quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Vem aí o Arrefecimento Global!

Todos nós Portugueses temos experimentado o frio dos últimos tempos, embora o sol durante o dia seja enganador. Na Europa central, a queda de neve tem sido épica. Isso era há duas semanas, mas agora os Alpes levaram com outra carga! No Brasil, o nosso conhecido blog Ciência Alternativa descreve-nos o desastre do Verão do hemisfério Sul. No Canadá, a neve não pára e até as escolas têm que fechar! Na Sibéria, o frio extremo não é de estranhar, mas eles resolveram exportar algum para os países mais a sul. No Japão, a queda de neve é brutal. No Alaska, os quebra-gelos praticamente não dão conta dos recados... Mais a sul, na costa oeste dos Estados Unidos a neve caiu em grandes quantidades, e na Florida, estava tudo gelado há umas semanas. Até nevou no deserto do Saara!

Alguém detecta aqui algum padrão? Vejam o gráfico abaixo (visível aqui), que descreve as temperaturas observadas pelo satélite AQUA, na sua altitude mais baixa, nos últimos dez anos. Estão a ver onde estão as temperaturas medidas pelo satélite? Em mínimos absolutos!


Mas há mais! O pior ainda deve estar para vir. Vejam por exemplo, no gráfico abaixo (retirado daqui), a previsão da anomalia da temperatura, para os próximos dias, para a Europa inteira. Nada como uma boa dose de Arrefecimento Global, para arrefecer o ânimo de todos aqueles que nos andaram a enganar ao longo dos últimos anos:


Mas, os cientistas estão a sair da casca. Agora, parece que vem aí o Arrefecimento Global. As previsões dos ciclos solares são de arrepiar! Os próximos tempos vão ser realmente muito giros... A discussão segue no Watts Up With That, que se antecipou uns minutos...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A Passagem do Nordeste antes de David Melgueiro

Depois do artigo inicial sobre David Melgueiro, iremos neste reflectir sobre o conhecimento disponível à época. Foram várias as expedições procurando a Passagem do Nordeste, e sobre muitas delas pouco reza a História. Para enquadrar a possibilidade da verdadeira realização da viagem de Melgueiro, é preciso perceber o que o precedeu.

Começaremos pelo norte da Rússia, onde os Pomors chegaram aos mares do Norte durante o século doze, através dos estuários de Dvina/Norte e Onega. Da sua base de Kola, exploraram todo o mar de Barents, incluindo Spitsbergen e Novaya Zemlya. Mais tarde, os Pomors descobriram e mantiveram a Passagem do Nordeste entre Arkhangelsk e a Siberia. Com os seus navios, designados koch, especializados para a navegação nas díficeis condições do Árctico, os Pomors atingiram locais longínquos da Sibéria, como Mangazeya, a este da penínusula de Yamal. Neste excelente documento de Nataly Marchenko, encontramos uma mapa alusivo às navegações dos Pomor:


No início do século XVII, nos três meses de Verão, o transporte de mercadorias através de barco era frenética. O desaparecimento de Mangazeya ficou sobretudo a dever-se a razões políticas, pois em 1619 foi punida com a pena de morte quem negociasse na região, depois de em anos anteriores o volume de trocas comerciais aí ter superado o de toda a Rússia, sem que esta conseguisse aí cobrar impostos... Curiosamente, Mangazeya foi devastada por um fogo em 1662, que levou à sua evacuação, tendo sido redescoberta em 1967. Mais informação sobre Mangazeya pode ser vista neste documento, em russo.

