domingo, 27 de novembro de 2011

Emprego zero

No jornal Diário Económico da passada sexta-feira, saiu um suplemento sobre as 250 maiores empresas do distrito de Leiria. Fui ver as tabelas das maiores e melhores empresas, para verificar quem eram. E surpresa das surpresas, a "PECF - Parque Eólico de Chão Falcão, Lda." ([1] [2] [3]) ocupava a sexta posição na tabela das empresas com maiores VAB, e em oitavo nas empresas com maiores resultado líquido. Nos restantes indicadores não marcava presença, pelo que fui ver a listagem completa, que abaixo se observa, para chegar a algumas brilhantes conclusões. A principal das quais é que a "PECF - Parque Eólico de Chão Falcão, Lda." não tem um único trabalhador!!!


Ontem, na revista das "1000 Maiores", do Expresso, que inclui publicidade lastimável à EDP (eg. notícia reciclada da Windfloat), o cenário descoberto foi o mesmo. Um conjunto de empresas que sugam os contribuintes e os consumidores, no âmbito dos CIEG, e que ninguém empregam, com a pequeníssima excepção da EDP Renováveis:

RankNomeVN 2010VN 2009VN 2008ACTIVOC. PROP.R. LIQN. EMP
186ENERPULP14404811406910921121849402139610
218EDP RENOVÁVEIS1255319816974641755714720133390863
295SINECOGERACAO997772043409041914096109460
477EUROPA&C ENERGIA VIANA652034970954218441991058870181
583VENTOMINHO56277499973042233378414700135611
737IBERWIND II PRODUÇÃO45370408340381030389-11324-3810
753SPCG - SOC. PORT. DE CO-GERAÇÃO ELÉCTRICA44445151680899467600856442
994SOPORGEN3466841472026352772912770

Com esta ilusão da Economia Verde, temos assim a prova provada do que já repetimos ad nauseam. Que a Economia Verde não gera empregos e mata tudo o que está à sua volta! É para isto que servem os subsídios, e aquela componente que supera os 50% da factura eléctrica... Felizmente, as restantes empresas da área da energia vão contribuindo com verdadeiro emprego...

sábado, 26 de novembro de 2011

A antiga barragem do Lindoso

Uma das coisas que me faz confusão hoje em dia, é a rapidez com que a História é apagada. Como os leitores sabem, sou um grande adepto de tudo o que a História passada nos tem para contar, e é por isso que, por exemplo, a variabilidade climática actual não é, para mim, nada de especial, quando comparada com eventos climáticos dos últimos séculos/milénios.

No início deste mês, tropecei neste documento da REN, e observei alguma da História das primeiras barragens portuguesas. De todas elas, a que mais me marcou foi a da Barragem do Lindoso, entretanto substituída pela barragem do Alto Lindoso, uma das barragens de referência em Portugal. Fiz umas pequenas pesquisas na Internet, e o melhor que consegui foi obter alguma informação sobre a central hidroeléctrica, vários quilómetros a jusante. Procurei mais, e nada???

Decidido a encontrar algo que desapareceu há pouco mais de 20 anos, encontrei finalmente esta referência, Lima Internacional: Paisagens e Espaços de Fronteira, tese de Doutoramento de Elza Carvalho, na Universidade do Minho. Deste documento retirei a imagem que coloquei no post anterior, e que abaixo está enquadrada com uma imagem da actual barragem. As duas foram calibradas pelo topo dos montes distantes, sendo ligeiramente distintas na parte frontal, pelo facto das fotografias não terem sido tiradas exactamente do mesmo local:


Três leitores foram capazes de a identificar. O primeiro preferiu ficar anónimo, tendo sido ainda identificadas por Pedro Pais e Jorge Pacheco de Oliveira. Em comum, nenhum dos três a afirmou ter conhecido, sendo que um dos três leitores referiu tê-la identificado pelo estilo de terreno.

