segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Dados do Eurostat animados

Um leitor deixou-me um apontador para um elemento interactivo, que nos permite visionar de forma animada, os dados estatísticos da energia, do Eurostat. Se não conseguirem ver o elemento abaixo, podem ver no local original. Podem ir visualizando diversos indicadores, na barra do fundo. Muito interessante é irem variando os anos no canto superior direito, e verificando a evolução de cada um dos países, em cada uma das dimensões. O efeito visual é muito interessante!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Torrar dinheiro

A nossa Ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, já tinha dado sinal que o que mais gosta de fazer é torrar dinheiro em coisas que nada ajudam ao Ambiente em Portugal. Agora, pela calada da noite, recebi uma nota a indicar que ela continua a insistir! Inaugurou esta sexta-feira passada, na Guiné-Bissau, um sistema de painéis solares para fornecimento de energia eléctrica à Faculdade de Direito de Bissau. Tudo pago pelos contribuintes portugueses!

Como nos nossos Media não vi qualquer referência ao turismo da Pássaro, umas pesquisas na Internet revelam rapidamente o que ela anda a fazer à nossa custa. Na mesma faculdade, deu uma palestra dedicada ao tema "Exportação de resíduos sólidos pelos Estados desenvolvidos e a sua receção pelos Estados em desenvolvimento". E na véspera, assinou dois memorandos de entendimento na área do ambiente e das alterações climáticas. Para torrarmos mais dinheiro...

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Pouca terra, pouca terra

Os leitores mais antigos do blog sabem que o Ecotretas e o Henrique Pereira dos Santos têm tido alguns desacordos, no passado. Mas cada vez mais os seus artigos na Ambio se parecem aos escritos pelo Ecotretas, dado o seu conteúdo. É o caso do seu recente artigo, o mito do comboio, em que se enumera um conjunto de argumentos, que destroem por KO os saudosismos de um conjunto de ecologistas e loucos, que infelizmente abundam neste país! É claro que já ninguém defende o transporte de burro, e de coche, e a evolução da Sociedade não se pode fazer à custa da manutenção de comboios que andam às moscas, e que de repente levam efectivamente alguém, subindo a média para três ou três ou quatro passageiros por comboio...

Mas atentemos nas palavras de Henrique, no seu artigo (realces da minha responsabilidade):

Confesso que não pensava escrever tanto sobre comboios e transportes.
Mas a quantidade de comentários aqui, e artigos noutros lados, sem o menor resquício de racionalidade na discussão do problema, faz-me voltar ao assunto.

O comboio não é importante em si mesmo (como pretende muita da gente do sector ferroviário), o importante é a mobilidade. Por isso discutir o comboio é discutir, em primeiro lugar, mobilidade.

As circunstâncias em que o comboio serve são aquelas em que existe um dimensão suficiente no volume potencial de transporte de pessoas e bens para quem o preço é mais importante que a flexibilidade. Defender linhas de comboio que não se encaixam nestas condições é contribuir para a perda de competitividade do comboio face às alternativas nas áreas em que o comboio poderia ser útil, económica, social e ambientalmente.

Discutir o comboio com base em patetices como as que mais uma vez vi hoje escritas no Público é diminuir a possibilidade de discutir seriamente as opções de mobilidade em Portugal. Dois exemplos das patetices que são muito edificantes: Beja não quer ser subalternizada em relação e Évora e não ter intercidades directo é uma desconsideração pelos Bejenses, ou o preço e o tempo de ir de comboio de Castelo de Vide para Coimbra é muito menor que ir de autocarro, sem discutir quantas pessoas por ano querem (ou mesmo podem vir a querer) ir de Castelo de Vide para Coimbra .

O que isto quer dizer é simples: deixemo-nos de lérias e olhemos desapaixonadamente para o assunto, pondo o comboio no seu lugar e discutindo o transporte ferroviário como deve ser discutido.

O que significa, sobretudo para o movimento ambientalista, abandonar a diabolização do automóvel (principalmente onde ele é inegavelmente insubstituível) e o romantismo dos comboios pitorescos.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Pontes verdes

Algumas vezes tropeço em notícias que são autênticas aberrações. Hoje, no Expresso, há uma dessas, sobre pontes que produzem energia. Como se pode ver pela imagem ao lado, os designers italianos Francesco Colarossi, Giovanna Saracino e Luisa Saracino propoem umas pontes com uns geradores eólicos na sua estrutura. Eles concorreram a um concurso para a construção da ponte ideal que ligasse Bagnara Calabra e Scilla, em Itália. A ponte teria também, obviamente, painéis solares para produzir mais alguma energia. Mas o mais surpreendente é que eles também querem umas áreas verdes, com pequenas lojas de frutas e vegetais dos agricultores locais, para os automobilistas poderem parar e comprar, depois de contemplar a paisagem... Que não inclui, naturalmente, a visão dos geradores! Mas pensando bem, porque é que os designers não colocaram a paragem e o local de observação com vista-mar?

Eu nem quero imaginar o que se poderia fazer mais na ponte! Talvez falte o colector de águas, que pudesse ser depois utilizada para produzir uns refrescos, com sabor a alcatrão. Talvez mais umas ventoinhas que aproveitassem a corrente de ar provocadas pelos automóveis. É claro que não se vêem é os postes de alta tensão na imagem. Porque eles até seriam necessários para alimentar de energia eléctrica as lojas e as lâmpadas, quando o vento e o sol falhasse...