Entretanto, em Roma, o diplomata Dmitry Gerasimov, em 1525, avançara com uma possível ligação entre o Atlântico e o Pacífico. Em 1553, Hugh Willoughby, comandou três navios, com o piloto Richard Chancellor, em busca da passagem do Nordeste. Os navios foram separados por ventos fortes, e enquanto Willoughby aportou a uma baía próxima da actual fronteira entre a Finlândia e a Rússia, tendo morrido durante o Inverno, Chancellor conseguiu atingir o Mar Branco, e daí regressar a Moscovo por terra. Mais tarde, Chancellor conseguirá descobrir o que aconteceu a Willoughby, recuperar alguma da sua documentação, e nela encontrar referências a Novaya Zemlya. Entretanto, Steven Borough, que também participara na expedição de Willoughby, numa segunda expedição em 1556, descobriu o estreito de Kara, mas teve que voltar para trás, em função do gelo. Um século antes de Melgueiro, Borough passou o Inverno em Kholmogory, no Mar Branco.

Willem Barentsz, navegador holandês, foi o explorador que mais activamente procurou a Passagem do Nordeste, no final do século XVI. Na sua primeira viagem, em 1594, conseguiu atingir a costa oeste de Novaya Zemlya, mas teve que voltar para trás por causa do gelo. No ano seguinte, Barentsz fez a sua segunda tentativa, mas perante um mar de Kara gelado, foi obrigado a voltar atrás, tendo a expedição sido considerada um fracasso.

Na terceira e última viagem, na qual viria a morrer, Barentsz começou por descobrir Spitsbergen, donde prosseguiu para Novaya Zemlya. Quase na ponta norte da ilha tiveram que passar o Inverno seguinte, tendo sido construída uma cabana. No Verão seguinte regressaram para Sul, mas entretanto Barentsz morreu no regresso. Uma boa descrição desta viagem está disponível no livro The North-west and North-east passages 1576-1611, de Philip Alexander.

Os holandeses foram dos mais activos na procura da Passagem do Nordeste. Note-se que este é um factor que importa na equação da viagem de Melgueiro, uma vez que o Pai Eterno, no qual terá efectuado a Passagem do Nordeste, era um navio holandês. Ainda antes de Barentsz, Olivier Brunel tentou em 1584 encontrar a rota para leste pelo norte. No início do século XVII, vários navegadores ao serviço da Companhia Holandesa das Índias Orientais procuraram activamente a passagem, nomeadamente Henry Hudson.

Segundo Leonid Sverdlov, Membro da Sociedade Geográfica Russa, existirá evidência de que um empreendimento comercial terá partido de Ob ou Yenisey, e contornado o Cabo de Chelyuskin, a ponta mais a norte da Ásia, tão cedo quanto 1617-1620. Achados arqueológicos de 1940-1945 no golfo de Sim e na ilha de Faddeyevsky parecem servir de evidência para tal empreendimento. Aliás, à ilha de Faddeyevsky está associada "Kettle Island", oficialmente descoberta em 1773 pelos russos Ivan Lyakhov e Protod’yakonov, e que deram o nome à ilha por nela terem encontrado uma chaleira de cobre. Quem aí a deixou continua hoje a ser um mistério...

Em 1648 Semyon Dezhnyov tornou-se o primeiro europeu a passar o estreito de Bering, ou de Anian, como era conhecido anteriormente. Na companhia de Fedot Alekseyev, Andreev e Afstaf’iev, navegaram pelo rio Kolyma até ao Oceano Árctico, contornaram a península de Chukchi, até ao rio Anadyr, já no Pacífico. A descoberta não teve grande divulgação, tendo mesmo sido alvo de desacreditação. Ainda segundo a lenda, alguns dos barcos da expedição terão sido desviados para o Alaska, mas nenhuma evidência existe, para além do desaparecimento de grande parte da expedição, dado que apenas o barco de Dezhnyov, um de sete, chegou ao Anadyr.

Ainda na primeira metade do século XVII destacaram-se os exploradores russos Mikhail Stadukhin, Ilya Perfilyev, Ivan Rebrov, Elisei Buza, Poznik Ivanov e Dimitry Zyryan, que exploraram as zonas dos rios Yana, Indigirka e Kolyma. Destaque também para Kurbat Ivanov, que em 1660 (mesmo ano da partida de Melgueiro) partiu da baía de Anadyr para o Cabo Dezhnyov. Na sequência desta viagem Ivanov criou um mapa de Chukotka e do estreito de Bering.

