segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Onde pára o estudo da APREN?

Logo pela manhã li o artigo do Público, que aqui se mostra ao lado (clicar para ler melhor). Obviamente, um estudo "encomendado", como o Espectador interessado referenciava ao início da tarde... Ainda esperei pelo final da tarde, depois da apresentação pública do estudo, e do respectivo Cocktail, pago já sabem por quem, mas nada. No site da APREN nada feito, no da Roland Berger idem, porque como é fácil perceber, as contas só podem estar engatadas...

É claro que no artigo da manhã do alarmista Público, ao menos podemos ver a ponta do iceberg. É claro que as contas foram ajustadas, como as seguintes citações o demonstram (realces da minha responsabilidade):

O que a nova análise faz é calcular de forma diferente alguns benefícios e custos associados à produção eléctrica, com base numa “visão económica ajustada”. Em primeiro lugar, associa à factura das grandes hídricas e das centrais térmicas várias despesas que não têm sido contabilizadas como tal por estarem desligadas do mercado grossista de electricidade, mas que se refl ectem na factura paga pelos portugueses. Neste primeiro “bolo” estão as rendas pagas aos proprietários dos terrenos das centrais e as licenças de CO2 ligadas à emissão de gases poluentes pelas térmicas, mas sobretudo a remuneração garantida que é paga aos produtores em regime ordinário.
(...)
Ora, a nova avaliação apresentada pela Apren subtrai às despesas com as renováveis o pagamento obrigatório aos municípios de uma renda (2,5% da facturação) pelas centrais eólicas, uma vez que os benefi ciários são as autarquias. Calcula também o impacto positivo das perdas de energia que se evitam no transporte de energia renovável através da rede, pois a distância percorrida é menor. Em terceiro lugar, contabiliza o chamado “efeito de ordem de mérito”: a redução do preço da electricidade no mercado, devido ao aumento da oferta de energia que vem de fora, com origem na produção renovável. E, por último, as contrapartidas que foram pagas pelos produtores ao Estado, nos últimos concursos de atribuição de potência.

Ou seja, cheira-me que vou ter que re-apreender como se soma e subtrai! Mas o que me cheira mais forte é que este estudo não veja a luz do dia, e se fique pelos chavões. Se algum dos leitores lhe deitar a mão, não deixe de mo encaminhar...

Co-geração

No Espectador Interessado saiu na passada semana um post referenciando um artigo no Público de José Delgado Domingos, sobre a problemática da co-geração. O artigo está disponível na imagem ao lado, que é legível depois de um clique. O mesmo artigo, descobri-o depois, está transcrito nesta entrada do portal NovaEnergia.

O problema da co-geração é um problema grave no contexto da geração da energia eléctrica em Portugal, e a ele nos havíamos referido anteriormente, notavelmente neste post sobre a Semapa. Esta foi a empresa neste domínio mais prejudicada pela chegada da Troika, porque tem sido a que mais dinheiro tem extorquido, que somou o equivalente a mais de 5 euros, a cada Português, em 2010! Mas segundo o calendário da própria Troika, este e outros problemas, enquadrados no âmbito dos Custos de Interesse Económico Geral, terão que ser atacados até ao final do ano. Não deverá faltar muito para haver novidades neste domínio...

sábado, 24 de setembro de 2011

Ciclistas assassinos

Hoje tropecei numa notícia que os Media não propagam. O lápis azul ecologista não nos deixa ter conhecimento delas. Oocrreu há mais de dois meses, em Toronto, no Canadá. Numa rua de sentido único, um ciclista seguia no sentido proibido. Atropelou uma mulher de 56 anos, que fracturou o crânio, mas felizmente não morreu. O ciclista pagou uma multa de 400 dólares canadianos, mas quase provocou uma morte. Enfim, relatos posteriores dão conta de contínuas transgressões no mesmo local... E uma pesquisa de 30 segundos no google revela que há mortes em abundância 1 2 3. Mas pior é constatar que, só no Reino Unido, entre 1998 e 2007, 29 pessoas morreram atropeladas por ciclistas!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Alterações Climáticas são um segredo nacional!

