sábado, 30 de julho de 2011

Abaixo o Fundo Português de Carbono

Já aqui nos referimos no passado ao Fundo Português de Carbono. Um sumidoiro de dinheiros públicos, que interessa terminar tão rapidamente quanto possível! Para que fiquem com uma ideia dos buracos que se criam com este Fundo, analisemos uma das suas medidas mais emblemáticas: MAe3 – Melhoria da eficiência energética ao nível da procura de electricidade

Segundo o link anterior, foram oferecidas ou subsidiadas, em 2008 1725278 lâmpadas de baixo consumo, e 2062203 lâmpadas em 2009. O estoiro de dinheiros público continuou em 2010, conforme se pode ver nos detalhes desta notícia da EDP. Segundo a Resolução do Conselho de Ministros n.º 1/2008, só o Programa de Eficiência Energética lançado pela ERSE terá tido um orçamento de 10 milhões de euros/ano.

Acresce a isso a introdução de taxas e taxinhas, de que são exemplos o Decreto-Lei 108/2007, Portaria 54/2008 e a
Portaria 63/2008. A quantia exacta de dinheiro que foi extorquida aos Portugueses por esta via não a encontrei.

A parte curiosa desta medida é que ela tinha um objectivo: reduzir em 2010, 1020 GWh no consumo de electricidade. O grande problema é que nunca como em 2010 se consumiu tanta electricidade em Portugal!!!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Subidas nos transportes públicos

Os transportes públicos são das bandeiras favoritas dos ecologistas. A subida prevista de 15% para o próximo mês obviamente deixou as mais acérrimas melancias desorientadas, embora com algumas notáveis excepções.

Um dos principais problemas associado a estas subidas está nos níveis salariais das nossas empresas públicas. Neste post abordarei o caso do Metropolitano de Lisboa, por ser o mais flagrante (na minha opinião), mas coisas semelhantes passam-se nomeadamente na CP. Comecemos pela quantidade de funcionários do Metro. Neste documento do Tribunal de Contas, não há dúvidas de como estamos mal:

Em 2007, a Empresa integrava, em média, 2.879 efectivos, dos quais 1.685 eram colaboradores activos e 1.194 inactivos com os quais o Metropolitano assumiu responsabilidades.

E como ganham esses funcionários? Neste artigo do Correio da Manhã de 2006, não há que enganar:

O nível salarial do Metropolitano de Lisboa é o segundo mais elevado da Europa. Só os funcionários do sistema subterrâneo de comboios de Viena de Áustria ganham mais do que os trabalhadores do Metro da capital portuguesa.

Somos um país rico, pois claro! Mas quanto é que eles ganham mesmo? Esse é praticamente um buraco negro, mas é possível lá chegar. No último Relatório e Contas de 2009, podemos chegar a algumas conclusões. Em 31 de Dezembro de 2009 (tabela página 51), a quantidade de colaboradores activos era de 1636, mas os inactivos tinham subido para 1345. Mais à frente, na página 64, podemos ver que os custos com pessoal foram de quase 85 milhões de euros! Se contarmos activos e inactivos, cada colaborador custa 28500 euros/ano, de média, pois claro!

Se formos buscar os extremos, estamos bem aviados! Aqui, podemos ver que em 2009 um técnico superior auferiu 114 mil euros. Neste link, a informação é mais ou menos coerente, indicando que o maquinista mais bem pago do Metro aufere um salário de 7351 euros/mês. E que a média é de 3883 euros/mês!!! Para quem só precisa de ter o 9º ano, e conduzir 3 horas por dia, convenhamos que não é mesmo nada mau...

Mas como é possível chegar a estes valores, se os ordenados publicados até nem são tão elevados? Fiquem a conhecer os subsidiozinhos... Mais uma vez o Tribunal de Contas:

O Metropolitano de Lisboa despendeu, em 2007, cerca de 8,8 milhões de euros em subsídios específicos, previstos nos Acordos de Empresa, não existindo evidência de que todos tenham contribuído para estimular a produtividade.
Ademais, no mesmo ano, foram expendidos 1,3 milhões de euros com a atribuição de prémios, dos quais 900 mil euros, associados a dois Prémios de Assiduidade, os quais mais se consubstanciavam numa componente fixa da remuneração auferida do que a um prémio.

Vejam o detalhe na seguinte tabela:



Mas que subsídios são estes? Comecemos pelo primeiro, o Subsídio de Agente Único. Segundo o Tribunal de Contas:

De acordo com as alegações prestadas pelo Presidente do CG do Metropolitano de Lisboa, o presente subsídio teve a sua origem em 1995 em consequência da redução da tripulação dos comboios a apenas um agente, implicando, assim, a extinção da categoria funcional do Factor. Desta forma, a Empresa pretendeu com a criação daquele subsídio, abonar os Maquinistas por assumirem na íntegra as funções antes atribuídas ao Factor.

