quarta-feira, 22 de junho de 2011

Consumo de energia nos Estados Unidos

Na sequência do post do passado Sábado, sobre o consumo das set-top boxes nos Estados Unidos, fiquei com curiosidade em saber qual seria a sua percentagem relativamente ao consumo total de energia nos Estados Unidos.

Embora não disponível num detalhe que esperava, a informação que encontrei no site da EIA é muito interessante. Porque estabelece uma comparação entre 1978 e 2005, para vários tipos de consumos domésticos, conforme se pode ver na imagem. E aí se confirma que o consumo de energia por electrodomésticos praticamente duplicou nesses 27 anos, passando de 17% para 31%. Tal aconteceu apesar dos standards cada vez mais rigorosos aplicáveis aos electrodomésticos...

Mas o estudo tem outras conclusões também interessantes. O consumo total de energia diminuiu nesse período! E a maior diminuição vem do aquecimento das casas, que diminuiu de 66% para 41%. Como se sabe que existiu um aquecimento desde a fria década de 1970, está mais que visto que o Aquecimento teve algumas vantagen para aqueles lados, mesmo que o consumo com ar condicionado tenha subido, de 3% para 8%. É claro que o estudo não enumera este aspecto básico, mas curiosamente fala do facto de terem existido movimentos de populações para zonas mais quentes... Algo que tentarei investigar no futuro, e que mais uma vez remete para as vantagens do Aquecimento Global!!!

Nesses 27 anos, o estudo conclui que a penetração das máquinas de lavar passou de 74% para 82%, e as máquinas de lavar loiça passaram de 35% para 59%. Em 2009, 43% dos Americanos tinham sistemas de gravação digital de video, 76% tinham pelo menos um computador, e 35% tinham mesmo múltiplos computadores. Uma família média tinha, igualmente em 2009, 2.5 televisões, com 45% a terem uma televisão de pelo menos 37 polegadas. Finalmente, 79% das casas tinham um leitor DVD, e quase 40% tinham pelo menos quatro carregadores de equipamentos (eg. carregador de telemóveis).

Cá por Portugal, somos obviamente mais pobrezinhos. Mas, mesmo assim, é nestes domínios que cada vez mais se consome energia; pois é aqui que maior esforço se deve fazer para que os consumos em stand-by sejam cada vez menores. Para bem das nossas carteiras, e não do Mexia...

terça-feira, 21 de junho de 2011

A armadilha de pesca de Silvalde

Se há uma coisa que os alarmistas presentes, que são sobretudo jovens, não gostam, é da disciplina de História. Porque a História nos revela realmente o que aconteceu no passado, dando-nos pistas valiosas para o presente, e a previsão do futuro. Acresce que, a maioria dos alarmistas só gosta de teclar, e não meter as mãos na massa, como o fizeram os responsáveis pela descoberta da armadilha de pesca da época romana, descoberta na praia de Silvalde, em Espinho, em 1989.

O melhor relato da descoberta que conheço online é esta digitalização da revista o Arqueólogo Português, e cuja leitura integral recomendo. Da sua leitura, uma das partes que mais me sensibilizou foi o relato do avanço do mar, em Espinho e Ovar:

Com efeito, as primeiras notícias consistentes sobre o recuo do litoral desta região remontam a meados do século XIX, de que são exemplo as invasões do mar verificadas em Ovar, em 1857, e Espinho, em 1869, regiões de baixas planuras litorais, particularmente afectadas por este fenómeno. Como refere, em 1909, Ferreira Diniz, «datam de 1869 os primeiros desastres em Espinho, que se repetiram depois, em 1874, onze anos depois em 1885, e quase consecutivamente, com pequenos intervalos de repouso até hoje».

Bem, que eu saiba as emissões de CO2 eram quase nada naqueles tempos, comparados com hoje... Será que havia influência antropogénica na altura? Parece que sim:

Sant'Anna Dionísio descreve bem a evolução do litoral na zona de Espinho: «... foi a partir de 1855, pouco depois do início das obras de Leixões, que o mar principiou a destruir a vila-praia. Durante 27 anos consecutivos o mar avançou cerca de 300 metros. Em 1912 havia desfeito algumas centenas de casas. De 1912 a 1916 a praia manteve-se e melhorou sensivelmente, concentrando o depósito arenoso.
(...)
A melhoria assinalada por este A., entre 1912 e 1916, é consequência, seguramente, da construção, iniciada em 1911, dos três primeiros esporões em Espinho (os primeiros construídos na costa oeste portuguesa), os quais melhoraram de forma efectiva, embora temporária, a situação em frente à vila (...)