Nota: Este post foi integrado numa página onde se relata toda a investigação efectuada sobre David Melgueiro: ecotretas.blogspot.com/p/david-melgueiro.html

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O Canadá é que sabe!

O Canadá é definitivamente um País na vanguarda da luta contra o alarmismo climático. Depois do abandono do protocolo de Kyoto, o Ministro do Ambiente canadiano, Peter Kent, começou a livrar-se do excesso de ciência da treta, despedindo no processo 60 cientistas. Ainda não se sabe exactamente em que domínios operam, mas não deve ser difícil imaginar...

Entretanto, a Religião da treta tenta vingar-se dos seus, e contribui para a escalada da estupidez global neste domínio. Segundo a NASA, e o seu cientista Duane Walliser, é justamente no Canadá que se vão verificar das maiores alterações ecológicas massivas, lá para 2100... O mais interessante é que essas alterações massivas se vão verificar no local onde mais dói aos alarmistas: onde os Canadianos estão a extrair grandes quantidades de hidrocarbonetos. Até o Obama se meteu nesta guerra, mas os Canadianos já perceberam também que os Chineses estão disponíveis para receber uma fatia desses hidrocarbonetos... Outros dizem que o Canadá vai ser invadido por espécies alienígenas (preciso ler para perceber)!

É neste 8 ou 80 que estamos actualmente. De um lado, aqueles que tentam tirar partido dos seus recursos, agora e não em 2100, e que lutam contra aqueles que só querem que voltemos à Idade Média... Felizmente, os políticos começam a ganhar juízo, e a perder o medo à Religião Verde... Por cá é que ainda demora!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Apeadeiros e Estações inundadas pela barragem do Tua

Uma das questões frequentes que envolve a construção da barragem de Foz Tua (recentemente abordada aqui), é a submersão de cerca de 16 Km de linha férrea da linha do Tua (ver alguns dados da linha aqui). Tal vai provocar o encerramento de 5 apeadeiros/estações, o que parece uma tragédia. Mas quem já passou por lá sabe que aquelas paragens não servem a absolutamente ninguém! Para o provar, vamos analisá-las uma a uma.

A primeira a partir da foz do Tua é o apeadeiro de Tralhariz. Como se pode ver no Google Maps, não há absolutamente nada por perto! Não há estrada ou caminho que chegue ao apeadeiro, com a aldeia mais próxima a bem mais de um quilómetro a caminhar! As imagens disponíveis na Internet confirmam o desinteresse absoluto do apeadeiro, como podem ver na imagem seguinte, retirada daqui:


A seguir vem Castanheiro. Podem confirmar outra vez no Google Maps como não há vivalma próxima. Mas chega lá um caminho de cabras. As imagens voltam a confirmar o evidente, como podem ver abaixo, retirado deste site com muitas fotos da linha do Tua:


Depois de Castanheiro, segue-se a estação de Santa Luzia. Esta é uma das mais emblemáticas de todas! Como podem ver no Google Maps, o nome que o Google dá à estação (São Lourenço) está errado. Aliás, o Google sugere que há uma estrada que atravessa o Tua, mas desenganem-se: não há lá nada desde finais de 2002... Nessa altura caiu uma ponte que havia sido construída em 1985. O que há é uma aldeia do outro lado do rio, Amieiro, de onde dantes era possível atravessar o Tua com um teleférico... Na primeira imagem abaixo podemos ver a estação do outro lado do rio Tua, e na segunda os cabos do teleférico, ambas retiradas deste site:


A seguir é o apeadeiro de São Lourenço. No Google Maps vemos que não há muito mais que uma dúzia de habitações, algumas numas ruínas evidentes. O apeadeiro foi demolido em 1995, conforme a imagem abaixo demonstra (retirada daqui), mas entretanto reconstruído:


O último dos apeadeiros a ser inundado pela barragem de Foz Tua é o do Tralhão. Mais uma vez, no Google Maps, não se vislumbra uma habitação próxima! Descobrir uma fotografia do sítio é igualmente difícil, mas neste site, descobri a foto abaixo:


Enfim, estão todos a ver o enorme interesse, para as populações, dos apeadeiros e estações, que vão ser inundadas pela barragem do Tua?

Votação final do Blogs do Ano 2011

Há uma semana referenciava a votação para a primeira fase da votação que o Aventar.eu está a organizar dum concurso de blogs com o objectivo de promover e divulgar o que de mais interessante se faz na blogosfera portuguesa e de língua portuguesa. Os leitores do Ecotretas foram generosos, conferindo o seu voto a este blog, que se posicionou na segunda posição, com 148 votos. Ficou muito perto da primeira posição, a apenas seis votos de distância!

Agora, decorre a votação final, que decorrerá durante esta semana. Estou certo que os leitores nos darão o seu voto aqui, na categoria Natureza. Mas como os outros concorrentes são igualmente muito interessantes, não deixem de os visitar também. Aliás, abaixo deixo o link directo para eles, porque são blogs que têm uma abordagem não alarmista das questões da Natureza:

domingo, 22 de janeiro de 2012

Dragar os recursos públicos

Os políticos de esquerda gostam de defender o transporte público, e estão sempre dispostos a defender os interesses dos seus príncipes, e a incentivá-los a fazer greves.

Mas uma coisa é o que é suposto nós fazermos. Outra coisa é o que fazem os políticos da esquerda ecosocialista. O Correio da Manhã de hoje relata o grande exemplo da deputada do Bloco de Esquerda, Ana Drago, que não tem carro nem carta. Vai daí, e numa acção de endoutrinação dos nossos jovens, o Parlamento dos Jovens, deslocou-se a Guimarães de carro e chauffer, tudo à nossa custa!

A página do Parlamento diz que a acção até terá sido em Braga, na EB João de Meira, mas para o efeito é a mesma coisa. Quanto mais pequeninos, melhor se torcem os pepinos. E tanto faz Braga como Guimarães, porque ambas as cidades são bem servidas pela CP. No caso de Guimarães há 9 horários ao longo das segundas-feiras, com Alfa Pendular até ao Porto, e serviço urbano até Guimarães. No caso de Braga, a oferta é ainda maior, incluindo quatro Alfas Pendulares directos! Porque não fazem eles o que defendem, e utilizam os transportes públicos???

Actualização: Obviamente esta análise vai ser percepcionada mesmo pelas melancias. Vejam este exemplo do Ambio...
Actualização II: Alertado por um leitor, reformulei o texto, porque os Alfas Pendulares não são directos para Guimarães, e só alguns o são para Braga.
Actualização III: A referência no site do Parlamento a Braga deve estar errada, porque todas as referências a uma escola intitulada "João de Meira" remetem efectivamente para Guimarães.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Golpada no Solar da Alemanha

Já por várias vezes me referi aqui à estupidez da política verde dos Alemães. A sua aposta na energia solar é enorme, mas num país que não tem muito Sol, essa aposta é uma grande estupidez! Agora, chegou a altura de fazer contas...

P. Gosselin, num post de ontem, evidencia bem a insustentabilidade da situação. Parece que a Merkel e companhia perceberam que nem a Alemanha tem tanto dinheiro para sustentar a brincadeira. A Siemens calculou que a opção de abandono do nuclear vai-lhes custar 1.7 triliões de euros! Para isso muito contribuem os custos de suporte da energia solar, que tem subido exponencialmente, conforme se pode ver na imagem acima, retirada deste artigo do Spiegel.

Obviamente o resultado desta política tem sido a de uma subida extraordinária dos preços da electricidade. Mas agora que as empresas estão a abandonar o País, o corte nas tarifas feed-in solares vai ser radical! Até 2017 vão desaparecer, quando era suposto durarem 20 anos... As acções solares já vão a caminho do abismo, onde nós já estamos, porque fomos um dos que copiamos o modelo, mas ficamos sem dinheiro primeiro...