Mas que raio era o Factor? Segundo o artigo do Correio da Manhã acima, era o responsável pela abertura e fecho das portas. Ou seja, os maquinistas, por abrirem e fecharem as portas, receberam mais 1.2 milhões de euros em 2007... Os outros subsídios seguem exactamente a mesma lógica, de fazer corar qualquer português, sobretudo aqueles que ganham uma miséria...

E perante esta fartazana, seria de esperar que eles seriam colaboradores aplicados. O Zé Povinho sabe que não, mas o Tribunal de Contas confirma:

É de sublinhar que não existe evidência de que todos estes benefícios atribuídos tenham surtido quaisquer impactos ao nível da diminuição da Taxa de Absentismo, a qual rondava, em 2007, os 8%, mostrando alguma rigidez face às taxas observadas entre 2003 e 2006. O Metropolitano depara-se com consideráveis taxas de absentismo, nomeadamente do pessoal afecto às estações (agentes de tráfego e operadores de linha), as quais apresentavam maior agravamento nas linhas azul e amarela, 12,66% e 15,45%, respectivamente e, ainda, ao nível da operação (maquinistas) que intervalaram, naquele ano, entre os 6,52% e os 9,37%.

Aquela ideia de que são as administrações das empresas a causar estes prejuízos é apenas a ponta do icebergue. Mas não são esses os únicos portugueses de primeira, de que os jornais tanto gostam de falar...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Nível do mar desde a Idade Média

Como os leitores habituais bem sabem, sou um grande adepto da História. Nest post referencio um artigo de Helena Maria Granja, intitulado Reconstituição Paleoambiental da Zona Costeira, a Norte da Laguna de Aveiro, desde a Idade Média até à Actualidade. Como o título sugere, são referenciados aspectos importantes da costa da zona norte de Portugal, incluindo os avanços e recuos da costa, ao longo dos últimos séculos. Escrito há pouco menos de 10 anos, o artigo ainda não enferma da pseudo-ciência do Aquecimento Global. Leiam para perceber como há indícios de que o nível do mar estava mais elevado há umas centenas de anos:

Na costa portuguesa, a partir do século XI as salinas proliferam, atingindo o auge no século XII (Almeida, 1979), o que corresponde ao período anterior ao do suposto agravamento das condições climatéricas (a seguir a 1300 dá-se um arrefecimento abrupto, ao qual corresponde um período de fome na Europa; os séculos XIV-XV terão sido de muita humidade, com propagação de inúmeras doenças, Lamb, 1995). De facto, sobre os depósitos lagunares anteriormente referidos, sobrepõem-se outros que indicam a existência de ambientes de praia, o que implicaria uma pequena subida do nível do mar. As salinas de xisto, da zona entre os rios Neiva e Cávado, assentam num leito de areia grossa à mistura com seixos miúdos (S. Bartolomeu-Belinho), estando cobertas por uma duna de razoáveis proporções (Almeida, 1979). A base destas salinas (Foz do Neiva, Belinho e S. Bartolomeu do Mar) está a uma cota de cerca de 3.0m em relação ao nível médio das águas do mar, o que poderia implicar uma posição deste acima do actual, apesar daquele autor admitir a condução da água do mar através de um canal de 50m de comprimento, embora não o tenha encontrado.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

The Cloud Mystery

No post da passada sexta-feira referi-me ao documentário "The Cloud Mystery". Um leitor escreveu-me referenciando quanto havia ficado fascinado com tal documentário. E que eu lhe deveria dar mais destaque, porque poderá passar despercebido a outros leitores do blog. E tem razão! Por isso, este post é dedicado directamente ao documentário, que retrata o esforço de Henrik Svensmark, contra todas as adversidades, em analisar do ponto de vista científico, a correlacção significativa entre a evolução das temperaturas no nosso planeta, e a quantidade de raios cósmicos com que somos bombardeados todos os dias...

sábado, 23 de julho de 2011

Cristo, tende piedade deles

Um leitor enviou-me esta referência do alarmista Público, onde fui ver o que se passava. O artigo versava sobre a opinião da ONU, que considera o clima uma ameaça à paz mundial. Mais nonsense da silly season pensei eu; mas deu-me para fixar a imagem que acompanha a notícia, vista doutro ângulo neste post, e ficar a pensar onde já a tinha visto...

Na verdade percebe-se logo que alguém tenta assustar com a subida dos mares. Mas, nos meus conhecimentos de Geografia, reconheci que havia um problema com Taj Mahal. Mentalmente, reconhecia que o monumento fica no centro da Índia, e depois de visitar a página do Wikipedia, confirmei tal facto. Fica a cerca de 800 Km do oceano mais perto. E está a 171 metros de altitude, muito acima de qualquer possibilidade de ser inundada, dado que o degelo de TODO o gelo do Mundo levaria a uma subida máxima inferior a 70 metros!

