segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O barrete das gravatas

A história das gravatas da Cristas é um dos melhores exemplos de demagogia dos nossos políticos. Na altura o gozo foi muito giro, como a imagem ao lado revela, retirada daqui. Já há muito esperava pelas contas, porque sabia que a demagogia da poupança continuaria. Aliás, no artigo original, já havia previsto que o Verão fresco iria reduzir os consumos de energia... As contas surgiram ontem, no Jornal I, onde se afirma que a poupança terá sido de 136039 euros... Hoje sabemos que a Ministra utilizou o Facebook para revelar tais contas.

A sorte da Ministra foi que o tempo ajudou! Como se pode ver nos dados do Instituto de Meteorologia, as temperaturas no Verão foram inferiores à média... Aliás, se repararem bem, a diferença em relação à média do período de 1971-2000 foi ainda maior nos locais onde há maior concentração de funcionários do Ministério! O próprio IM, envergonhado, ainda conseguiu pôr cá fora um resumo, culpando a Oscilação do Atlântico Norte, mas que não esconde as evidências! Adicionalmente, a consulta dos dados de consumo de energia do Verão (pag. 4) revela quedas do consumo total nacional de 5%! Por isso, é fácil perceber o barrete que estas contas representam...

Sirva ao menos este exemplo para confirmar que o Aquecimento Global não está aí!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Mais greves nos transportes

Confesso que sou um utilizador pouco frequente dos transportes públicos. E quando os utilizo fico, quase sempre, certo que fui mal servido! Por isso, algumas vezes nem noto quando o serviço ainda é pior, como foi a quadra natalícia deste ano. Só hoje é que me dei conta que os maquinistas da CP resolveram, mais uma vez, utilizar a arma da greve. Porque foi Natal, pensei logo, mas quando fui investigar, ainda mais parvo fiquei!

A greve destes dias, e que deve estender-se até à passagem do ano, é essencialmente motivada por processos disciplinares, que a administração desencadeou, porque estes mesmos maquinistas não haviam cumprido os serviços mínimos por ocasião de greves anteriores ocorridas na empresa...

Também, ao contrário dos anos anteriores, o salário de Dezembro não foi antecipado. Não admira, pois praticam-se salários absurdos nas empresas públicas de transportes, como referi para o caso do Metro de Lisboa aqui e ali. Na CP não se ganha tão bem, mas como o semanário Sol já referia este ano, há maquinistas que chegam a ganhar 50000 euros por ano! É para isto que servem as absurdas indeminizações compensatórias de serviço público, em que a CP, Refer e Metropolitano de Lisboa receberam quase 120 milhões de euros este ano...

Mas o que motivará verdadeiramente todas estas greves dos Maquinistas da CP? Parte do mistério estará no fundo de greve para o qual eles descontam todos os meses para o Sindicato dos Maquinistas. Todos os meses os maquinistas descontam um por cento do seu ordenado para o Fundo. Quando fazem greve, os Maquinistas recuperam esse investimento. Agora, toca a fazer contas: de quanto em quanto tempo devem os maquinistas fazer greve, para recuperarem o investimento?

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Bemposta a amarelo

Um leitor enviou-me um link para uma notícia passada na SIC, e que refere como a EDP pintou parte da barragem de Bemposta, perto de Mogadouro, de amarelo-choque. Quando vi o vídeo nem podia acreditar! Já aqui até tinha defendido que podia ser interessante pintar as barragens, mas nunca me passou pela cabeça que a EDP já estava a avançar neste domínio, sobretudo quando aquele amarelo destoa de absolutamente tudo! É claro que os ambientalistas também acordaram depois para o problema (estão a sonhar em permanência e quase exclusividade com o CO2), pelo que tem que ser a população a lutar...

Para além do choque visual, os consumidores foram extorquidos em mais 150 000 euros, para felicidade do artista plástico Pedro Cabrita Reis! Um acto de verdadeira loucura, ou então de previsão da venda da participação da EDP aos amarelos, mas que parece que vai ter mais sequências! É claro que a EDP vai ter que voltar atrás e pintar aquilo de forma mais correcta, pelo que o Pedro terá nova oportunidade de pintar aquilo, com mais uma extorsão aos consumidores?

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O falhanço solar

Está à vista o resultado da aposta estupidificante na energia solar. Não é que eu não acredite na energia solar; o que eu não acreditei, nem acredito, é que uma energia produzida de forma ineficiente e cara, pudesse vingar à custa da massificação! A energia solar continua a ser excessivamente cara, e com uma eficiência reduzidíssima, quase sempre bastante abaixo dos 20% em cenários de produção, embora em laboratório já se consigam mais de 40%.

