segunda-feira, 4 de julho de 2011

Solar daninho

Uma imagem vale por mil palavras! Tal é o caso da imagem ao lado, divulgada aqui, e da qual tomei conhecimento via NoTricksZone, respeitante a um parque solar próximo de Markranstaedt, no centro da Alemanha. Não sei se dá vontade de rir ou chorar!

Para além de limpar a neve, e de os lavar, agora há mais uma tarefa para os donos de parques solares: a de cortar as ervas daninhas! Mas como a imagem atesta, não basta passar com um tractor pelo meio... É preciso também cortar por baixo! O que me leva a pensar nas vantagens sinérgicas de associar a produção de energia solar à da energia de biomassa... O que se seguirá? Trepadeiras pelas eólicas acima?

Actualização: Poucos minutos depois do meu post, P. Gosselin actualizava mais informação sobre este parque daninho.

domingo, 3 de julho de 2011

Ruído das eólicas

Um leitor interessado enviou-me um link para um Acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, relativo a uma acção interposta por "R", e que foi tramitada pelo 2º Juízo do Tribunal Judicial de Torres Vedras, relativa a questões de ruído causadas por aero-geradores, e na qual, foram proferidas, entre outras, as seguintes decisões:

Nestes termos e decidindo, julgo parcialmente procedente, por parcialmente provado, o presente procedimento cautelar e, em consequência, determino que a requerida E LDA se abstenha da prática de quaisquer actos que violem os direitos do requerente, nomeadamente, ordenando a suspensão imediata do funcionamento do aerogerador n.º 2 (número dois), sito no Parque Eólico (…), concelho de Torres Vedras.

No recurso, ampliou-se mesmo a matéria de facto declarada indiciariamente provada:

1. O Requerente é proprietário de uma Quinta, com 17,8 hectares, composta por duas moradias de habitação, picadeiro e estábulos, sita em Torres Vedras, de ora em diante designada por “Quinta”.
2. O Requerente reside na referida Quinta, desde 1994, com a sua família mais directa, composta pela sua mulher e dois filhos menores, um com 12 anos de idade e uma com 9 anos de idade.
(...)
5. É na Quinta que o Requerente e o seu agregado familiar tomam as suas refeições, trabalham, estudam, repousam, dormem, passam as suas horas de ócio e recebem familiares e amigos.
(...)
7. O Requerente e a sua mulher optaram por residir no campo para se salvaguardarem da agitação e do stress da vida citadina.
(...)
11. A Requerida é proprietária do Parque Eólico, Torres Vedras.
(...)
13. A Quinta do Requerente é vizinha do Parque propriedade da Requerida, mais concretamente, é contígua ao aerogerador número 2 e vizinha dos aerogeradores números 1, 3 e 4 do referido parque eólico.
14. É o aerogerador nº. 2, dos dezasseis que compõem o parque eólico, que tem vindo a causar graves danos físicos e morais ao ora Requerente, desde a sua entrada em funcionamento, em meados de Novembro de 2006.
(...)
21. Desde meados de Novembro de 2006 que o Requerente e o seu agregado familiar perderam o direito ao repouso, ao sossego, à qualidade de vida, a um ambiente sadio e equilibrado, e, o primeiro e o seu filho R, à sua saúde, pelo facto de residirem e viverem, em permanência, na Quinta, sendo certo que, durante o 1º semestre de 2008, a cônjuge e os filhos do Requerente passaram a viver, durante vários dias da semana, na casa da sogra do mesmo.
22. A entrada em funcionamento dos aerogeradores nºs 1, 2, 3 e 4 da Requerida, mas o último apenas durante o período nocturno, veio alterar profundamente, e de forma muito negativa, a vida do Requerente e do seu agregado familiar.
(...)
25. O nível de ruído que existe na Quinta do Requerente, provocado pela rotação das hélices dos aerogeradores nºs 1, 2, 3 e 4 da Requerida, mas o último apenas durante o período nocturno, impossibilitam o Requerente e o seu agregado familiar de dormir, de descansar, de repousar, de trabalhar e, também, de se divertir na sua propriedade.
26. Esse ruído impossibilita-os de viver a vida que levavam na Quinta até à entrada em funcionamento dos aerogeradores nºs 1, 2, 3 e 4 da Requerida, mas o último apenas durante o período nocturno,.
27. Aliás, alturas há em que o ruído é tão intenso que não permite, ou dificulta muito, conversar, ouvir música e ver televisão.
(...)
29. Em termos comparativos, o ruído que se faz sentir na Quinta, tanto no interior como no exterior da casa, é semelhante ao ruído de um avião a sobrevoar a mesma....
30. O ruído é contínuo, provocando enorme ansiedade, e um desgaste físico e psíquico muito grande no requerente.
(...)
37. E desde meados de Novembro de 2006 que o Requerente e o seu agregado familiar deixaram de ter um sono tranquilo e ininterrupto, durante a noite, de pelo menos oito horas diárias.
38. Desde essa data que o Requerente e o seu filho R sofrem de insónias e, bem como os restantes membros do agregado familiar, têm enormes dificuldades em adormecer e em dormir, chegando a acordar várias vezes durante a noite.
39. Desde que os dos aerogeradores nºs 1, 2, 3 e 4 da Requerida, mas o último apenas durante o período nocturno, começaram a funcionar, o Requerente tem sofrido de insónias, dores de cabeça frequentes, falta de memória, apresentado queixas de maior irritabilidade e de intolerância progressiva ao ruído.
40. Aliás, o Requerente para dormir tem necessitado de medicamentos indutores do sono.
41. Até à entrada em funcionamento dos aerogeradores nºs 1, 2, 3 e 4 da Requerida, mas o último apenas durante o período nocturno, o Requerente nunca teve necessidade de tomar medicamentos para dormir.

