segunda-feira, 9 de maio de 2011

BMW mais económico que o... Prius

Há 3 anos havíamos relatado como um BMW era mais económico que um Toyota Prius. O que para muitos não pode ser verdadeiro, é repetidamente observado em testes comparativos! Desta vez, foi uma revista de automóveis inglesa, a Which? Car, que determinou que o BMW 320Ed é efectivamente mais económico que o Toyota Prius!

Segundo a investigação da revista, o resultado deve-se ao facto da tecnologia "Efficient Dynamics" incorporar um conjunto de mecanismos de poupança de consumo, que efectivamente se resumem num... menor consumo! Enquuanto isso, o Toyota Prius precisa de transportar as suas baterias dum lado para o outro, resultando na maioria das situações num fardo, em vez de uma vantagem...

A poupança anual medida pela revista foi de apenas umas 51 libras. Mas, ainda assim, revela como anda muita gente enganada. É claro que neste caso o BMW é bastante mais caro que o Toyota Prius, mas também é muito mais lindo... Em tantos aspectos!

domingo, 8 de maio de 2011

Política energética do PSD

A minha alma está parva! Tenho sido bastante crítico de Passos Coelho neste blog. Mas olhando rapidamente para o programa eleitoral do PSD, rapidamente deparei-me com uma verdadeira pedrada no charco:

Os objectivos estratégicos para a área de energia tendem a ser universalmente aceites, semelhantes entre países e constantes ao longo do tempo. Uma política energética integral e completa visa alcançar três grandes desígnios:
  • Segurança no abastecimento energético;
  • Competitividade e crescimento económico;
  • Sustentabilidade ambiental.
O peso relativo de cada um destes factores, esse sim, varia entre países e dentro dos países ao longo do tempo. Por exemplo, os EUA têm recentemente posto bastante ênfase na segurança de abastecimento energético, com um esforço profundo de aumento das fontes internas de energia primária (ex. gás natural), enquanto a Europa tem posto muito do seu esforço na concretização de objectivos ambientais relacionados com as energias renováveis e a redução das emissões com gases com efeito estufa (Ex. Objectivos 20-20-20), e a Ásia se tem concentrado em garantir o acesso a energia da forma a mais económica possível.

Nos últimos anos, a primazia da política energética portuguesa esteve conceptualmente apontada para a sustentabilidade ambiental, descurando significativamente o objectivo de assegurar um modelo energético que promova a competitividade económica e o crescimento económico. Assim, Portugal foi aumentando a capacidade instalada renovável até ao ponto em que 1/3 da capacidade instalada se encontra em Regime Especial, foi mantendo uma intensidade energética das mais elevadas da Europa e foi criando uma tendência de preços crescentes de energia para empresas e famílias, apesar da acumulação de défices tarifários sistemáticos.

Como o programa é muito detalhado, não é possível avaliá-lo rapidamente. Já lá vi referências a acabar ou limitar as tarifas feed-in. A aposta nos nossos recursos! O reforço da nossa competitividade... É uma enorme surpresa, e pela positiva, este programa! Iremos analisá-lo em maior detalhe, para ver se merecerão nomeadamente o meu voto...

O Barão de Abrantes

Via a Quarta República, tomamos conhecimento de como se gere uma empresa de uma forma comuna. A Alexandre Alves, o Barão Vermelho, já nos havíamos referido no passado. Mas é obrigatório voltar a esta notícia, para que os Portugueses percebam a bandalheira a que se chegou!

A notícia do Correio da Manhã refere que o pseudo-empresário, através da RPP Solar, já deve 3.6 milhões de euros à empresa Precore, uma empresa de pré-fabricação de betão do Montijo. Mas para além desta dívida, mais haverá certamente, dado que toda a história associada à RPP Solar assume contornos escandalosos. Já devia ter começado a produção há mais de um ano, e que daqui a uns meses prometia 1800 postos de trabalho. A autarquia, especialmente o ex-presidente Nelson Carvalho, também está embrulhada no meio desta trapalhada toda, mas ainda deve acreditar nisto da Economia Verde... Enquanto esta notícia não tenha uma cobertura Nacional que merece, podem ir lendo os posts dos blogs Cidadãos por Abrantes e Rexistir por Abrantes.

sábado, 7 de maio de 2011

Cada português deu 5 euros à Semapa em 2010!

