terça-feira, 31 de maio de 2011

O CO2 e o lobo

Um leitor enviou-me um link para mais uma daquelas notícias que se espalham à velocidade da luz. É do Público, relata que as emissões mundiais de CO2 atingiram um valor histórico em 2010, mas está em muitos mais locais, bem como na fonte original. Como os comentários aí, e noutros locais relatam, o pessoal está cheio de ouvir gritar Lobo!, pelo que já ninguém liga... Mesmo a oportunistas como o Filipe Duarte Santos, para o qual o limite de segurança climática "está a tornar-se utopia".

Como compreender estes tretas? Bem, tendo em conta a natureza da press-release, bem menos elaborada que outros documentos que temos tido oportunidade de analisar da mesma IEA, resulta imediatamente que esta é uma resposta rápida à fuga dos Estados Unidos, Rússia, Japão e Canadá, ao protocolo de Kyoto... Aliás, o gráfico actualizado dos níveis de CO2, primeiro abaixo, não revela nenhuma alteração de tendência.

Por mim, até vale a pena chegar rapidamente ao limite que eles tanto temem. Porque, com o clima da Terra a arrefecer, será muito mais rápido o ridículo! Como se pode ver no segundo gráfico abaixo, enquanto o CO2 tem vindo a subir, as temperaturas tem vindo a baixar??? E, esperemos que não tenhamos a mesma sorte o mesmo azar que os Vikings, conforme um estudo muito recente volta a evidenciar...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

+ Pegada de carbono do PS

Não há pachorra para os truques baixos do PS. Via A aba de Heisenberg ficamos a perceber como é possível encolher um pavilhão, na presença do nosso mentiroso-mor! E lá se vai intensificando exponencialmente a pegada de carbono destes xuxalistas, prescidindo-se das bancadas originais, transportando-se outras, de um lado para o outro! Assim ficam todos mais aconchegadinhos. E enganam-se os jornalistas, conforme se pode ver no resumo no link acima, como os do Público, para os quais o "pavilhão ... estava lotado de apoiantes". Pessoalmente, atingi a tolerância zero para com esta pandilha, que nos anda a enganar, mentir, aldrabar, e a hipotecar o nosso futuro! Vejam por vocês, no vídeo abaixo!

domingo, 29 de maio de 2011

Burocracia

Ao ver o vídeo abaixo, via The Reference Frame, não pude deixar de me lembrar de alguns posts passados, como este e sobretudo deste, donde recomendo a leitura prévia da Carta do Zé Agricultor para Luiz da Cidade, aí referenciado. Releiam primeiro a carta, e vejam como Zé e a loirita até são diferentes, mas vivem na mesma Sociedade...

sábado, 28 de maio de 2011

Alguém anda irritado...

As notícias do ambientalismo da treta irritam-me e tiram-me frequentemente do sério. Mas não sou o único! Os meus leitores habituais também o sentirão... Mas parece que quem mais sofre recentemente é o Henrique Pereira dos Santos, a cujo estado já nos referimos repetidamente! Mas, agora confessa que está mesmo irritado, e que o tiraram do sério... Por causa de uma notícia da secção da Ecosfera, esse canto escuro e hipócrito do Público, que refere a morte de mais de 150 golfinhos no Golfo do México, desde o início do ano. Verifiquemos como a irritação de HPS é genuína:

O título da notícia é "Mais de 150 golfinhos morreram este ano por causa da maré negra no Golfo do México". É um título claro que diz que mais de 150 golfinhos morreram por causa da maré negra.

A notícia começa logo a desmentir o título no primeiro parágrafo: "Os mais de 150 golfinhos encontrados mortos no Golfo do Mexido desde o início do ano, número anormalmente elevado". Ou seja, pelos vistos todos os anos há golfinhos mortos, mas os números deste ano são anormalmente elevados. Quanto? Não sabemos, a notícia é omissa nesse ponto, só ficamos a saber que não é verdade que tenham morrido mais de 150 golfinhos por causa da maré negra, o que é verdade é que morrerram mais de 150, menos o habitual que não se diz quanto é, por causa da maré negra.
“O petróleo e os dispersantes afectaram a cadeia alimentar. Isso poderá ter impedido as mães golfinhos de se alimentarem de maneira adequada e assim desenvolver a camada de gordura necessária”. Pode? Então não era "morreram ... por causa da maré negra"?