A isto, a Requerida respondeu com:

Invoca – e nessa parte bem – a Requerida, a importância estratégica das energias renováveis e, em particular da energia eólica, não apenas para o País (relevância económica e política – maxime, a diminuição da nossa dependência energética face ao exterior, a protecção e desenvolvimento da indústria nacional, e o incentivo à capacidade criativa e inventiva dos portugueses) ou para todos os membros da Comunidade nacional, mas para a Humanidade inteira.
Essa alegação é verdadeira – de outro modo, nem o Tribunal se preocuparia em dar-lhe muita atenção, porque, ao mesmo tempo, o que também está em causa são os lucros e os compromissos comerciais da sociedade agravada e os direitos de personalidade das pessoas singulares prevalecem, sem margem para dúvidas, sobre os interesses empresariais (artºs 335º n.º 1 do CPC e 1º, 11º, 24º a 26º, 61º e 62º da Constituição da República – estes últimos apenas para deixar bem claras as preferências éticas do Legislador Constitucional).

Enfim. Perguntam os leitores qual foi a decisão do Tribunal da Relação (realces da minha responsabilidade)?

decreta-se que, para além da já ordenada suspensão total do funcionamento do aerogerador n.º 2 (número dois), instalado no Parque Eólico (…) de Torres Vedras, será também imediatamente suspenso o funcionamento dos aerogeradores nºs 1, 3 e 4 do mesmo parque eólico, mas estes apenas nos períodos “nocturno” e “do entardecer”, tal como os mesmos se encontram definidos no art.º 3º do “Regulamento Geral do Ruído” aprovado pelo DL n.º 9/2007, de 17 de Janeiro.

Não sei se tudo isto ficou apenas na Relação, ou não. Mas cheira-me que a saga deve ter continuado. Procurar dados adicionais até nem foi difícil. Se o parque tem 13 aerogeradores de 2MW, e se está na zona de Torres Vedras, então olhando para o excelente mapa de parques eólicos europeu, constatamos imediatamente que se trata do parque eólico Joguinho II. Ainda mapeei este parque eólico, mais o do Alta da Folgorosa, no Google Maps, mas a utilização das distâncias referidas no Acórdão não foram conclusivas... Se algum leitor tiver dados adicionais sobre estes factos, nomeadamente a comprovação de que um dos aerogeradores está efectivamente parado naquele parque, factos importantíssimos porventura para outros afectados, não deixem de mos fazer chegar...

sábado, 2 de julho de 2011

Enxada mal encabada

Hoje deparei-me com uma capa surreal na revista Única do Expresso. A nova Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território obviamente não estava talhada para isto, e isso percebe-se logo pela capa da revista, como se observa ao lado! Com luvas novas, uma enxada nova, ainda por cima mal encabada, e um vestido de festa, está-se mesmo a ver o que ela percebe do assunto. Aliás, ela nem o pode esconder:

Não percebo nada destas áreas, em profundidade.
(...)
Como toda a gente sabe, não percebo da matéria.

Que contraste, por exemplo, com um Nuno Crato, que chega e começa a decidir! Para um partido como o CDS, que tanto se bate publicamente pelas áreas abrangidas por este Ministério, ser apenas capaz de propor Assunção Cristas, e não ter alguém preparado, é uma fraude! Mais valia ter proposto o Daniel Campelo, que mesmo assim chega a Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural... Enfim, está-se mesmo a ver o que vai acontecer! Basta olhar para a primeira medida na área do Ambiente, do programa do Governo, para ver como a Ministra já está a ser enrolada pelos ambientalistas:

Combater as alterações climáticas e desenvolver uma economia de baixo carbono, apostando na mitigação através da redução das emissões nacionais e na participação nos mecanismos internacionais;

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Contas à la TGV

Os indignados nacionais, e para os lados de Madrid, não gostaram da suspensão do TGV Madrid-Lisboa, na componente portuguesa. Não interessa que o projecto sofra de autênticos atentados à inteligência, ou que tenha sido promovido de forma absolutamente idiota...