Enfim, deixo acima uma imagem que documenta a planta do centro de Espinho nos finais do século XIX / inícios de século XX, e em que se encontram assinaladas as diversas fases do avanço do mar, nesses tempos idos. Em que ainda não havia Aquecimento Global antropogénico, mas uma subida maior dos níveis do mar?!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Luto por uma torre eólica

Da Alemanha Verde, chega-nos mais um exemplo em como a tecnologia dos aero-geradores ainda dá muito para o torto. P Gosselin, no seu NoTricksZone, alerta-nos para a queda dum aero-gerador na vila de Kirtorf, no centro da Alemanha. A torre eólica partiu a 25 metros de altura, numa das suas juntas, e foi projectada a cerca de 50 metros, para cima de um caminho rural, e atingindo ainda um transformador.

O aerogerador tinha 11 anos, e o acidente verificou-se num dia em que a rajada máxima atingiu apenas 57Km/h. As percas estimadas superam um milhão de euros. A polícia já selou a área, impossibilitando o acesso, certamente para proteger a privacidade e o luto dos ambientalistas, mas fotografias mais detalhadas do acidente podem ser vistas aqui. O acidente deu-se de manhã, mas felizmente, não fez vítimas. Ao contrário doutros acidentes por esse Mundo fora, e mesmo em Portugal.

domingo, 19 de junho de 2011

Cervantizando

Em "A Causa foi Modificada" saiu esta semana um post em resposta a este post do Jugular, e a cujo autor, Tiago Julião Neves, já havíamos respondido aqui. O post em A Causa foi Modificada tem o título interessante de "Cervantizar o país", e dele extraio duas partes, com realces da minha responsabilidade:

A espaços, a ciência económica é como a ciência geofísica da previsão sísmica: compreende e conhece que as merdas vão acontecer, só não sabe dizer quando. Acresce que, neste caso, também não se sabe exactamente como. Daí que nos questionemos: porquê tentar adivinhar? O engenheiro José Sócrates e defensores como o Tiago Julião Neves, misteriosamente, afirmam não só que sabem quando vai acontecer (proximamente, muito proximamente), como como vai acontecer. E vai daí, hipotecam uma parte dos recursos deste abastado país numa raspadinha de contornos ecológicos erotizada com tecnologia de ponta e inovação.

Porque ao se comprar e subsidiar, por exemplo, uma torre eólica ou um painel solar com as tecnologias ineficientes de hoje, o que se está efectivamente a fazer é a impôr a um país pobre uma tecnologia mais cara do que as alternativas disponíveis, tecnologia essa que será ultrapassada no futuro próximo por outras que, então sim, transformarão o vento e o sol em energias rentáveis, tudo isto ao preço de ficarmos a pagar durante anos e anos em dominó os juros de termos pedido financiamento para uma tecnologia que entretanto ficou obsoleta. É bonito, não é? Mas, pergunto de outra maneira: porque não esperar?

Por esta altura o Tiago Julião Neves insiste no que me parece ser um argumento desmedidamente falacioso, para não dizer pior: a de que esta política tem a seu lado vantagens como "a geração de emprego, criação de riqueza, redução de importações, fomento de exportações, redução de emissões, apoio à inovação e desenvolvimento tecnológico". Mas esta merda faz algum sentido, caralhos ma'fodam? Não se poderá diagnosticar estas mesmas vantagens sempre que se injecta artificialmente (quero dizer: suprindo o seu deficit em relação ao respectivo mercado natural) dinheiro na criação de uma industria, qualquer que ela seja, desde a produção de patinhos de plástico amarelos até à produção de dildos de plástico vermelhos?

sábado, 18 de junho de 2011

Set-top boxes comilonas

Um recente estudo sobre os consumos das set-top boxes, revela como os ambientalistas estão a acordar para alguns dos verdadeiros problemas que nos afectam. O estudo foi efectuado pela NRDC, uma NGO americana da área do ambiente, que agora acordou para este problema, em vez de estarem apenas entretidos com as lâmpadas, por exemplo! Algo que aqui no Ecotretas já tinhamos abordado para a realidade nacional, e que contas muito simples determinam um consumo anual estimado em cerca de 300 GWh...

