segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Vamos libertar Sortelha das eólicas

Um leitor atento enviou-me um link que evidencia como as populações já têm o saco cheio quando se fala de eólicas. Neste caso, trata-se de Sortelha, uma aldeia onde já estive duas vezes, há vários anos. Junta-se a outros casos, que já aqui relatamos no passado. Da próxima vez que lá voltar, vou voltar indisposto, porque como tenho acompanhado no blog Vamos Salvar Sortelha, as eólicas invadiram a região...

O link enviado deixa-nos feliz, e relata que "os advogados dr. Francisco Nicolau e dr. João Valente anunciam o patrocínio de uma acção popular contra as eólicas de Sortelha". O Ecotretas apoia:

«Os advogados Dr. Francisco Nicolau (do escritório do Dr. Garcia Pereira, mas a título particular) e Dr. João Valente vão patrocinar acção popular pedindo a impugnação, por ilegalidade e nulidade de licenciamento dos parques eólicos de Sortelha, bem como dos concelhos limítrofes de Belmonte e Guarda, pelas razões e fundamentos já aqui aduzidos no Capeia Arraiana num anterior artigo de opinião, tanto mais que, corre voz pública, que o parque de Sortelha vai ser aumentado em mais seis torres geradoras.
1 – O processo será patrocinado a título completamente gratuito, da parte dos advogados, está isento de custas judiciais porque se trata de defesa de um interesse público, e já se encontra redigido.
2 – Qualquer cidadão recenseado no concelho e/ou freguesia de Sortelha, ou associação de direito privado com sede no Concelho e/ou Freguesia do Sabugal que queiram patrocinar a acção a título de autores (sem qualquer custo ou honorários) pode fazê-lo.
Para esse efeito devem contactar até ao fim da primeira semana do próximo mês de Novembro para o email: joaovalenteadvogado@gmail.com
3 – Qualquer cidadão que tenha interesse em colaborar como testemunha ou perito (designadamente problemas de ruído, ambientais ou técnicos) agradece-se também contacto para o mesmo endereço electrónico, até à referida data.
4 – Oportunamente será equacionada a abertura de uma conta em nome de uma associação ou conjunto de cidadãos independentes para custear e fiscalizar eventuais despesas (estudos e perícias) com o processo.
João Valente, Advogado

sábado, 22 de outubro de 2011

Mais tretas do Biosfera

A semana passada iniciámos a análise do programa da Biosfera sobre as barragens. Aqui continuamos a evidenciar as asneiras que se disseram nesse programa, cuja primeira parte podem ver abaixo. A qualidade destes programas pode-se medir pela quantidade de asneiras que se detectam. Há algumas muito fáceis: vejam, ao minuto 5:07 como a locutora fala de um preço de 9.5 cêntimos por kWh, enquanto visualmente aparece 0.95 €/kWh...

Outras contas são feitas sem que sejam documentadas. Aos 6:45, o programa cita a ERSE nos custos económicos de interesse geral, no valor de 2406 milhões de euros. Esse é um valor bem conhecido dos leitores do Ecotretas, conforme evidenciamos neste post. O problema é o que se segue! Segundo o programa, a ERSE diz que 45% desse bolo (1075.8 milhões de euros) vai para as energias fósseis. O problema é que nenhum documento oficial da ERSE refere este valor, desconhecendo-se por completo como o Biosfera lá chegou.

O Ecotretas contactou directamente com a coordenadora do programa Biosfera, mas esta manifestou-se mais interessada em saber a minha identidade, do que explicar as contas que apareceram no seu programa. O conselho que me foi dada foi o de "pedir os dados à ERSE como os nossos intervenientes fizeram e a fazer as contas". Portanto, um dos intervenientes do programa fez as contas acima referidas, e não a ERSE...

A forma enviesada de fazer contas e explicar o processo é facilmente perceptível pelas declarações de João Joanaz de Melo, da GEOTA, ao minuto 6:18:

O nome dessa legislação é um incentivo à garantia, à potência garantida, ou seja, por uma central eléctrica existir, seja ela hídrica ou termo-eléctrica, ela tem direito a receber aquele subsídio do Estado, só para estar lá parada, à espera, de talvez ser preciso pô-la a funcionar...

Por estas declarações ficamos a perceber que estas rendas não são só para as energias fósseis... A garantia de potência vai-nos custar 49 milhões de euros por ano, segundo a Biosfera, mas pelas contas da ERSE (pag. 234), vai-nos custar afinal 62.8 milhões de euros por ano. No quadro 3-6 da página 38 do mesmo documento podemos ver que 45.6 milhões de euros são para a EDP, e 17.2 milhões são para a Endesa, pelo que também não é aqui que a bota bate com a perdigota. Aliás, aí confirmamos que apenas a barragem do Alqueva entra nestas contas...