O que interessa é olhar para os exemplos concretos. E eles vem, quando menos se espera, da própria Espanha! Foi suspenso ontem o AVE (TGV) que fazia a ligação directa entre Toledo e Albacete/Cuenca. Razão? Em vez dos 2190 potenciais passageiros, viajavam em média, 9 passageiros entre Toledo e Albacete, e 7 entre Toledo e Cuenca...

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A entropia da AAAS

Um leitor enviou-me uma nota para o facto do alarmista Público propagar o comunicado ínfame da AAAS. E anda por aí disseminado, porque interessa criar entropia, quando a principal reunião dos cépticos está a decorrer. É reconfortante ver nos comentários, que há cada vez mais portugueses informados sobre a verdadeira extensão desta fraude da suposta ciência climática.

O artigo do Público começa com as supostas perseguições que se estão a fazer aos cientistas. Talvez se refiram à proposta dos cépticos serem tatuados. Ou da proposta dos cépticos serem gaseados, tal como se fazia nos campos de concentração Nazis. Estas ameaças foram públicas, e não privadas, que a existirem devem ser evidentemente também investigadas e julgadas.

O que a AAAS e o Público confundem, são as ameaças que referi anteriormente, com os pedidos de FOIA, que são acções claramente enquadradas em termos jurídicos. O que acontece é que esses supostos cientistas passam o seu tempo, pago genericamente pelos contribuintes, a distorcer a ciência! E depois tentam defender o Mann, o mais ilustre manipulador da ciência climática, que referi na passada terça-feira, e que nesse artigo mantém a perpetuação da sua ciência invertida...

É claro que o Mann é apenas parte do puzzle. E que está a atingir figuras mais acima, como o Hansen. Mas este é apenas o início! Onde isto vai parar é mais acima, quando retirarem o Nobel ao Gore e ao IPCC... O problema deste clero é que o povinho está a acordar, e que reuniões como as do ICCC (podem ver em directo neste momento) começam a ter uma visibilidade que os incomoda...

From Woodcraft to 'Leave No Trace'

O Ecotretas é um caminhante ávido, sempre pronto a conhecer novos locais, especialmente deste país. Gosta muito da bússola, mas não descura o GPS. Adora ver episódios do Sobrevivência (Man Vs Wild em inglês), apresentado por Gear Grylls. Todavia, não conhecia "From Woodcraft to ‘Leave No Trace’", que me foi recomendado por um leitor...

O artigo descreve a evolução da relação do Homem com o Ambiente, no que se convenciou chamar os momentos de lazer. Desde o Woodcraft até ao "Leave No Trace", passando pela época de utilização dos gadgets, dá uma leitura muito interessante, sobretudo para quem procura perceber a forma como no passado o movimento ambientalista se associou, mas também perseguiu, aqueles que procuram o contacto com a Natureza. O artigo já tem uns anitos, e por isso não aborda algumas das polémicas mais recentes, nomeadamente em relação ao geocaching. Todavia, não percam o artigo, e não percam sobretudo o contacto com a Natureza, sendo que até existem foruns em português para trocar ideias sobre estas técnicas...

terça-feira, 28 de junho de 2011

Nível do mar no passado

Há uns dias saiu mais um artigo "hockey-stick", de Mann & companhia. Obviamente, os alarmistas andam alarmados com o facto de que a taxa de subida do nível dos mares está a baixar, e por isso socorrem-se de todos os truques sujos para esconder esse facto. Este artigo, aqui disponível na íntegra, diz-nos que nunca o mar subiu tão depressa nos últimos dois milénios, tendo começado a subir em 1865!?

Mas se recuarmos mais tempo, este alarmismo esfuma-se. Já me tinha referido a isso aqui e ali. Mas volto a este tema com dois dos artigos mais citados em termos da evolução histórica do nível do mar. Em Waelbroeck et al. (2002), donde retiramos a imagem ao lado, verificamos que a subida nos últimos milénios foi muito significativa. Ainda mais interessante é verificar que o nível dos mares foi mais elevado que no presente, nomeadamente há cerca de 120000 anos. Porque haveria Aquecimento Global, numa altura em que os Neanderthais e os Homo sapiens andavam provavelmente entretidos à pedrada?


Noutro artigo muito citado, Siddall et al. (2003), analisam em grande detalhe a evolução desde esse máximo há 120000 anos, visível na imagem ao lado. Aí verifica-se claramente que o mar estava então vários metros acima de onde está hoje. Igualmente interessante é a constatação de que o mar chegou a subir cerca de 2 cm por ano, desde a última glaciação, o que é uma taxa mais de 6 vezes superior à que temos hoje, e que é de cerca de 3 mm por ano...