Mas o que me tirou do sério foi o grande final:

"De acordo com Worthy, as temperaturas anormalmente baixas deste Inverno, conjugadas com as consequências da maré negra no organismo destes mamíferos levaram ao “desastre do século”, a morte de muitos golfinhos".

Como disse? Temperaturas anormalmente baixas no Inverno? Mas afinal não tinha sido a maré negra? Ou seja, talvez a cadeia alimentar esteja contaminada, talvez esta contamização tenha diminuído a camada de gordura e de certeza que as temperaturas foram anormalmente baixas, portanto conclui-se no título da notícia que a maré negra matou mais de 150 golfinhos.

Está bem, abelha.

Mas HPS ficaria ainda mais farto e irritado se tivesse feito uma investigaçãozinha de 10 minutos, como eu fiz... Então, na press-release da Universidade da Flórida, a justificação original é:

The cold was a very unusual circumstance, but one which dolphins can normally survive, but we may also be seeing an indirect effect stemming from the BP oil spill.

Conseguem ver como a declaração original já vai muito deturpada? É claro que não sabemos por quantas fontes intermédias passou a notícia até chegar ao Público... A pista do frio é clara, mas a investigação que a refere apenas é encontrada nos Media locais, porque a nível global, a censura Verde impera, como o demonstra o acto da administração de Obama, que proibiu os cientistas de falar sobre estas mortes? Mas a coisa pode ainda piorar, como na lei de Murphy. Então, não é que três dos golfinhos mortos este ano, foram mortos pelos próprios investigadores da NOAA? E que a vida marinha floresceu depois do acidente do Deep Water Horizon, porque a pesca foi proibida... É claro que não é preciso ser cientista para perceber porquê! Mas é preciso perceber os golfinhos, para perceber que eles não são santos... O Santos vai ficar ainda mais irritado quando souber disto tudo!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Gás shale

A curiosidade à volta do gás shale (xisto) é cada vez maior, como o confirmam as duas páginas que o Expresso dedicou ao tema (imagem abaixo), no passado fim de semana. Já antes tinha observado que isto era o futuro, dados os cálculos de gás para até 250 anos! Agora, detectei um autêntico tratado sobre a matéria, elaborado pela The Global Warming Policy Foundation.

O documento é muito equilibrado, abordando os temas mais inconvenientes do gás de xisto, sobretudo as preocupações ambientais associadas à sua produção, que não devem ser negligenciadas. Dá uma perspectiva também sobre a Europa, embora o mapa ao lado tenha sido retirado deste link. Aí é fácil perceber que poderemos ter algo a ganhar com isto do gás de xisto.

A mesma fundação tem um outro artigo muito recente, que deve ser lido rapidamente pelos pequenos accionistas da EDP Renováveis, pois parece que a energia eólica dos Estados Unidos já era...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Limite: Dois graus?

O Professor Luiz Carlos Molion elaborou mais um artigo muito interessante. Intitulado "Limite: Dois Graus?", e que reproduzimos abaixo, merece uma atenção especial, sobretudo na analogia que utiliza, e que achei muito interessante, do CO2 dos refrigerantes. A sua referência ao sucesso civilizacional ao longo da História é igualmente uma visão da qual partilho, e que já é familiar dos leitores assíduos do Ecotretas:

"Temos que controlar as emissões de carbono para manter a temperatura do planeta abaixo de 2°C", é a voz corrente, frase dita até pelo Presidente Lula e por muita gente preocupada com o aquecimento global, gente essa que não sabe de onde tal frase surgiu. Sob o ponto de vista da Física do Clima, essa afirmação é absolutamente ridícula! O IPCC criou uma fórmula com base no "ajuste" ("fitting") à curva de crescimento do CO2. A fórmula é

DelF = 5,35 ln (C/Co)   Eq. [1]

onde Del F é a variação da forçante devido ao CO2 (baseada no que se crê que se sabe sobre absorção de radiação infravermelha pelo CO2), dada em W/m2; Co = 280 ppm, é a concentração de CO2 que, assume-se, tenha sido a pré-industrial; ln = logaritmo natural e C= concentração de CO2 futura. A variação de temperatura correspondente (Del T) seria dada por