Na quarta-feira, quando se teve conhecimento do excelente programa da Troika, a Semapa registou o maior rombo do PSI20, mesmo maior que o da EDP Renováveis. Nas suas Demonstrações Financeiras Consolidadas de 2010, nas páginas 22 e 23 é possível perceber o enquadramento desta empresa, no âmbito da co-geração:
  • Em 2010, o Grupo Portucel atingiu uma produção bruta de energia eléctrica de 1.696 GWh o que corresponde a um aumento de cerca de 48% face ao ano anterior.
  • A energia eléctrica produzida ao nível do Grupo Portucel correspondeu, em 2010, a 3,4% da produção total nacional.
  • A produção de electricidade a partir de centrais a biomassa (três cogerações e duas centrais dedicadas) atingiu 1 099 GWh e representou 52% da estimativa da produção total nacional em 2010 a partir deste recurso renovável, mantendo o Grupo o estatuto de maior produtor nacional de energia eléctrica a partir de biomassa.

Apesar de ser um defensor da biomassa, é preciso estar atento aos exageros, como já referi no passado, aqui e ali. Considerando que o total de produção, em regime de PRE, em 2010, segundo dados da REN, foi de 17924 GWh, os 1696 GWh da Semapa representam então 9.46% dessa produção. Segundo o mesmo documento da REN, o total de produção em regime de cogeração foi de 6122 GWh, pelo que a Semapa detém 27.7% dessa produção.

Segundo o Quadro 0-12 deste documento da ERSE, o sobrecusto associado à cogeração térmica foi de 33.80 € por MWh, o que significa, para os 1696 GWh, um valor aproximado de 57.3 milhões de euros! Ou seja, cada Português (criança, adulto ou velhinho) pagou em média mais de 5 euros a mais na sua factura de energia eléctrica, para se dar à Semapa...

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Rate of sea level rise going down, faster!

Anthony Watts reported today that new satellite data, regarding sea level, was available from the University of Colorado. These have been intriguing weeks, since they normally update much frequently, as Watts reported one month ago. I've been following this data for some years, and my interest is not in absolute terms, but in the rate of rise. As Watts has noticed, they seem to have been correcting data. Guess how they have corrected? UP!

So, let's check it out and have some fun. Just enter the following query into Google:

msl_ib_ns filetype:txt site:sealevel.colorado.edu

The first entry should be the relevant file. If you click on it, you'll get the most recent data. If you click on Google's cache entry (probably available for only some days; keep a copy...), you'll get the older data (#version_2010_rel5). Importing into a worksheet and plotting a linear regression is quite easy. Getting a graph for the evolution of the linear regression values over time is also not that difficult, using the SLOPE() function. The results are the following two graphs:


Notice that the rate of rise has gone up, due to the Colorado correction, but is going down. And it's going down faster! When they last plotted the data, the value for cycle 2010.7415 was 2.956158611, just enough to round it to 3.0, when considering one decimal place, as they do. Now, they have figured out the trick to leave the rate of rise above 3.1, at least for some months...

UPDATE: Following some doubts, the graphs above reflect the trend since satellite data begins, in 1992. For example, the value for 2003 represents the linear regression trend between 1992 and 2003, while the value for 2011 represents the linear regression trend between 1992 and 2011.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Taxas para os carros eléctricos!

Por vezes, farto-me de rir. Desta vez, daqueles que dizem que os carros eléctricos vão ser um grande sucesso, porque a energia eléctrica é barata... Já havia desmontado uma série desses argumentos. O professor Pinto de Sá também tem vindo a fazer pedagogia nesta área... Mas há muita gente que continua iludida!

Para esses, há agora mais uma facada pelas costas. Para além da energia, vão pagar taxas, pois claro! De acordo com a Portaria n.º 180/2011, de 2 de Maio, para além do pagamento da electricidade, vão-se pagar as seguintes taxas, conforme Artigo 8º da referida portaria (todos os realces da minha responsabilidade):

Tarifas de serviço durante a rede piloto da mobilidade eléctrica
1 — Nos termos do disposto no artigo anterior, até 31 de Dezembro de 2012, as tarifas de serviço máximas para remuneração da actividade de operação de pontos de
carregamento, quanto ao carregamento normal em locais públicos de acesso público, são as seguintes:
a) Tarifa de serviço de carregamento normal para o período fora de vazio: € 0,07/kilowatt-hora;
b) Tarifa de serviço de carregamento normal para o período de vazio: € 0,03/kilowatt-hora.

2 — Quanto ao carregamento em pontos de carregamento rápido, até 31 de Dezembro de 2012, as tarifas de serviço máximas para remuneração da actividade de operação de pontos de carregamento são de € 0,20/kilowatt-hora, independentemente do período horário em que seja efectuado o carregamento.

Com um preço de energia de cerca de 0.1326€ + IVA por KWh, um carregamento rápido custará bem mais em taxas do que em electricidade. Ou seja, lá se vão os argumentos dos iludidos para metade? É claro que a MOBI.E pôs cá fora um comunicado a garantir que, mesmo assim, ainda são custos "50 por cento mais barato do que o abastecimento de um veículo a gasolina"... Mas há mais pérolas! Reparem o que vai acontecer nos vossos prédios urbanos (artigo 3º):

1 — Nos termos e para os efeitos do disposto na alínea b) do n.º 1 do artigo 18.º do Decreto -Lei n.º 39/2010, de 26 de Abril, os comercializadores de electricidade para a mobilidade eléctrica são responsáveis pelo pagamento, aos operadores de pontos de carregamento, da remuneração devida pelos utilizadores de veículos eléctricos como contrapartida pela utilização dos pontos de carregamento de acesso público, bem como pelo montante a auferir pela actividade de manutenção de pontos de carregamento de acesso privativo em locais de estacionamento em prédios urbanos para fins residenciais.

E pensavam que se safavam de mais taxas? Então toca a pagar também o estacionamento, custo que não será desprezível, porque os carros não carregam assim tão rapidamente:

3 — O eventual custo do estacionamento associado à utilização do espaço físico destinado ao carregamento de baterias de veículos eléctricos não é considerado para efeitos de determinação da remuneração do operador de pontos de carregamento, constituindo um encargo do utilizador do veículo eléctrico, ainda que possa ser liquidado através do comercializador de electricidade para a mobilidade eléctrica.

As taxas continuam, quando se esquecer onde deixou o carro, ou se adormecer dentro dele (artigo 9º):

A ocupação de pontos de carregamento sem efectivo carregamento de baterias eléctricas durante tempo de permanência excessivo é sancionada através do pagamento de uma compensação, considerando -se tempo excessivo a permanência no ponto de carregamento por período equivalente a mais de 50 % do tempo despendido para efeitos de carregamento a plena carga de baterias eléctricas ou, em alternativa, consoante a decisão do operador, a utilização do ponto de carregamento por mais de trinta minutos, no caso de pontos de carregamento normal, e por mais de dez minutos, no caso de pontos de carregamento rápido, após a plena carga da bateria eléctrica.

Para os utilizadores residenciais, volta-se à carga no artigo 10º:

Até 31 de Dezembro de 2012, o operador de pontos de carregamento de acesso privativo que se encontrem em locais de estacionamento em prédios urbanos para fins residenciais, em especial em condomínios privados, pode auferir um montante máximo de € 48 por ano para compensar os custos associados à operação e manutenção do equipamento instalado, incluindo actualizações tecnológicas e qualidade de serviço.

Mais à frente, já em anexo, vejam como se extraiu pelo menos uma hora ao período de vazio, quando comparado com os horários da EDP:

a) «Período fora de vazio» o período compreendido entre as 6 e as 24 horas;
b) «Período de vazio» o período compreendido entre as 24 e as 6 horas.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Bendito FMI!

O Expresso acabou de revelar o programa do FMI. Finalmente, um verdadeiro programa de Governo, que tem a ousadia de atacar alguns dos problemas eternos do nosso País. E também nos domínios da energia, onde ataca uma série de pontos que temos repetidamente exposto aqui no Blog. É provavelmente a maior derrota do nosso verde/rosa Sócrates:

Additional costs associated with electricity production under the ordinary regime
5.6. Take measures in order to limit the additional cost associated with the production of electricity under the ordinary regime, in particular through renegotiation or downward revision of the guaranteed compensation mechanism (CMEC) paid to producers under the ordinary regime and the remaining long-term power-purchase agreements (PPAs). [Q4-2011]

Support schemes for production of energy under the special regime (cogeneration and renewables)
5.7. Review the efficiency of support schemes for co-generation and propose possible options for adjusting downward the feed-in tariff used in co-generation (reduce the implicit subsidy) [Q4-2011]
5.8. Review in a report the efficiency of support schemes for renewables, covering their rationale, their levels, and other relevant design elements.[Q4-2011]
5.9. For existing contracts in renewables, assess in a report the possibility of agreeing a renegotiation of the contracts in view of a lower feed-in tariff. [Q4-2011]
5.10. For new contracts in renewables, revise downward the feed-in tariffs and ensure that the tariffs do not over-compensate producers for their costs and they continue to provide an incentive to reduce costs further, through digressive tariffs. For more mature technologies develop alternative mechanisms (such as feed-in premiums). Reports on action taken will be provided annually in Q3-2011, Q3-2012 and Q3-2013.
5.11. Decisions on future investments in renewables, in particular in less mature technologies,will be based on a rigorous analysis in terms of its costs and consequences for energy prices. International benchmarks should be used for the analysis and an independent evaluation should be carried out. Reports on action taken will be provided annually in Q3-2011, Q3-2012 and Q3-2013.

Actualização: As acções da EDPR seguem a cair 6%. Porque será? Mais cedo, ou mais tarde, a bolha teria que estoirar!
Actualização II: As acções da Semapa, Portucel, Galp, EDP e Altri também entraram em queda livre depois de se saber do plano do FMI... Será que a mama da co-geração ia durar para sempre???