sábado, 15 de outubro de 2011

Windfloat

Windfloat é um termo que, não tardará nada, nauseará os Portugueses prevenidos. O Windfloat é uma turbina eólica off-shore, que foi construída nos estaleiros da Lisnave, em Setúbal. A EDP, no consórcio Windplus, esturrou aparentemente 20 milhões de euros no projecto, o que significa que para cada um dos poucos mais de 6 milhões de consumidores de energia eléctrica em Portugal, houve uma contribuição de mais de 3 euros para o brinquedo! E se isto alguma vez chegar a produzir para a rede eléctrica, mais vale não imaginar os custos que isso terá, conforme o Prof. Pinto de Sá hoje refere!

Uma apresentação do projecto está disponível aqui. Um dos aspectos que salta à vista é o assumir de que para aqueles lados da Aguçadoura não há vento de jeito, conforme já havia referenciado aqui. Para além de produzir pouca energia para custos absolutamente incomportáveis, ainda vão mexer com a economia local, nomeadamente com os pescadores. A comunicação local tem abordado o problema, mas como é habitual nestas coisas "verdes", é preciso ir aos seus templos, para descobrir que haverá uma zona de não acesso de 450 metros em redor (0.64 Km2).

Para ganhar a simpatia dos locais, há que ser todavia mais atrevido. A EDP "promete" que este projecto pode criar 8 mil empregos em Póvoa de Varzim! A lata é tanta que tudo vale: afinal, noutros locais, os 8 mil empregos afinal são para Portugal na sua totalidade. Tudo isto num local onde o sussurro dos motores de pesca é proibido, ou mesmo a aquacultura é proibida! Ou onde o Presidente da Câmara só soube disto depois de cozinhado! E antes que venham reinvindicar que somos pioneiros, ou coisa do género (tipo: vamos ganhar com a internacionalização disto), fiquem sabendo que é a Principle Power que detém uma licença mundial exclusiva para exploração desta tecnologia. A contribuição de nós, portugueses, é pagar o desenvolvimento do protótipo! Enfim, comecem a deixar de lado mais uns euros todos os meses para mais este elefante branco:

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Patetice histórica

Da próxima vez que ouvirem falar que a Ciência está definida nestas questões das Alterações Climáticas, que os cientistas são todos à prova de bala, blábláblá, pensem nesta posta. Via Watts Up With That, recebemos hoje um dos argumentos mais patéticos de que há memória na investigação científica e histórica.

Richard Nevle, um geoquímico da Universidade de Stanford, avançou com a hipótese estúpida de que Cristóvão Colombo, e outros exploradores que se lhe seguiram (presume-se que os Portugueses também foram culpados) desencadearam uma cadeia de eventos, que levaram ao arrefecimento da Europa durante séculos!

Para ele, a conquista das Américas e o dizimar da sua população pelos Espanhóis (parece que os Portugueses afinal já não são culpados...), deixou muita terra por trabalhar, o que permitiu o crescimento das florestas, limpando o CO2 da atmosfera, diminuindo o efeito de estufa e arrefecendo o clima. O estúpido do Nevle adianta que tudo se deveu ao regresso das árvores numa área equivalente pelo menos à da California!

Para mostrar a estupidez deste investigador, mesmo Michael Mann, que sabemos pelo Climategate ser já um dos piores alarmistas, não alinha por este disparate! Ele explica o que todos sabemos da História, relativo à Pequena Idade do Gelo, e que essencialmente resultou do Mínimo de Maunder.

Enfim, é isto a suposta Ciência, que nos enfiam pela goela abaixo? E estes cientistas ainda recebem dinheiros para produzirem esta porcaria? Tem uma agenda escondida, que é uma solução alternativa para o actual problema do Aquecimento Global? E que reforça a teoria da conspiração, de que a solução é matar uns quantos milhares de milhões de seres humanos, para o Aquecimento Global deixar de existir? Pensem nisto! A sério...

Actualização: Acabei de dar os meus parabéns ao Richard pessoalmente! Que continue por muitos e bons anos a escrever estes disparates, para que o pessoal acorde ainda mais depressa!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

As barragens da Biosfera - Parte I

O programa da RTP2, Biosfera, dedicou grande parte da emissão da passada terça-feira às novas barragens que se estão a construir em Portugal, como podem ver no vídeo do fundo deste post. Para quem não sabe, o Biosfera é o programa de referência da Religião Verde em Portugal, mas ultimamente tem-se revelado muito mais realista (como foi o caso deste exemplo), apesar de continuar a dar voz a clérigos líricos da Religião. Ainda assim, os fanáticos da Religião estão furiosos. Vejam os seguintes exemplos, retirados da lista ambio, vociferados por um tal "Antonio Eloy":

