quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Mais um ano...

Faz hoje quatro anos que fiz o primeiro post do Ecotretas. Desde então para cá, mais de 1340 postas depois, o ritmo de tretas tem aumentado a um ritmo assustador! O mais difícil, da minha parte, é não conseguir expor todas estas tretas aqui. É não conseguir dar destaque a todas as referências que me são enviadas por correio electrónico. Mas o tempo disponível para este projecto é muito limitado. Por isso, peço desculpa!

Ainda assim, a quantidade de visitantes tem continuado a subir de forma consistente! São cerca de 1000 páginas vistas por dia, maioritariamente de Portugal, mas também muitos do Brasil! Há também visitantes estrangeiros, especialmente aquando de posts em Inglês. Posts como o de Horngate, o segundo post mais visto deste ano de 2011. Estas estatísticas dão-me alento, e demonstram o maior interesse da Sociedade em conhecer os barretes que os ecologistas nos tentam enfiar. Juntos, convosco, eles não vão conseguir!

Aliás, nós Portugueses somos afinal os mais cépticos da Europa nesta questão das Alterações Climáticas, conforme pode ser visto nestes dados do Eurobarómetro da semana passada. Abaixo, na primeira imagem, nós os Portugueses somos claramente, dos Europeus, aqueles que menos acreditam que as Alterações Climáticas são o problema mais sério que o Mundo enfrenta... Na segunda imagem, os Portugueses conscientes da fraude imposta por Socras e seus muchachos, são os Europeus que definitivamente menos acreditam que em 2050 haverá mais energia eólica e solar! O Ecotretas não reinvindica este cepticismo, mas está feliz por estarmos ao menos maioritariamente acordados...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Doutrina Verde para as nossas crianças

Ramiro Marques, no seu ProfBlog, tem realçado por diversas vezes o escândalo do endoutrinamento das nossas crianças, à Religião Verde. Já por diversas vezes o referi aqui também, embora o problema não seja exclusivamente nacional, como este recente post o demonstra.

Numas pesquisas simples no GAVE, facilmente se percebe o alcance deste endoutrinamento. Embora em disciplinas como a Física e a Química não surpreenda, já o aparecimento em disciplinas como a Matemática e o Português é muito mais discutível...

Mas, o Ministério da Educação consegue-se superar nisto da Religião. Nada como apontar o exemplo da Quercus num banco de questões de Matemática. Só falta mesmo perguntar quanto é que se teria que pagar em quotas, para obter uma absolvição de uma organização, que produziu um dos vídeos mais asquerosos de todos os movimentos ambientalistas mundiais!

Os exemplos são mais que muitos! Neste exame nacional de Física e Química de 2007, lá está na pergunta 2 o endoutrinamento, sem qualquer enquadramento com as perguntas subsequentes. Neste exemplo de 2002, em Introdução ao Desenvolvimento Económico e Social, vemos na Figura 3 um gráfico falhado. Daqui a umas décadas, quem fez este exame vai-se sentir defraudado!

Mas como de pequenino é que se torce o pepino, a minha preferida continua a ser o exemplo da energia das ondas, que referi neste post. Na altura, havia equacionado a preciosidade de perguntar a alunos do 2.º Ciclo do Ensino Básico o que era "electricidade limpa e renovável". Agora descobri a resposta correcta:

«limpa» quer dizer que não liberta dióxido de carbono / não liberta o gás que provoca o aquecimento global / não polui

sábado, 8 de outubro de 2011

Mais mentiras da APREN

O estudo da APREN e da Roland Berger continua a dar que falar! Ontem, no Luz Ligada, ficamos a saber que este estudo foi financiado por um obscuro Fundo de Apoio à Inovação Energias Renováveis (FAI), dotado de 76 milhões de euros, 278 368 euros dos quais foram esturrados neste estudo!

Por falar em custos, a APREN como já referi, enuncia o sobrecusto numa base média, entre os anos de 2005 e 2010. Coloca o valor do sobrecusto em 329 milhões, escondendo efectivamente os valores recentes do sobrecusto com os valores mais baixos do início desse período.

