quarta-feira, 15 de junho de 2011

Um impulso solar

Depois de ter andado Sábado e ontem às voltas, o Solar Impulse chegou, enfim, a Paris. Este é o objecto voador movido a energia solar, que já mencionamos no passado. O problema é que as embrulhadas de Sábado para chegar a Paris, ou não foram noticiadas, ou então foram dissimuladas... A verdade, a de que o objecto voador andou às voltas, parece ser a contada pelos responsáveis do projecto, que assumem que o regresso a Bruxelas foi motivado pelas condições meteorológicas. Estava chuva e o vento soprava contra! Teve que voar baixo, por causa da cobertura de nuvens, e as baterias foram-se... O que não se percebe é porque descolaram eles às 18:36, quando o Sol estava a por-se! E, entretanto, nestes dias todos, as nuvens não permitiram que ele carregasse na totalidade as baterias, ficando-se pelos 60%, pelo que o tiveram que ligar à corrente... Não vá aparecer mais vento e chuva!

Enfim, os bastidores de um stunt publicitário, que nunca poderá ir longe, por causa das limitações físicas, que aqui oportunamente enunciei. Conforme podem ver no vídeo abaixo, relativo à descolagem de Bruxelas, até um ciclista consegue acompanhar o objecto voador, que atinge pouco mais de 40 km/h. Nada que admire, até porque cada um dos 4 motores do Solar Impulse tem uma potência de 7.5 kW, o que comparado como os cerca de 90000 kW necessários para pôr um Boeing 747 no ar, é absolutamente insignificante! Isto é especialmente importante para aqueles que pensam que um dia pode haver aviões comerciais movidos a energia solar; para esses, certamente especialistas das Novas Oportunidades, voltem a analisar as fórmulas da Física... Para os restantes, não passará de um gozo no Salão Internacional da Aeronáutica e do Espaço de Le Bourget!

Here comes the sun

O título do post é de uma música dos Beatles, e foi a contracapa da tese de doutoramento de Daniela Onça, que referimos há uns dias atrás. O título afigura-se como o apropriado para a notícia, ontem divulgada, de que o Sol parece estar a enfraquecer, e que levou a que muitos dos leitores habituais me inundassem hoje de manhã a caixa de correio... A todos Obrigado pela atenção!

Para quem segue o Watts Up With That, já estavamos avisados. Há pelo menos três anos que já se sabia disto, mas a intoxicação da Religião Verde, e da suposta unanimidade, dá nisto... O Ecotretas, como de costume, também tem acompanhado regularmente o assunto, e há mais de 3 anos, já alertava para o problema... Posteriormente, fomos repetindo a referência, mais que uma vez... Agora, os Media, já estão a falar de Arrefecimento! Dos 80 para o 8 em tão pouco tempo?

Enfim, ainda haveremos de ouvir cientistas de renome a dizer que conseguiram prever isto tudo. E que isto são Alterações Climáticas, blá, blá, blá... Entretanto, volta Aquecimento Global, que estás perdoado!

terça-feira, 14 de junho de 2011

A neve do Aquecimento Global

A neve é uma chatice para os defensores do Aquecimento Global! Aqui há uns anos, os cientistas diziam que a neve ia desaparecer de Snowdon, uma das montanhas mais elevadas do Reino Unido. Agora, cai lá em meados de Junho? Mais abaixo, na Namíbia, onde apesar de tudo está a terminar o Outono, a neve foi igualmente uma surpresa! Nos Estados Unidos, a camada de neve acumulada nas partes mais altas da Califórnia ameaça não derreter... Até no Hawaii voltou a nevar em Junho. Nada de extraordinário, excepto no facto de que já não acontecia há umas dezenas de anos...

