terça-feira, 4 de outubro de 2011

Óculos e Alterações Climáticas

Um leitor enviou-me mais uma notícia, daquelas de bradar aos céus. O alarmismo puro e duro, fundamentado ou não, é o que está a dar! Há décadas que sabemos que nos temos que proteger do Sol, mas agora temos que o fazer por causa das Alterações Climáticas! É o que nos diz o alarmista Público:

Estes perigos são agravados pelas maiores exposições, decorrentes das alterações climáticas, por isso a Protecção Civil até passou a divulgar alertas sobre níveis de radiação UV e seus graus de risco nos vários locais, nota Victor Ágoas, especialista no Instituto de Oftalmologia Dr. Gama Pinto. O Instituto de Meteorologia divulga diariamente mapas de previsão do índice ultravioleta.

O que mais surpreende na não-notícia, é a forma interesseira como os "especialistas" se apresentam. Os óculos deles são bons, mas os dos chineses não... Então, porque é que eles vendem também óculos "Made in China"? Enfim, o Ecotretas é que sabe: foi de férias em Setembro, e não gosta particularmente da praia às horas de maior calor (mais Sol). Façam como eu, dispensem é estes óculos, que só enriquecem aqueles que não interessam!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Comércio de Emissões é Crime contra a Humanidade

Até agora, os esquemas envolvendo as negociatas à volta do comércio de emissões de CO2 eram basicamente crimes financeiros 1 2 3. Agora passaram a ser um crime contra a Humanidade. Há pouco mais de uma semana ficamos a saber que 20 000 Ugandeses tinham sido escorraçados das suas terras, para dar lugar a plantações "verdes", para redimir os pecados carbónicos dos mais ricos do Planeta. O artigo conta mesmo a história de um miúdo de 8 anos queimado até à morte, por querer defender a sua cabana! A empresa inglesa envolvida neste caso é, segundo o artigo do NY Times, a The New Forests Company. A investigação original é da OXFAM, e a leitura do documento que lançou esta realidade para os Media ocidentais é das leituras mais deprimentes com que me deparei até hoje nesta vertente do ecologismo!

Pouco mais de uma semana depois surge a notícia de que 23 agricultores Hondurenhos foram "limpos" para dar lugar às plantações Verdes. Ao abrigo do CDM (Clean Development Mechanism), em Bajo Aguán, no norte das Honduras, esses 23 agricultores foram assasinados, a que se deve somar mais um jornalista e parceiro, segundo este documento que já data de Julho deste ano! Segundo o documento, estas mortes verificaram-se entre Janeiro de 2010 e Março de 2011. Segundo outras notícias, a realidade é ainda mais negra!

Como é que pessoas como o português Barroso ou a verde Hedegaard vão continuar impávidos e serenos, a sancionar estes crimes? Quando é que a Sociedade vai acordar contra estes crimes que se começam a descobrir, e que não serão os últimos? Ainda este Domingo morreu mais um, conforme se pode ver no primeiro vídeo abaixo. Da próxima vez que ouvirem falar das emissões de carbono, lembrem-se que há pessoas a serem assasinadas por causa disso, e que há viúvas e órfãos que ficam para trás para contar a sua história, conforme podem ver no segundo vídeo:

domingo, 2 de outubro de 2011

Desmontando mais o estudo da APREN

O estudo da APREN, efectuado pela Roland Berger, a que nos referimos inicialmente aqui, e no qual metemos o primeiro ferro aqui, tem muitos mais motivos de crítica. O estudo soma valores que lhe são convenientes, e subtrai outros, fazendo o inverso com a concorrência. E esconde muitos outros.

O custo das linhas de alta tensão é um desses exemplos. Elas tiveram que ser implementadas pela REN, para retirar do topo dos montes essa energia verde, poluindo ainda mais as bonitas paisagens das serras portuguesas. Mas para os habitantes locais, alguns deles mesmo sem electricidade, os benefícios foram apenas a poluição visual e sonora... Quem pagou isso? Foram os promotores eólicos? Não! Foram os contribuintes e consumidores... A APREN descontou esse custo? Pois claro que não!