Como a APREN e a Roland Berger não divulgam como chegaram a esse número, ocorreu-me que há uma forma simples de verificar quanto custará ao bolso dos Portugueses a aposta nas renováveis. Segundo o estudo, para sobrecustos das renováveis de 329M€, 228M€ e 111M€, há um sobrecusto na factura mensal média dos consumidores de 5.50€, 3.80€ e 1.90€, respectivamente. Tal traduz-se facilmente através da seguinte fórmula:

SOBRECUSTO_FACTURA =(SOBRECUSTO_RENOVÁVEIS x 0.0165) + 0.0579

Reparem que a fórmula está efectuada para o fornecimento dos valores de SOBRECUSTO_RENOVÁVEIS em milhões de euros/ano, enquanto o SOBRECUSTO_FACTURA resulta em euros/mês. Assim sendo, podemos ver o que esperar a mais na factura mensal da electricidade, baseado em dados recolhidos durante este ano de 2011:

AutorMontante
Sobrecusto
Montante
Factura
ERSE - Custos de política energética, ambiental ou de interesse económico geral 20112406 M€39.76 €
ERSE - Sobrecusto PRE 20111214 M€20.09 €
ERSE - Sobrecusto PRE 2010805 M€13.34 €
Ecotretas - Previsão Sobrecusto Renováveis 2011580 M€9.63 €
EDP - Sobrecusto Renováveis 2011509 M€8.46 €
APREN - Económico329 M€5.50 €
APREN - Ajustado228 M€3.80 €
APREN - Actual111 M€1.90 €

Os valores das primeiras três linhas, da ERSE, incluem os sobrecustos da PRE, que inclui sobrecustos em vertentes para além das renováveis, incluindo nomeadamente a cogeração e CMEC, entre outros. É confrangedor olhar para a minha factura eléctrica de Setembro e verificar que a diferença entre a estimativa do CIEG e o valor que efectivamente paguei, é inferior a 80 cêntimos!!!

As restantes linhas, que incluem a previsão do Ecotretas, estão nas linhas seguintes. Elas incluem apenas o sobrecusto das eólicas e solar. O quadro dá facilmente para perceber como a APREN e a Roland Berger nos querem enganar! Como se sentirão os participantes do focus-group, quando souberem que vão pagar quase 10 euros por mês para as renováveis? É que segundo a própria APREN e Roland Berger, as conclusões são claras (realces da minha responsabilidade):

As conclusões do Focus Group revelaram que o consumidor português é favorável e apoia a aposta do País nas energias renováveis, sentindo um elevado orgulho nesta opção e mostrando disponibilidade para pagar um custo adicional de 2 €/mês para financiar estas fontes de energia, desde que seja de uma forma clara e transparente.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ferros curtos na APREN

A APREN e a Roland Berger devem admitir que ninguém em Portugal sabe fazer contas, e que estão por isso à vontade para irem vendendo a banha da cobra pelos números que muito bem entenderem. Vem isto obviamente a propósito do estudo que elaboraram sobre os custos e benefícios da electricidade de origem renovável. Apliquei umas bandarilhas e ferros aqui e acolá. Agora vamos a uns curtos...

A APREN não gosta do termo "sobrecusto" e por isso substituiu-o por "diferencial de custos". O sobrecusto anual que a APREN calcula entre 2005 e 2010 (que depois tenta reduzir a um terço) é de 329 milhões de euros. Quando vi este valor, só me apetecia rir, até porque sabemos que os sobrecustos têm vindo a subir exponencialmente, pelo que o valor médio não tem hoje qualquer significado! O valor verdadeiro do ano passado foi efectivamente cerca do dobro! Vai daí, meti mãos à obra para calcular rapidamente os valores provisórios dos primeiros meses deste ano.

Para isso manteve-se como referência o valor de 95.4 €/MWh para a energia eólica, que tinha dado na posta das bandarilhas, confirmados por este documento ainda mais recente da ERSE, e de 340.6 €/MWh para a energia solar. Os valores de produção mensal de energia foram obtidos a partir desta página da REN, enquanto os preços médios foram retirados deste documento da OMEL (primeira tabela da página 39). Para os meses deste ano até Agosto, os valores são:

MêsCusto OMEL
(€/MWh)
Produção Eólica
(GWh)
Produção Solar
(GWh)
Sobrecusto Eólico
(Euros)
Sobrecusto Solar
(Euros)
Janeiro41.2692010498088002993400
Fevereiro47.9180915384194104390350
Março47.3287518420700005279040
Abril46.8570222340821006462500
Maio49.0246426215203207581080
Junho50.6466729298549208408840
Julho51.1588630392055008683500
Agosto53.6058126242858007462000
Total:
590417627924685051260710

Resumindo, nos primeiros oito meses do ano, o sobrecusto com as eólicas e o solar foi de cerca de 330 milhões de euros, curiosamente já ligeiramente superior ao valor da APREN e Roland Berger. Reparem também que o valor do solar já ultrapassou o valor de 2010, o que é função da introdução de cada vez mais potência instalada nesta energia confrangedoramente ineficiente!

Na verdade, o valor que avançamos é certamente o limite inferior do sobrecusto, pois como já referimos diversas vezes, e notavelmente nos gráficos deste post, a maior parte da energia eólica produzida é-o em momentos de baixo custo. Assim sendo, o valor real é certamente bastante superior, como a ERSE certamente confirmará em meados deste mês, e o qual calcularemos de forma exacta no início de 2012.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Óculos e Alterações Climáticas

Um leitor enviou-me mais uma notícia, daquelas de bradar aos céus. O alarmismo puro e duro, fundamentado ou não, é o que está a dar! Há décadas que sabemos que nos temos que proteger do Sol, mas agora temos que o fazer por causa das Alterações Climáticas! É o que nos diz o alarmista Público:

Estes perigos são agravados pelas maiores exposições, decorrentes das alterações climáticas, por isso a Protecção Civil até passou a divulgar alertas sobre níveis de radiação UV e seus graus de risco nos vários locais, nota Victor Ágoas, especialista no Instituto de Oftalmologia Dr. Gama Pinto. O Instituto de Meteorologia divulga diariamente mapas de previsão do índice ultravioleta.

O que mais surpreende na não-notícia, é a forma interesseira como os "especialistas" se apresentam. Os óculos deles são bons, mas os dos chineses não... Então, porque é que eles vendem também óculos "Made in China"? Enfim, o Ecotretas é que sabe: foi de férias em Setembro, e não gosta particularmente da praia às horas de maior calor (mais Sol). Façam como eu, dispensem é estes óculos, que só enriquecem aqueles que não interessam!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Comércio de Emissões é Crime contra a Humanidade

Até agora, os esquemas envolvendo as negociatas à volta do comércio de emissões de CO2 eram basicamente crimes financeiros 1 2 3. Agora passaram a ser um crime contra a Humanidade. Há pouco mais de uma semana ficamos a saber que 20 000 Ugandeses tinham sido escorraçados das suas terras, para dar lugar a plantações "verdes", para redimir os pecados carbónicos dos mais ricos do Planeta. O artigo conta mesmo a história de um miúdo de 8 anos queimado até à morte, por querer defender a sua cabana! A empresa inglesa envolvida neste caso é, segundo o artigo do NY Times, a The New Forests Company. A investigação original é da OXFAM, e a leitura do documento que lançou esta realidade para os Media ocidentais é das leituras mais deprimentes com que me deparei até hoje nesta vertente do ecologismo!

Pouco mais de uma semana depois surge a notícia de que 23 agricultores Hondurenhos foram "limpos" para dar lugar às plantações Verdes. Ao abrigo do CDM (Clean Development Mechanism), em Bajo Aguán, no norte das Honduras, esses 23 agricultores foram assasinados, a que se deve somar mais um jornalista e parceiro, segundo este documento que já data de Julho deste ano! Segundo o documento, estas mortes verificaram-se entre Janeiro de 2010 e Março de 2011. Segundo outras notícias, a realidade é ainda mais negra!

Como é que pessoas como o português Barroso ou a verde Hedegaard vão continuar impávidos e serenos, a sancionar estes crimes? Quando é que a Sociedade vai acordar contra estes crimes que se começam a descobrir, e que não serão os últimos? Ainda este Domingo morreu mais um, conforme se pode ver no primeiro vídeo abaixo. Da próxima vez que ouvirem falar das emissões de carbono, lembrem-se que há pessoas a serem assasinadas por causa disso, e que há viúvas e órfãos que ficam para trás para contar a sua história, conforme podem ver no segundo vídeo:

domingo, 2 de outubro de 2011

Desmontando mais o estudo da APREN

O estudo da APREN, efectuado pela Roland Berger, a que nos referimos inicialmente aqui, e no qual metemos o primeiro ferro aqui, tem muitos mais motivos de crítica. O estudo soma valores que lhe são convenientes, e subtrai outros, fazendo o inverso com a concorrência. E esconde muitos outros.

O custo das linhas de alta tensão é um desses exemplos. Elas tiveram que ser implementadas pela REN, para retirar do topo dos montes essa energia verde, poluindo ainda mais as bonitas paisagens das serras portuguesas. Mas para os habitantes locais, alguns deles mesmo sem electricidade, os benefícios foram apenas a poluição visual e sonora... Quem pagou isso? Foram os promotores eólicos? Não! Foram os contribuintes e consumidores... A APREN descontou esse custo? Pois claro que não!

Quanto custam essas linhas? A REN, no seu Plano de Investimentos 2006-2011, descrevia a tarefa de forma simples (todos os realces da minha responsabilidade):

A produção eólica é aquela que irá provocar maior impacto na RNT, não só atendendo ao seu significativo montante absoluto, mas também porque a maior parte do seu potencial se situa em regiões montanhosas do interior com consumos pouco significativos e caracterizadas por redes desenvolvidas para os meios de produção até então existentes. Por conseguinte, está-se perante um alargamento de excesso de produção que é necessário transportar para os centros de consumo.

E quanto é que custa ligar um Parque eolicozinho à rede? São segredos bem guardados, porque não é suposto o Zé Povinho saber. Comecei por um exemplo do Norte do País, daqueles bem perto das grandes cidades, como advoga a APREN e a Roland Berger. No Estudo de Impacte Ambiental da Linha Parque Eólico Alto Minho I-Pedralva a 150kV, podemos ver que os 52 Km de extensão da linha de Alta Tensão, com 125 postes, custaria cerca de 8 milhões de euros, só para chegar à subestação mais próxima! Subestação essa também nova, por certamente mais uns milhões... E esta é apenas uma linha para servir um dos muitos parques eólicos deste País!

Não foi preciso procurar muito para obter outras verdades nesta história deprimente. Da mesma REN, numa apresentação na Argentina, temos muitas coisas engraçadas no domínio eólico. Para este post destaco o seguinte extracto, que exemplifica como foi necessário esturricar ainda mais dinheiro nisto das eólicas:

Os novos centros produtores eólicos e hídricos previstos situam-se, na sua larga maioria, no interior norte e centro do País, em zonas montanhosas onde os consumos eléctricos são pouco significativos e onde a rede de transporte de electricidade não se encontra muito desenvolvida. Tornava-se pois imperativo escoar os elevados montantes das zonas interiores excedentárias em geração, para as zonas de maior consumo situadas no litoral. A rede de transporte existente não se mostrava minimamente adequada para fazer face às novas exigências pelo que foi necessário estabelecer uma estratégia para o seu reforço.

Mais abaixo, no mesmo documento, mais algum detalhe:

As zonas interiores do País onde se situa o potencial eólico tinham uma fraca estrutura de rede de MAT. Os únicos níveis de tensão aí disponíveis eram os 150 kV ou os 220 kV, não se mostrando suficientes para receber e escoar os novos montantes de potência. A decisão de reforço da rede ou se centrava no reforço destes níveis de tensão ou na opção por um escalão de tensão mais elevado. A escolha recaiu sobre esta última hipótese, por ser mais flexível e potenciada para fazer face às incertezas ainda existentes de localização e de montantes reais a serem instalados.

Ainda não estão convencidos da falsidade dos argumentos da APREN e Roland Berger? Pode-se argumentar que as barragens também estão longe, e isso é verdade! E as outras formas de energia? As restantes estão genericamente próximas dos grandes consumidores. No primeiro documento da REN acima, a resposta é clara, neste caso para o exemplo da cogeração:

Para além destes factores é ainda de assinalar que, na larga maioria das vezes, a cogeração se situa em zonas urbanas e/ou industrializadas onde a RNT tem, normalmente, uma estrutura bastante desenvolvida e, por conseguinte, com menores dificuldades de recepção por parte das redes de transporte e distribuição.