Del T = const. Del F   Eq. [2]

onde a "constante" seria o parâmetro de sensibilidade climática que, para o IPCC, é const=0,75°C/W/m2, um valor muito alto! Ou seja, para cada 1 W/m2 de radiação infravermelha à superfície, provocada pelo CO2 adicional, a temperatura média global do planeta aumentaria de 0,75°C. Então, basta inverter as contas, adotar o valor de 2°C na Eq. [2], e calcular Del F = 2,656 W/m2 . Entra-se com esse valor na Eq. [1] e obtém-se a nova concentração de CO2, ou seja, C=460 ppm, um aumento de 65%, com relação ao valor pré-industrial (???) e que seria a "concentração limite, o objetivo a ser alcançado" . Como se o clima do planeta fosse tão simples quanto isso, controlado apenas pela concentração de CO2. A concentração de CO2 na atmosfera é controlada basicamente pelos oceanos (Lei de Henry) e depende da temperatura da água. Se essa aumenta, os oceanos emitem mais CO2 para a atmosfera. Esse é o mesmo processo que controla a concentração do CO2 num refrigerante. Se a temperatura do liquido aumenta, ele expulsa o CO2 que está dissolvido e “fica sem gás”. A contribuição humana , 6 bilhões de toneladas de carbono por ano (GtC/a), é muito pequena, desprezível, em face dos fluxos naturais que somam 200GtC/a, ou seja, apenas 3%, contra uma incerteza nos fluxos de 20%!

Quanto mais leio e estudo, mais me convenço que o problema é exclusivamente financeiro-economico e não climático. Não há “crise climática”. É um problema de segurança energética dos países industrializados que já não possuem uma matriz energética própria e dependem da importação, como é o caso da Inglaterra, país de onde provêm a maior parte do terrorismo climático e manipulação de dados. Certamente, o maior problema que a humanidade vai enfrentar num futuro próximo é o aumento populacional, amplificado pelo resfriamento global nos próximos 20 anos. A História mostra que, toda vez que o clima se aqueceu, as civilizações, como Amoritas, Babilônios, Sumérios, Egípcios e Romanos, progrediram. O resfriamento do clima, ao contrário, sempre causou desaparecimento ou retrocesso. Atualmente, um resfriamento global, com geadas severas, tanto antecipadas quanto tardias, seria muito ruim para a agricultura, pois acarretaria frustrações de safras e desabastecimento mundial com a população crescente. O Brasil não seria exceção. No último resfriamento, 1947-1976, o cultivo do café foi erradicado do oeste do Paraná em face das frequentes e severas geadas. É indispensável que o país se prepare para esse período ligeiramente mais frio, de 2010 a 2030.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Micronesia sea level

A year and a half ago, Tuvalu was complaining. Now, it's Micronesia. They are starting a lawsuit against a Czech coal power plant, in Prunéřov. Greenpeace has gotten involved, and in there own words:

The landmark legal paper, written by FSM, Greenpeace and the Environmental Law Service, and presented today at the Threatened Island Nations Climate Conference in New York’s Columbia University, offers hope to vulnerable countries on the frontline of climate impacts. FSM is one of many nation states experiencing environmental disasters, such as flooding, tidal surges and destruction of food crops, which are already exacerbated by climate change.

So, lets see what is happening to Micronesia's sea level. As usual, we start in nearby Hawaii, in their GLOSS database, at the University of Hawaii Sea Level Center. The fastest way is to check the monthly graphs for Pohnpei, Yap and Kapingamarangi, displayed below:


Looks like sea level is going up in Pohnpei and Kapingamarangi, but not in Yap. Why might that be? Checking the data and graph in detail, one sees that Yap has all the recent data, but Pohnpei and Kapingamarangi lack data, especially Kapingamarangi, which doesn't show the decline in 2010. Careful analysis of the graphs show that the highest levels in recent years have similar values in the 80s and 90s...

But more data is being concealed. If one grabs the daily data for Yap, and plots all those daily measurements into a graph, you'll get the one below:


There is data since 1969! While there seems to be a growing trend since the beginning of the nineties, the truth is that the highest values since mid-2002 are lower than the higher values in the mid seventies, and lower than several peaks in 1984, 1998, 1999, 2000, 2001 and 2002. The lowest value in 2010 is lower than any value from 1969 till 1980!