Date: Wed, 12 Oct 2011 23:06:53 +0100
E penso que talvez não volte a ver este programa dito de ambiente chamado Bioesfera.
Ver um propagandista da nuclear (o Pinto de Sá) ser o polo central de um chorrilho de disparates e indirecta promoção dos que minam o desenvolvimento de energias renováveis, com um discurso sobre custos sem um mínimo de credibilidade, que é comprado acefalamente pela menina apresentadora (e sobre as barragens o João Joanaz talvez convertido no nuclearista/ecologista também diz umas insanidades), além do discursos sobre comboios ser uma mera elocubração de ficção cientifica.
Julgo que o facto do Bernardino Guimarães ter sido despedido leva este programa ao charco.
Talvez alguma ebergia lhe reste para acabar de vez.
Eu desde logo não mais o verei.
Saudações
António Eloy

Quando uma colega lhe tenta meter algum juízo na cabecinha, o disparate do António continua:

Date: Wed, 12 Oct 2011 23:42:43 +0100
pois não vi argumento nenhum, a não ser uns disparates no ar.
Talvez o facto do Bernardino ter sido despedido tenha conduzido este programa a acefalia.
Não há um único dado que bata certo, o Pinto de Sá (e o passado fala por ele que até bufa) faz umas contas de merceeiro que nem sequer batem certas e a menina assume-as logo de entrada (por os dados serem incompletos e manipulados).
O Joao, infelizmente tropeça no seu proprio enredo, e o rapaz que fala de comboios não sabe o que diz... mas a ficçao cientifica é linda, aqueles bonecos adoráveis
Mas assim não vão a lado nenhum, ou melhor talvez consigam construir as tais três centrais nucleares....
Já não será no meu tempo.
António Eloy

E o disparate continuou hoje de manhã, e provavelmente não vai ficar por aqui:

Date: Thu, 13 Oct 2011 11:07:15 +0100
Basta, basta não considerar os custos marginais para estar tudo errado. E se acrescentar os custos do CO2 ainda mais.
Mas desde logo como viu, ou não reparou quando ele faz a média dos custos da produção em regime especial está a cometer um, mais um erro e manipulação grosseira, além de que considera na linha de textos do meu amigo, pessoa credivel e de merito , Jesus Ferreira esclarecido por mim no último nº do Instalador, custos exagerados para o Kw/h eolico.
Se aumentar 3 centimos altera logo tudo.
Mas o programa é feito para denegrir as energias renováveis, sem qualquer contraditório ( o joão manifestamente está noutra) e acumulando erros, manipulações e tontadas.
Case close.
Façam um programa a sério, e voltem a contratar o Belarmino!
António Eloy

O António e o restante clérigo está zangado porque o Prof. Pinto de Sá foi lá dizer umas verdades inconvenientes. Aliás, algumas das verdades que ele disse foram censuradas, conforme o seu post de hoje revela. Mas, enfim, já foi uma grande lança em África, porque do resto até mete dó! Tudo o resto foi realmente muito mau!

Cerca do minuto 1:00, aparece Joanaz de Melo, em representação da GEOTA, a acenar com um custo de 16 mil milhões. Ena! Pensei que a última vez que ouvira falar de custos das novas barragens, que era um valor inferior. Fui procurar, e tinha efectivamente razão! Há menos de um ano, em Dezembro de 2010, as principais organizações ambientalistas (GEOTA, Quercus, SPEA e outras que tal) anunciavam um custo de 7000 milhões de euros. Tudo muito bem publicitado. Fast-forward para Abril de 2011, e o custo dos ambientalistas já ía em 15 mil milhões. Mais uns meses depois, em Agosto de 2011, as contas já iam em 16 mil milhões!

Olhando brevemente para os documentos, percebemos que eles fizeram as contas a custos de 75 anos! Mas eu também sei fazer contas muito rápidas. Embora saibamos que os custos das renováveis estão a disparar, utilizando os valores do sobrecusto das renováveis de 2010, que foram de 640 milhões de euros, as renováveis no mesmo período custariam 48 mil milhões, ou seja três vezes mais que as barragens! E nem sequer estou a pensar calcular que seria necessário substituí-las aí umas três vezes durante esse período...

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Mais um ano...

Faz hoje quatro anos que fiz o primeiro post do Ecotretas. Desde então para cá, mais de 1340 postas depois, o ritmo de tretas tem aumentado a um ritmo assustador! O mais difícil, da minha parte, é não conseguir expor todas estas tretas aqui. É não conseguir dar destaque a todas as referências que me são enviadas por correio electrónico. Mas o tempo disponível para este projecto é muito limitado. Por isso, peço desculpa!