Um leitor interessado enviou-me um link para uma notícia da Federação dos Cientistas Americanos de hoje. Ela é relativa a um pedido de FOIA à CIA, sobre as actividades do seu Centro das Alterações Climáticas e Segurança Nacional. Na resposta dada, a CIA considera que toda a informação desse Centro, contida em documentos com mais de cinco páginas, é secreta!

Se a informação que a CIA tem sobre as Alterações Climáticas é secreta, só podemos aqui imaginar porquê... Porque se o segredo é sobre a subida dos mares, então a Miss Rhode Island 2006 já divulgou tudo no outro dia. Se é sobre o impacto que os extra-terrestes possam ter no clima da Terra, também isso já foi divulgado... Se fosse qualquer coisa de alarmista, acreditem que já ouvimos falar dela!

Ou talvez então eles, a CIA, tenham finalmente descoberto o segredo: que isto das Alterações Climáticas são uma fraude! Ora aí está um segredo nacional que interessa preservar... Como poderia o Al Gore perdoar ao seu amigo Obama tal revelação? Como poderia a Miss Rhode Island 2006 voltar a dar a cara? O que seria feito dos nobres cientistas da NASA? Enfim, razões muito fortes para que as Alterações Climáticas sejam um grande segredo!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Toca a acordar

No mesmo suplemento do Diário Económico a que nos referimos aqui, vem um artigo muito interessante sobre as queixas que o ruído das eólicas origina, e que provoca mesmo a paragem dos parques eólicos, como antecipadamente havíamos referido neste post emblemático. A jornalista Raquel Carvalho começa o artigo todavia com outro caso:

A empresa de electricidade EDA (Electricidade dos Açores) viu-se obrigada a desmantelar o parque eólico na Lomba dos Frades, na ilha do Faial, nos Açores e construir um novo mais longe das habitações. Tudo porque a população resolveu bater o pé e queixar-se do ruído. Inicialmente a reinvindicação obrigou a EDA a desligar o parque todos os dias entre as duas e as sete da manhã. Mas a viabilidade da estrutura acabou por ficar em causa e a empresa decidiu retirar os aerogeradores e aproveitá-los para ampliar os parques nas ilhas do Pico, Graciosa e Santa Maria, situados longe de habitações.
Já no Faial foi decidido construir-se um novo parque na freguesia do Salão, com maior produção que o actual e localizado num sítio que não prejudique a população.

Depois de referenciar o caso de Torres Vedras, Francisco Ferreira, vice-presidente da Quercus, refere mais alguns casos:

Francisco Ferreira relata ainda a mobilização das populações que vivem perto de três moinhos eólicos junto ao Pico, Alto, sítio da freguesia de Messines, do Parque Eólico de Silves, na aldeia de Gandromar, na Serra da Lousã, e na aldeia de Chãos, situado perto do Parque Eólico da Serra dos Candeeiros, em Rio Maior. Se neste último caso, a luta da população ainda não teve frutos, nos outros, foi decidida a paragem dos parques durante a noite.

O primeiro caso também conhecia, pela publicação desta carta de um dos afectados. Os restantes dois não conhecia. Mas não há como dar-lhes voz. No primeiro caso, Gandromar, não encontrei uma única referência, nem sequer parece existir o local, sendo Gondramaz o que mais se aproxima da mais que certa gralha da jornalista. No caso do Parque Eólico da Serra dos Candeeiros, da leitura da exposição de um professor primário da região, Júlio Ricardo, fica-nos uma ideia clara dos impactos, e o facto da luta ser já antiga.

