sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Datacenter aquece a Covilhã

Um leitor apontou-me para uma notícia que me havia escapado... Parece que a Portugal Telecom vai investir uns milhões num data-center para sistemas informáticos, na cidade da Covilhã. Até aqui, tudo bem. O problema é que o data-center vai "ter um parque eólico que servirá em termos de necessidades de electricidade". Seguindo a notícia, rapidamente se chega à notícia oficial, no site da própria Portugal Telecom:

Comprometida com a sustentabilidade, a PT anunciou paralelamente a criação de um parque eólico com 28 torres que irá assegurar a produção de energia renovável para o data center, um sistema free cooling e sistema de controlo, monitorização e eficiência energética. O projecto assume-se como uma aposta estratégica na redução significativa de consumos, sendo um dos poucos que agrega a criação conjunta de um data center com um parque para produção de energia renovável.

Numa outra página da Portugal Telecom, podemos observar as razões da escolha da Covilhã (destaque da minha responsabilidade):

Será uma referência mundial em termos de eficiência energética, com poupanças de 93.000 toneladas de CO2 e de 40% no consumo de energia, com utilização de sistemas de refrigeração ambientalmente responsáveis de free cooling (de acordo com o Instituto de Meteorologia a Covilhã apresenta das melhores condições ambientais, temperatura do ar e humidade que maximizam os sistemas de arrefecimento) e aproveitamento de energia solar.

Resumindo, o que a PT quer é aproveitar o ar fresco lá do sítio para arrefecer os computadores; o calor destes servirá para aquecer o ambiente da Covilhã. Os locais agradecerão, especialmente no Inverno... Entretanto, e quando não houver vento, haverá Internet?

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Sistema Eléctrico Espanhol

No excelente Desde El Exilio, verificamos como o sistema eléctrico espanhol está efectivamente desequilibrado, tal como o nosso. No mesmo post temos os links para documentos muito interessantes do país vizinho, como os referentes aos dados estatísticos provisórios de 2010, o mapa do sistema eléctrico espanhol, e outro mapa das suas centrais eléctricas.

No post de Manuel Ordoñez, confirmamos que Espanha terminou 2010 com 103 GW de potência instalada. Como ele diz, tal potência poderia permitir uma lâmpada economizadora acesa para cada um dos 7 mil milhões de pessoas do planeta. Obviamente, a potência instalada não significa nada, e a prova é a de que o período com mais produção de energia em Espanha se verificou ao final da tarde de 11 de Janeiro, em que os espanhóis consumiram cerca de 44 GW. Ou seja, um sistema eléctrico claramente sobredimensionado! Tal como o nosso...

Vale a pena ficar atento ao blog de Ordoñez. Ele promete evidenciar mais verdades inconvenientes...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Racionamento no Reino Unido

Um leitor atento apontou-me na direcção de um relatório elaborado pelos parlamentares britânicos, onde se refere que até 2020 será necessária a implementação de um sistema de racionamento de energia e combustível! O relatório intitulado "Tradable Energy Quotas" surge devido à hipocrisia de reduzir as emissões de CO2 em 80% até 2050! Ou seja, mandata-se um menor consumo, racionando-se a utilização de energia, não porque ela seja escassa, mas porque se está possuído de uma fé religiosa! Para um país onde se morre imenso de frio, os ingleses vão ter que arranjar umas alternativas às enciclopédias para se aquecerem, ou andarem ainda mais às voltas de autocarros...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Fim à publicidade enganosa das ecobolas em Espanha

Andam por aí umas pessoas que acham que não tenho que desmascarar as ecobolas. Que devemos deixá-las andar por aí, descansadinhas. Porque, mesmo que não façam nada, também não fazem mal...

Não sou desse género! Temos que acabar com estas aldrabices verdes, religiosas, de interesses económicos, que claramente andam a enganar os consumidores. E, enquanto em Portugal proliferam as vendas, aqui ao lado em Espanha, o Instituto Nacional de Consumo (INC), pertencente ao Ministerio da Saude e Política Social, requereu aos vendedores das ecobolas que cessem a sua publicidade enganosa. Tudo isto surge depois dos laboratórios do INC terem confirmado o óbvio: que as ecobolas não lavam melhor, e até lavam pior, que só com água!

