quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Parques eólicos suspensos

Um leitor fez-me chegar uma notícia agradável, em que se afirma que o Governo suspende atribuição de licenças para novos parques eólicos. Antes de mais, o Comunicado do Conselho de Ministros é:

3. O Governo decidiu suspender, com efeitos imediatos, a atribuição de potências de injeção na Rede Eléctrica de Serviço Público (RESP), ressalvando a possibilidade de poderem ser excepcionados casos de relevante interesse público, em situações a regulamentar por resolução do Conselho de Ministros.

Esta decisão decorre das orientações de política energética previstas no Programa do Governo e que apontam para a necessidade de ponderar e reavaliar o enquadramento legal da produção de eletricidade em regime especial.

Tudo isto decorre, em meu entender, de uma profunda revolução, que está em curso. Na segunda revisão do memorando de entendimento com a Troika, ficou definido que até ao final do mês de Janeiro, será analisado o regime de apoio aos produtores de energia em regime especial, bem como possíveis reduções na tarifa. E ao contrário do título da notícia, são muitos os produtores afectados, incluindo pelo menos também a energia solar, cogeração, biomassa e microgeração... Tudo parece indicar que isto vai endireitar! Entretanto, no mesmo comunicado do Conselho de Ministros, houve um outro ponto que me chamou a atenção. Deve ser tema para próxima investigação do Ecotretas:

2. O Conselho de Ministros decidiu também declarar a resolução, por incumprimento, de seis contratos de investimento e de concessão de benefícios fiscais celebrados pelo Estado Português e as seguintes empresas: Itarion Solar, Lda., e Agni Inc - Desenvolvimento de Sistemas para Energias Alternativas, S.A., Faurecia - Sistemas de Escape Portugal, Lda., Peugeot Citroen Automóveis Portugal, S.A., Têxtil Manuel Gonçalves, S.A., Itarion Solar, Lda., Agni Inc - Desenvolvimento de Sistemas para Energias Alternativas, S.A., e Globe Motors Portugal - Material Eléctrico para a Indústria Automóvel, Lda.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Aquecimento Esclarecido

"Aquecimento Esclarecido" é o nome de um espectáculo concebido pelo nosso conhecido David Marçal. O artigo que saiu no De Rerum Natura não é claro nos seus motivos. Foi um leitor atento que me apontou na direcção correcta. A estupidez é bem evidente quando se propõe uma peça com a motivação de "satirizar a falta de fundamentação científica daqueles que negam a influência humana no aquecimento global":

Com criatividade e humor à mistura, a história insinua que são as árvores que provocam o efeito de estufa, que os furacões são causados pelos geradores eólicos e que uma boa camada de dióxido de carbono pode ser o nosso melhor protector solar.

O David Marçal devia saber melhor! É com isto que pretende promover a cultura científica? O químico devia saber que as árvores adoram o Aquecimento Global, especialmente a parte do CO2 acrescido, aliás como já demonstraram cientistas portugueses... O David devia saber que a intensidade dos furacões está em níveis mínimos; será que isso é causado pelas eólicas, que estarão a retirar a energia do vento? E por insistir no CO2, talvez o Marçal queira, em Coimbra, dar um pulito ali ao lado ao Coimbra Shopping, à secção da restauração, e verificar como 950 ppm de CO2 são considerados uma qualidade do ar excelente...

Enfim, a prova provada de como a Ciência hoje em dia é uma palhaçada. O que eu não sabia é que a Exxon-Mobil Oil tinha oferecido dez mil dólares a cientistas que encontrassem erros e imprecisões no relatório do IPCC. Como eu já fiz a minha parte com o Horngate, vou ver se o prémio ainda estará de pé...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O paradoxo da poupança

Todos devem saber que os preços da electricidade voltaram a subir neste início do ano. Todos os consumidores sentiram também nos últimos meses o aumento do IVA. Mas porque aumentam os preços da electricidade? Para a ERSE, há três factores que justificam esse aumento:
  • Evolução do custo das matérias-primas energéticas e da energia elétrica nos mercados internacionais
  • Custos da Produção em Regime Especial (PRE)
  • Evolução do consumo de energia elétrica
Este último ponto é difícil de percepcionar, sem ler os detalhes (realces da minha responsabilidade):

Para o estabelecimento das tarifas de 2012, estima-se que o consumo de energia elétrica se situe cerca de 3% abaixo do valor homólogo de 2011.

Parte considerável dos custos a recuperar pelas tarifas são custos fixos que não variam com o consumo de energia elétrica. Estes custos correspondem, essencialmente a: (i) investimento em infraestruturas de redes; (ii) custos de interesse económico geral e de política energética e (iii) ajustamentos tarifários referentes a anos anteriores.

Nessa medida, quando há uma diminuição do consumo de energia elétrica verifica-se o aumento destes custos por unidade de energia elétrica.

Ora, por aqui é fácil perceber como aqueles que nos dizem para poupar energia estão errados! Porque quanto mais pouparmos colectivamente, mais pagaremos? É esse o paradoxo: se pouparmos mais kWh, pagaremos mais pelo kWh. E se não poupássemos, não passaríamos a pagar menos?