Por isso, é sempre muito bom saber que as populações começam a acordar. Infelizmente, acontece porque lhes dão conta do sono. Mas é um toca a acordar para todos aqueles que ainda têm receio de afrontar estes interesses instalados!

domingo, 18 de setembro de 2011

Sente-se o pânico...

Na passada quinta-feira, o Diário Económico lançou mais um Suplemento Verde, intitulado "O futuro da economia verde em Portugal". O Diário Económico consegue superar neste momento o alarmista Público, e percebe-se porquê ao folhear as suas páginas: a publicidade verde está por todo o lado... Da leitura dos vários artigos, sente-se o pânico no ar! O pânico da xuxa acabar... Irina Marcelino, no Editorial, mostra porquê:

E as empresas estão na expectativa. Principalmente as do sector eólico. O seu futuro em Portugal poderá estar mesmo dependente, em muitos casos, dos apoios que vão ou não continuar a existir.

Vejamos como é o caso da ENEOP. Vejam como tudo isto é artificial, segundo o próprio Aníbal Fernandes, presidente da ENEOP:

A modalidade de financiamento acordada no contrato assinado em Outubro de 2006 era o 'project finance', sendo que os accionistas só teriam de colocar capitais próprios no montante equivalente entre 15% a 20% do valor do investimento. Foi o que aconteceu no primeiro lote financiado pelo BEI e uma série de bancos comerciais. Como a partir de Dezembro de 2010 não mais foi possível encontrar soluções de financiamento, os accionistas, para evitar que o projecto parasse, substituiram-se aos bancos nesse montante de 500 milhões de euros. (...)
Este esforço que está a ser feito por todos os accionistas está a tornar-se incomportável.

Tal como o Al Gore, a culpa de isto não estar a correr bem é dos cépticos. Vejam bem o último parágrafo do artigo (realces da minha responsabilidade):

Também Aníbal Fernandes confessa os seus receios: "Pela primeira vez vejo uma nuvem negra no horizonte". O responsável acusa ainda os críticos das energias renováveis como caluniadores, defendendo, ao contrário, que se devia "conjugar esforços a todos os níveis para encontrar soluções", já que "este projecto é um contributo líquido para o Estado". E sublinha: "nos últimos anos, este foi um dos poucos sectores industriais que criou emprego em Portugal", estando por isso convicto de que "perdurará o bom senso".

João Carvalho, vice-presidente para o fotovoltaico da Associação Portuguesa da Indústria Solar, resume a coisa da forma óbvia:

No sector solar fotovoltaico a bonificação à tarifa é fundamental. Sem ela, o período de retorno do investimento tornaria estes investimentos pouco interessantes para os promotores.

Resumindo, são como os bébés: tira-se-lhes a xuxa e começam a chorar!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Pró galheiro

Acabou de sair a lista final de organismos públicos a extinguir ou a fundir. Constata-se que uma grande quantidade de organismos que temos vindo aqui a expor, e que não servem para nada, ou grande coisa, vai ser "terminated". Outros vão ser criados, mas ainda não é claro como será. Iremos assistindo... Aqui fica a listinha do meu agrado:
  • Agência Portuguesa do Ambiente
  • Autoridade Florestal Nacional
  • Comissão para as Alterações Climáticas
  • Programa Polis - Programa de Requalificação Urbana e Valorização Ambiental das Cidades
  • Inspecção-Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território
  • Administração da Região Hidrográfica do Alentejo, I. P.
  • Administração da Região Hidrográfica do Algarve, I. P.
  • Administração da Região Hidrográfica do Centro, I. P.
  • Administração da Região Hidrográfica do Norte, I. P.
  • Administração da Região Hidrográfica do Tejo, I. P.
  • Instituto da Água, I. P.
  • Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, I. P.
  • Comité Executivo para as Alterações Climáticas
  • Instituto de Meteorologia, I. P.

Fora da área de intervenção do Ecotretas, saúda-se a extinção de um grande conjunto de inutilidades. Não deixem de consultar a lista completa.