Entretanto, a campanha de esqui já começou no hemisfério sul há umas semanas, enquanto no hemisfério norte dura, e dura, e dura! Na Gronelândia, as populações passam fome porque os navios de abastecimento não chegam lá... E mais acima, onde se diz que o gelo está a desaparecer, os aventureiros que se metem com a Mãe Natureza, mal sobrevivem para contar a história!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Regra de Três Simples à la IPCC

No Correio da Manhã, do passado Sábado, o tretas-mor do clima português, e próximo "review editor" do Quinto Relatório do IPCC, Filipe Duarte Santos, sai-se com esta mini-entrevista (realce da minha responsabilidade):

DISCURSO DIRECTO
"EM 10 ANOS COSTA RECUA 4 MILÍMETROS", Filipe Duarte Santos, Especialista em erosão costeira
Correio da Manhã - Qual é a taxa de recuo da costa?
Filipe Duarte Santos - Em 10 anos a costa portuguesa terá recuado cerca de quatro milímetros, o equivalente a 40 centímetros em 100 anos.
- Como se consegue inverter este fenómeno?
- É muito difícil porque há cada vez menos sedimentos a serem transportados até às praias.
- Que zonas inspiram mais cuidados?
- A zona entre a Foz do Douro e o cabo Carvoeiro é das mais vulneráveis do País, tal como o Algarve.

Espero que o leitor tenha pelo menos a quarta classe (penso que é aí que se apreende a regra de três simples) e saiba fazer melhor contas que este físico da treta... Ou então, que entenda melhor o português e/ou o sistema métrico que este jornalista. Qualquer que seja o caso, é esta a ciência da treta que aborda os temas do clima, e que grassa pelos nossos Media!

domingo, 12 de junho de 2011

Desinvestigação nacional

Na sequência de uma notícia, um pouco idiota, que andou por aí, perguntei por correio electrónico ao Professor Jorge Pacheco, Director do Departamento de Matemática e Aplicações da Universidade do Minho:

Diga-me lá se a sua teoria não explica o sucesso dos cépticos, no contexto da Religião do Aquecimento Global, baseado justamente no terceiro modelo que testaram?

Como não obtive resposta, nem penso que ela chegue, fui entretanto investigar a investigação deste investigador nacional... Chamou-me logo a atenção a sua publicação mais recente, "Minimizing CO2 Emissions in a Computing World", da autoria também de Carlos Reis. Como é costume, descobrir os artigos científicos não é propriamente fácil... Das deambulações pela net, acabei por o descobrir aqui, referenciado como um "Best Paper Award" na "IEEE 5th International Conf. on Software Engineering Advances 2010".

A publicação abre com factos como os da mudança de datacenters do Google e Microsoft para próximo de barragens hidroeléctricas, insinuando que tal se deveria ao não envolvimento de emissões de CO2, assim minimizando o impacto da sua actividade no suposto Aquecimento Global. Reis e Pacheco desconhecem, todavia, que a verdadeira razão para a localização próxima de centrais hidroeléctricas é a garantia de uma energia barata, como se pode ver logo no início deste artigo, que eles próprios citam! A citação deles é relativa ao CO2, mas no artigo nem vê-lo. O que interessa é que a energia é tão barata, que chega a ser 8 vezes mais barata que em Silicon Valley...

Depois, os autores supostamente dão algumas medidas de eficiência de energia, como a de não arrefecer os equipamentos. Mas que grande novidade! O Google já o faz há muitos anos... Locais como a Islândia andaram também a tentar vender a ideia, a que acrescia igualmente um preço muito baixo da energia local, quase toda hidroeléctrica e geotérmica. Mas muitos outros locais há onde há frio e energia barata. No Canadá há vários, sendo este apenas um exemplo. Como podem ver, a energia é muito baratinha... Até em Portugal, a Portugal Telecom descobriu as vantagens de construir um data-center num local fresquinho, em vez de na ilha de calor que é Lisboa, como oportunamente referi aqui.

Mas os autores vão mais longe na desinvestigação, ao sugerirem que projectos como o SETI@Home podem ser bons para o ambiente, porque utilizam a capacidade desperdiçada de cumputadores pessoais que não estão a fazer nada... Contas rápidas desmascaram imediatamente a ideia. Pior, a realização desses cálculos nos datacenters mais eficientes, referidos acima, fariam os mesmos cálculos, por muito menos dinheiro, emitindo inclusivamente menos CO2 no processo, porque viria das tais barragens. Mas porque o fazem? Simples, porque são os nabos lá em casa, e nas empresas, que pagam o acréscimo na conta de energia! E o custo do hardware e da sua manutenção... E aposto que no meio dos prevaricadores, devem ainda estar instituições públicas, processando inutilidades à custa dos nossos impostos...

sábado, 11 de junho de 2011

Gasland

Tive oportunidade de ver há mais de uma semana o post de Phelim McAleer sobre o documentário Gasland. Anthony Watts antecipou-se com este post, e como sei que muitos leitores seguem o Watts Up With That, optei por não repetir. Entretanto, como a censura Verde está a tentar apagar os rastos, vale a pena referenciá-lo aqui, para expor estes tretas...

