EcoTretas é um espaço dedicado a evidenciar os disparates que se dizem e fazem à volta da Ecologia. Especialmente dedicado aos ecologistas da treta, essa espécie que se preocupa mais com uma pata partida de um qualquer animal, do que com um fogo florestal! Aqueles que são anti-americanos, mas que gostam do Al Gore.
O ano passado havia falado da parasitagem de fundos públicos de investigação, justificados com o alarmismo do Aquecimento Global, Alterações Climáticas, CO2, etc. Nos vários posts, havia referenciado 4.4 milhões de euros para umas dezenas de investigadores parasitas. Agora, dei-me conta que já estão disponíveis os projectos de 2009, conforme tabela abaixo. São mais 2.6 milhões, o que dá um total de 7 milhões de euros desperdiçados nesta ciência da treta. É fácil, por isso, perceber porque é que esta Religião, e o seu Clero, continua em alta!
A ciência, através do último relatório de mais de três mil cientistas, considerou, como factos inequívocos, que as alterações climáticas e a sua causa estão na atividade humana. Há quem conteste a relação entre os extremos meteorológicos cada vez mais frequentes e a mudança do clima, de uma forma mais lata. Mas quando a sua frequência e intensidade estão muito longe do normal, estes sintomas tornam-se mais significativos.
Ele continua depois com as habituais confusões entre tempo e clima. Ele está confuso porque, ora está calor, ora está frio:
Em 2011, Portugal Continental teve a sua segunda Primavera mais quente desde 1931 (a mais quente foi 1997), com três ondas de calor, uma em Abril e duas em Maio. Aliás, o mês de Maio foi o mais quente desde 1931. Março, porém, foi mais frio e chuvoso do que o normal. Em contrapartida, nos Açores Maio foi o mês mais frio desde 2000, com muito pouca precipitação, e no Funchal não choveu durante o mês de Junho.
À minha avó também lhe fazia confusão isso das alterações climáticas. Ora estava calor, ora estava frio. Tal como o Chiquinho, que descobriu que houve por aí uns temporais:
O Inverno de 2010/11 (Dezembro, Janeiro e Fevereiro) foi caracterizado pela ocorrência de fenómenos extremos: um tornado que atingiu os concelhos de Torres Novas, Tomar, Ferreira do Zêzere e Sertã, em Dezembro; episódios de neve nas regiões do Norte e Centro; duas ondas de frio (em Janeiro e Fevereiro); chuva forte com ocorrência de queda de granizo, em Dezembro e Fevereiro; e vento forte, em Fevereiro.
Posso-vos garantir que neste Inverno também haverá mais temporais! E continuarão a existir ano após ano, tal como têm acontecido no passado. O problema do Chico é que ele tem memória curta... Para ele, importante é que tenha havido um extremo na Anadia:
Na primeira quinzena de Outubro do presente ano foram ultrapassados os extremos históricos para este mês em locais como Lisboa, Bragança ou Anadia. Neste período, registaram-se mais duas ondas de calor e não houve chuva em Portugal continental, um cenário que já vinha desde início de Setembro. Temos atualmente 1/3 do território continental em situação de seca severa e extrema.
Mas, o que ele quer sei eu! O que ele quer é continuar a viver à grande e à Francesa, à custa das Alterações Climáticas:
Apesar da crise, e para garantir que o futuro não nos sairá mais caro, integrar o impacte das alterações climáticas no planeamento e nas diversas políticas de forma a minimizá-lo deve ser, claramente, uma prioridade fundamental.
Henrique Sousa fez uma análise muito interessante ao Memorandum, que várias organizações ambientalistas portuguesas enviaram à Troika. Embora não concorde a 100% com tudo o que diz, recomendo a leitura integral dos seus sete posts:
Um leitor atento enviou-me um link que evidencia como as populações já têm o saco cheio quando se fala de eólicas. Neste caso, trata-se de Sortelha, uma aldeia onde já estive duas vezes, há vários anos. Junta-se a outros casos, que já aqui relatamos no passado. Da próxima vez que lá voltar, vou voltar indisposto, porque como tenho acompanhado no blog Vamos Salvar Sortelha, as eólicas invadiram a região...
O link enviado deixa-nos feliz, e relata que "os advogados dr. Francisco Nicolau e dr. João Valente anunciam o patrocínio de uma acção popular contra as eólicas de Sortelha". O Ecotretas apoia:
«Os advogados Dr. Francisco Nicolau (do escritório do Dr. Garcia Pereira, mas a título particular) e Dr. João Valente vão patrocinar acção popular pedindo a impugnação, por ilegalidade e nulidade de licenciamento dos parques eólicos de Sortelha, bem como dos concelhos limítrofes de Belmonte e Guarda, pelas razões e fundamentos já aqui aduzidos no Capeia Arraiana num anterior artigo de opinião, tanto mais que, corre voz pública, que o parque de Sortelha vai ser aumentado em mais seis torres geradoras. 1 – O processo será patrocinado a título completamente gratuito, da parte dos advogados, está isento de custas judiciais porque se trata de defesa de um interesse público, e já se encontra redigido. 2 – Qualquer cidadão recenseado no concelho e/ou freguesia de Sortelha, ou associação de direito privado com sede no Concelho e/ou Freguesia do Sabugal que queiram patrocinar a acção a título de autores (sem qualquer custo ou honorários) pode fazê-lo. Para esse efeito devem contactar até ao fim da primeira semana do próximo mês de Novembro para o email: joaovalenteadvogado@gmail.com 3 – Qualquer cidadão que tenha interesse em colaborar como testemunha ou perito (designadamente problemas de ruído, ambientais ou técnicos) agradece-se também contacto para o mesmo endereço electrónico, até à referida data. 4 – Oportunamente será equacionada a abertura de uma conta em nome de uma associação ou conjunto de cidadãos independentes para custear e fiscalizar eventuais despesas (estudos e perícias) com o processo. João Valente, Advogado
A semana passada iniciámos a análise do programa da Biosfera sobre as barragens. Aqui continuamos a evidenciar as asneiras que se disseram nesse programa, cuja primeira parte podem ver abaixo. A qualidade destes programas pode-se medir pela quantidade de asneiras que se detectam. Há algumas muito fáceis: vejam, ao minuto 5:07 como a locutora fala de um preço de 9.5 cêntimos por kWh, enquanto visualmente aparece 0.95 €/kWh...
Outras contas são feitas sem que sejam documentadas. Aos 6:45, o programa cita a ERSE nos custos económicos de interesse geral, no valor de 2406 milhões de euros. Esse é um valor bem conhecido dos leitores do Ecotretas, conforme evidenciamos neste post. O problema é o que se segue! Segundo o programa, a ERSE diz que 45% desse bolo (1075.8 milhões de euros) vai para as energias fósseis. O problema é que nenhum documento oficial da ERSE refere este valor, desconhecendo-se por completo como o Biosfera lá chegou.
O Ecotretas contactou directamente com a coordenadora do programa Biosfera, mas esta manifestou-se mais interessada em saber a minha identidade, do que explicar as contas que apareceram no seu programa. O conselho que me foi dada foi o de "pedir os dados à ERSE como os nossos intervenientes fizeram e a fazer as contas". Portanto, um dos intervenientes do programa fez as contas acima referidas, e não a ERSE...
A forma enviesada de fazer contas e explicar o processo é facilmente perceptível pelas declarações de João Joanaz de Melo, da GEOTA, ao minuto 6:18:
O nome dessa legislação é um incentivo à garantia, à potência garantida, ou seja, por uma central eléctrica existir, seja ela hídrica ou termo-eléctrica, ela tem direito a receber aquele subsídio do Estado, só para estar lá parada, à espera, de talvez ser preciso pô-la a funcionar...
Por estas declarações ficamos a perceber que estas rendas não são só para as energias fósseis... A garantia de potência vai-nos custar 49 milhões de euros por ano, segundo a Biosfera, mas pelas contas da ERSE (pag. 234), vai-nos custar afinal 62.8 milhões de euros por ano. No quadro 3-6 da página 38 do mesmo documento podemos ver que 45.6 milhões de euros são para a EDP, e 17.2 milhões são para a Endesa, pelo que também não é aqui que a bota bate com a perdigota. Aliás, aí confirmamos que apenas a barragem do Alqueva entra nestas contas...
Mas o que o Joãozinho não percebe é que esta renda existe por causa das eólicas... E então a última parte da frase do Joãozinho é ainda mais confrangedora! Então ele não sabe que é muito mais que um talvez? Ele não sabe que durante uma parte substancial do tempo, as eólicas não produzem praticamente nada, e mesmo quando o fazem, que é sobretudo durante as madrugadas???
É esta confrangedora intermitência das eólicas que também justifica os CMEC e os CAE. O Prof. Pinto de Sá já o explicou aqui de forma clara. Imputar isto às energias fósseis é um erro crasso, e nos 1075.8 milhões de euros referenciados pelo Biosfera, certamente 727.4 milhões ficam-se a dever a estes dois componentes! Mesmo na cogeração, uma parte importante é renovável! É ao misturar tudo no mesmo saco dos fósseis, ilibando a responsabilidade das renováveis, que a Biosfera pecou gravemente!
Estou consciente que os nossos vizinhos espanhóis têm um problema muito mais duro de roer, na vertente da energia, do que nós cá em Portugal. A herança de Zapatero é um abismo que ainda não se avista, mas que não tardará a ensombrar-nos! Um leitor atento chamou-nos a atenção para a razia que grassa aqui ao lado, nas tarifas das renováveis, e das eólicas em particular.
A proposta do Ministério de Indústria é radical: em vez de receberem subsídios durante 20 anos, baixa para 12 anos. O preço por KW/h baixa para 5.50 cêntimos, baixando igualmente as horas de funcionamento dos parques de 2100 horas para 1500 horas. O corte nos subsídios é estimado em 40%! A banca assim deixa de financiar, dado que baixam as elevadíssimas taxas internas de rentabilidade...
Por lá, o Governo de Zapatero ainda presta um último serviço, com estas bandarilhas. O Rajoy dará a estocada final. Por cá, ainda esta semana o secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, dizia no Parlamento que "os CMEC são contratos que estão blindados". Nas renováveis nem se atreve a tocar... Ele terá muito a apreender com os socialistas espanhóis, mas mais ainda com o novo governo que se apresta para aprumar os nossos vizinhos do lado!