Quanto custam essas linhas? A REN, no seu Plano de Investimentos 2006-2011, descrevia a tarefa de forma simples (todos os realces da minha responsabilidade):

A produção eólica é aquela que irá provocar maior impacto na RNT, não só atendendo ao seu significativo montante absoluto, mas também porque a maior parte do seu potencial se situa em regiões montanhosas do interior com consumos pouco significativos e caracterizadas por redes desenvolvidas para os meios de produção até então existentes. Por conseguinte, está-se perante um alargamento de excesso de produção que é necessário transportar para os centros de consumo.

E quanto é que custa ligar um Parque eolicozinho à rede? São segredos bem guardados, porque não é suposto o Zé Povinho saber. Comecei por um exemplo do Norte do País, daqueles bem perto das grandes cidades, como advoga a APREN e a Roland Berger. No Estudo de Impacte Ambiental da Linha Parque Eólico Alto Minho I-Pedralva a 150kV, podemos ver que os 52 Km de extensão da linha de Alta Tensão, com 125 postes, custaria cerca de 8 milhões de euros, só para chegar à subestação mais próxima! Subestação essa também nova, por certamente mais uns milhões... E esta é apenas uma linha para servir um dos muitos parques eólicos deste País!

Não foi preciso procurar muito para obter outras verdades nesta história deprimente. Da mesma REN, numa apresentação na Argentina, temos muitas coisas engraçadas no domínio eólico. Para este post destaco o seguinte extracto, que exemplifica como foi necessário esturricar ainda mais dinheiro nisto das eólicas:

Os novos centros produtores eólicos e hídricos previstos situam-se, na sua larga maioria, no interior norte e centro do País, em zonas montanhosas onde os consumos eléctricos são pouco significativos e onde a rede de transporte de electricidade não se encontra muito desenvolvida. Tornava-se pois imperativo escoar os elevados montantes das zonas interiores excedentárias em geração, para as zonas de maior consumo situadas no litoral. A rede de transporte existente não se mostrava minimamente adequada para fazer face às novas exigências pelo que foi necessário estabelecer uma estratégia para o seu reforço.

Mais abaixo, no mesmo documento, mais algum detalhe:

As zonas interiores do País onde se situa o potencial eólico tinham uma fraca estrutura de rede de MAT. Os únicos níveis de tensão aí disponíveis eram os 150 kV ou os 220 kV, não se mostrando suficientes para receber e escoar os novos montantes de potência. A decisão de reforço da rede ou se centrava no reforço destes níveis de tensão ou na opção por um escalão de tensão mais elevado. A escolha recaiu sobre esta última hipótese, por ser mais flexível e potenciada para fazer face às incertezas ainda existentes de localização e de montantes reais a serem instalados.

Ainda não estão convencidos da falsidade dos argumentos da APREN e Roland Berger? Pode-se argumentar que as barragens também estão longe, e isso é verdade! E as outras formas de energia? As restantes estão genericamente próximas dos grandes consumidores. No primeiro documento da REN acima, a resposta é clara, neste caso para o exemplo da cogeração:

Para além destes factores é ainda de assinalar que, na larga maioria das vezes, a cogeração se situa em zonas urbanas e/ou industrializadas onde a RNT tem, normalmente, uma estrutura bastante desenvolvida e, por conseguinte, com menores dificuldades de recepção por parte das redes de transporte e distribuição.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O Homem, esse pulha

Só hoje me avisaram de um artigo do Henrique Raposo no Expresso de ontem. O cepticismo começa a chegar aos opinion-makers e isso não é bom para a Religião Verde! Isso é claramente visível nos comentários dos acólitos ao artigo. Mas o que aqui interessa é transcrever as afirmações corajosas do Henrique:

Um amigo mui verde dizia há dias: "tu não respeitas o consenso científico em redor do aquecimento global". Não, nada disso. O meu problema não está no tal consenso científico. O meu problema está na linguagem agressiva e intolerante do ambientalismo, nomeadamente de muitos cientistas-ativistas. O meu problema está nessa estranha fusão entre ciência e ativismo. Certa vez, ouvi ao vivo um cientista a dizer o seguinte: "como é que alguém pode por em causa a tese do aquecimento global provocado pelo Homem?". E este excelso senhor, com phd e tudo, dizia aquilo com um ar de nojo, um ar de indignação moral. Ou seja, aquele cientista comportou-se de forma anti-científica, pois transformou uma questão técnica numa questão moral, transformou uma hipótese num dogma. A ciência moderna fez-se - precisamente - contra aqueles que estavam sempre a dizer "como é que se pode pôr isto em causa, meu Deus?".

A teoria tem demasiados buracos, mas o meu problema nem é esse. O meu problema está na obsessão do ambientalismo com o Homem. O Homem é sempre a ameaça. O Homem ou a Humanidade (sempre com o peso da maiúscula) é a sarna do mundo. Em Tópicos para uma Catástrofe, Elizabeth Kolbert é bem clara neste ponto: a terra, diz-nos a autora, entrou numa fase chamada "Antropoceno", uma nova era que se define pelo facto de uma criatura - o Homem - ser tão poderosa que pode alterar o planeta a uma escala geológica. Ora, este é o velho antropocentrismo do pensamento ultra-racionalista. Nos séculos XVII e XVIII, este antropocentrismo emergiu no chamado iluminismo. Nessa altura, dizia-se que o Homem era tão poderoso que podia controlar a natureza em seu benefício, de forma positiva. O Homem era o centro do mundo e podia fazer tudo, porque a sua acção só podia ser benigna. Séculos depois, este ambientalismo é o herdeiro directo dessa mentalidade. Mudou de cor? Sim. A utopia tecnológica deu lugar à distopia ambiental? Sim. Mas a maneira de pensar é a mesma: o Homem está no centro de tudo. O Homem santo do iluminismo deu lugar ao Homem pulha do ambientalismo, mas o Homem continua a ser a causa de tudo. É por isso que - como dizem vários cientistas não-ativistas - os vulcões e as variações do Sol ficam de fora dos modelos climatéricos do costume. Um pouco estranho, não? É por isso que que as vanguardas do ambientalismo procuram explicações antropocêntricas para fenómenos naturais como o tsunami do Japão. Como não toleram a existência de forças superiores ao Homem, como não toleram uma natureza superior ao Homem, estas vanguardas verdes acham que os atos da natureza só podem ser efeitos de uma causa humana. Um pouco anti-científico, não?

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Ferros na APREN

É impressionante o pânico que se sente nas renováveis! Depois do exemplo que referi há quase duas semanas, seguiu-se a APREN, que mais não fez do que tentar defender a sua dama. Deu para perceber pelo que foi revelado pela Imprensa, que mais tretas vinham aí!

Não me enganei! Vários leitores comunicaram-me que a APREN tinha disponibilizado o estudo Sumário Executivo. Versão já corrigida, como se pode ver pelo URL... Depois de o ler na íntegra, a vontade era a de vomitar... Seja pelas mentiras, meias-verdades, ou omissões! Quase tudo já foi rebatido aqui no blog, mas há novidades! Como a das eólicas serem boas porque evitam perdas na rede de transporte (tenho que mentalmente me recordar para no futuro malhar neste argumento)!

Das muitas verdades que o estudo foge, como o Diabo foge da cruz, a maior é obviamente a das tarifas feed-in. Começam logo por varrer o problema para debaixo do tapete, no início do documento, e se repararem, no resto do documento só é referido, de forma insignificante, mais duas vezes:

As tarifas feed-in (FIT) da PRE-FER em Portugal são competitivas em comparação com as dos países europeus analisados neste Estudo, nomeadamente Espanha, Alemanha, Itália e França. Em 2010, o valor médio das tarifas da PRE-FER em Portugal situou-se 15% abaixo da média dos países Europeus e a actual FIT aplicada à energia eólica, para os projectos instalados a partir de 2009 (70 €/MWh), apresenta-se igualmente como a mais baixa.

