desse site, é preciso explicar como se chegam aos dados. Carrega-se em "Estatísticas e Preços" do lado direito do site, depois em "Carvão", e finalmente em "Estatísticas Rápidas". Nos ficheiros PDF desse site recolhem-se os dados do "Consumo Mensal de Carvão na Produção de Energia Eléctrica" do capítulo "H. Quadros Complementares".

Depois de sabermos quantas toneladas se consomem por mês, busca-se o valor do "NWE Steam Coal Marker", valor de referência em termos internacionais para o preço do carvão. Utilizamos o gráfico de 5 anos, utilizando o primeiro valor de cada mês. Como o valor da Bloomberg é em dólares, utiliza-se uma tabela de conversão para Euros. Utilizei os dados da Reserva Federal, disponíveis aqui.

Multiplica-se o consumo mensal pelo preço do início do mês, convertido em euros, e agregam-se os dados por semestre. O resultado é o gráfico acima. Se quisermos ser mauzinhos, a poupança deste primeiro semestre, em relação ao primeiro semestre de 2009, é de 77 milhões de euros, o que significaria uma poupança anual, nesta vertente de 154 milhões de euros. Mesmo que quisessemos ser bonzinhos, se comparassemos com o primeiro semestre de 2008, então a poupança semestral seria de 111 milhões de euros...

Curiosamente, este valor está muito próximo do valor projectado para os custos da energia que seria necessário comprar, ou produzir, caso não existissem eólicas. Por isso, é que tanta ênfase damos aqui no blog ao conceito de sobrecusto!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A lâmpada inteligente

José António Saraiva tem no Sol um artigo de opinião muito pertinente, sobre os vários tipos de lâmpadas, e as poupanças associadas. Não deixem de ler na íntegra, pois aborda algumas das questões que tenho aqui referenciado sobre as lâmpadas economizadoras. Entretanto, destaco um extracto do texto, porque todos gostam muito de falar da Inteligência Artificial, seja nos computadores ou nas redes, mas que quase sempre se revela uma estupidez pegada:

Trabalhei uns tempos num edifício em que as luzes e o ar condicionado eram comandados por computador. Supostamente, obter-se-ia com isso uma racionalização máxima da energia consumida. Pois bem, o que se passava era o seguinte: se eu saía do gabinete às quatro da tarde, as luzes e o ar condicionado ficavam abertos até às nove da noite. Não havia maneira de os apagar. Inversamente, se eu ficava a trabalhar até mais tarde, impreterivelmente às nove da noite apagavam-se as luzes e desligava-se o ar condicionado - e, para os repor a funcionar, era o cabo dos trabalhos.

Esse edifício pretensamente esperto revelou-se, assim, o mais estúpido em que trabalhei. As luzes e os aparelhos de ar condicionado estavam horas e horas ligados sem necessidade, com as salas e os gabinetes vazios. E pregava-nos partidas, deixando-nos às escuras nas situações mais inconvenientes.

Contra-informação à Zorrinho

Carlos Zorrinho foi o encarregado de "malhar" ontem na petição da DECO. Como a DECO avançou com um custo das renováveis de 800 milhões, o secretário de Estado da Energia avançou com uma poupança equivalente, em energia fóssil.

Estes políticos de meia tigela enganam facilmente os jornalistas. Mas como ainda há memória na Internet, vejamos o que se dizia no passado. Comecemos pelo mês passado, e vejamos o que dizia o Sócrates:

"O nosso défice comercial depende da questão energética", lembrou, assinalando que em 2010 as energias renováveis permitiram poupar 700 milhões de euros de importações de petróleo.

Em Abril passado, Zorrinho tinha uma noção que a poupança era de 500 milhões:

O secretário de Estado da Energia sublinhou hoje que "todos os anos importamos menos 500 milhões de euros em combustíveis fósseis pelo facto de produzirmos energias renováveis", disse Carlos Zorrinho numa conferência em Lisboa organizada pelo Económico.

Mas parece que a maior verdade terá sido dita nos Estados Unidos. Em Setembro, o Primeiro Ministro dizia na célebre conferência do "Bad English" que a poupança era de 100 milhões:

O primeiro-ministro considerou ontem que a reforma estrutural com melhores resultados na economia incidiu na área das energias renováveis, dizendo que permitiu a Portugal poupar 100 milhões de euros anuais em importações de petróleo.

Em quanto é que ficamos, afinal?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Petição da DECO

A DECO descobriu que os consumidores portugueses andam a pagar muito pela electricidade. Aliás, muito em taxas e taxinhas. Os leitores habituais do blog sabem que esta é uma luta muito antiga, e por isso, mais vale tarde do que nunca... Talvez, a DECO tenha passado por aqui há pouco tempo, e lido um dos muitos posts sobre o assunto...

A DECO lançou uma petição online, com o lema "Electricidade sem extras". Ela está em força nos Media, mesmo naqueles mais alarmistas.

Convido os leitores do blog a assinarem a petição, mas não contem, para já, com uma redução do preço da factura da electricidade ao final do mês... É que os interesses já sairam a terreiro para dizerem que tal não é possível! E o secretário de Estado da Energia, Carlos Zorrinho, afirma que é "difícil reduzir os custos “extra” na factura da electricidade". Chiça! Alguém sabe o email do senhor para lhe enviarmos a sugestão de passar também aqui pelo blog, ou por outros que também abordam este tema???