Fui à procura dos prevaricadores e rapidamente verifiquei que a graça foi da Greenpeace, na passada conferência do clima, em Cancún. Os estúpidos, porque não têm outro nome, juntaram mais uns monumentos, incluindo o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Os pés do Cristo estão a 709 metros de altitude, pelo que o nível do mar teria que subir aí uns 730 metros para ficar ao nível da figura. Uma ordem de magnitude superior ao máximo possível!

É triste ver pessoas e jornalistas, que não fazem a menor ideia das coisas, a dar voz a este alarmismo estúpido. Algo a que a Helena Geraldes e o Público já muito nos habituaram. Mas temos apenas que ter pena deles; afinal, a estupidez não tem limites!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A voz do cepticismo

Christine Rice é uma meio-soprano, mas uma física de formação. Via Biased BBC, descobrimos que ela foi entrevistada na BBC Radio 4. Num momento da entrevista, averigua-se sobre o seu passado no âmbito do Aquecimento Global, mas com uma resposta destas, qualquer alarmista da BBC fugia do tema, como o Diabo foge da cruz:

I was amazed really by the inadequacy of what we had, because we're talking about climate change which is over tens of thousands of years as opposed to the twenty years of data that we had. So in a way we were putting out a lot of ideas and not really having concrete scientific research to support it, and I suppose at that point I did lose a little bit of my spark, thinking well I could propose an idea and I could probably draft a thesis that would support it and yet I wouldn't really convince myself necessarily.

Christine Rice on Woman"s Hour (mp3)

É engraçado verificar que estas opiniões dela nem são uma novidade! Numa entrevista à Physics World de Janeiro de 2009, já ela afirmara:

I started a DPhil in the atmospheric physics department at Oxford because I had some idealistic notion of contributing to the world’s knowledge of global warming and its potential dangers. I was rather dismayed to discover how fervently scientists on both sides of the climate-change argument could argue their particular thesis and manipulate the data to prove their conclusions. It seemed a little like religious faith — if you believed a thing to be true, then it could be — and I got the distinct impression that I was about to embark on the same process. Once I got stuck into being at the computer every day, I knew this was not the right place for me.

São afirmações corajosas, mas interessantes numa semana em que se vem a saber que o CERN colocou uma rolha na boca dos seus cientistas, justamente no domínio da investigação que Rice perseguia. Aproveito também para referenciar um vídeo, The Cloud Mystery, enviada por uma leitora atenta, e que aborda igualmente o tema, seguindo o trabalho de Henrik Svensmark. Aos raios cósmicos já nos havíamos referido anteriormente, mais que uma vez... As peças começam a encaixar! A ideia de que existe um consenso científico nesta matéria do Aquecimento Global, definitivamente desapareceu...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Two hours later in Rio

The second Portuguese spoken site where Al Gore will present Climate Reality is Rio de Janeiro, two hours after Cape Verde. Rio de Janeiro, the marvelous city, is known for many reasons. Environmentalists know it for the Earth Summit in 1992. Corcovado, with Christ the Redeemer on its top, samba, the beautiful beaches and Brazilian women, is what the rest of us associate first with Rio.

Al Gore also mentions the 50 kilometers of beaches. When he says that, it's implicit that the beaches will be gone with Global Warming. Al Gore should be aware though that the beaches that surround Rio de Janeiro have a history. Copacabana, probably the best known beach in the world, was one of many artificially filled. In the sixties, LNEC was chosen for its enlargement. In the first figure below, you can see how it looked before the intervention. The second picture shows the beach after the intervention. Please notice that not only the beach is bigger, but also the large avenue was introduced. Unlike today, where computer models typically fail, the intervention was done in those days by physical models, with the third picture below depicting the Copacabana model used by LNEC.



Al Gore also claims that Rio de Janeiro experiences extreme flooding and landslides roughly every 20 years. But this is not true. It really occurs every year; indeed, in this Watts Up With That post, earlier this year, Alexandre Aguiar from METSUL, goes back until 1756, and documents a lot of those tragedies. While earlier this year precipitation measured 300 millimeters (12 inches) of rain in just 24 hours, in 1883, on April 26th, 223 millimeters (9 inches) fell in just four hours! Was there Global Warming back then, Mr. Gore? As Aguiar clearly states, it's not Global Warming nor Climate Change the responsible for these annual tragedies; it's human occupation of the land and ridiculous urban planning.

There is expectation that the Gore effect might kick in Rio de Janeiro as well! The rains are not typical of September. The Winter is finishing there, and this has been a very cold season in South America. Evidence is everywhere:
Now, it is more probable that Rio de Janeiro authorities resort to their secret weapon. The Cacique Cobra Coral Foundation claims to control the weather... Its power, and that of hers leader, medium Adelaide Scritori, is so great that last year, the arrangement between said Foundation and the Municipality of Rio terminated at the end of February. One week later, a storm caused six deaths, and the Mayor Eduardo Paes quickly arranged for an extension of the arrangement... So Mr. Gore, if I were you, I would arrange for Scritori's services. You might even control Earth's climate with her, but beware: she only apparently arranges for good weather!