A história do encouramento do Lindoso remonta ainda aos tempos da Monarquia, quando Justino Antunes Guimarães e Jesús Palacios Ramilo, apresentaram em 11 de Maio de 1905 o anteprojecto para a exploração hidráulica do salto de Lindoso. Em 1907, D. Carlos I autorgou a concessão do aproveitamento hidroeléctrico, através do alvará de concessão do Aproveitamento hidroeléctrico no rio Lima, de 14-2-1907, publicado no Diário do Governo nº 40 de 20-2-1907. O alvará autorizava a derivação de um caudal de 7000 litros/segundo, por um período de 99 anos, com uma exigência de que as obras começassem num período de um ano, e que fosse terminada em quatro anos. A concessão foi transmitida à Sociedade Anónima Electro del Lima no ano seguinte, constituída em Madrid a 19 de Maio de 1908.

O projecto inicial previa a instalação de 14000 cavalos em 7 grupos, cuja potência alcançaria os 12000 cavalos durante 10 meses, e somente 4510 cavalos no Verão. A represa teria uma altura de apenas 5.8 metros, e o canal de derivação prolongar-se-ía por 420 metros. As obras começaram a 16 de Setembro de 1908, mas dificuldades várias, incluindo a morte de um dos accionistas iniciais, retardaram a construção. A construção do canal de derivação (início visível do lado esquerdo do rio, nesta e noutra foto), entretanto prolongado, resultou em diversos problemas com a população, sobretudo devido a questões de nascentes de água, um tema "quente" na altura. A Primeira Guerra Mundial trouxe dificuldades óbvias, embora trabalhassem na altura entre 500 e 1000 trabalhadores nas obras. Em 2 de Abril de 1921 deram-se por concluídas as obras, com a instalação dos geradores Escher Wyss da General Electric, com uma potência de 8750 kVA, na central hidroeléctrica, cuja imagem é visível abaixo, retirada daqui. Em 10 de Abril de 1922 a energia chega finalmente à central do Freixo, no Porto.


Entre 1923 e 1924 a barragem foi sobrelevada, da altura de 5 metros para uma altura de 22.5 metros. Tal permitiu a constituição de uma albufeira de 750 000 m3, 0.2% do volume máximo da actual barragem do Alto Lindoso. O progressivo aumento do consumo da electricidade obrigou a aumentos sucessivos do canal, das linhas, e da própria central hidroeléctrica e da câmara de carga (visível abaixo, foto retirada daqui), contribuindo para um significativo desenvolvimento local, na localidade de Paradamonte, que distinguia a aldeia de todas as outras em redor. Tais ampliações terminaram em 1951, quando foi montado o último grupo gerador, de 40 000 kVA, que permitiu alcançar uma potência de 92 500 kVA. Algumas imagens dos geradores antigos estão disponíveis aqui, sendo ainda este percurso de geocaching uma referência interessante.


No final da década de 1980 iniciou-se a construção da barragem do Alto Lindoso, que obrigou à destruição da antiga barragem. Algumas imagens dessa ocasião estão disponíveis nos seguintes links: [1] [2] [3]. Na imagem seguinte podemos vê-la ainda, já com as obras necessárias à construção da barragem do Alto Lindoso.


Esta página manter-se-á aberta a edição, por forma a documentar outra informação que entretanto venha a recolher. Se o leitor tiver acesso a mais informação, faça o favor de a enviar. Em particular, uma imagem próxima da barragem seria muito interessante. Mais formidável seria uma imagem da barragem numa situação de cheia, mas creio que isso já é pedir de mais! Ainda assim, o objectivo é tentar manter viva uma recordação histórica que se perdeu há pouco mais de 20 anos...

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Carbon trading in crash mode

It's nothing new. It started over a year ago, when US carbon trading crashed. Two weeks later, it closed. Now, it's our turn in Europe. It had already started earlier this Summer. But now, as can be seen in the left graphic, obtained from Bloomberg, carbon prices are diving even more! And this is yesterday's graph, as today, as I write, it is diving another -10.773% to € 7.040.

I've been monitoring this for weeks, and today it has set it's minimum value for at least the last five years, which was for € 7.96, on the close of Feb 12, 2009, as can be seen in the graph below (from Bloomberg). The dive seems clearly related to the Climategate 2.0 revelations, since it closed at € 9.04 on Tuesday, diving more than 20% since then. These are definitely good news for Durban...

For more insight on the issue, the following news might be interesting:
Update: 16:30 CET The minimum price was reached slightly after this post was published, at € 6.95, but has been recovering since then, halving the loss.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Veneza a afundar-se?