Cúmulo do paradoxo: Atitudes como as das gravatas, da Ministra Cristas, contribuem para que os Portugueses paguem mais pela electricidade!

sábado, 31 de dezembro de 2011

800 litros de água aos 100Km

Já há algum tempo que não falava dos biocombustíveis. Todos sabemos quão engatado isso anda, e como só subsistem à custa de enormes subsídios... Mas agora dei conta de um artigo avalassador, que nos dá mais uma visão aterradora das consequências da aposta nos biocombustíveis.

Dominguez-Faus et al. fizeram as contas a quanta água é necessária para poder produzir determinadas formas de energia. Traduziram isso em litros/MWh. Os resultados foram os seguintes:

ProcessoL/MWh
Extracção petróleo10-40
Refinação petróleo80-150
Retorta de Petróleo shale 170-681
Ciclo combinado gás natural - arrefecimento ciclo fechado230-30300
Ciclo combinado a Carvão gaseificado~900
Nuclear - arrefecimento ciclo fechado~950
Geotérmico - arrefecimento ciclo fechado1900-4200
Recuperação avançada de petróleo~7600
Ciclo combinado gás natural - arrefecimento ciclo aberto28400-75700
Nuclear - arrefecimento ciclo aberto94600-227100
Milho para etanol - irrigação2270000-8670000
Soja para biodiesel - irrigação13900000-27900000

De uma forma geral, por cada litro de etanol produzido a partir de milho, consome-se 100 litros de água. Se um carro consumir 8 litros aos 100Km, as contas são fáceis: 800 litros de água por cada 100 quilómetros percorridos! É claro que os tretas estão preocupados com a missão de alimentar a raça humana, mas esquecem-se que andamos entretidos a produzir biocombustíveis, movendo a frota automóvel de uma forma muito ineficiente! Baseiam-se em mais estudos da treta, que nem sequer o problema dos biocombustíveis equacionam! Talvez eles encontrem neste argumento da água um argumento rápido para questionar todo este embuste, que eles próprios fomentaram.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Contratos blindados

Mira Amaral é dos poucos que em Portugal diz cá para fora as Verdades. As pessoas podem não gostar do seu estilo, mas não há dúvidas que tem quase sempre razão. O extracto abaixo é de uma notícia de hoje do Diário Económico, mas o texto é apenas visível na versão impressa. Reparem como o jornalista do Verde Económico se mostra surpreendido com a simplicidade da solução, e tenta rebater:

Como é que vê a eventual renegociação dos contratos das Parcerias Público Privadas?
Acho que têm de ser renegociadas.

Mas os contratos estão blindados... é tecnicamente possível?
Os senhores das energias renováveis também dizem isso, que há compromissos assumidos pelo Estado e que não se pode tocar nisso. E eu digo: se o Estado já tocou nos compromissos que assumiu com os pensionistas, de forma dramática, por não ter dinheiro, também tem de o fazer aí.

Mas não existe o risco de criar problemas com os bancos e com os financiadores internacionais desses projectos?
Há que perceber que a economia portuguesa não aguenta esse tipo de compromissos, tal como acontece com o défice tarifário. E portanto há que renegociar e que assumir algum ‘haircut' de capital. É tão simples quanto isso. Não podem ser só os pensionistas a pagar a factura. Isto tem de ser renegociado, para mim é óbvio.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Uma mentira cem vezes dita, torna-se verdade

Um leitor enviou-me a digitalização de um artigo que saiu na passada terça-feira no Público. O artigo está disponível, em parte, neste artigo da edição online. A estratégia do alarmista Público, e neste caso do jornalista Aníbal Rodrigues, parece consistir na perpetuação das mentiras da GEOTA e companhia, e que já desmascaramos repetidamente neste blog, nomeadamente nos seguintes posts: (1), (2) e (3).

O essencial do artigo online é uma crítica, novamente, à garantia de potência. Culpa-se as hidroeléctricas, mas esquece-se convenientemente que este esquema existe por causa do excesso de eólicas. A leitura das páginas interiores do jornal é ainda mais triste. Valha-nos o facto de que há três parágrafos com a opinião de Pinto de Sá... Nalguns casos referencia o programa do Biosfera, que abordamos há dois meses e meio atrás, neste post. É muito triste ver este tipo de jornalismo requentado, mas por aqui se percebem várias coisas, nomeadamente a redução de tiragem deste jornal, e o despedimento dos seus trabalhadores. Como é evidente por este artigo, não será que eles merecem?

Esta é, aliás, uma sequência ao melhor estilo de Joseph Goebels, ministro da Propaganda de Adolf Hitler, que proferiu a célebre frase "uma mentira cem vezes dita, torna-se verdade". Na verdade, os jornalistas ambientais enveredaram pela pior das estratégias, que é a da sujeição à Religião Verde. No mesmo dia 27 saiu a notícia de que um dos mais notórios correspondentes ambientais da BBC, Roger Harrabin, também anda a toque de caixa, neste caso dos pseudo-cientistas do Climategate...

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Exemplo de energia limpa

O vídeo abaixo mostra-nos um exemplo de energia limpa. Tão limpa que não precisaram de andar a fazer Photoshop das imagens! Enfim, da próxima vez que ouvirem falar de energias alternativas, não poluentes, limpas, etc., podem pensar nas seguintes imagens: