terça-feira, 17 de maio de 2011

CDS/PP e a energia

Depois de ter analisado aqui o desprograma do PS, e a grande surpresa que constituiu a política energética do PSD, resolvi dar uma vista de olhos ao outro programa que pode verdadeiramente interessar a este país: o programa manifesto do CDS-PP.

Fiquei MUITO desiludido. Generalidades, sem concretizar. Pior, mais do mesmo do PS! Veja-se o seguinte exemplo. De que estarão eles a falar, quanto à energia do mar? De eólicas off-shore? Da energia das ondas do mar?

24. Apostar na inovação e investigação sobre o mar
O CDS quer que Portugal lance as bases que promovam o desenvolvimento de projectos de investigação, tanto no que respeita à energia como à química e à biologia, de modo a que o nosso país se torne num parceiro activo, a nível internacional, e colocando‐nos como principais candidatos a beneficiar dos rendimentos originados por estas novas áreas de desenvolvimento.

E depois, que dizer do ponto 43? Só generalidades! Quase acabavam bem, mas proceder a uma avaliação??? Isso só quer dizer que não têm ideias claras; é do género: logo se vê!

43. Energia: Aumentar a Concorrência e preservar a soberania
O CDS acredita que a participação da iniciativa privada nos mercados da Energia tem de ser aprofundada. Nesta matéria tem de haver uma separação rigorosa entre as operações de comercialização e produção, nas quais a presença de privados e o aumento de concorrência são desejáveis, das operações de transporte – ligadas a redes físicas – em que tem de haver um cuidado extremo uma vez que se trata de monopólios naturais. Por isso, é vital assegurar aqui (e no caso de privatização da REN) que o interesse nacional é acautelado e que a qualidade e segurança do serviço em todo o território nacional não são postas em causa.
Para além destes cuidados, o CDS promoverá a criação de mecanismos contratuais e regulatórios – em consonância com o MIBEL e MIBGAS – que garantam a segurança do abastecimento, as interligações transfronteiriças, a qualidade do serviço e o acesso equitativo às redes por todos os concorrentes, bem como uma ERSE com mais poderes.
É necessário proceder a uma avaliação do peso das renováveis e de decisões e actos políticos na factura eléctrica, até em função da situação recessiva que vivemos.

E que dizer do Ambiente? Vejam o ponto seguinte. Leiam com atenção, e vejam se percebem:

44. Rever a orgânica e os instrumentos para uma política ambiental sustentável
É penoso constatar que, em matéria de políticas ambientais, dos compromissos eleitoralistas do PS e de algumas boas intenções, muito pouco foi concretizado. A gestão do ambiente e do ordenamento do território implica, por um lado, responsabilidade inter‐geracional e, por outro, a noção de que cabe aos governos definir o caminho no sentido de uma economia mais sustentável com menor pressão sobre o capital natural e mais eficiente na utilização dos recursos.
Nesse sentido, o CDS propõe que sejam adequadas e repensadas as estruturas e a orgânica de tutela do sector, que seja reavaliada a eficácia e a actualidade dos instrumentos de política ambiental, de modo a garantir o desejado nível de protecção e valorização dos recursos ambientais, com o pressuposto de que a sua correcta gestão passa por internalizar esses recursos nos critérios de decisão e actividades económicas necessários e relevantes para o desenvolvimento nacional.

Eu não percebi nada!

Dos três programas, parece que só o do PSD tem pernas para andar, nos domínios abordados aqui no Ecotretas. Vou analisar mais profundamente...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Degolando a veia jugular

Não admira que o blog Jugular venha em defesa da aposta nas energias renováveis e eficiência energética. Queixam-se das críticas do PSD, e de muitos, que olham para o absurdo dos custos da energia em Portugal. Obviamente, o cronista Tiago Julião Neves tem muito a perder com uma mudança de estratégia neste domínio. E toca a papaguear a ladainha, antes que a religião acabe...

Começa pelos empregos da Economia Verde. Já aqui nos referimos repetidamente à temática, mas Pinto de Sá, no seu blog A ciência não é neutra, deu uma resposta fundamentada, malhando nos valores empolados pelos lacaios do PS.

Curiosamente, o tretas Tiago elogia a tecnologia da Strix, a qual ontem demonstrei que é uma tecnologia avançada, cujos processadores são ornitólogos... E, depois, elogia o Reino Unido... Eu acho que vou rezar por eles... Felizmente, eles por lá já sabem o que aconteceu em Portugal, sendo que a notícia anterior do Telegraph já trouxe umas centenas de visitantes ao ecotretas...

Devagarinho, mas depressa, vai-se degolando estas veias destes papagaios...

domingo, 15 de maio de 2011

Radares humanos e morcegos

Um leitor habitual fez-me chegar dois artigos da revista Água&Ambiente deste mês. O primeiro, intitulado, Tecnologia portuguesa pôs fim à mortalidade de aves, dá conta das supostas vantagens de um solução implementada no parque de Barão de São João, ao qual já nos havíamos referido aqui. A suposta tecnologia nacional não sei onde começa, porque o artigo refere que os radares vem do estrangeiro. Mesmo a suposta tecnologia não deve valer um caracol, pois o artigo refere (realces da minha responsabilidade):

Ou seja, durante os meses de presença de aves migratórias, estão também presentes nove ornitólogos da Strix em postos de observação, que determinam o risco real de haver uma colisão. No fundo, são estes colaboradores que dão a ordem final de paragem dos aerogeradores ao centro de controlo de E.ON.

O segundo artigo refere a problemática da morte de morcegos em parques eólicos, que também já aqui abordamos. O artigo é interessante porque aborda uma estatística pouco conhecida, e que refere que o ICNB, em Agosto de 2010, havia confirmado a morte de 363 morcegos, de 11 espécies diferentes, desde 2001. Informação que não está aparentemente disponível em lado nenhum, dado ser mais uma verdade inconveniente!

sábado, 14 de maio de 2011

Novos ambientalistas

Confesso que sou um herege do ambientalismo. Dantes aceitava essa farsa, mas no dia da ante-estreia de A Verdade Inconveniente em Portugal, passei a ter ideias próprias... Rapidamente verifiquei que muita mais bota não dava com a perdigota!

Ultimamente, parece que se está a fazer luz em alguns ambientalistas conhecidos. É o caso de Monbiot, um habitué do blog, que nalguns dos seus artigos mais recentes, como este, deve pôr os seus seguidores com os cabelos em pé! A sua conversão está, por isso, em movimento...

No caso nacional, Henrique Pereira dos Santos é o meu favorito, com o qual tenho travado umas interessantes argumentações no passado. Ultimamente, está cada vez mais caústico, com os seus dois mais recentes posts a constituirem autênticos tratados heréticos.

Mas é assim que o ambientalismo poderá ir mais longe. Deixando cair ideologias velhas e separando-se essencialmente da política. Resolvendo os verdadeiros problemas do Ambiente, e esquecendo aqueles problemas que foram inventados, apenas por interesses obscuros. Assim, o futuro poderá ser melhor, com estes novos ambientalistas.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Biomassa 50 vezes mais importante que eólica em 2008

Muitas notícias surgiram por aí a dizer que três quartos, ou mesmo mais, da energia pode ser assegurada a partir das energias renováveis, até 2050. Este jornalismo de bosta não se dá conta do que está a dizer, simplesmente porque o IPCC, que foi quem fez o documento, não quer que se saiba como se pode chegar aí!

No documento original novo link podemos perceber que os valores propagados pelos Media são a melhor previsão de um total de 164 cenários. Mas ainda mais interessante é observar a situação actual, visível na imagem ao lado. Do total de energia primária consumida em 2008, 12.9% foi relativa a energia renovável. Mas quando se desagrega este componente, verifica-se que a energia solar é responsável por 0.1% da energia consumida, a energia eólica 0.2%, e a energia hidráulica uns mais substanciais 2.3%.

Então, e o resto? 10.2% da energia primária total, 50 vezes mais que a eólica, é dada pela biomassa! Porque ainda há muita gente em África (e também em Portugal) a cozinhar a lenha, e porque muitos ainda se aquecem da mesma forma, o IPCC deve, e pensa, que isso será o futuro? Ou será porque isto foi dito porque dois dos quatro autores principais (um de Cuba e outro da Etiópia) sabem desta triste realidade?

Actualização: Há realmente organizações com gorduras a mais. Como o caso do nosso Instituto de Meteorologia, que se saiu hoje com uma referência a esta notícia. Realmente, em vez de andarem preocupados com a meteorologia, andam entretidos com alguma coisa que não lhes diz respeito. Mais um sítio onde se pode cortar na gordura pública!

Mais hipócritas

Já tínhamos aqui falado sobre o hipócrita James Cameron, num vídeo dos realizadores de "Not Evil Just Wrong". Agora, via Espectador interessado, demo-nos conta que Phelim McAleer fez uma curta metragem, o primeiro vídeo abaixo, sobre o hipócrita Príncipe Carlos, um dos tretas-mor do planeta, e que aqui temos repetidamente exposto!

Mas verificando as suas realizações recentes, vemos que McAleer andou a malhar também no hipócrita Robert Redford. No segundo vídeo abaixo, podem ver como ele não gosta nada de uma proposta de ter como vizinhos uma aldeia ecológica. Ao mesmo tempo, anda a promover a sua própria aldeia, no seu Sundance Resort! É assim mesmo McAleer! Malha forte nesta cambada de hipócritas!


terça-feira, 10 de maio de 2011

Dados estatísticos sobre eólicas do Reino Unido

Um leitor fez-me chegar um apontador para um documento muito interessante sobre a geração de energia eólica, no Reino Unido, entre Novembro de 2008 e Dezembro de 2010. O relatório é mesmo muito completo, sendo recomendável a todos os que seguem a temática. As suas principais conclusões foram as seguintes:
  1. Average output from wind was 27.18% of metered capacity in 2009, 21.14% in 2010, and 24.08% between November 2008 and December 2010 inclusive.
  2. There were 124 separate occasions from November 2008 till December 2010 when total generation from the windfarms metered by National Grid was less than 20MW. (Average capacity over the period was in excess of 1600MW).
  3. The average frequency and duration of a low wind event of 20MW or less between November 2008 and December 2010 was once every 6.38 days for a period of 4.93 hours.
  4. At each of the four highest peak demands of 2010 wind output was low being respectively 4.72%, 5.51%, 2.59% and 2.51% of capacity at peak demand.
  5. The entire pumped storage hydro capacity in the UK can provide up to 2788MW for only 5 hours then it drops to 1060MW, and finally runs out of water after 22 hours.

O documento tem uma análise mais detalhada da forma como a energia eólica se enquadra no consumo de energia eléctrica no Reino Unido. Destaco abaixo, por exemplo, como a evolução do consumo e a produção de energia eólica (a vermelho) estão claramente desfasadas.