Um leitor habitual enviou-me uma notícia deveras interessante sobre Veneza. Esta é uma cidade lindíssima, à qual já me havia referenciado no passado. Veneza é igualmente uma espinha atravessada na garganta dos alarmistas, e percebe-se melhor porquê no artigo.

Veneza afundou-se 23 centímetros desde 1897, dos quais apenas 9 cm se ficaram a dever à subida dos mares, enquanto o restante se ficou a dever essencialmente a um processo de subsidência. Os ambientalistas sabem portanto que não podem apontar este exemplo, pois na verdade o problema é mais da descida do que da subida! Tal descida ficou essencialmente a dever-se à extracção de águas subterrâneas, entre 1920 e 1970, sendo que foi aí que se verificou uma maior subida do nível do mar, conforme pode ser observado através dos dados da estação de Punta della Salute, donde foi retirado o gráfico que podemos ver abaixo. Desde a década de 1970, nota-se como a subida foi claramente reduzida. O maior nível de cheias foi atingido em 1966, e diversos artigos científicos descrevem o processo. Curiosamente, as notícias em sentido contrário têm pouca divulgação.


Mas o que mais me surpreendeu na notícia acima é que Veneza se preparava para ser mais um local de propaganda da Religião Verde. Um congresso marcado para 14 e 15 de Novembro foi cancelado, e isso deixou alarmistas como Stefan Rahmstorf chateados. Este Stefan é o mesmo a que nos havíamos referido ainda apenas há uns dias. Ele refere que ía apresentar aí os seus novos dados, claro ainda mais alarmistas que o cenário anterior, mesmo a tempo de Durban. O problema dele é que o rácio de subida é cada vez menor, como as mais recentes medições de satélite o demonstram...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Jornalistas climáticos na mó de baixo

Um leitor trouxe-me ao conhecimento mais um daqueles eventos sui-generis da Religião Verde. Este intitulou-se "As alterações climáticas nos media e na opinião pública", e decorreu no passado dia 21, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

Da leitura do notícia do alarmista Público, o único que referenciou o evento, depreende-se que estiveram lá os actores e responsáveis pelas notícias hard-core do alarmismo climático em Portugal, quase todos já conhecidos dos leitores habituais do Ecotretas.

As constatações foram de lamento. Queixam-se que a Sociedade não os ouve! Luísa Schmidt, investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa queixa-se de que as alterações climáticas "são um assunto demasiado distante das pessoas, uma questão de grandes acordos internacionais que é decidida longe e com poucos reflexos a nível nacional". As lamúrias continuam com um "vivemos um momento extremamente complicado, quando a crise económica obscurece tudo". Do que ela não se queixa é do dinheirinho que recebe para dizer estas barbaridades...

Anabela Carvalho, do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, também se queixa: "A escala regional e local têm referências praticamente ausentes" nos jornais. Pudera, pois os jornalistas funcionam melhor com copy&paste dos evangelhos da Religião Verde, do que puxando pela cabecinha! O que ela anda realmente a fazer é a publicitação do seu recente livro, editado em Setembro de 2011. O seu livrinho foi até financiado por um projecto de investigação, dotado de 30 000 €, pago portanto por todos nós...

Mas realmente, do que interessa, não falam eles... Alguém viu alguma referência ao Climategate 2.0 em Portugal? Eu nãoSó surgiu tardiamente no Público, apesar da ampla cobertura internacional (1, 2, 3). Depois, queixem-se que ninguém lê os jornais!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O melhor do Climategate 2.0

Estas são algumas das minhas citações favoritas, na revelação que se está a tornar o Climategate 2.0 (realces da minha responsabilidade):

Michael Mann -> Phil Jones (1680.txt)
I have been talking w/ folks in the states about finding an investigative journalist to investigate and expose McIntyre, and his thusfar unexplored connections with fossil fuel interests.Perhaps the same needs to be done w/ this Keenan guy.

I believe that the only way to stop these people is by exposing them and discrediting them.

Do you mind if I send this on to Gavin Schmidt (w/ a request to respect the confidentiality with which you have provided it) for his additional advice/thoughts? He usually has thoughtful insights wiith respect to such matters,

Phil Jones -> [vários] (1577.txt)
Any work we have done in the past is done on the back of the research grants we get - and has to be well hidden. I've discussed this with the main funder (US Dept of Energy) in the past and they are happy about not releasing the original station data.
(...)
Some of you may not know, but the dataset has been sent by someone at the Met Office to McIntyre. The Met Office are trying to find out who did this. I've ascertained it most likely came from there, as I'm the only one who knows where the files are here.