Ainda assim, a quantidade de visitantes tem continuado a subir de forma consistente! São cerca de 1000 páginas vistas por dia, maioritariamente de Portugal, mas também muitos do Brasil! Há também visitantes estrangeiros, especialmente aquando de posts em Inglês. Posts como o de Horngate, o segundo post mais visto deste ano de 2011. Estas estatísticas dão-me alento, e demonstram o maior interesse da Sociedade em conhecer os barretes que os ecologistas nos tentam enfiar. Juntos, convosco, eles não vão conseguir!

Aliás, nós Portugueses somos afinal os mais cépticos da Europa nesta questão das Alterações Climáticas, conforme pode ser visto nestes dados do Eurobarómetro da semana passada. Abaixo, na primeira imagem, nós os Portugueses somos claramente, dos Europeus, aqueles que menos acreditam que as Alterações Climáticas são o problema mais sério que o Mundo enfrenta... Na segunda imagem, os Portugueses conscientes da fraude imposta por Socras e seus muchachos, são os Europeus que definitivamente menos acreditam que em 2050 haverá mais energia eólica e solar! O Ecotretas não reinvindica este cepticismo, mas está feliz por estarmos ao menos maioritariamente acordados...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Doutrina Verde para as nossas crianças

Ramiro Marques, no seu ProfBlog, tem realçado por diversas vezes o escândalo do endoutrinamento das nossas crianças, à Religião Verde. Já por diversas vezes o referi aqui também, embora o problema não seja exclusivamente nacional, como este recente post o demonstra.

Numas pesquisas simples no GAVE, facilmente se percebe o alcance deste endoutrinamento. Embora em disciplinas como a Física e a Química não surpreenda, já o aparecimento em disciplinas como a Matemática e o Português é muito mais discutível...

Mas, o Ministério da Educação consegue-se superar nisto da Religião. Nada como apontar o exemplo da Quercus num banco de questões de Matemática. Só falta mesmo perguntar quanto é que se teria que pagar em quotas, para obter uma absolvição de uma organização, que produziu um dos vídeos mais asquerosos de todos os movimentos ambientalistas mundiais!

Os exemplos são mais que muitos! Neste exame nacional de Física e Química de 2007, lá está na pergunta 2 o endoutrinamento, sem qualquer enquadramento com as perguntas subsequentes. Neste exemplo de 2002, em Introdução ao Desenvolvimento Económico e Social, vemos na Figura 3 um gráfico falhado. Daqui a umas décadas, quem fez este exame vai-se sentir defraudado!

Mas como de pequenino é que se torce o pepino, a minha preferida continua a ser o exemplo da energia das ondas, que referi neste post. Na altura, havia equacionado a preciosidade de perguntar a alunos do 2.º Ciclo do Ensino Básico o que era "electricidade limpa e renovável". Agora descobri a resposta correcta:

«limpa» quer dizer que não liberta dióxido de carbono / não liberta o gás que provoca o aquecimento global / não polui

sábado, 8 de outubro de 2011

Mais mentiras da APREN

O estudo da APREN e da Roland Berger continua a dar que falar! Ontem, no Luz Ligada, ficamos a saber que este estudo foi financiado por um obscuro Fundo de Apoio à Inovação Energias Renováveis (FAI), dotado de 76 milhões de euros, 278 368 euros dos quais foram esturrados neste estudo!

Por falar em custos, a APREN como já referi, enuncia o sobrecusto numa base média, entre os anos de 2005 e 2010. Coloca o valor do sobrecusto em 329 milhões, escondendo efectivamente os valores recentes do sobrecusto com os valores mais baixos do início desse período.

Como a APREN e a Roland Berger não divulgam como chegaram a esse número, ocorreu-me que há uma forma simples de verificar quanto custará ao bolso dos Portugueses a aposta nas renováveis. Segundo o estudo, para sobrecustos das renováveis de 329M€, 228M€ e 111M€, há um sobrecusto na factura mensal média dos consumidores de 5.50€, 3.80€ e 1.90€, respectivamente. Tal traduz-se facilmente através da seguinte fórmula:

SOBRECUSTO_FACTURA =(SOBRECUSTO_RENOVÁVEIS x 0.0165) + 0.0579

Reparem que a fórmula está efectuada para o fornecimento dos valores de SOBRECUSTO_RENOVÁVEIS em milhões de euros/ano, enquanto o SOBRECUSTO_FACTURA resulta em euros/mês. Assim sendo, podemos ver o que esperar a mais na factura mensal da electricidade, baseado em dados recolhidos durante este ano de 2011:

AutorMontante
Sobrecusto
Montante
Factura
ERSE - Custos de política energética, ambiental ou de interesse económico geral 20112406 M€39.76 €
ERSE - Sobrecusto PRE 20111214 M€20.09 €
ERSE - Sobrecusto PRE 2010805 M€13.34 €
Ecotretas - Previsão Sobrecusto Renováveis 2011580 M€9.63 €
EDP - Sobrecusto Renováveis 2011509 M€8.46 €
APREN - Económico329 M€5.50 €
APREN - Ajustado228 M€3.80 €
APREN - Actual111 M€1.90 €

Os valores das primeiras três linhas, da ERSE, incluem os sobrecustos da PRE, que inclui sobrecustos em vertentes para além das renováveis, incluindo nomeadamente a cogeração e CMEC, entre outros. É confrangedor olhar para a minha factura eléctrica de Setembro e verificar que a diferença entre a estimativa do CIEG e o valor que efectivamente paguei, é inferior a 80 cêntimos!!!

As restantes linhas, que incluem a previsão do Ecotretas, estão nas linhas seguintes. Elas incluem apenas o sobrecusto das eólicas e solar. O quadro dá facilmente para perceber como a APREN e a Roland Berger nos querem enganar! Como se sentirão os participantes do focus-group, quando souberem que vão pagar quase 10 euros por mês para as renováveis? É que segundo a própria APREN e Roland Berger, as conclusões são claras (realces da minha responsabilidade):

As conclusões do Focus Group revelaram que o consumidor português é favorável e apoia a aposta do País nas energias renováveis, sentindo um elevado orgulho nesta opção e mostrando disponibilidade para pagar um custo adicional de 2 €/mês para financiar estas fontes de energia, desde que seja de uma forma clara e transparente.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ferros curtos na APREN

A APREN e a Roland Berger devem admitir que ninguém em Portugal sabe fazer contas, e que estão por isso à vontade para irem vendendo a banha da cobra pelos números que muito bem entenderem. Vem isto obviamente a propósito do estudo que elaboraram sobre os custos e benefícios da electricidade de origem renovável. Apliquei umas bandarilhas e ferros aqui e acolá. Agora vamos a uns curtos...

A APREN não gosta do termo "sobrecusto" e por isso substituiu-o por "diferencial de custos". O sobrecusto anual que a APREN calcula entre 2005 e 2010 (que depois tenta reduzir a um terço) é de 329 milhões de euros. Quando vi este valor, só me apetecia rir, até porque sabemos que os sobrecustos têm vindo a subir exponencialmente, pelo que o valor médio não tem hoje qualquer significado! O valor verdadeiro do ano passado foi efectivamente cerca do dobro! Vai daí, meti mãos à obra para calcular rapidamente os valores provisórios dos primeiros meses deste ano.

Para isso manteve-se como referência o valor de 95.4 €/MWh para a energia eólica, que tinha dado na posta das bandarilhas, confirmados por este documento ainda mais recente da ERSE, e de 340.6 €/MWh para a energia solar. Os valores de produção mensal de energia foram obtidos a partir desta página da REN, enquanto os preços médios foram retirados deste documento da OMEL (primeira tabela da página 39). Para os meses deste ano até Agosto, os valores são:

MêsCusto OMEL
(€/MWh)
Produção Eólica
(GWh)
Produção Solar
(GWh)
Sobrecusto Eólico
(Euros)
Sobrecusto Solar
(Euros)
Janeiro41.2692010498088002993400
Fevereiro47.9180915384194104390350
Março47.3287518420700005279040
Abril46.8570222340821006462500
Maio49.0246426215203207581080
Junho50.6466729298549208408840
Julho51.1588630392055008683500
Agosto53.6058126242858007462000
Total:
590417627924685051260710

Resumindo, nos primeiros oito meses do ano, o sobrecusto com as eólicas e o solar foi de cerca de 330 milhões de euros, curiosamente já ligeiramente superior ao valor da APREN e Roland Berger. Reparem também que o valor do solar já ultrapassou o valor de 2010, o que é função da introdução de cada vez mais potência instalada nesta energia confrangedoramente ineficiente!

Na verdade, o valor que avançamos é certamente o limite inferior do sobrecusto, pois como já referimos diversas vezes, e notavelmente nos gráficos deste post, a maior parte da energia eólica produzida é-o em momentos de baixo custo. Assim sendo, o valor real é certamente bastante superior, como a ERSE certamente confirmará em meados deste mês, e o qual calcularemos de forma exacta no início de 2012.