Se olharmos para as actuais tarifas feed-in, podemos ver que dos quatro países referenciados, apenas a Itália está suficientemente longe. Mas, o problema como sabemos, nem sequer é das tarifas para os projectos novos, que continuam todavia claramente acima do valor de mercado. O problema é a herança do querido Líder! Que associou por muitos e longos anos tarifas elevadíssimas ao pioneirismo português na matéria. Vejam como as tarifas eram há quatro anos atrás, descritas neste estudo europeu:


Cliquem para ver melhor e confirmar que estavamos claramente no pelotão da frente da roubalheira eólica, e novamente à frente de Espanha, Alemanha e França! Por isso, quando a APREN nos acena com os 70 €/MWh, sabe que nos está a esconder a herança do passado. E não é preciso ir muito longe, para provar não só que o valor não está a descer, como está mesmo a subir!

No site da ERSE podemos ver a mais recente Informação Sobre Produção em Regime Especial, que incorpora os dados actualizados a Julho de 2011. Na página 12 do PDF podemos constatar que o custo médio da energia eólica, para este ano era de 95.4 €/MWh em Julho, o valor mais elevado de sempre, conforme podem ver na página 5 do mesmo documento! Pior é ainda constatar que este valor está a subir, como se pode ver pelo valor de 93.8 €/MWh para Abril e 94.0 €/MWh para Maio...

Enfim, é mais um ferro neste touro das energias alternativas em Portugal, e das eólicas em particular. Bruno Camona, na Luz Ligada, já havia ontem espetado um ferro. A estocada segue dentro de momentos! Eh touro!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Vinho do Porto com mais CO2

No âmbito de uma investigação que ando a fazer, tropecei nuns estudos, liderados pelo investigador José Moutinho Pereira, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Ele tem andado a investigar o que acontece às videiras e ao Vinho do Porto, quando as concentrações de CO2 sobem. Todos os leitores do Ecotretas já saberão a resposta, mas quem ainda não imaginar deve ler primeiro este post. Quem quiser ver a coisa de um ponto de vista animado, não percam o vídeo neste post do blog para um mundo livre. Enfim, uma investigação da treta, que não seria necessária, não fosse a Religião do Aquecimento Global nos estar sempre a querer assustar!

Eu comecei por tropeçar num artigo de 2009, Effects of elevated CO2 on grapevine (Vitis vinifera L.): Physiological and yield attributes. Nele, Moutinho et al. descrevem como se comportam as videiras num ambiente normal, e noutro enriquecido com níveis de CO2 de 550ppm. As experiências decorreram entre 2004 e 2006, sendo que os resultados são particularmente conclusivos (todos os realces da minha responsabilidade):

The elevated [CO2] concentration increased net photosynthetic rate (A), intrinsic water use efficiency (A/gs), leaf thickness, Mg concentration, C/N, K/N and Mg/N ratios and decreased stomatal density and N concentration. Nevertheless, stomatal conductance (gs), transpiration rate (E), photochemical efficiency (Fv/Fm), leaf water potential, SPAD-values and Red/Far-red ratio transmitted by leaves were not significantly affected by [CO2]. Meanwhile, there is no evidence for downward acclimation of photosynthesis and stomatal conductance. Yield, cluster weight and vigour showed an increase in elevated [CO2] treatment but yield to pruning mass ratio was unaffected.

Depois de descobrir esta pérola, descobri outro artigo, este mais apropriado para enólogos. Intitulado "Effects of Elevated CO2 on Grapevine (Vitis vinifera L.): Volatile Composition, Phenolic Content, and in Vitro Antioxidant Activity of Red Wine", enumera uma série de aspectos químicos, antes de dar a machadada final nos alarmistas:

This study showed that the predicted rise in [CO2] did not produce negative effects on the quality of grapes and red wine. Although some of the compounds were slightly affected, the red wine quality remained almost unaffected.

Ciência à Al Gore

Como os leitores sabem, muito raramente duplico aqui as notícias do Anthony Watts, do seu magnífico Watts Up With That? Todavia, o seu post de hoje é absolutamente surpreendente, e mostra como Al Gore manipulou de forma repetidamente fraudulenta, um dos vídeos em que propangandeou o Aquecimento Global, no seu evento de há duas semanas atrás. Em causa está sobretudo a secção entre 1:00 e 1:20 do vídeo abaixo, de qualidade HD, em que se "demonstra" as bases da ciência do Aquecimento Global. O artigo do Watts é de uma leitura longa, mas essencial para perceber a fraude desta Religião!