Uma das principais conclusões do estudo, e que já havíamos referido, é o facto de que o consumo das boxes ser o mesmo, quer estejam ligadas, quer desligadas. Isso faz com que apenas 1/3 do consumo se verifica quando está em utilização, com 2/3 do consumo a ocorrer quando a box não está a ser utilizada. Segundo as contas da NCDR, uma família terá um consumo anual de 446kWh, muito concordante o que compara com o valor de 37x24x30x12=319.68kWh que avançara há quase um ano atrás! Para terem uma ideia, o consumo avançado pela NRDC supera o consumo dos novos frigoríficos mais eficientes...

A análise avaliou um conjunto de modelos de set-top boxes, e verificou que efectivamente quase todas continuam a consumir a mesma quantidade de energia, quando ligadas, ou desligadas, como a imagem acima refere. Felizmente, algumas já implementam estratégias inteligentes, como a set-top box da Sky, que consome 23 watts em modo ligado, e 13 watts em modo semi-adormecido, passando para um consumo inferior a 1 watt depois das 23 horas. Durante o final da noite e madrugada, a box acorda todas as meias horas para verificar se há alguma tarefa a executar (gravação de um programa), voltando depois a "adormecer"... Tudo para bem das carteiras dos seus possuidores, e do Ambiente! Enquanto isto não acontece nas set-top boxes portuguesas, desliguem-nas das tomadas!

Actualização: O presente post foi editado para corrigir contas do consumo anual por mim estimado, e que estavam incorrectas.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Assistência para carros eléctricos

Já há algum tempo imaginava como seria a assistência aos novos veículos eléctricos. Nos carros normais sabemos que quando falta o combustível, basta transportar uns quantos litros até ao veículo parado, para este poder (quase sempre) resumir viagem. Na verdade, este é um acontecimento raro, dada as autonomias de centenas de quilómetros, que chegam mesmo a superar o milhar de quilómetros, mas há sempre um ou outro distraído. Nos carros eléctricos a conversa é outra, pois com uma autonomia que em condições normais não superará muito os 100 quilómetros, as probabilidades de se ficar apeado são significativas...

A Nissan resolveu o problema com um camião especial de assistência, conforme se pode ver na imagem. O serviço é completo, com homens vestidos a rigor, mas pelas imagens parece-me uma grande perca de tempo, pois têm que esperar que as baterias carreguem. O camião só pesa 5 toneladas, arrastando um gerador eléctrico de 29 kW, alimentado a diesel! Fornecem uma carga durante 20 minutos, permitindo que o carro eléctrico ande mais 25 milhas...

O serviço, que para já é gratuito numa cidade do Japão, deverá ter que ser extendido. Cá para Portugal é capaz de haver alternativas mais baratinhas, como esta proposta da Eaton, que se resume a um gerador em cima de uma carrinha, ainda por cima com mau aspecto. Talvez nós portugueses possamos aproveitar para produzir uns carregadores mais jeitosos, para depois exportar uns quantos?

Mas, nem tudo são más notícias para os amantes dos carros eléctricos. Só quase tudo! Afinal, os veículos eléctricos não são tão verdes quanto isso... O estudo inglês refere que um carro elétcrico terá que percorrer 130000 Km, antes de começar a poupar CO2. E como um carro eléctrico anda às mijinhas, não mais de 100 Km de cada vez, está-se mesmo a ver que a maioria deles nunca chegará a poupar o que quer que seja! Pior, na Suécia, aparentemente o país com maior vendas de carros verdes per-capita, as emissões de gases de efeito de estufa na área dos transportes, aumentou!? Nos Estados Unidos, a maior parte das notícias goza com a GM, e o seu carro eléctrico. Enquanto outras constatam mesmo as fraudes neste domínio. E as sondagens mostram a completa indiferença pelos ditos cujos...