Assim, estão à vista os resultados desta desastrosa aposta. Em Portugal, um dos exemplos mais emblemáticos é o do Barão Vermelho, ao qual já nos havíamos referido aqui e ali. Ontem, via Correio da Manhã, ficamos a saber que, obviamente, a fábrica que devia estar pronta a funcionar há quase dois anos, ainda nem sequer começou a ser construída. Agora, há um novo prazo para meados do próximo mês, dado pela Câmara. Mas entretanto, a cambada já bazou, sendo que o melhor a fazer, neste caso, é uma visita regular ao blog Cidadãos por Abrantes, que segue a par e passo o tema, como a imagem acima documenta...

Nada que nos surpreenda! Há uns meses foi o caso da Solyndra. Ontem foi o caso da BP. Está tudo a cair como um castelo de cartas. Na Alemanha a situação é a mesma há meses, mas cada dia que passa há novidades! É óbvio que há muita gente a estrabuchar, e por cá só faltava conhecer a quem vai o Governo vender a EDP, para começar a cortar a seguir...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O frenesim das baratas tontas

Como seria de esperar, os alarmistas andam em actividade frenética, porque sabem que depois de Durban, provavelmente terão de hibernar por uns tempos. Por cá, Filipe Duarte Santos é como uma barata tonta, tal é a enxorrada de meias verdades, e mentiras descaradas, que profere!

Por altura da reunião em Sintra, do XI Congresso Mundial da Organização das Cidades Património Mundial, sob o tema das alterações climáticas nos locais classificados pela UNESCO, o conhecido alarmista português, disparatou em todas as direcções! O disparate é tanto que até mete dó! Para ele, o Alto Douro Vinhateiro está em perigo, por causa dos incêndios... O problema é que são normalmente os matos e as florestas que ardem, e não os campos de vinha! Aliás, como já vimos, o vinho do Porto adora o CO2! Depois, o centro histórico de Évora também vai ter problemas de abastecimento de água. Os arredores, esses fica-se na dúvida... Depois, o mar vai subir, e para ele Veneza é um caso exemplar, quando todos os restantes alarmistas fogem de Veneza, como o Diabo foge da cruz! E depois dá a calinada final, dizendo que no final do século o nível do mar terá subido mais de um metro. Na verdade, a estimativa máxima da Bíblia do IPCC é de 59cm... E na realidade, como sabemos, não sai da cêpa-torta!

Uns dias depois, lá estava ele a ludibriar a Associação Portuguesa de Seguradores. Parece que são eles a pagar o estudo, mas eu cá tenho as minhas dúvidas; no mínimo, pagará quem tem seguros, ou seja, todos nós... Um estudo realizado por 15 investigadores, durante 3 anos, de várias entidades da Universidade de Lisboa, Universidade Nova de Lisboa e Universidade de Aveiro chegaram, aparentemente, à brilhante conclusão que a costa desde Viana do Castelo até Peniche, está em perigo! Especialmente, dizem eles, em locais como a Praia da Vagueira e Praia da Cortegaça... Mas, os leitores do Ecotretas sabem que o avanço do mar para aqueles lados, vem dos tempos da Pequena Idade do Gelo... Mas os estudos supostamente incorporam cenários climáticos futuros, ou seja mais advinhice, num contexto de "fenómenos meteorológicos extremos mais intensos", daqueles que estes investigadores da treta já não se lembram...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Contas das novas barragens

Nos últimos meses tenho dedicado algum do tempo reservado ao blog a desmontar as contas das várias organizações ambientalistas (GEOTA, FAPAS, LPN, Quercus, CEAI, Aldeia, COAGRET, Flamingo, SPEA, MCLT) sobre o PNBEPH. Já observei como eles têm vindo a inflacionar o bicho papão dos custos, que começou (tanto quanto eu sei) em 7000 milhões de euros há um ano atrás, e que já vai quase no triplo.

Desse valor, a parte da potência garantida já foi completamente desmontada: em vez dos 3400 milhões previstos pelos ambientalistas, o custo actual é 0. ZERO! Erro pequeno. É claro que, como aliás afirmo no artigo do link anterior, se o Governo entender mudar isso no futuro, atribuindo-lhes a garantia de potência (que recorde-se não está garantida, passe o pleonasmo), essas contas poderão ser alteradas.