Actualização: Um leitor enviou-me um link, onde estão mais detalhes, e os restantes concorrentes, com o classificado em primeiro lugar a ser ainda mais aberrante...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A História repete-se...

No blog Sol e Mudanças Climáticas abordou-se no início desta semana a importância do clima, no contexto da queda do Império Romano. Tais factos são relativamente conhecidos, sendo que o aquecimento e o arrefecimento condicionaram muito a História passada. O artigo propriamente dito, de Buntgen et al., intitula-se "2500 Years of European Climate Variability and Human Susceptibility", e saiu na Science no passado mês de Janeiro. Vários artigos na Internet abordam a forma como o calor conduziu ao desenvolvimento civilizacional, enquanto os períodos mais frios significaram um retrocesso no desenvolvimento humano...

Para um apaixonado de História, como eu, nada de novo! Já sabemos que o Planeta foi mais quente no passado, e que agora estamos a descobrir coisas que o gelo cobriu num passado mais quente. Porque o Holoceno, e sobretudo o seu Óptimo Climático, significaram o surgimento das primeiras grandes civilizações. E depois verificaram-se igualmente o Período Quente Romano e o Período Quente Medieval, com este último a contribuir, entre outros, para o surgimento de um pequeno grande país, a oeste da Europa...

Infelizmente, os calhamaços da História são hoje praticamente proscritos, pois revelam verdades bem inconvenientes para a Religião Verde! Por isso da minha biblioteca saco este pequeníssimo excerpto, do livro "Climate, history and the modern world", de H. H. Lamb, já depois de virar um troca-tintas, e que revela que não há nestes novos papers peer-reviewed, nada de novo:

Roman horticultural writers in Pliny's time, and in the previous century, drew attention to the fact that the vine and the olive could then be cultivated farther north in Italy than had been the custom in earlier centuries. This agrees with the general indications of various kinds of fossil or proxy climatic data that there was a continued tendency towards recovery of warmth in Europe through Roman times, and of increasing dryness, until about AD 400. A gradual, global warming up to AD 400 would, of course, be consistent with the evidence of rising sea level...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Yasi vs. Mahina

O ciclone Yasi será uma das armas de arremesso dos alarmistas nos próximos dias. Ao contrário do Snowpocalypse, que pouca importância parece ter recolhido... O fenómeno é anormal, naquela região, para os tempos presentes. Mas não o é para a História. Várias listas mostram-nos como os piores ciclones já não são propriamente recentes, com seis dos dez piores a ocorrerem há mais de 80 anos! Neste site, podemos observar o relato de como um ciclone ainda mais potente, o Mahina, varreu o nordeste australiano, há mais de 110 anos (realces da minha responsabilidade):

On Saturday 4 March 1899 this category 5 cyclone caused one of Australia’s worst natural disasters. Winds reached 260 kilometres an hour. A tsunami of 14.6 metres swept inland for 5 kilometres. The pearling fleet was smashed and over 400 people lost their lives. Most were Asian and Islander crew members. Only a handful of white men died. Some of the estimated 100 Aboriginal people killed were swept away at Cape Melville while assisting shipwrecked sailors. Sharks and dolphins were left hanging from trees and cliffs. Condolences came from around the world but few people today know of the disaster. Such is history’s fickle memory that forgets events at distant places and deaths of unnamed strangers.

Parte da investigação sobre este desastre natural de 1899, é relatada no vídeo abaixo. A digitalização do livro está disponível neste link, que recomendo vivamente, e donde retirei a imagem acima. Uma lista interessante sobre ciclones em Queensland, é visível neste link.

Por isso, isto é uma tempestade à antiga, sendo que no WattsupWithThat, podemos observar gráficos de parâmetros meteorológicos na ilha de Willis, que atestam as características de uma tempestade deste género. Felizmente, quando o Homem olha para as previsões meteorológicas, e se esquece do CO2, é possível previnir para remediar. E os australianos já estão vacinados... Depois, no final, logo veremos se há tubarões e golfinhos que ficaram pendurados?

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Uma "vaquinha" solar

O leitor Alexandre Gonçalves fez-nos chegar um link para uma notícia que nos dá conta que a loucura solar também já chegou a França! Num país independente em termos energéticos, e com um preço de energia muito baixo, devido aos baixos custos da energia nuclear, os franceses resolveram começar a inventar com energia solar... A loucura tomou conta dos gauleses, com os agricultores franceses a construírem celeiros com o único objectivo de os cobrirem com painéis fotovoltaicos! Depois de serem aconselhados a livrarem-se das suas vaquinhas...

A brincadeira já está a custar à EDF (Electricite de France) mais de mil milhões de euros por ano, ainda assim bastante inferior ao défice espanhol. A brincadeira tomou esta dimensão porque a tarifa feed-in em França foi a mais elevada no contexto europeu, em 2009. Tal fez com que o valor da EDF tenha descido 20% no último ano, ao contrário da média de 3.7% do Índice "Stoxx 600 Utilities".

Em função destes excessos, os países europeus estão a dar conta deste disparate. A República Checa introduziu um imposto solar em Dezembro. Espanha limitou as horas durante as quais é possível produzir recorrendo-se a subsídios elevados. A França, em 10 de Dezembro, introduziu um congelamento de novos projectos, depois de dois cortes de tarifas em 2010. Ainda assim, para este ano o preço será de cerca de 546 euros por MWh, cerca de 10 vezes o valor de mercado, que é de 55 euros por MWh.

Em Portugal, obviamente ainda não se fez nada para controlar esta peste!