A leitura dos comentários do artigo é de partir o coco a rir! E por outros blogs espanhóis, a coisa é a mesma: consumidores incautos a perceber que a religião ECO é uma fraude...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Dados do Eurostat animados

Um leitor deixou-me um apontador para um elemento interactivo, que nos permite visionar de forma animada, os dados estatísticos da energia, do Eurostat. Se não conseguirem ver o elemento abaixo, podem ver no local original. Podem ir visualizando diversos indicadores, na barra do fundo. Muito interessante é irem variando os anos no canto superior direito, e verificando a evolução de cada um dos países, em cada uma das dimensões. O efeito visual é muito interessante!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Torrar dinheiro

A nossa Ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, já tinha dado sinal que o que mais gosta de fazer é torrar dinheiro em coisas que nada ajudam ao Ambiente em Portugal. Agora, pela calada da noite, recebi uma nota a indicar que ela continua a insistir! Inaugurou esta sexta-feira passada, na Guiné-Bissau, um sistema de painéis solares para fornecimento de energia eléctrica à Faculdade de Direito de Bissau. Tudo pago pelos contribuintes portugueses!

Como nos nossos Media não vi qualquer referência ao turismo da Pássaro, umas pesquisas na Internet revelam rapidamente o que ela anda a fazer à nossa custa. Na mesma faculdade, deu uma palestra dedicada ao tema "Exportação de resíduos sólidos pelos Estados desenvolvidos e a sua receção pelos Estados em desenvolvimento". E na véspera, assinou dois memorandos de entendimento na área do ambiente e das alterações climáticas. Para torrarmos mais dinheiro...

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Pouca terra, pouca terra

Os leitores mais antigos do blog sabem que o Ecotretas e o Henrique Pereira dos Santos têm tido alguns desacordos, no passado. Mas cada vez mais os seus artigos na Ambio se parecem aos escritos pelo Ecotretas, dado o seu conteúdo. É o caso do seu recente artigo, o mito do comboio, em que se enumera um conjunto de argumentos, que destroem por KO os saudosismos de um conjunto de ecologistas e loucos, que infelizmente abundam neste país! É claro que já ninguém defende o transporte de burro, e de coche, e a evolução da Sociedade não se pode fazer à custa da manutenção de comboios que andam às moscas, e que de repente levam efectivamente alguém, subindo a média para três ou três ou quatro passageiros por comboio...

Mas atentemos nas palavras de Henrique, no seu artigo (realces da minha responsabilidade):

Confesso que não pensava escrever tanto sobre comboios e transportes.
Mas a quantidade de comentários aqui, e artigos noutros lados, sem o menor resquício de racionalidade na discussão do problema, faz-me voltar ao assunto.

O comboio não é importante em si mesmo (como pretende muita da gente do sector ferroviário), o importante é a mobilidade. Por isso discutir o comboio é discutir, em primeiro lugar, mobilidade.

As circunstâncias em que o comboio serve são aquelas em que existe um dimensão suficiente no volume potencial de transporte de pessoas e bens para quem o preço é mais importante que a flexibilidade. Defender linhas de comboio que não se encaixam nestas condições é contribuir para a perda de competitividade do comboio face às alternativas nas áreas em que o comboio poderia ser útil, económica, social e ambientalmente.

Discutir o comboio com base em patetices como as que mais uma vez vi hoje escritas no Público é diminuir a possibilidade de discutir seriamente as opções de mobilidade em Portugal. Dois exemplos das patetices que são muito edificantes: Beja não quer ser subalternizada em relação e Évora e não ter intercidades directo é uma desconsideração pelos Bejenses, ou o preço e o tempo de ir de comboio de Castelo de Vide para Coimbra é muito menor que ir de autocarro, sem discutir quantas pessoas por ano querem (ou mesmo podem vir a querer) ir de Castelo de Vide para Coimbra .

O que isto quer dizer é simples: deixemo-nos de lérias e olhemos desapaixonadamente para o assunto, pondo o comboio no seu lugar e discutindo o transporte ferroviário como deve ser discutido.

O que significa, sobretudo para o movimento ambientalista, abandonar a diabolização do automóvel (principalmente onde ele é inegavelmente insubstituível) e o romantismo dos comboios pitorescos.