O filme que está em causa foi censurado no Youtube, e posteriormente no Vimeo. Como podem ver no vídeo que está disponível neste site, o que eles estão a tentar evitar é o ridículo a que foi exposto Josh Fox, realizador do documentário Gasland. Resumidamente, Josh Fox ocultou o facto de que existem vários locais nos Estados Unidos, onde há várias décadas, se constatam concentrações elevadas de metano nas águas subterrâneas. Existem mesmo documentos oficiais explicando como lidar com o problema. Noutros locais podemos ver imagens igualmente interessantes de metano a arder. Mas Josh fez o filme insinuando que as concentrações de gás na água se deviam ao fracking, técnica utilizada na obtenção do gás shale... Estes tretas serão capazes de tudo para minar a revolução do gás que aí vem, como este exemplo recente da própria IEA. Por isso, o que Josh, e os ambientalistas radicais precisam é de serem frackados, como a senhora do vídeo abaixo:

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Os problemas da agricultura urbana

Dois leitores mais exaltados perguntaram-me na última semana se tinha algum problema contra a agricultura biológica... Tudo isto por causa da divulgação em primeira mão, da associação entre a agricultura biológica e o surto de Escherichia coli que grassa pela Alemanha. Respondi-lhes que sim, sempre que isso colocasse em perigo a saúde pública! E parece confirmar-se em definitivo que a contaminação advém mesmo da agricultura biológica, como as últimas notícias o provam... Para mim, continua a ser surpreendente como ainda se tenta manter o elefante por debaixo do tapete, mas tal é compreensível, numa Alemanha, em que o poder está ajoelhado aos pastores desta Religião Verde...

Um perigo que há muito está na minha lista de posts pendentes, está nos problemas da agricultura urbana, mais conhecidas por hortas urbanas. Seja em Lisboa, Coimbra ou Porto, são sempre apresentadas como casos evidentes de sustentabilidade. Delas, as hortas do IC19 são porventura as mais conhecidas, recomendando uma visita ao blog O Rouxinol de Pomares, donde retirei a imagem acima e onde há várias fotoreportagens, de há uns anos atrás, e mais recentes. Mas é preciso ir um pouquinho mais a norte para compreender melhor o problema...

Rute Pinto, concluiu na Universidade do Minho, em 2007, um mestrado que teve por título "Hortas urbanas : espaços para o desenvolvimento sustentável de Braga". A tese é muito interessante porque enaltece as hortas urbanas. O problema é que lá no meio do resumo, pode ler-se:

Como forma de avaliar as condições ambientais foram realizadas análises químicas de amostras de alfaces e de solos em algumas hortas. Assim, os resultados analíticos das amostras de alfaces e de solos mostraram que existem níveis preocupantes de contaminação e poluição pelos metais pesados Cádmio, Chumbo e Zinco, em hortas dentro do perímetro urbano de cidade. Portanto, a principal conclusão do presente trabalho é a escassa viabilidade ambiental, sobretudo como espaços de alimentação, para o uso das hortas urbanas enquanto importantes espaços de agricultura urbana no perímetro urbano de cidade de Braga.

A leitura do resto da tese, especialmente do ponto 5.4, levanta os cabelos a qualquer mortal. Vejam por exemplo este trecho:

Contudo, para além de contaminação ambiental existe também poluição urbana pois nas 5 hortas localizadas dentro do perímetro urbano de cidade as concentrações limite, sobretudo de Chumbo e de Cádmio, são intensamente ultrapassadas, podendo vir a traduzir-se em graves problemas para a saúde publica pois a alface é um vegetal muito consumido e com frequência na dieta alimentar das pessoas.

A leitura da tese fornece muitas pistas úteis para a abordagem da problemática da poluição em ambiente urbano. Um problema que nos afecta de forma muito séria, mas do que os ambientalistas gostam pouco de falar. Da próxima vez que um deles vos tentar vender a ideia das hortas urbanas, ou sempre que ouvirem alguém falar do paladar dos seus produtos urbanos, lembrem-se do tempero de cádmio ou chumbo...