Mas o resto dos milhares de milhões continuava a ser uma incógnita... Aliás, em nenhum documento publicamente disponível, as organizações ambientalistas explicavam como chegaram aos números, que crescem à vontade do freguês. Compreende-se: cada vez que chutam um número, topa-se o seu analfabetismo! Mas numa troca de emails com alguns dos compadres do Daniel Conde, a propósito da barragem do Tua, topei que este peão havia dado com a língua nos dentes, ou melhor no Facebook. Desta página, de 13 de Outubro, retiram-se as seguintes contas, explicadinhas de forma simples:

Ora bem, segundo percebi das contas - que aqui se publicam a pedido de algumas pessoas - a dezena e meia de milhares de milhões de euros de encargos com o PNB vêm de duas componentes:

1 - A remuneração da electricidade produzida, a € 110 p...or cada MW (preço médio de venda à rede), e esperando-se uma produtividade de 1676 GW/h por ano, dá 184 milhões de euros por ano;

2 - A remuneração da potência (perceberam a marosca da potência instalada na peça?), é paga a 20 mil euros por MW por ano, estando prevista uma potência instalada de 2453 MW, o que dá uma soma anual de 49 milhões de euros;

3 - Tudo somado dá uma autêntica renda do Estado (o Estado somos nós, entenda-se) de 233 milhões de euros por ano, o que ao cabo dos horizontes de concessão de 65 anos destas barragens, dá a soma de mais de 15 mil milhões de euros, que TODOS, repito, TODOS teremos de pagar.

Mas nada temam: o lucro esperado das concessionárias é de cerca de 8 mil milhões de euros. Tipo a Ponte Vasco da Gama, que se "pagaria por ela própria" enquanto PPP, mas que já arrecadou uns generosos milhões do Estado.

Mas isso são outras coisas...

Fiquei banzado! Então eles consideraram um custo da barragem o preço da energia que ela vai produzir? Ainda por cima referenciado a um custo próximo do pago pelo consumidor??? E tudo isto é uma renda do Estado, porque o Estado somos nós??? É claro que todos vamos pagar o custo da energia. Mas se não for o MWh da futura barragem do Foz-Tua, será o MWh da central nuclear de Almaraz, ou então das magníficas “ventoinhas” por tudo quanto é monte e linha de horizonte deste País!

Neste jogo de xadrez, as declarações do peão serão provavelmente sacrificadas. Mas isso não ilibirá a Geota e companhia de explicarem verdeiramente as suas contas, o que nunca fizeram! Como esta discussão foi a que me expulsou do Facebook, preservam-se as afirmações do peão, na imagem acima, antes que sejam destruídas pela Religião Verde...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Já (quase) não nos falta nada

O título deste post é o título do Editorial, de Sandro Mêda, da Autohoje desta semana. Sandro dá-nos uma visão equilibrada de como os nossos políticos tinham as prioridades erradas. E como o Canadá está a ver bem as coisas, perante a hipocrisia da China. Comparem este texto, disponibilizado abaixo com realces da minha responsabilidade, com o discurso das grandezas do Basílio Horta, num artigo de opinião do Diário Económico de ontem, para perceberem as diferenças entre a realidade e a utopia:

Foram notícia a saída do Canadá do tratado de Quioto e a crítica da China a essa decisão. A surpresa vem, segundo os analistas, do Canadá, tendo uma sociedade evoluída, abandonado um programa que “salvaguarda” o planeta; e também da China por se atrever a criticar a atitude recusando-se ela própria a integrar o grupo. Não me surpreendeu nenhuma das posições. Pelo contrário, considero-as coerentes com a forma de estar na vida de cada país: o Canadá, perante a óbvia conclusão de que as medidas do tipo Quioto só serão efectivas quando perderem a hipocrisia e passarem a ser universais, decidiu, em tempos de crise e perante países que alegam estar em desenvolvimento - qual não gostaria de estar, e os que estão em regressão, como Portugal, que tipo de condescendências deveriam ter? - para não cumprirem quaisquer regras, optou por distribuir os resíduos do seu desenvolvimento por todo o planeta, como tantos outros fazem, em vez de os concentrarem na sua população, com brutais impostos ou prejuízo da qualidade de vida; e os chineses limitaram-se a seguir a filosofia “façam o que eu digo e não o que eu faço, senão não ganham dinheiro connosco”. O que os analistas esperavam era uma atitude à portuguesa: na posição do Canadá, aumentar a colecta e perseguir os automóveis; na da China, emitir opinião apenas se estivesse alinhada com a de todos os outros.
E por sermos assim, tão pseudo-altruístas, temos empresas que fizeram planos e estratégias que são arrasadas por portagens de última hora e alterações constantes na fiscalidade automóvel. Temos milhões de euros gastos em 1300 postos de carregamento para 200 carros eléctricos. Temos proibições de circulação a carros velhos, sem fazermos nada para que se troquem por novos. Temos tudo para não sermos nada.