Mas o que o Joãozinho não percebe é que esta renda existe por causa das eólicas... E então a última parte da frase do Joãozinho é ainda mais confrangedora! Então ele não sabe que é muito mais que um talvez? Ele não sabe que durante uma parte substancial do tempo, as eólicas não produzem praticamente nada, e mesmo quando o fazem, que é sobretudo durante as madrugadas???

É esta confrangedora intermitência das eólicas que também justifica os CMEC e os CAE. O Prof. Pinto de Sá já o explicou aqui de forma clara. Imputar isto às energias fósseis é um erro crasso, e nos 1075.8 milhões de euros referenciados pelo Biosfera, certamente 727.4 milhões ficam-se a dever a estes dois componentes! Mesmo na cogeração, uma parte importante é renovável! É ao misturar tudo no mesmo saco dos fósseis, ilibando a responsabilidade das renováveis, que a Biosfera pecou gravemente!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Bandarilhas nas eólicas em Espanha

Estou consciente que os nossos vizinhos espanhóis têm um problema muito mais duro de roer, na vertente da energia, do que nós cá em Portugal. A herança de Zapatero é um abismo que ainda não se avista, mas que não tardará a ensombrar-nos! Um leitor atento chamou-nos a atenção para a razia que grassa aqui ao lado, nas tarifas das renováveis, e das eólicas em particular.

A proposta do Ministério de Indústria é radical: em vez de receberem subsídios durante 20 anos, baixa para 12 anos. O preço por KW/h baixa para 5.50 cêntimos, baixando igualmente as horas de funcionamento dos parques de 2100 horas para 1500 horas. O corte nos subsídios é estimado em 40%! A banca assim deixa de financiar, dado que baixam as elevadíssimas taxas internas de rentabilidade...

A Asociación Empresarial Eólica, uma espécie de APREN de nuestros hermanos, está à nora! Dispara em todas as direcções... Que não se vão cumprir os objectivos anteriores, que previam 27.860 MW para 2015. Que se instalarão apenas 500 dos 4200 MW previstos entre 2013 e 2015. Que se perdem 12.680 milhões de euros em investimento. Que perderão 40% da chucha!

Por lá, o Governo de Zapatero ainda presta um último serviço, com estas bandarilhas. O Rajoy dará a estocada final. Por cá, ainda esta semana o secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, dizia no Parlamento que "os CMEC são contratos que estão blindados". Nas renováveis nem se atreve a tocar... Ele terá muito a apreender com os socialistas espanhóis, mas mais ainda com o novo governo que se apresta para aprumar os nossos vizinhos do lado!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Nova espécie de pinguins

Na sequência do post anterior sobre a Doutrina Verde para as nossas crianças, um pai preocupado fez-me chegar mais um exemplo de mau ensino nas nossas escolas. Quando vi a imagem ao lado, utilizada por um professor de Geografia do 8º ano, em território nacional, a ao qual tive acesso, com uma prova irrefutável da sua utilização, não pude deixar de me lamentar, mas de rir ao mesmo tempo!

Como pode um professor colocar esta imagem na sala de aula, e não ser alvo imediato da chacota de algum aluno medianamente inteligente? Aliás, por esta altura o leitor atento do Ecotretas já deve ter reparado em dois erros clamorosos da imagem. Se ainda não viu, não continue a ler, e veja lá se não consegue descobrir esses erros, sem ler o parágrafo seguinte.

Um professor de Geografia devia saber que não há pinguins no Polo Norte! E que depois o Polo Norte é sobre água, pelo que mesmo que o gelo derretesse todo, seria impossível haver lá cactos e haver ossos à superfície. Segundo o que consegui descobrir na Internet, o cartoon é da autoria de Tacho, o chargista Gilmar Tatsch, que até reconheceu a gaffe há dois anos neste site. Mas que simplesmente não devia ter lugar no nosso ensino oficial!

Enfim, é uma estupidez já cometida por outros, como foi o exemplo da MSNBC, que passou imagens de uns pinguins numa reportagem sobre mais uma daquelas estúpidas aventuras do Árctico. Ainda tentou safar a face cortando a sequência, mas há sempre alguém que topa! A sequência original da MSNBC é visível abaixo, retirada daqui, sendo a nova espécie de pinguins visível ao segundo 28 do referido vídeo.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O ditado da ERSE

A ERSE publicou hoje a Proposta de Tarifas e Preços para a Energia Elétrica em 2012. A proposta é feita com base na subida do custo das matérias-primas energéticas e da energia eléctrica nos mercados internacionais, com a subida dos Custos da Produção em Regime Especial (PRE), e com a diminuição do consumo de energia eléctrica.

A subida das matérias primas é uma grande falácia. Como já havíamos referenciado nesta posta, os valores de gás natural estão em valores mínimos históricos, desde há 10 anos para cá, em países onde a aposta no gás shale se efectuou, como é o caso dos Estados Unidos. Essa não foi a nossa aposta, e agora talvez o que nos valha seja o iniciar da sua exploração no Algarve. A subida por causa do PRE é bem conhecida dos leitores do Ecotretas, enquanto a subida derivada da descida dos consumos é um dos paradoxos desta política energética, mas não uma novidade vinda da ERSE, como é este exemplo passado.

Enfim, nada que não esperássemos. A manipulação já havia começado há vários dias. Ainda hoje, o Diário Económico, o mais verde dos jornais portugueses, anunciava que a EDP cede 180 milhões para travar subida de 30% da luz. Já nos habituamos a que este jornal económico seja feito por jornalistas que não sabem fazer contas! É que elas são tão fáceis: Dividindo 180 milhões pelos seis milhões de consumidores e doze meses do ano, dá 2 euros e meio por mês. Na minha conta isso significa aí uns 3% da factura. Mas enganam-se aqueles que pensam que a EDP cede o que seja: vamos pagar para o ano, e com juros elevados!

No meio deste processo escandaloso, o Secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, parece ter pedido a demissão, segundo afirmações de Marques Mendes. O mesmo que disse que "o Governo pelos vistos agachou-se"! Nada que já não esperássemos também, dado o historial do Álvaro...

domingo, 16 de outubro de 2011

Microgeração

A microgeração, também conhecida por microprodução, é um dos maiores escândalos da energia em Portugal. Tenho-a referido poucas vezes no blog. Conforme podem ver pela imagem ao lado, retirada deste documento da ERSE, o preço da energia paga à microprodução é VÁRIAS vezes superior aquele que pagamos efectivamente pela electricidade em nossas casas! E reparem que a imagem até engana, porque há duas escalas diferentes no eixo dos yy!!!

O esquema da microgeração é uma aberração económica. Imaginem que um quilo de batatas custa a um agricultor 50 cêntimos a produzir, e que o supermercado onde vocês fazem as compras vende esse mesmo quilo de batatas a um euro e meio. Agora imaginem que o supermercado era obrigado a comprar esse mesmo quilo de batatas a 5 euros a um agricultor verde, e a vendê-las a si pelo mesmo euro e meio. Reparem como o vilão passa rapidamente a vítima! Bem, neste caso, o vilão EDP não tem que se preocupar com o supermercado, até porque quem paga são os consumidores/contribuintes! Confusos? Não admira, é assim a microprodução!

A lata dos microprodutores é ainda maior porque todos sabemos que a grande maioria dos proprietários é da classe média/alta. Ora vejam lá se as instalações de painéis fotovoltaicos que conhecem não são essencialmente em vivendas? Como o blog Luz Ligada muito bem referiu, a microgeração é anti-social!!! Uma oportunidade de ouro para a esquerda e os seus amigos melancias reclamarem o corte destes subsídios... Mas não, porque eles são alguns dos que mais xuxam deste esquema...

Como o roubo é de tal forma descarado, sente-se alguma preocupação nas hostes. No meio de tanta fraude, os esquemas são uma evidência! Parece que houve investigação, mas dos resultados não reza a História! Por isso não admira que já existissem mais de 10 000 microprodutores a xuxar no início do ano, sendo que neste momento são já cerca de 12 000!!! E pelas listagens de registos disponibilizados, muitos mais abortos produtivos estão prontos a começar a mamar!

sábado, 15 de outubro de 2011

O indignácaro Ângelo Correia

Neste dia de Sábado estou completamente indignado, mas feliz. No Expresso fiquei a saber que finalmente vai começar a explorar-se o gás natural do Algarve! É uma grande notícia, sobre um assunto a que já nos referimos anteriormente. O Mira Amaral continua a dar-lhe no Expresso, via Espectador Interessado. E o Prof. Pinto de Sá fez mais um post assinalável sobre as percas nas eólicas.

Mas mais indignado estou com as declarações de ontem do Ângelo Correia, das quais soube via Fiel Inimigo. O homem, obviamente indignado com o Homem que violenta a Natureza, e que já não se lembra do tempo de Julho, não sabe distinguir clima de meteorologia. Porque enquanto fala do calor, há muito frio e neve recorde noutros locais! E se cá chove pouco, o mesmo não acontece nos Açores, só para dar um exemplo. O problema de Ângelo Correia, presidente do Conselho de Administração da FomentInvest, é que ele tem muito a perder, se alguém lhe retirar a chucha. Já o tínhamos referenciado aqui, mas depois de ver o vídeo abaixo, começo a perceber porque é que o Álvaro não vai lá...