Edward Cook -> Keith Briffa (4369.txt)
I will be sure not to bring this up to Mike. As you know, he thinks that CRU is out to get him in some sense. So, a very carefully worded and described bit by you and Keith will be important. I am afraid that Mike is defending something that increasingly can not be defended. He is investing too much personal stuff in this and not letting the science move ahead. I am afraid that he is losing out in the process. That is too bad.

Phil Jones -> Manola (0021.txt)
I've saved emails at CRU and then deleted them from the server. Now I'm at home I just have some hard copies.

Rob Wilson-> [vários] (4241.txt)
The whole Macintyre issue got me thinking about over-fitting and the potential bias of screening against the target climate parameter.
Therefore, I thought I'd play around with some randomly generated time-series and see if I could 'reconstruct' northern hemisphere temperatures.
I first generated 1000 random time-series in Excel - I did not try and approximate the persistence structure in tree-ring data. The autocorrelation therefore of the time-series was close to zero, although it did vary between each time-series. Playing around therefore with the AR persistent structure of these time-series would make a difference. However, as these series are generally random white noise processes, I thought this would be a conservative test of any potential bias.
(...)
The reconstructions clearly show a 'hockey-stick' trend. I guess this is precisely the phenomenon that Macintyre has been going on about.
It is certainly worrying, but I do not think that it is a problem so long as one screens against LOCAL temperature data and not large scale temperature where trend dominates the correlation.

Raymond Bradley -> Keith Briffa (3373.txt)
Also--& I'm sure you agree--the Mann/Jones GRL paper was truly pathetic and should never have been published. I don't want to be associated with that 2000 year "reconstruction".

Phil Jones -> Tom Wigley (4789.txt)
Bryan Weare is at US Davis. He would know about some of the things you mention. The jerk you mention was called Good(e)rich who found urban warming at all Californian sites.

Climategate 2.0

Está aí, mesmo a tempo de Durban! Quase exactamente dois anos depois da versão 1.0. Surgiu inicialmente aqui. Obviamente, também já está no Watts Up With That.

As mensagens devem ser consideradas um complemento ao Climategate 1.0. Nenhuma mensagem nova de 2010 e 2011 aparece na lista. O ficheiro contém, no entanto, cerca de 220 mil mensagens encriptadas, que não se sabe muito bem o que são...

A única referência interessante a Portugal, é uma mensagem já antiga, a "clamar" por acção:

We would like to invite proposals from activists working on climate campaigning. Following an activist and NGO meeting in March this year, attended by climate activists from Europe, Asia, USA, Australia and Latin America, funding was obtained to support two people to work on a project connected to the sixth United Nations Climate Convention, otherwise known as the Conference of the Parties (COP6), which will happen in Autumn/Winter 2000/2001. The United Nations is currently considering only one possible location for the meeting - den Haag, The Netherlands.

The International working group formed after the activist and NGO meeting are looking for two people who would be able to create something innovative and effective with this funding. They will be based in a Climate research group in Portugal, 'Euronatura'. The campaign will be supported by the International working group which has experience of United Nations negotiations, direct action, campaigning, economics and climate science. Groups supporting this campaign include : eyfa, Aseed, Carbusters Magazine, Korean Ecological Youth, Free The Planet USA, EuroNatura, Climate Action Network Latin America, Climate Action Network Central and Eastern Europe and Oilwatch Europe.

The thing that joins these people together is the desire to work together to radicalise the agenda of the climate negotiations. The current direction of the negotiations cannot hope to define targets nor build mechanisms of implementation and compliance which will stop the currently dangerous emissions levels of Greenhouse Gases.

Ideally, the collaboration between the two funded volunteers, Euronatura and the International working group, will touch on all aspects of climate change and the related campaigns of oil, forest, marine and transport. Equally, the collaboration will be aware of all strategies to counter the weakness of the United Nations and the dominance of certain lobbying groups (notably the oil and nuclear industry). The strategies discussed by the International working group revolve around direct action, research and negotiation.