Finalmente, a cereja no topo do bolo: os dados de um Nissan Leaf, incluindo a posição presente, velocidade, direcção e destino, são enviados para qualquer feed RSS, no âmbito do programa Nissan CARWINGS. Algo que vai dar muito que falar nos próximos dias...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Os eco-terroristas

Um leitor assíduo enviou-me uma referência para uma luta de galos, que se tem travado na lista ambio. De um lado, o mais conhecido eco-terrorista português, e do outro o nosso conhecido Henrique Pereira dos Santos (HPS). O currículo do primeiro, Gualter Barbas Baptista, é bastante resumido, sendo bolseiro de doutoramento da Universidade Nova de Lisboa, mas mais conhecido por liderar o acto criminoso de destruição de um campo de milho em 2007. Para terem uma ideia deste tretas, vejam como foi "tratado" pelo Mário Crespo, no vídeo abaixo.

Agora, Gualter Baptista, sente-se inspirado para defender as acções de Barbara Van Dyck, também investigadora universitária, que teve o mesmo papel de Gualter, na destruição de um campo de batatas... HPS deixou-lhe uma mensagem de resposta (todos os realces da minha responsabilidade):

Percebo a tua solidariedade Gualter: a senhora fez exactamente o mesmo que tu na fantochada de Silves, adoptando a mais indigna das posições. Participa mas finge que não, é porta-voz mas não toca nas plantas. É uma sonsice e é indigno.

Meu caro, acho muito bem que uma Universidade despeça todos os investigadores que se entretêem a destruir a investigação das universidades ao lado com base em convicções pessoais e noções completamente distorcidas de intervenção cívica legítima (e digo legítima, não digo legal) e de respeito por terceiros.

O tretas Gualter ainda tentou fugir com o rabo à serinha. Mas HPS voltou a espetá-la:

Gualter, percebes muito bem que indigno é participar e fingir que participar através da voz não é participar. Tu, como a cientista em causa, participaste na acção, o resto é conversa ínvia a fazer dos outros parvos.

"Quanto à ciência e à universidade, ela é mesmo um espaço privilegiado para o confronto de opiniões e posições."

A destruição de experiências científicas de outros investigadores não é nenhum confronto de opiniões, é uma acto ilegítimo de coação de terceiros.

"E ainda assim, demitir alguém de uma universidade porque defende uma posição - ou acção - que rompe com a posição dominante na ciência ou na sociedade, é, no mínimo, um acto típico de inquisição"

A senhora não foi demitida porque defendeu uma posição, a senhora foi demitida, e bem, porque destruiu ilegitimamente o trabalho científico de terceiros, o que a universidade, e qualquer pessoa de bom senso, considera uma acção inaceitável num investigador.

O tretas continuou a estrebuchar, mas HPS deu a estocada final:

Meu caro, imaginemos que eu acho que o Amilcar diz (ou faz) algumas coisas contra o bem comum e que dou aulas noutra universidade que não a sua. Assumo que parar a sua intervenção é um dever cívico. Espero-o numa esquina com uns amigos, e enquanto aos meus amigos lhe vão aos fagotes, eu vou relatando e explicando para as televisões as razões pelas quais está a levar uma sova monumental, argumentando que a sua actuação na Universidade é contra o interesse público e que é um dever defender a sociedade dos efeitos perniciosos da sua actuação.

A minha Universidade fala comigo escandalizada e eu repito a argumentação, dizendo que não lhe peço desculpa nenhuma e que acho muito bem que as pessoas como o senhor tenham regularmente os dentes metidos para dentro porque estão metidas com o capital e as grandes corporações, usando o conhecimento universitário para os defender contra o bem público. A minha Universidade expulsa-me.

O caro Amilcar Duarte faz uma petição protestando contra o facto da Universidade me estar a expulsar com base na minha intervenção cívica (que no caso foi ir-lhe aos fagotes mas que poderia ter sido a destruição dos campos onde o Amilcar, legalmente e pensando estar num país livre, fazia a sua experimentação).

Está bem abelha.

E andamos nós a gastar o dinheiro dos nossos impostos para manter estes investigadores anormais!